Cinema e Argumento

Melhores de 2014: indicados

 

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Lembrado em dez categorias, O Grande Hotel Budapeste é o recordista de indicações na lista dos melhores de 2014 do Cinema e Argumento.

É inegável: 2014 não teve uma infinidade de filmes surpreendentes, mas concentrou grande qualidade em um pequeno grupo de produções realmente respeitáveis. Elas vieram do Brasil (O Lobo Atrás da Porta, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho), da Argentina (Relatos Selvagens) e da Suécia (Alabama Monroe). Também foram assinadas por nomes já respeitados (Wes Anderson com o seu O Grande Hotel Budapeste, David Fincher com Garota Exemplar) e de outros que estão construindo carreira (J.C. Chandor e seu surpreendente Até o Fim). De ácidas comédias a dramas inovadores em estética e narrativa, 2014 agradou todos os públicos. Ninguém ficou de fora. Por isso, a missão de compilar tudo o que o ano teve de melhor no cinema não foi nada fácil. Mas acho que o resultado reunido na nossa lista que pode ser conferida abaixo reproduz com boa fidelidade os títulos que se destacaram.
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A lista do Cinema e Argumento para os melhores de 2014 já começa com um recorde: O Grande Hotel Budapeste é o filme que mais recebeu indicações em toda a história do nosso prêmio, que já acontece desde 2007. Indicado a dez categorias, o filme de Wes Anderson acaba de ultrapassar os recordistas anteriores: O Mestre, 007 – Operação Skyfall e Direito de Amar, todos com oito indicações. Faltou espaço para filmes que tenho grande apreço, como o belo e sensível Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, e aposto todas as minhas fichas que o puxão de orelha que vou receber de vocês será pela ausência quase completa de Boyhood, lembrado apenas na categoria de ator coadjuvante. Mas, de qualquer forma, espero que gostem do resultado. Confiram a relação completa de indicados, considerando os filmes lançados comercialmente no Brasil em 2014:
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MELHOR FILME
Garota Exemplar
O Grande Hotel Budapeste
O Lobo Atrás da Porta
Nebraska
Relatos Selvagens
 
MELHOR DIREÇÃO
Damián Szifrón (Relatos Selvagens)
David Fincher (Garota Exemplar)
Felix Van Groeningen (Alabama Monroe)
J.C. Chandor (Até o Fim)
Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste)
 
MELHOR ATRIZ
Charlotte Gainsbourg (Ninfomaníaca – Parte 2)
Judi Dench (Philomena)
Leandra Leal (O Lobo Atrás da Porta)
Rosamund Pike (Garota Exemplar)
Veerle Baetens (Alabama Monroe)
 
MELHOR ATOR
Chiwetel Ejiofor (12 Anos de Escravidão)
Jake Gyllenhaal (O Abutre)
Joaquin Phoenix (Ela)
Johan Heldenbergh (Alabama Monroe)
Matthew McCounaghey (Clube de Compras Dallas)
 
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Erica Rivas (Relatos Selvagens)
June Squibb (Nebraska)
Lesley Manville (Mais Um Ano)
Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão)
Uma Thurman (Ninfomaníaca – Parte 1)
 
MELHOR ATOR COADJUVANTE
Ethan Hawke (Boyhood: Da Infância à Juventude)
Jared Leto (Clube de Compras Dallas)
Jesuíta Barbosa (Praia do Futuro)
Michael Fassbender (12 Anos de Escravidão)
Ricardo Darín (Relatos Selvagens)
 
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Ela
O Grande Hotel Budapeste
O Lobo Atrás da Porta
Nebraska
Relatos Selvagens
 
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Alabama Monroe
Garota Exemplar
Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
O Homem Duplicado
Philomena
 
MELHOR ELENCO
12 Anos de Escravidão
O Grande Hotel Budapeste
O Lobo Atrás da Porta
Relatos Selvagens
Trapaça
 
