Cinema e Argumento

Melhores de 2014 – Atriz

actresspike

Como fã de Julianne Moore, nunca pensei que fosse lamentar uma vitória sua em uma temporada de premiações. E não foi apenas porque em Para Sempre Alice ela está longe de ter um papel desafiador como tantos outros de sua carreira, mas porque tinha uma concorrente infinitamente superior: Rosamund Pike, reveladora e avassaladora em Garota Exemplar. Não há dúvidas de que o papel é o mais surpreendente de 2014, e a atriz, que elimina por completo o seu sotaque britânico, encarna com perfeição todas as fases da complexa Amy Dunne, transitando entre a linda e supostamente esposa indefesa a uma mulher forte e que não é tão delicada quanto aparenta. Pike é realmente um furacão em cena, e sua marcante atuação é incrementada por uma personagem repleta de leituras e, por que não, polêmicas. Ainda disputavam esta categoria: Charlotte Gainsbourg (Ninfomaníaca – Parte 2), Judi Dench (Philomena), Leandra Leal (O Lobo Atrás da Porta) e Veerle Baetens (Alabama Monroe).

EM ANOS ANTERIORES: 2013 – Adèle Exarchopoulos (Azul é a Cor Mais Quente) | 2012 – Tilda Swinton (Precisamos Falar Sobre o Kevin) | 2011 – Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg (Melancolia) | 2010 – Carey Mulligan (Educação) | 2009 – Kate Winslet (Foi Apenas Um Sonho) | 2008 – Meryl Streep (Mamma Mia!) | 2007 – Marion Cotillard (Piaf – Um Hino ao Amor)

Melhores de 2014 – Montagem

montagemlobo

Realizado com notável firmeza pelo estreante em longas Fernando Coimbra, O Lobo Atrás da Porta concentra todo o seu suspense em uma narrativa não-linear que acompanha os depoimentos de um trio envolvido no desaparecimento de uma criança. Da tarde na delegacia aos meses que anteciparam tal mistério, a montagem de Karen Akerman é peça fundamental para intensificar o suspense e também moldar a força dramática do filme, que, aos poucos, revela uma refinada teia de traições e deslealdades. Com precisão, a construção de O Lobo Atrás da Porta envolve pela agilidade e complexidade de uma trama nunca excessivamente engenhosa ou muito menos perto de flertar com escolhas fáceis. Ainda disputavam esta categoria: Alabama Monroe, Garota Exemplar, O Grande Hotel Budapeste e Relatos Selvagens.

EM ANOS ANTERIORES: 2013 – Capitão Phillips | 2012 – Guerreiro | 2011 – 127 Horas | 2010 – A Origem | 2009 – Quem Quer Ser Um Milionário? | 2008 – Onde os Fracos Não Têm Vez | 2007 – Babel

Melhores de 2014 – Ator

actorjakeg

O Abutre representa o auge da escalada profissional que Jake Gyllenhaal vem fazendo nos últimos anos. Desde que O Segredo de Brokeback Mountain o revelou como um ator de calibre maior, muitos papeis vieram para reafirmar seu talento, como o detetive Loki de Os Suspeitos ou a dupla Adam e Anthony de O Homem Duplicado. Porém, nenhuma aparição do ator foi tão surpreendente no cinema quanto a de O Abutre, onde interpreta o problemático Louis Bloom, jovem que encontra em crimes e acidentes a oportunidade perfeita para lucrar com o jornalismo sensacionalista. Do tom de voz completamente diferente de tudo que já realizou às suas perfeitas transições entre o homem manipulador e o profissional desesperado (a cena em que ele grita frente ao espelho chega a ser amedrontadora), Gyllenhaal consegue marcar até mais do que o próprio filme. Envolvente em todas as suas facetas, o ator fica na lembrança pelo tom imprevisível que imprimiu a Louis Bloom e já se consolida como um dos intérpretes mais confiáveis de sua geração. Ainda disputavam esta categoria: Chiwetel Ejiofor (12 Anos de Escravidão), Joaquin Phoenix (Ela), Johan Heldenbergh (Alabama Monroe) e Matthew McCounaghey (Clube de Compras Dallas). 

EM ANOS ANTERIORES: 2013 – Joaquin Phoenix (O Mestre) | 2012 – Rodrigo Santoro (Heleno) | 2011 – Colin Firth (O Discurso do Rei) | 2010 – Colin Firth (Direito de Amar) | 2009 – Sean Penn (Milk – A Voz da Igualdade) | 2008 – Daniel Day-Lewis (Sangue Negro) | 2007 – Forest Whitaker (O Último Rei da Escócia)

Melhores de 2014 – Fotografia

idacinematography

Com plateias cada vez mais intolerantes ao preto-e-branco, filmes como Ida são uma raridade. Mas celebrar o filme de Pawel Pwalikowski apenas por esta opção estética é tolice, já que, também filmado em um formato ousado para os dias de hoje (o 3:4, a famosa “tela quadrada”), o longa frequentemente surpreende em suas composições quadro a quadro. Existe algo de sufocante na jornada da protagonista Anna (Agata Trzebuchowska), e isso está diretamente ligada à forma como a dupla de fotógrafos Lukasz Zal e Ryszard Lenczewski acompanha na fotografia as transformações e as evoluções da jovem ao longo da trama. É um trabalho que transmite toda a frieza de uma Polônia invernal e imprime os tons corretos para dialogar com os sentimentos reprimidos e rígidos de seus personagens. Ainda disputavam esta categoria: Até o Fim, O Grande Hotel Budapeste, Inside Llewyn Davis – Balada de Um Homem Comum e Nebraska.

EM ANOS ANTERIORES: 2013 – Gravidade | 2012 – As Aventuras de Pi | 2011 – A Árvore da Vida | 2010 – Direito de Amar | 2009 – Quem Quer Ser Um Milionário? | 2008 – Ensaio Sobre a Cegueira

Melhores de 2014 – Roteiro Original

screentales

Sucesso de público na Argentina e no Brasil (pelo menos em Porto Alegre, cidade do escriba que vos fala, já completa sua 30ª semana em exibição), Relatos Selvagens merecidamente viajou o mundo. Selecionado para a competição oficial de Cannes em 2014, também foi finalista do Oscar 2015 de melhor filme estrangeiro. É um feito louvável para uma comédia, gênero tão subestimado por festivais e premiações. Escrito por Damián Szifrón, que tem uma carreira significativa na TV argentina, o longa reúne várias histórias isoladas sobre vingança, em uma mistura perfeitamente simétrica e irresistível. A harmonia que Szifrón estabelece entre todas as tramas é formidável, em uma rara produção que, ao contrário de outras deste formato (a série Cities of Love, citando um caso mais recente), só alcança alguma irregularidade por ter curtas levemente mais fantásticos do que outros. Relatos Selvagens é comédia de humor ácido e ao mesmo tempo refinado, sempre contemporânea e repleta de personagens e situações críveis. Quem dera tivéssemos mais presentes como esse no gênero. Ainda disputavam esta categoria: Ela, O Grande Hotel Budapeste, O Lobo Atrás da Porta e Nebraska.

EM ANOS ANTERIORES: 2013 – Antes da Meia-Noite | 2012 – A Separação | 2011 – Melancolia | 2010 – A Origem | 2009 – (500) Dias Com Ela | 2008 – WALL-E | 2007 – Ratatouille