Cinema e Argumento

Marion… Marion…

No tempo em que Marion Cotillard concorria ao Oscar de melhor atriz por Piaf – Um Hino Ao Amor, algumas pessoas creditavam a grandiosidade da interpretação somente ao excepcional trabalho de maquiagem. Cotillard, inclusive, nem reinava nas apostas para vencer o prêmio da Academia (o grande nome, na época, era Julie Christie). A francesa deu a volta por cima, e venceu o prêmio. Hoje, ela está calando a boca de muita gente que não acreditava no seu brilhantismo.

Marion já era estupenda desde os tempos de Piaf (a maior interpretação feminina da última década), mas foi com o ótimo trabalho em Inimigos Públicos que ela começou a se firmar como uma profissional de segurança. E mesmo enquanto Nine se via sucumbir ao total fracasso, era a atriz quem saía ilesa da história – e, aliás, foi a única pessoa do elenco que teve plena unânimidade nos elogios. Eu já sou fã de carteirinha dela desde  quando ela arrasou como a cantora Edith Piaf. Hoje, a minha admiração por Marion só cresce.

Ela tem pinta de estrela, daquele tipo de atriz que sabe muito bem unir talento, beleza e boas escolhas. Marion, inclusive, lembra os bons tempos que Nicole Kidman teve na época que estava em alta com Moulin Rouge!, Os Outros e As Horas. Só espero, claro, que a francesa não siga os mesmos passos de Kidman. Nessa semana, foi divulgado um clipe dela cantando junto com Franz Ferdinand. O que, mais uma vez, comprova que a atriz está em alta. Seria ela uma das grandes estrelas da nova geração? Eu aposto que sim. Abaixo, o vídeo:

the viva la vida tour.

Podem falar à vontade que Coldplay é sem graça (que mancada, hein, revista Veja?!).

Lá estarei eu no domingo, firme e forte.

As malas para o Rio de Janeiro começam a ser montadas.

E o encontro que acontecerá lá com o blogueiro Wally, do Cine Vita, também se aproxima.

Fim-de-semana promete ser inesquecível.

E é por causa desses acontecimentos que o Cinema e Argumento, depois de uma semana tendo posts quase que diários, vai ficar desativado durante alguns dias a partir de hoje.

Semana que vem o blog está de volta com novas críticas e uma preparação para o Oscar (que promete ser o mais chato dos últimos anos).

So long, farewell.

O que esperar de “Direito de Amar”?

Sempre existe um filme, nas épocas de premiação, que me cativa mais do que qualquer outro. Em anos anteriores, criei imensas expectativas para: Notas Sobre Um Escândalo, Na Natureza Selvagem e Dúvida. Nunca me decepcionei. Agora em 2010, foco todas as minhas atenções em Direito de Amar. Okay, título mais cafona que esse não poderia ter – mas isso é o que menos importa.

Vencedor do prêmio de melhor ator em Veneza para Colin Firth, o filme já desperta a minha atenção por dois aspectos específicos. Primeiro, tem um dos trailers mais magníficos que já vi. A prévia é bem como eu gosto: revela pouco sobre o filme e ainda entrega um resultado extraordinário. Segundo, a trilha de Abel Korzeniowski. Desde As Horas eu não ficava tão impressionado com uma trilha. Já a ouvi incansavelmente.

Direito de Amar ainda tem outros pontos óbvios que já causam interesse. A interpretação de Firth (saudada como um momento único na vida do ator) e a aparição de Julianne Moore (que dizem ser pequena, ao estilo Viola Davis em Dúvida). A fotografia parece linda, assim como a direção de arte. A trama parece ser aquilo que filmes como Milk não conseguiram ser: uma história realmente humana sobre os homossexuais. Algo que só o telefilme Orações Para Bobby conseguiu alcançar.

Esse filme independente de Tom Ford, portanto, é o que mais espero nessa temporada. Baseado na obra de Christopher Isherwood, Direito de Amar tem sua estreia prevista para o dia 26 de fevereiro (data bem significativa para mim, por sinal). Confira, abaixo, o trailer do filme:

Um globo popular e mediano

Gervais: decepção.

Os grandes vencedores da noite foram Avatar, Up – Altas Aventuras e… Coração Louco! Cada um com dois prêmios cada. Só isso já comprova como a temporada de premiações está descentralizada esse ano. O longa de James Cameron é sim o grande favorito ao Oscar – mas, veja bem, quando não existem categorias técnicas a serem consideradas, o filme fica no mesmo nível de seus outros concorrentes. A distribuição de prêmios fica quase igualitária.