MELHOR MONTAGEM
Alabama Monroe
Garota Exemplar
O Grande Hotel Budapeste
O Lobo Atrás da Porta
Relatos Selvagens
 
FOTOGRAFIA
Até o Fim
O Grande Hotel Budapeste
Ida
Inside Llewyn Davis – Balada de Um Homem Comum
Nebraska
 
MELHOR TRILHA SONORA
Até o Fim
Ela
Garota Exemplar
O Grande Hotel Budapeste
Interestelar
 
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
12 Anos de Escravidão
Até Que a Sbórnia nos Separe
Ela

Era Uma Vez em Nova York
O Grande Hotel Budapeste
 
MELHOR FIGURINO
12 Anos de Escravidão
Amantes Eternos
O Grande Hotel Budapeste
Malévola
Trapaça
 
MELHOR EDIÇÃO/MIXAGEM DE SOM
Até o Fim
Até Que a Sbórnia nos Separe
Inside Llewyn Davis – Balada de Um Homem Comum
Interestelar
Planeta dos Macacos: O Confronto
 
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Let it Go” (Frozen – Uma Aventura Congelante)
“Everything is Awesome!!!” (Uma Aventura Lego)
“Lost Stars” (Mesmo Se Nada Der Certo)
“Ordinary Human” (O Doador de Memórias)
“Please, Mr. Kennedy” (Inside Llewyn Davis – Balada de Um Homem Comum)
 
MELHOR MAQUIAGEM
Amantes Eternos
O Grande Hotel Budapeste
Trapaça
 
MELHORES EFEITOS VISUAIS
Interestelar
Planeta dos Macacos: O Confronto
X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido

Adeus, 2014! (e as melhores cenas do ano)

Novamente, a meta para 2015 é desacelerar. Dias atrás, li uma entrevista de Bryan Cranston onde ele diz que, hoje, pensamos que os nossos bens mais valiosos são trabalho e dinheiro, mas que, na realidade, o bem mais valioso da vida é o tempo. Entre tantas coisas que só exaltam como ele é um cara genial, Cranston diz que deveríamos pensar e agir mais como os europeus, que tiram férias e fazem o que amam. Realmente, hoje estar na correria é sinônimo de status. Se não estamos cansados, na “correria” ou sem tempo, parece que algo está errado. Percebo, na minha volta, um grande movimento em direção a essa preocupante perspectiva – e eu me incluo nisso.

Assim, nesse cotidiano tão movimentado, perco aquele que, como diz Cranston, é o nosso bem mais valioso. Na falta de tempo, não vejo tantos filmes quanto gostaria, não escrevo tanto quanto quero ou muito menos – e esse é o meu maior pecado – fico em dia com a pilha de livros que tenho na minha cabeceira. O ano de 2014 foi exatamente assim – de novo – para mim. Mas que fique essa inspiração para 2015: a de aproveitar mais a vida, correr no parque, andar de bicicleta, ler um pouco antes de dormir (sem cair no sono), de ir ao cinema sem ter que decidir de última hora porque vagou um espaço na agenda e de aproveitar mais o que as relações pessoais podem nos trazer.

Seguindo a linha de desacelerar, este ano me despeço de 2014 um pouco mais cedo aqui no blog. Abaixo, vocês encontram a minha tradicional lista de melhores cenas do ano (a de categoria por categoria fica para daqui algumas semanas). Até os primeiros dias de 2015, tiro um tempo de férias para, justamente, aproveitar tudo isso que escrevi anteriormente. No mais, agradeço a cada um de vocês, leitores, pela companhia neste ano que passou. Sem vocês este espaço não existiria. Muito em breve nos encontramos para continuar falando sobre cinema.

