Melhores de 2013 – Maquiagem

Subestimada refilmagem do filme homônimo de 1981, A Morte do Demônio teve o trabalho de maquiagem mais preterido da temporada de premiações. Preconceito com o gênero? Não necessariamente. Norbit, uma comédia que dispensa comentários de tão horrível, chegou ao Oscar anos atrás. De qualquer forma, impressiona o resultado alcançado pela dupla Claire Rutledge e Jane O’Kane na coordenação desse segmento. Toda a transformação de seres humanos como eu e você em criaturas simplesmente macabras está longe de parecer exagerada. Pelo contrário: é fácil se angustiar com as peles cortadas e com os membros mutilados que volta e meia surgem na tela. O filme é específico para quem gosta do gênero, mas o trabalho é uma aula de como o terror pode se tornar ainda mais inquietante com uma maquiagem bem elaborada.
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OUTROS INDICADOS:

O mundo futurístico de Além da Escuridão – Star Trek se torna ainda mais minucioso com o excelente trabalho de maquiagem / A passagem do tempo e as mudanças físicas dos personagens de Os Miseráveis também são frutos de uma discreta e eficiente maquiagem
EM ANOS ANTERIORES: 2012 – A Dama de Ferro (primeiro ano da categoria)
Melhores de 2013 – Ator Coadjuvante

Ainda é difícil crer que Philip Seymour Hoffman não está mais entre nós. Especialmente quando lembramos de sua extraordinária interpretação em O Mestre. Rivalizando com Capote como o melhor momento de sua carreira, esse filme poderia ter facilmente rendido ao ator um segundo Oscar. Nunca Hoffman esteve tão magnético e imponente em cena, construindo um personagem extremamente complexo com a devida força e sensibilidade. Sua experiência fez toda a diferença para dar vida ao mentor Lancaster Dodd, personagem que tem uma dinâmica simplesmente explosiva com o protagonista vivido pelo igualmente excepcional Joaquin Phoenix. Aproveitando cada chance que lhe é proporcionada pela direção e pelo texto de Paul Thomas Anderson, Hoffman, em O Mestre, mais uma vez entrega uma verdadeira aula de atuação. Um recorte simbólico de sua carreira e, de certa forma, a sua grande despedida. Em alto estilo, como tudo o que realizou em sua filmografia.
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OUTROS INDICADOS:

BARKHAD ABDI (Capitão Phillips)
É bem provável que o somali Barkhad Abdi não venha a seguir carreira no cinema, mas sua estreia em Capitão Phillips é digna de elogios. Merecidamente vencedor do BAFTA 2014 de melhor ator coadjuvante, ele não ficou devendo nada a Tom Hanks em cena, e conseguiu segurar um personagem tenso e perigoso sem deixá-lo unidimensional. Sua naturalidade ao interpretar esta figura essencial para o desenvolvimento e nervosismo do filme lhe deu repercussão mundial, com indicações a todos os prêmios da temporada 2014. Que bom que seu anonimato, sua origem e seu nome difícil não foram empecilhos para tal reconhecimento.

CHRISTOPH WALTZ (Django Livre)
Logo depois que ganhou um inquestionável Oscar por Bastardos Inglórios, o austríaco Christoph Waltz parecia fadado a uma carreira de repetições. Foram pelo menos dois papeis que reproduziam sua perversidade sorridente ou suas constantes ironias: Deus da Carnificina e Água Para Elefantes. Só que Waltz deu a volta por cima e proporcionou um show – novamente comandado por Tarantino – no ótimo Django Livre. Criando um personagem inteiramente novo, ele rouba a cena e conquista por completo como o irreverente e inteligentíssimo dr. King Shcultz. A nova parceria entre ele e o diretor deu tão certo que ambos ganharam um segundo Oscar pelo resultado.

EDDIE REDMAYNE (Os Miseráveis)
Eddie Redmayne chega aos 32 anos com um Tony na bagagem. Recentemente, também havia sido a base de Sete Dias Com Marilyn ao lado de Michelle Williams. Mas é no filme de Tom Hooper que ele tem a melhor chance de sua carreira cinematográfica. É certo que a storyline do revolucionário Marius quebra o ritmo de Os Miseráveis, mas o ator tem pelo menos uma cena de tirar o chapeu (aquela em que canta Empty Chairs at Empty Tables), uma voz surpreendente e uma bem-vinda desenvoltura. É, enfim, um excelente e subestimado suporte para a trajetória do sofrido Jean Valjean (Hugh Jackman).

