Cinema e Argumento

Melhores de 2013 – Fotografia

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O genial Emmanuel Lubezki precisou se entregar ao CGI para finalmente receber um Oscar. Antes de vencer por Gravidade, Lubezki já merecia o troféu em pelo menos duas ocasiões: Filhos da EsperançaA Árvore da Vida. Mas se o prêmio por Gravidade parece se revelar mais a continuação de uma tendência da Academia (perceberam como os últimos vencedores da categorias eram filmes basicamente construídos em CGI, como As Aventuras de Pi?) do que de fato o reconhecimento pelo brilhante trabalho individual do fotógrafo mexicano, pelo menos a coincidência vem a calhar: o que Lubezki faz em Gravidade é, de fato, sobrenatural. Se fotografar o real de forma inteligente já não é fácil, imagina, então, quando tudo precisa ser construído em computador! O resultado não é menos que impressionante, já que Gravidade deve grande parte de sua imersão a tudo que Lubezki criou em termos de fotografia, com o espaço sideral mais fiel que o cinema já deve ter visto. Nós estamos à deriva com Ryan (Sandra Bullock) e tudo parece incrivelmente real graças ao fotógrafo que, da luz à sombra em frames perfeitamente impressivos, reforçou o seu título de um dos profissionais mais invejáveis do segmento.

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OUTROS INDICADOS:

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A fotografia de Emmanuel Lubezki (de novo!) é tudo o que o próprio Amor Pleno não é: envolvente, encantadora e repleta de significados / Acompanhando dignamente o belo trabalho cenográfico, a fotografia de Anna Karenina captura com beleza singular o deslumbre estético do filme de Joe Wright / A delicadeza de Ferrugem e Osso se torna ainda mais tenra e especial com a fotografia, que entende plenamente o que existe de mais valioso no filme: os seus protagonistas / Roger Deakins torna Os Suspeitos ainda mais angustiante com sua fotografia de poucas cores que dialoga perfeitamente com os sentimentos transmitidos pela trama.

EM ANOS ANTERIORES: 2012 – As Aventuras de Pi | 2011 – A Árvore da Vida | 2010 – Direito de Amar | 2009 – Quem Quer Ser Um Milionário? | 2008 – Ensaio Sobre a Cegueira

Melhores de 2013 – Atriz

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Grande revelação de 2013, a jovem Adèle Exarchopoulos apresenta um talento inquestionável no excelente Azul é a Cor Mais Quente. O que existe de mais fascinante em seu desempenho é a forma como ele transita por todas as fases da vida da protagonista sem qualquer hesitação. De estudante insegura e heterossexual até os dias como professora formada que tenta sustentar um relacionamento com uma mulher, Exarchorpoulos desaparece na pele da figura que representa com uma naturalidade absurda. Não bastasse essa necessidade de ter que acompanhar toda a evolução física e emocional de sua personagem, Adèle tem a força necessária para liderar a história complexa, intensa e repleta de questões delicadas. Ela está à altura do filme, que lhe dá as devidas chances e que – agradecemos! – a revela depois de uma carreira muito tímida no cinema francês. São poucas as atrizes que, aos 20 anos, entregam algo tão imersivo e visceral. Aliás, algumas passam a vida tentando e não conseguem. Portanto, palmas para Adèle!

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OUTRAS INDICADAS:

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CATE BLANCHETT (Blue Jasmine)

Depois de anos sem uma chance realmente digna (a última foi Não Estou Lá, em 2007), a australiana Cate Blanchett voltou com tudo em Blue Jasmine e venceu todos os prêmios da temporada por seu desempenho. Esse sim um verdadeiro momento da atriz digno de honrarias – ao contrário de O Aviador, onde ela, mesmo bem, fazia apenas as formalidades de um quadrado papel biográfico. Linda mas péssimo ser humano, a Jasmine de Blanchett é um verdadeiro desafio: não temos simpatia alguma pela personagem, só que ainda assim tiramos o chapeu para a atriz, que nos conquista por completo apesar de todo o egocentrismo da mulher que representa.