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A carta de Theodore (Joaquin Phoenix) para Catherine (Rooney Mara) em Ela

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Elsa (Idina Menzel) inaugura uma nova vida cantando “Let it Go” em Frozen

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A visita da sra. H (Uma Thurman) em Ninfomaníaca – Parte 1

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A última apresentação de Elise (Veerle Baetens) e Didier (Johan Heldenbergh) com “If I Needed You” em Alabama Monroe

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Susanna (Julianne Moore) se despede da filha em Pelos Olhos de Maisie

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A visita ao cemitério em Nebraska

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A narração final de Praia do Futuro

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A gravação de “Please, Mr. Kennedy” em Inside Llewyn Davis – Balada de Um Homem Comum

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O destino de Clarinha em O Lobo Atrás da Porta

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Qualquer cena envolvendo o casamento de Relatos Selvagens

Melhores de 2013 – Filme

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Nunca tive qualquer dúvida, quando 2013 chegou ao fim, que Gravidade seria o meu filme favorito do ano – pelas mais diversas razões, que já foram explicadas em diversas ocasiões aqui no blog. O complicado mesmo foi montar este top 10, que certamente sofreria alterações se eu resolvesse revisitá-lo futuramente. Isso porque poucas vezes nos últimos anos tivemos uma média tão boa de lançamentos – o que acarreta muitas ausências, como a de O Som ao Redor, O Que Se Move, Blue Jasmine, Django Livre e Além da Escuridão – Star Trek (que também foram pontos altos do ano que passou). Mas o que consegui reunir abaixo representa fielmente tudo aquilo que mais me tocou em 2013, dos digníssimos dramas franceses ao retorno de grandes diretores, bem como dramas bastante tradicionais mas repletos de acertos. Ilustrando cada um dos longas, trechos dos textos que publicamos sobre eles. Nos vemos em 2015 com mais uma lista de melhores do ano!

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2. O MESTRE

“Nunca prejudicado pela sua duração, o novo trabalho de Anderson, em contramão,  faz um estudo temático fascinante e ainda tem a seu serviço elenco simplesmente extraordinário. O tempo deve fazer justiça a O Mestre“. +

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3. OS SUSPEITOS

“Não é o policial de tiroteios, a investigação de resoluções desnecessariamente mirabolantes ou o drama de respostas fáceis. É melhor e mais envolvente do que isso, mas com a devida dose de sobriedade. Simples e completo, como há muito não víamos no gênero“. +

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4. OS MISERÁVEIS

“Os detratores de Tom Hooper que me desculpem, mas não é qualquer um que consegue segurar um filme como esse. E, bem como o último grande musical que vimos (Moulin Rouge!), Os Miseráveis é assim: para se abraçar completamente ou para se renegar com todo o fervor”. +

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5. O LUGAR ONDE TUDO TERMINA

“Frequentemente inesperado, O Lugar Onde Tudo Termina foge do convencional e consegue entrar na cabeça do espectador, que não consegue deixar de se sentir envolvido por cada personagem e cada avanço do roteiro“. +

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6. AZUL É A COR MAIS QUENTE

“Crescer acontece mais rápido do que a gente imagina, diz Emma (Seydoux) em certo ponto. Adèle (Exarchopoulos) aprenderá isso. E nós, se ainda não chegamos a esse estágio, teremos esse mesmo aprendizado com a sua jornada“. +

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7. FERRUGEM E OSSO

“Ferrugem e Osso nunca deixa de demonstrar plena sutileza no roteiro, nas atuações e na direção – o que certamente vai surpreender quem, por tantas razões e pelo lindíssimo trailer britânico, esperava algo mais lacrimoso“. +

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8. ANTES DA MEIA-NOITE

“Não existem julgamentos ou respostas certas em Antes da Meia-Noite. O que o filme quer realmente mostrar é muito simples: nada dura para sempre. E não é porque uma história começou cheia de encantamento que ela vai brilhar até o último de seus dias“. +

Toronto Film Festival August Osage County

9. ÁLBUM DE FAMÍLIA

“Alguns estereótipos perfeitamente admissíveis, segredos familiares envolventes, ressentimentos previsíveis mas bem explorados, cenas dramáticas eficientes e até mesmo alívios cômicos divertidos. Inovador? Não, mas como uma (boa) trama novelesca deve ser, com histórias sobre a vida mesmo, facilmente identificáveis por todos nós“. +

