Cinema e Argumento

Melhores de 2014 – Ator

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O Abutre representa o auge da escalada profissional que Jake Gyllenhaal vem fazendo nos últimos anos. Desde que O Segredo de Brokeback Mountain o revelou como um ator de calibre maior, muitos papeis vieram para reafirmar seu talento, como o detetive Loki de Os Suspeitos ou a dupla Adam e Anthony de O Homem Duplicado. Porém, nenhuma aparição do ator foi tão surpreendente no cinema quanto a de O Abutre, onde interpreta o problemático Louis Bloom, jovem que encontra em crimes e acidentes a oportunidade perfeita para lucrar com o jornalismo sensacionalista. Do tom de voz completamente diferente de tudo que já realizou às suas perfeitas transições entre o homem manipulador e o profissional desesperado (a cena em que ele grita frente ao espelho chega a ser amedrontadora), Gyllenhaal consegue marcar até mais do que o próprio filme. Envolvente em todas as suas facetas, o ator fica na lembrança pelo tom imprevisível que imprimiu a Louis Bloom e já se consolida como um dos intérpretes mais confiáveis de sua geração. Ainda disputavam esta categoria: Chiwetel Ejiofor (12 Anos de Escravidão), Joaquin Phoenix (Ela), Johan Heldenbergh (Alabama Monroe) e Matthew McCounaghey (Clube de Compras Dallas). 

EM ANOS ANTERIORES: 2013 – Joaquin Phoenix (O Mestre) | 2012 – Rodrigo Santoro (Heleno) | 2011 – Colin Firth (O Discurso do Rei| 2010 – Colin Firth (Direito de Amar| 2009 – Sean Penn (Milk – A Voz da Igualdade| 2008 – Daniel Day-Lewis (Sangue Negro| 2007 – Forest Whitaker (O Último Rei da Escócia)

Melhores de 2014 – Fotografia

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Com plateias cada vez mais intolerantes ao preto-e-branco, filmes como Ida são uma raridade. Mas celebrar o filme de Pawel Pwalikowski apenas por esta opção estética é tolice, já que, também filmado em um formato ousado para os dias de hoje (o 3:4, a famosa “tela quadrada”), o longa frequentemente surpreende em suas composições quadro a quadro. Existe algo de sufocante na jornada da protagonista Anna (Agata Trzebuchowska), e isso está diretamente ligada à forma como a dupla de fotógrafos Lukasz Zal e Ryszard Lenczewski acompanha na fotografia as transformações e as evoluções da jovem ao longo da trama. É um trabalho que transmite toda a frieza de uma Polônia invernal e imprime os tons corretos para dialogar com os sentimentos reprimidos e rígidos de seus personagens. Ainda disputavam esta categoria: Até o FimO Grande Hotel BudapesteInside Llewyn Davis – Balada de Um Homem ComumNebraska.

EM ANOS ANTERIORES: 2013Gravidade | 2012 – As Aventuras de Pi | 2011 – A Árvore da Vida | 2010 – Direito de Amar | 2009 – Quem Quer Ser Um Milionário? | 2008 – Ensaio Sobre a Cegueira

Melhores de 2014 – Roteiro Original

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Sucesso de público na Argentina e no Brasil (pelo menos em Porto Alegre, cidade do escriba que vos fala, já completa sua 30ª semana em exibição), Relatos Selvagens merecidamente viajou o mundo. Selecionado para a competição oficial de Cannes em 2014, também foi finalista do Oscar 2015 de melhor filme estrangeiro. É um feito louvável para uma comédia, gênero tão subestimado por festivais e premiações. Escrito por Damián Szifrón, que tem uma carreira significativa na TV argentina, o longa reúne várias histórias isoladas sobre vingança, em uma mistura perfeitamente simétrica e irresistível. A harmonia que Szifrón estabelece entre todas as tramas é formidável, em uma rara produção que, ao contrário de outras deste formato (a série Cities of Love, citando um caso mais recente), só alcança alguma irregularidade por ter curtas levemente mais fantásticos do que outros. Relatos Selvagens é comédia de humor ácido e ao mesmo tempo refinado, sempre contemporânea e repleta de personagens e situações críveis. Quem dera tivéssemos mais presentes como esse no gênero. Ainda disputavam esta categoria: ElaO Grande Hotel BudapesteO Lobo Atrás da PortaNebraska.