Fiquei com a impressão de ver um Globo de Ouro muito bagunçado, onde os votantes não parecem estar seguros de seus votos. Ora, o que vimos na noite desse domingo foi uma festa feita justamente para agradar o público. Avatar, o sucesso do momento, é o vencedor principal. Sandra Bullock, queridinha de muita ganete, ganha prêmio de atriz em drama. Robert Downey Jr. consegue uma inesperada vitória pela aventura Sherlock Holmes. E, pra completar, o sucesso de Se Beber, Não Case! sobe à cabeça dos votantes – que o definiram como a melhor comédia do ano. E, ainda na TV, a badalada Glee fez a felicidade dos fãs ao ganhar na sua categoria principal. Será que o Oscar vai seguir o mesmo perfil?

Sem mais enrolações, faço abaixo rápidos comentários aleatórios sobre a festa de ontem:

  • Já vi gente torcendo o nariz para Avatar depois do Globo de Ouro. Mas, essas pessoas já podem ir quebrando logo o nariz, o filme é o grande favorito e duvido muito que alguém roube esse posto dele.
  • O prêmio para Se Beber, Não Case! é irrelevante. É óbvio que, mesmo com bilheteria e apoio, o filme não chega entre os dez indicados ao Oscar. A vitória só serviu pra deixar Nine no chinelo mesmo. A equipe do filme de Rob Marshal deveria se envergonhar depois de ontem…
  • A vitória de Sandra Bullock, ao contrário do que muita gente pensa, só fortaleceu Meryl Streep. Bullock não leva Oscar de qualquer jeito (e nenhum outro prêmio relevante nessa temporada) e agora que Mulligan perdeu o Globo de Ouro, a jovem atriz inglesa também está fadada a perder o SAG. E o BAFTA não conta no caso de Mulligan, né? Ou seja, o suspense que poderia ter sido criado (Streep com GG e SAG e Mulligan com GG e BAFTA) se dissolveu completamente.
  • Já posso dar adeus para as chances que eu imaginava que Julianne Moore teria… Direito de Amar passou batido – incluindo a soberba trilha de Abel Korzeniowski.
  • Outro prêmio irrelevante: Robert Downey Jr. Ele não vai chegar a lugar nenhum mesmo.
  • A canção de Coração Louco pode muito bem nem ser indicada ao Oscar. A última música que ganhou GG e foi indicada ao Oscar foi Into the West, de O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei.

Apostas para o Globo de Ouro

Meryl Streep, a queridinha desse blog, rumo ao seu sétimo Globo de Ouro.

Melhor filme drama: É até meio óbvio que Avatar será o vencedor nessa categoria. Todo mundo viu, todo mundo gostou, todo mundo venera. Já é a segunda maior bilheteria da história e ainda tem apelo comercial – o que conta para o Globo de Ouro, que costuma ser bem “popular”. Caso dê uma louca nos votantes, quem vence é Amor Sem Escalas, o mais “queridinho” entre os críticos.

Melhor filme comédia/musical: Nessa altura do campeonato Nine anda tão mal das pernas que nem sei se o filme tem todo esse potencial pra vencer. No entanto, o Globo de Ouro adora musicais (Dreamgirls e Sweeney Todd foram os mais recentes vitoriosos na categoria) e o super elenco pode influenciar bastante para uma vitória do filme de Rob Marshall. A surpresa pode ser (500) Dias Com Ela, um filme que é muito querido e tem uma legião de admiradores.

Melhor ator drama: Não adianta, sempre que George Clooney aparece ele está cercado de boas energias. Ou ele está ótimo mesmo (como em Conduta de Risco) ou está num filme que recebe grande apoio, como é o caso desse Amor Sem Escalas. Esse é um de concorrentes interessantes na categoria, mas aqui Clooney deve levar a melhor. Numa segunda opção, coloco Morgan Freeman, que tem um papel que normalmente favorece bastante, ainda que eu torça e acredite em um prêmio para o Colin Firth.

Melhor ator comédia/musical: Logo quando vi o nome de Daniel Day-Lewis nessa lista, dei uma risada alta e disse que, sem sombra de dúvidas, ele ia ganhar. Hoje já não tenho tanta certeza, mas acho que ele ainda é o mais provável vitorioso dessa categoria. Mas quem sabe não resolvem consolar o Matt Damon, já que ele vai perder mesmo na categoria de ator coadjuvante?