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10. AS SESSÕES

“Um pequeno filme que coloca todos no mesmo patamar, onde a condição do protagonista é apenas pretexto para que se fale sobre sentimentos, frustrações e esperanças. Especial em sua humildade, As Sessões merece reconhecimento pela forma humana com que lida com questões tão delicadas“. +

Melhores de 2013 – Direção

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O que o mexicano Alfonso Cuarón faz em Gravidade é algo sobrenatural. Muito mais do que provar que filmes de orçamentos estratosféricos podem sim alcançar as mais variadas plateias com a devida dose de inteligência e boa realização, o diretor também revolucionou a técnica aplicada neste filme. Difícil lembrar a última vez que o espaço foi tão crível e com uma história tão cheia de fluidez e emoção. Cuarón anos atrás já dava dicas de que sabia lidar com a ficção (Filhos da Esperança, mesmo não sendo um filme propriamente sonhador quanto ao futuro do planeta, subvertia muito neste sentido) e não é surpresa que um trabalho de direção tão inteligente como o de Gravidade venha justamente dele. A perfeita sintonia entre todos os setores do filme (da ótima trilha de Steven Price ao desempenho de Sandra Bullock) é responsável por imergir a plateia em uma viagem que certamente não veremos repetida com a mesma excelência  tão cedo. Cuarón definitivamente, depois de tantos trabalhos exemplares, alcançou a indefectibilidade atrás das câmeras.

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OUTROS INDICADOS:

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DENIS VILLENEUVE (Os Suspeitos)

Derrubando a tão corriqueira decepção que se instala em diretores estrangeiros que vão filmar nos Estados Unidos, Denis Villeneuve manteve a sua tradicional disciplina e intensidade ao realizar Os Suspeitos. Equilibrando com a devida inteligência uma história tensa e realista, ele surpreende com uma história que nunca subestima a inteligência do espectador ou que tenta parecer mais complexa do que realmente é. Pena que o filme não recebeu a atenção que merecia.

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PAUL THOMAS ANDERSON (O Mestre)

Realizando aquele que é possivelmente o filme menos acessível de sua carreira, Paul Thomas Anderson novamente mostra o porquê é um dos realizadores mais interessantes de sua geração. Não existem concessões em O Mestre, e isto é uma grande qualidade que deve ser creditada inteiramente a Anderson. Fora o elenco excepcional, o diretor fala com firme segurança sobre assuntos complicadíssimos sem escancarar críticas ou tornar o filme didático ao fazer alusões à criação da Cientologia.

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DEREK CIANFRANCE (O Lugar Onde Tudo Termina)

Não é muito complicado encontrar quem critique as transições e os saltos temporais de O Lugar Onde Tudo Termina, mas acho particularmente corajosa a direção de Derek Ciafrance ao contar uma história tão cheia de mudanças e longe de fáceis definições. Ele já havia provado ser um excelente diretor de elenco em Namorados Para Sempre – talento que se repete aqui – mas aqui ainda administra bem uma ambição narrativa que está totalmente de acordo com sua excelência como realizador.

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JACQUES AUDIARD (Ferrugem e Osso)

Jacques Audiard seguiu o caminho contrário ao que muitos diretores escolheriam se tivessem o texto de Ferrugem e Osso em mãos.Nada de choros incontroláveis, melodramas ou uso exagerado de trilha. Ao narrar o relacionamento de um homem bruto que cria sozinho o filho com uma mulher que acaba de perder as pernas em um acidente, o diretor prezou pela sutileza e acertou ao inteligentemente adotar a lógica de que menos é mais.