EM ANOS ANTERIORES: 2013 – Antes da Meia-Noite | 2012A Separação | 2011 – Melancolia | 2010 – A Origem | 2009 – (500) Dias Com Ela | 2008 – WALL-E | 2007 – Ratatouille

Melhores de 2014 – Atriz Coadjuvante

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Mike Leigh é um diretor dos mais generosos. Além de estabelecer um rico trabalho de criação com seus atores, consolida verdadeiras amizades. Não é necessário pesquisar muito para ver que Leigh volta e meia seleciona intérpretes quase figurantes de longas anteriores com sua assinatura para brilhar em seus novos trabalhos. Lesley Manville foi uma das agraciadas. A atriz, que trabalhou pela primeira vez com o diretor em Segredos e Mentiras, onde fazia ponta como uma assistente social, ganhou a atenção que merecia em Mais Um Ano, filme que, após quatro anos de atraso, chegou quase despercebido ao Brasil em 2014. No típico papel de uma adorável maluquinha, Manville rouba a cena como a amiga de família recém separada e em busca de uma nova vida. Transitando perfeitamente entre o drama e a comédia (o filme se estrutura a partir das quatro estações, com modificações no tom da história), ela é impecável ao construir uma mulher que se esconde entre sorrisos e tiradas divertidas. Mas, no fundo, a Mary de Manville é tão humana e repleta de dúvida como todos nós. Que bela escolha, Mike Leigh!

EM ANOS ANTERIORES: 2013 – Helen Hunt (As Sessões) | 2012 – Viola Davis (Histórias Cruzadas) | 2011 – Amy Adams (O Vencedor| 2010 – Marion Cotillard (Nine| 2009 – Kate Winslet (O Leitor| 2008 – Marcia Gay Harden (O Nevoeiro| 2007 – Imelda Staunton (Harry Potter e a Ordem da Fênix)

Melhores de 2014 – Roteiro Adaptado

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Ninguém entendeu direito a ausência de Garota Exemplar entre os indicados ao Oscar 2015. A falta mais sentida certamente foi na categoria de roteiro adaptado, uma vez que Gillian Flynn, ao adaptar o livro homônimo de sua própria autoria, entregou aquele que é possivelmente o texto mais surpreendente do ano passado. Encanta como Flynn pega o espectador de surpresa constantemente em Garota Exemplar, saindo-se muitíssimo bem até mesmo quando dá uma significativa virada na trama e inverte por completo o foco da história. O que poderia fazer com que o filme de David Fincher se tornasse o típico caso de dois filmes dentro de um resultou em um estudo ainda mais fascinante dos personagens – em especial, claro, de Amy Dunne, interpretada com maestria por Rosamund Pike. O drama e o suspense envolvendo o desaparecimento de Amy são balanceados com pleno êxito, e ainda há espaço para humor e outras discussões acerca das obrigações e expectativas envolvendo votos matrimoniais. Um roteiro exemplar. Ainda disputavam esta categoria:  Alabama MonroeHoje Eu Quero Voltar Sozinho, O Homem DuplicadoPhilomena.

EM ANOS ANTERIORES: 2013Azul é a Cor Mais Quente | 2012 – Precisamos Falar Sobre o Kevin | 2011 – A Pele Que Habito | 2010 – Direito de Amar | 2009 – Dúvida | 2008 – Desejo e Reparação | 2007 – Notas Sobre Um Escândalo