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MARION COTILLARD (Ferrugem e Osso)

Tilda Swinton e Marion Cotillard entraram para a história. Foram, até 2013, as duas únicas atrizes com indicações para Cannes, Critics’ Choice, SAG, Globo de Ouro e BAFTA por um mesmo desempenho sem lembrança no Oscar. A primeira por Precisamos Falar Sobre o Kevin e Marion pelo belo Ferrugem e Osso. A verdade é que, desde que foi consagrada mundialmente por Piaf – Um Hino ao Amor, a francesa entregou vários desempenhos marcantes, mas certamente o do filme de Jacques Audiard é o mais interessante. Sutil e extremamente sensível, Cotillard trabalha com a lógica de que menos é mais – o que se revela no mínimo brilhante para um papel tão trágico e suscetível a apelações.

MERYL STREEP stars in AUGUST: OSAGE COUNTY

MERYL STREEP (Álbum de Família)

Meryl Streep. Sim, de novo. Mas, afinal, como ser diferente? Se A Dama de Ferro parecia o ápice da metamorfose da atriz nos últimos anos, eis que ela resolve surpreender – mais uma vez – como a ácida matriarca Violet Weston de Álbum de Família. Juntamente com a figura de Cate Blanchett em Blue Jasmine, é uma das figuras mais detestáveis do ano, mas que também consegue ter uma atriz suficientemente excepcional para pular esse obstáculo e encantar plateias. Da voz embriagada a momentos sensíveis , Meryl segura o papel com uma força invejável, adicionando outro desempenho para o seu hall de momentos mais memoráveis.

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MIRANDA OTTO (Flores Raras)

Exemplo de sutileza, o desempenho da australiana Miranda Otto em Flores Raras é outro que apresenta uma evolução de personagem sem qualquer tropeço. Enquanto a Lota de Glória Pires é minada por mudanças bruscas, a Elizabeth Bishop de Otto tem um arco dramático impecável, muito graças ao desempenho da atriz. A insegura e arredia poeta da primeira parte aos poucos se torna uma mulher mais sentimental, aberta e compreensível – o que é totalmente capturado pela atriz, sempre certeira ao passar a fragilidade física e emocional da personagem mas também sua racionalidade ao ter que fazer escolhas decisivas em sua vida.

EM ANOS ANTERIORES: 2012 – Tilda Swinton (Precisamos Falar Sobre o Kevin) | 2011 – Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg (Melancolia| 2010 – Carey Mulligan (Educação| 2009 – Kate Winslet (Foi Apenas Um Sonho| 2008 – Meryl Streep (Mamma Mia!| 2007 – Marion Cotillard (Piaf – Um Hino ao Amor)

Melhores de 2013 – Roteiro Adaptado

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Um belo filme sobre crescer e amadurecer, Azul é a Cor Mais Quente tem um roteiro que sabe exatamente como mostrar essa evolução: se utilizando da devida calma para fazer o espectador refletir sobre como cada pequeno momento da vida é capaz molda a nova pessoa que vamos nos tornando dia após dia. Baseado na HQ Le Bleu est une Couleur Chaude, o roteiro adaptado pelo diretor Abdellatif Kechiche em parceria com Ghalia Lacroix é menos sobre a descoberta da homossexualidade e mais sobre desbravar cada etapa da vida, da inevitável necessidade de achar um talento próprio ao precioso prazer de finalmente se conectar afetivamente a alguém. Mesmo com quase três horas de duração, Azul é a Cor Mais Quente nunca cansa e é um verdadeiro mergulho nas felicidades e angústias de uma protagonista em plena transformação. Todas elas desenvolvidas com impecável sutileza pelo roteiro de Kechiche e Lacroix.

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OUTROS INDICADOS:

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Mostrando que o simples drama familiar ainda pode ser muito envolvente, o roteiro de Álbum de Família explora diversos personagens com o devido destaque / Ferrugem e Osso é uma bela história de amor que não cai no melodrama graças também ao ótimo roteiro de Jacques Audiard e Thomas Bidegain / O texto de O Lugar Onde Tudo Termina sabe conduzir com grande precisão três histórias diferentes, mas também interligá-las mostrando como gerações se influenciam / Um dos longas mais sensíveis de 2013, As Sessões tem momentos emocionantes graças à sutileza com que seu roteiro lida com questões bastante delicadas.