EM ANOS ANTERIORES: 2012 – Leos Carax (Holy Motors) | 2011 – Darren Aronofsky (Cisne Negro) | 2010 – Christopher Nolan (A Origem) | 2009 – Danny Boyle (Quem Quer Ser Um Milionário?) | 2008 – Paul Thomas Anderson (Sangue Negro) | 2007 – Alejandro González Iñárritu (Babel)

Melhores de 2013 – Elenco

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O cinema está cheio de filmes com elencos excepcionais mas que não sabem explorar o melhor de seus atores. Tomem como exemplo o recente e pavoroso O Mordomo da Casa Branca, que sequer conseguia dar um momento especial para qualquer um dos grandes profissionais que conseguiu reunir. E é justamente o oposto o que acontece com Álbum de Família. Poucas vezes – pelo menos nos últimos anos -, tivemos a oportunidade de ver tantos atores talentosos em perfeita sintonia e com as devidas chances. Este é o maior trunfo do filme de John Wells: proporcionar ao menos uma cena de destaque para que cada personagem tenha seu brilho e sua contribuição para a construção dramática da história. Ninguém fica de fora neste resultado. Dos celebrados desempenhos de Meryl Streep e Julia Roberts – ambas excepcionais – às breves mas muito sentimentais passagens de Benedict Cumberbatch e até mesmo Sam Shepard, o elenco de Álbum de Família é um modelo a ser seguido.

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OUTROS INDICADOS:

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O MESTRE

Os desempenhos mais viscerais de 2013 estão em O Mestre. Se Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman estão explosivos em cena com personagens fortes e memoráveis, também não dá para esquecer Amy Adams, com um papel que pouco a pouco desconstrói a sua já reconhecida fama de mocinha ingênua. O trio impressiona a todo minuto e, sob o comando de Paul Thomas Anderson, dá total conta da história complexa e difícil. Impossível ficar diferente aos desempenhos dos atores, todos entregando um dos melhores momentos de suas respectivas carreiras.

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O QUE SE MOVE

Desde o magnífico As Horas, de 2002, um trio de atrizes não comovia tanto como em O Que Se Move. É bem verdade que o filme do capixaba Caetano Gotardo está longe de ser uma experiência acessível, mas para quem compra a ideia desta história de perdas que atinge seu ápice emocional em sequências musicais (com as atrizes cantando ao vivo em estúdio) certamente se emocionará bastante. Andrea Marquee, Cida Moreira e Fernanda Vianna mergulharam de corpo em alma em suas sofridas personagens – todas mães que precisam lidar com algum tipo de perda – e o resultado não é menos que excepcional.

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OS SUSPEITOS

Um grande filme que sabe-se lá por quê também foi um dos mais subestimados do ano que passou, Os Suspeitos, muito além de sua contundente história e do seu preciso trabalho de direção, também tem nos atores uma de suas principais forças. Enquanto Hugh Jackman outra vez adiciona um marcante desempenho para seu currículo, Jake Gyllenhaal prova que deveria dar uma atenção maior a papeis consistentes e minuciosos como o que tem neste filme. Ainda no suporte, Maria Bello, Viola Davis, Jeffrey Wright e, principalmente, Melissa Leo completam o time com louvor.

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TATUAGEM

É contagiante a alegria e irreverência passada por toda a trupe do grupo Chão de Estrelas em Tatuagem. Mas também é igualmente envolvente os dramas individuais dos personagens. Enquanto Rodrigo García praticamente rouba a cena ao equilibrar magnificamente bem os exageros de sua Paulete, o jovem Jesuíta Barbosa desponta como uma das grandes promessas de sua geração e Irandhir Santos mais uma vez prova estar na lista dos melhores intérpretes atuais do cinema nacional. Outro exemplar trabalho de elenco vindo desta que é a melhor safra cinematográfica do Brasil nos últimos anos.

EM ANOS ANTERIORES: 2012 – O Impossível | 2011 – Tudo Pelo Poder | 2010 – Minhas Mães e Meu Pai | 2009 – Dúvida | 2008 – Vicky Cristina Barcelona | 2007 – Bobby