JAKE GYLLENHAAL (Os Suspeitos)
Desde O Segredo de Brokeback Mountain Jane Gyllenhal não acertava tanto na equação interpretação + filme. Em Os Suspeitos, ele tem as devidas chances como o detetive Loki, responsável por investigar o desaparecimento de duas jovens meninas. Sendo um excelente contraste para o papel de Hugh Jackman, Gyllenhaal cria um personagem cheio de tiques sem cair em exageros e consegue, com muita simplicidade, tornar toda a investigação ainda mais crível e inesperada. Ele é apenas uma parte de um elenco plenamente bem sucedido ao transmitir toda a angústia proposta pelo diretor Denis Villeneuve.
EM ANOS ANTERIORES: 2012 – Nick Nolte (Guerreiro) | 2011 – Alan Rickman (Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2) | 2010 – Michael Douglas (Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme) | 2009 – Christoph Waltz (Bastados Inglórios) | 2008 – Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez) | 2007 – Casey Affleck (O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford)
Melhores de 2013 – Edição/Mixagem de Som

Só por obedecer a realidade e não propagar som no espaço (ao contrário do que acontece em outras ficções bastante imaginativas nesse sentido), Gravidade já merecia aplausos por seu brilhante trabalho nesse setor. Só que, ao capturar praticamente tudo por meio do microfone do uniforme de Ryan (Sandra Bullock) e Matt (George Clooney), o filme alcança um impecável trabalho imersivo. O som ajuda o espectador a compartilhar da angústia dos protagonistas. Ainda por ser um filme inteiramente criado em estúdio, tais detalhes se multiplicam em importância. Merecidamente, edição e mixagem foram devidamente premiados no Oscar.
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OUTROS INDICADOS:

A contemporaneidade da caçada por Osama Bin Laden também é reproduzida com excelência pelo trabalho de som de A Hora Mais Escura / Capturando performances musicais ao vivo e também os detalhes das batalhas da Revolução Francesa, a parte sonora de Os Miseráveis não deixa a desejar em nenhuma abordagem / As eletrizantes corridas de fórmula 1 de Rush – No Limite da Emoção não teriam o mesmo impacto sem o excelente resultado de edição e mixagem de som / O Som ao Redor é um belo exemplo de como o som pode estar a favor de uma história mais “simples” e dramática.
EM ANOS ANTERIORES: 2012 – 007 – Operação Skyfall | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte | 2010 – Tron: O Legado | 2009 – Avatar | 2008 – WALL-E | 2007 – O Ultimato Bourne
Melhores de 2013 – Roteiro Original

Nas premiações, concorreu como roteiro adaptado – o que é sempre um absurdo com as continuações, que só são classificadas assim porque supostamente se “baseiam” em personagens já existentes. Mas a história é inteiramente nova, e por isso, na nossa concepção, se enquadra como original. E que história! Sincera e real como a própria vida. Difícil, também. Agridoce, esperançosa, pessimista. Uma mistura de sensações tão verossímeis que só esse estudo de relacionamentos proposto por Richard Linklater, Ethan Hawke e Julie Delpy desde 1995 poderia trazer. Aqui, a história de Jesse (Hawke) e Celine (Delpy) alcança sua total maturidade. Nada de uma história romântica para fechar de vez o ciclo de sonhos e amores dessas duas pessoas. Não. Antes da Meia-Noite é mais doloroso do que poderia se esperar, mas nem por isso pesado ou incoerente com tudo o que o casal um dia já viveu. As discussões levantadas por esse roteiro em diálogos simplesmente brilhantes e minuciosos nos mostram como a vida como ela é já basta para envolver e arrebatar. Qualquer identificação com a história não é mera coincidência.
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OUTROS INDICADOS:
Em Blue Jasmine, Woody Allen faz o mais fascinante estudo de personagem de sua carreira recente / Realizando talvez o roteiro mais complexo de sua carreira, Paul Thomas Anderson mais uma vez é superlativo com o texto de O Mestre / Com inúmeros personagens, Kleber Mendonça Filho fez uma precisa radiografia da vida em comunidade em O Som ao Redor / O roteiro de Os Suspeitos consegue misturar investigação e drama em um resultado forte e surpreendente.
EM ANOS ANTERIORES: 2012 – A Separação | 2011 – Melancolia | 2010 – A Origem | 2009 – (500) Dias Com Ela | 2008 – WALL-E | 2007 – Ratatouille
Melhores de 2013 – Efeitos Visuais

Existe uma corrente de cinéfilos que desgosta profundamente de Gravidade. Falam da previsibilidade do roteiro, da falta de conteúdo e até mesmo de alguns clichês. Só que é quase impossível achar alguém que questione a parte técnica do filme, em especial o impecável trabalho de efeitos visuais. Se não fôssemos seres bem informados, poderíamos muito bem acreditar que o filme de Alfonso Cuarón foi inteiramente gravado em pleno espaço. Não existe um plano sequer que denuncie descuidos ou pelo menos um vislumbre de algo fake nessa concepção técnica. Cada centímetro e cada minuto de Gravidade é inteiramente real. Uma verdadeira revolução tecnológica que deixa um legado sem precedentes.
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OUTROS INDICADOS:

Não estivesse Gravidade na disputa, Além da Escuridão – Star Trek certamente seria o dono dos melhores efeitos visuais de 2013 / A barulheira de O Homem de Aço é infinita, mas os efeitos servem muito bem a esse atordoante propósito.
EM ANOS ANTERIORES: 2012 – O Hobbit: Uma Jornada Inesperada | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2| 2010 – Tron: O Legado | 2009 – Avatar