EM ANOS ANTERIORES: 2012 – Precisamos Falar Sobre o Kevin | 2011 – A Pele Que Habito | 2010 – Direito de Amar | 2009 – Dúvida | 2008 – Desejo e Reparação | 2007 – Notas Sobre Um Escândalo

Melhores de 2013 – Trilha Sonora

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É gratificante ver – ou mais especificamente ouvir – que a grandiosidade técnica de Gravidade tem uma trilha sonora à altura. Devidamente premiado no Oscar, o trabalho de Steven Price (que já havia trabalhado como assistente nos departamentos de trilha de filmes como O Senhor dos Aneis) dialoga perfeitamente com cada cena do filme de Alfonso Cuarón. É a contextualização certa para um longa que já tem um trabalho de som fenomenal e que, com as melodias de Price, ganha singularidades extras em função da trilha. O encerramento, particularmente, ao som de Gravity, a canção-tema, é um dos pontos altos. E a própria cena de Ryan (Sandra Bullock) tentando voltar à Terra com Shenzou tem sua força impulsionada pela composição de Price. Há tempos que um filme desse porte não tinha uma trilha com uma excelência proporcional.

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OUTROS INDICADOS:

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A indiscutível elegância de Anna Karenina hipnotiza ainda mais com outro belíssimo trabalho de Dario Marianelli / A envolvente trilha do brasileiro Marcelo Zarvos para Flores Raras pontua certeiramente todos os momentos do filme / Inventiva e eclética, a trilha de Indomável Sonhadora é um dos pontos altos da história de Hushpuppy (Quvenzhané Wallis) / Jonny Greenwood ajuda O Mestre a entrar na cabeça do espectador com um trabalho quase perturbador.

EM ANOS ANTERIORES: 2012 – Tão Forte e Tão Perto | 2011 – A Última Estação | 2010 – Direito de Amar | 2009 – O Curioso Caso de Benjamin Button | 2008 – Desejo e Reparação | 2007 – A Rainha

Melhores de 2013 – Direção de Arte

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Se em termos de narrativa e dramaticidade Anna Karenina é um retrocesso quando comparado ao último filme de época dirigido por Joe Wright (o belíssimo Desejo e Reparação), o mesmo já não se pode dizer da parte técnica – que se torna uma peça cada vez mais fundamental na forma como o diretor conta a suas histórias. Para a empreitada de adaptar o romance homônimo de Tolstoy, o britânico convocou mais uma vez as suas constantes colaboradoras Katie Spencer e Sarah Greenwood para recriar com a  habitual precisão o mundo russo do século XIX. Importante perceber aqui que não é apenas a fidelidade da reconstituição de época que impressiona, mas sim como a cenografia é peça fundamental para os dramas vividos pela protagonista. Não é por ser de época ou de alto orçamento: a direção de arte de Anna Karenina chega a ter vida própria por dialogar precisamente com toda a proposta dramática do filme.

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OUTROS INDICADOS:

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Essencial para ampliar a ambientação da história, o design de produção de Gravidade cumpre  sua missão com louvor / Dando sequência ao sempre irrepreensível trabalho técnico da série, O Hobbit: A Desolação de Smaug tem na direção de arte um de seus maiores méritos / Não só certeira ao reconstituir uma década passada, a direção de arte de Rush – No Limite da Emoção ainda reproduz detalhadamente o mundo da fórmula 1 / Das pequenas casas nas minas aos grandes cenários da vida no garimpo, Serra Pelada é um belo exemplo do cinema nacional recente de como a direção de arte é fundamental para a contextualização de um filme.

EM ANOS ANTERIORES: 2012A Invenção de Hugo Cabret | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2| 2010 – O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus | 2009 – O Curioso Caso de Benjamin Button | 2008 – Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet |2007 – Maria Antonieta