Melhor atriz drama: Não nego: Carey Mulligan pode estar mesmo maravilhosa em Educação, mas não creio que ela consiga grande repercussão nessa temporada de prêmios. O Globo de Ouro deve ser o único grande prêmio dela, já que Meryl Streep não concorre nessa categoria. É uma vitória quase certa. Quase, já que é bom ficar de olho aberto com a Sandra Bullock. De olho bem aberto, por sinal.

Melhor atriz comédia/musical: Não tem essa lorota de “divisão” de votos. Faz tempo que isso não acontece. Então, não vai ser nem um pouco difícil para a Meryl Streep ganhar seu sétimo Globo de Ouro, seja por Julie & Julia ou Simplesmente Complicado. Minha intuição diz que ela vai ganhar pelo filme de Nancy Meyers (até porque a premiação gostou bastante do filme, já que deu até uma indicação para o roteiro), mas acho extremamente complicado o Globo de Ouro contradizer todas as outras listas e não premiá-la por sua hilária representação de Julia Child.

Melhor ator coadjuvante: Christoph Waltz na cabeça. Tem apoio de todo mundo e realmente merece por sua extraordinária interpretação. Não dá nem pra cogitar a possibilidade de um outro concorrente, mas se fosse pra escolher alguém, eu escolheria Stanley Tucci. Ele é um dos atores coadjuvantes mais versáteis e ainda teve ótima aparição em Julie & Julia.

Melhor atriz coadjuvante: Chegou a hora da Julianne Moore e, com o Globo de Ouro, ela vai alçar vôo nas premiações. Mo’Nique, tão celebrada, tem um passado cinematográfico bem cretino e ultimamente anda falando mais do que devia (principalmente em seus comentários desdenhando o Oscar). Moore, por um outro lado, é tida como uma das grandes atrizes de sua geração e o fato de nunca ter vencido um prêmio importante pesa ao seu favor. Não quero acreditar que ela vá deixar de ser celebrada novamente. E principalmente por alguém como Mo’Nique.

Melhor diretor: James Cameron, além de levar o prêmio principal, também deve levar o prêmio de diretor pelas razões já citadas. Tá certo que até existe uma campanha para a Kathryn Bigelow ser a primeira mulher a ganhar algum prêmio relevante e para o Quentin Tarantino finalmente ser reconhecido como deveria, mas Cameron trouxe o grande espetáculo da temporada. E mesmo que eu não o admire tanto como a maioria, devo reconhecer que é o favorito e que tem sim os seus méritos.

Melhor roteiro: O Globo de Ouro, normalmente, costuma viajar na maionese nessa categoria e premiar alguém que ninguém esperava. Mas, na maioria das vezes, é uma boa surpresa. Bastardos Inglórios deve, portanto, levar a melhor. Não sou fã do roteiro (até acho o aspecto mais fraco do filme), mas o texto tem grandes momentos e um tratamento típico de Tarantino. É um grande feito, conseguir mexer com fatos históricos e ainda assim conseguir incluir um tom pessoal. Logo atrás, na minha opinião, vem Up in the Air.

Melhor Canção: Nessa categoria não tenho nenhum palpite formado, até porque, pra mim, é indiferente quem vai vencer. Não torço nem tenho simpatia por nenhum dos candidatos. Mas, seguindo o comercialismo do prêmio, u2 deve sair com a estueta para a canção feita para o longa Entre Irmãos. Desde que I See You não ganhe, já tá de bom tamanho.

Melhor trilha sonora: Tenho até medo de apostar nessa categoria, já que todas são trilhas que gosto muito. Minha torcida absoluta fica para a perfeita trilha de Abel Korzeniowski para O Direito de Amar. Como o Globo de Ouro adora novos talentos, aqui está uma oportunidade de premiar alguém merecedor até o último fio de cabelo. Mas se fosse para escolher uma opção mais óbvia, essa seria Michael Giacchino e seu trabalho em Up – Altas Aventuras.

Melhor Animação: Up – Altas Aventuras. Precisa dizer alguma coisa?

Melhor filme estrangeiro: Un Prophète. Sei lá, chutei.

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e, pra quem se interessar, em breve as apostas de TV no Séries e Argumento.