Cinema e Argumento

Melhores de 2014 – Figurino

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A brilhante figurinista italiana Milena Canonero ganhou o seu quarto Oscar pelo trabalho que realizou em O Grande Hotel Budapeste. Entre os maiores méritos da carreira da veterana está o de criar não apenas figurinos grandiosamente elaborados como os de Maria Antonieta, mas também outros discretamente eficientes, a exemplo de Entre Dois Amores e agora no mais recente filme de Wes Anderson. Em sua terceira colaboração com o diretor, a figurinista é sutil sem perder a elegância, realizando um trabalho impecável na principal lógica de um bom guarda-roupa no cinema: a de que ele deve transmitir com fidelidade a personalidade e o espírito de seus personagens. Basta olhar para os trajes bem alinhados e justos de Gustave que refletem toda sua disciplina por vezes excessiva. Quando precisa ser extravagante, Canonero também o faz com perfeição, como nas roupas que Tilda Swinton usa como a excêntrica Madame D. Tudo na medida em um trabalho impressionante até para os mais desatentos. Ainda disputavam esta categoria: 12 Anos de EscravidãoAmantes EternosMalévolaTrapaça.

EM ANOS ANTERIORES: 2013 – Anna Karenina | 2012 W.E. – O Romance do Século | 2011 – O Discurso do Rei | 2010 – A Jovem Rainha Victoria | 2009 – O Curioso Caso de Benjamin Button | 2008 – Elizabeth – A Era de Ouro | 2007 – Maria Antonieta

Melhores de 2014 – Efeitos Visuais

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Quanto mais os efeitos visuais se aproximam da realidade, mais impressionantes eles se tornam. Quando eles nos fazem esquecer que estamos vendo personagens ou cenários construídos pela tecnologia, a missão está cumprida. Planeta dos Macacos: O Confronto se aprimora neste sentido em comparação ao filme anterior e entrega justamente tal lógica: os macacos, além de se aproximarem cada vez mais da natureza humana (o que é totalmente condizente com a proposta da trama), parecem tão reais que até ignoramos o fato de eles não serem de “verdade”. É um trabalho que dá ainda mais força para uma história que depende diretamente dos efeitos visuais. Ainda disputavam esta categoria: InterestelarX-Men: Dias de Um Futuro Esquecido.

EM ANOS ANTERIORES: 2013 – Gravidade | 2012 O Hobbit: Uma Jornada Inesperada | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | 2010 – Tron: O Legado | 2009 Avatar (primeiro ano da categoria)

Melhores de 2014 – Ator Coadjuvante

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Existe uma sensibilidade na interpretação de Jared Leto em Clube de Compras Dallas que quase passa despercebida diante da maquiagem e do notável emagrecimento do ator. Como a transexual Rayon portadora do vírus HIV, Leto, que estava afastado dos cinemas desde 2009 (quando protagonizou o extraordinário Sr. Ninguém), teve um retorno triunfal às telas, conquistando todos os prêmios da temporada ao lado de seu colega de cena Matthew McCounaghey. É bem provável que o favoritismo absoluto tenha se confirmado muito em função da impressionante transformação física do ator, mas vale ficar de olho na forma como ele encontra o tom certo na caracterização de seu personagem, nunca permitindo que ele se entregue a exageros ou alegorias. A cena em que Leto, sem camisa, se maquia frente a um espelho também experimentado vestidos é uma prova de como sua interpretação também chegou a níveis emocionais bastante dignos. Ainda disputavam esta categoria: Ethan Hawke (Boyhood: Da Infância à Juventude), Jesuíta Barbosa (Praia do Futuro), Michael Fassbender (12 Anos de Escravidão) e Ricardo Darín (Relatos Selvagens). 

EM ANOS ANTERIORES: 2013 – Philip Seymour Hoffman (O Mestre) | 2012 – Nick Nolte (Guerreiro) | 2011 – Alan Rickman (Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2| 2010 – Michael Douglas (Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme| 2009 – Christoph Waltz (Bastados Inglórios| 2008 – Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez| 2007 – Casey Affleck (O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford)

Melhores de 2014 – Trilha Sonora

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Trilhas sonoras assinadas por artistas já consagrados na música quase sempre resultam em pérolas. O debut de Daft Punk em Tron – O Legado, Jonny Greenwood (o guitarrista do Radiohead) em suas colaborações com o mestre Paul Thomas Anderson, o grupo francês M83 em Oblivion… Todas colaborações no mínimo interessantes e que oxigenizaram o universo das trilhas. E o que dizer, então, da colaboração do Arcade Fire para Ela? Além de isoladamente já ser um trabalho muito lindo e delicado, o resultado, quando avaliado dentro do filme, mostra que o grupo canadense compreendeu todo o poder da música instrumental no processo cinematográfico. A grande melancolia que o filme de Spike Jonze precisa está reunida neste álbum tocante e obrigatório para quem curte trilhas emotivas. Inventiva e clássica ao mesmo tempo, desperta muitas memórias e sentimentos relacionados a Ela quando ouvida posteriormente – e esse é um dos maiores elogios que uma trilha sonora pode receber. Ainda disputavam esta categoria: Até o FimGarota ExemplarO Grande Hotel BudapesteInterestelar.

EM ANOS ANTERIORES: 2013 – Gravidade | 2012 Tão Forte e Tão Perto | 2011 A Última Estação | 2010Direito de Amar | 2009 O Curioso Caso de Benjamin Button | 2008 Desejo e Reparação | 2007 A Rainha

Melhores de 2014 – Maquiagem

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Mark Coulier, que venceu o Oscar com Roy Helland por A Dama de Ferro anos atrás, voltou a ganhar mais uma estatueta de melhor maquiagem agora em 2015 com O Grande Hotel Budapeste. Desta vez, Coulier fez dupla com a veterana Frances Hannon, conhecida por trabalhar mais com produções de grande escala como X-Men: Primeira Classe e Guerra Mundial Z. Da pesada mas eficientemente impressiva maquiagem de Tilda Swinton como Madame D. ao sutil trabalho envolvendo à simetria de pequenos detalhes como a personalidade de diversos personagens (o jovem Zero faz questão ter desenhado em seu rosto um bigode para se identificar até fisicamente com o admirado mestre Gustave), o trabalho de maquiagem de O Grande Hotel Budapeste está à altura de todos os outros setores técnicos deste filme já excepcional em todos os seus outros detalhes. Na disputa desta categoria ainda estavam: Amantes EternosTrapaça.

EM ANOS ANTERIORES: 2013 A Morte do Demônio | 2012 – A Dama de Ferro (primeiro ano da categoria)