Cinema e Argumento

Os vencedores do SAG 2014

Cate Blanchett, mais uma vez vitoriosa por Jasmine

Cate Blanchett, mais uma vez vitoriosa como melhor atriz por Blue Jasmine

O Screen Actors Guild Awards veio para tirar toda a emoção que poderia existir nessa temporada de premiações. Não existem mais dúvidas: Cate Blanchett, Matthew McCounaghey, Lupita Nyong’o e Jared Leto serão os vencedores do Oscar. Claro que ainda falta certo tempo para dizer se os quatro são realmente merecedores (só o filme de Blanchett entrou em cartaz aqui no Brasil por enquanto), mas é fato que a temporada de premiações – que começou com bastante suspense – mais uma vez se torna perfeitamente previsível. O que fica mesmo em aberto é o significado da vitória de Trapaça como melhor elenco. Afinal, 12 Anos de Escravidão realmente perdeu o seu momento e o filme de David O. Rusell é o que está na frente?

Na TV, Breaking Bad ganhou merecidamente o prêmio de elenco e ator. Também merecia o de atriz para Anna Gunn, que perdeu para Maggie Smith (sempre ótima, mas já venceu tudo que tinha para vencer por Downton Abbey). Michael Douglas, como previsto, foi o melhor ator em minissérie/telefilme por Behind the Candelabra (traduzido para o português como Minha Vida Com Liberace) e a única surpresa – desagradável, diga-se de passagem – foi a vitória de Helen Mirren como melhor atriz por Phil Spector. Ela nada faz no telefilme e não havia necessidade de um novo prêmio, principalmente quando a veterana já tem quatro estatuetas em casa. A próxima parada da temporada de premiações é o BAFTA, no dia 10 de fevereiro, que deverá ser mais interessante, já que McCounaghey e Leto não concorrem (Clube de Compras Dallas só será exibido na Inglaterra no mês que vem).

CINEMA

MELHOR ELENCO: Trapaça

MELHOR ATRIZ: Cate Blanchett (Blue Jasmine)

MELHOR ATOR: Matthew McCounaghey (Clube de Compras Dallas)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão)

MELHOR ATOR COADJUVANTE: Jared Leto (Clube de Compras Dallas)

TV

MELHOR ELENCO DE SÉRIE DRAMA: Breaking Bad

MELHOR ATOR EM SÉRIE DRAMA: Bryan Cranston (Breaking Bad)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DRAMA: Maggie Smith (Downton Abbey)

MELHOR ELENCO DE SÉRIE COMÉDIA:  Modern Family

MELHOR ATOR EM SÉRIE COMÉDIA: Ty Burell (Modern Family)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE COMÉDIA: Julia Louis-Dreyfus (Veep)

MELHOR ATOR EM TELEFILME/MINISSÉRIE: Michael Douglas (Behind the Candelabra)

MELHOR ATRIZ EM TELEFILME/MINISSÉRIE: Helen Mirren (Phil Spector)

SAG 2014: apostas

screenactors

A temporada de premiações continua! Hoje é dia de conhecer os vencedores do Screen Actors Guild Awards. A princípio, parece que a temporada já está se decidindo e que as surpresas serão poucas na cerimônia. Aqui no Brasil, o SAG 2014 será transmitido pela TNT a partir das 22h, com o tapete vermelho (a cerimônia começa 23h). Confira, abaixo, as nossas apostas.

CINEMA

MELHOR ELENCO: Trapaça / alt: 12 Anos de Escravidão

MELHOR ATRIZ: Cate Blanchett (Blue Jasmine) / alt: Judi Dench (Philomena)

MELHOR ATOR: Matthew McCounaghey (Clube de Compras Dallas) / alt: Bruce Dern (Nebraska)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão) / alt: Jennifer Lawrence (Trapaça)

MELHOR ATOR COADJUVANTE: Jared Leto (Clube de Compras Dallas) / alt: Michael Fassbender (12 Anos de Escravidão)

TV

MELHOR ELENCO DE SÉRIE DRAMA: Breaking Bad / alt: Downton Abbey

MELHOR ATOR EM SÉRIE DRAMA: Bryan Cranston (Breaking Bad) / alt: Kevin Spacey (House of Cards)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DRAMA: Anna Gunn (Breaking Bad) / alt: Kerry Washington (Scandal)

MELHOR ELENCO DE SÉRIE COMÉDIA:  Modern Family / alt: 30 Rock

MELHOR ATOR EM SÉRIE COMÉDIA: Alec Baldwin (30 Rock) / alt: Don Cheadle (House of Lies)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE COMÉDIA: Julia Louis-Dreyfus (Veep) / alt: Tina Fey (30 Rock)

MELHOR ATOR EM TELEFILME/MINISSÉRIE: Michael Douglas (Behind the Candelabra) / alt: Matt Damon (Behind the Candelabra)

MELHOR ATRIZ EM TELEFILME/MINISSÉRIE: Elisabeth Moss (Top of the Lake) / alt: Helena Bonham Carter (Burton & Taylor)

Globo de Ouro 2014: apostas

Tina Fey e Amy Poehler apresentam a cerimônia pelo segundo ano consecutivo

Tina Fey e Amy Poehler apresentam a cerimônia pelo segundo ano consecutivo

Dia de finalmente conhecer os vencedores do Globo de Ouro 2014! Lembrando que, aqui no Brasil, a transmissão fica a cargo do canal TNT a partir das 22h (horário de Brasília), começando com o tapete vermelho. A cerimônia inicia posteriormente às 23h. Fiquem abaixo com as nossas apostas para as categorias de cinema e TV!

CINEMA

MELHOR FILME DRAMA: 12 Anos de Escravidão / alt: Gravidade

MELHOR FILME COMÉDIA/MUSICAL: Trapaça / alt: O Lobo de Wall Street

MELHOR ATOR DRAMA: Matthew McCounaghey (Clube de Compra Dallas) / alt: Chiwetel Ejiofor (12 Anos de Escravidão)

MELHOR ATOR COMÉDIA/MUSICAL: Bruce Dern (Nebraska) / Leonardo DiCaprio (O Lobo de Wall Street)

MELHOR ATRIZ DRAMA: Cate Blanchett (Blue Jasmine) / alt: Sandra Bullock (Gravidade)

MELHOR ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL: Meryl Streep (Álbum de Família) / alt: Amy Adams (Trapaça)

MELHOR ATOR COADJUVANTE: Jared Leto (Clube de Compra Dallas) / alt: Michael Fassbender (12 Anos de Escravidão)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão) / alt: Julia Roberts (Álbum de Família)

MELHOR DIREÇÃO: Alfonso Cuarón (Gravidade) / alt: Steve McQueen (12 Anos de Escravidão)

MELHOR ROTEIRO: Trapaça / alt: Ela

MELHOR FILME ESTRANGEIRO: Azul é a Cor Mais Quente / alt: Vidas ao Vento

MELHOR ANIMAÇÃO: Frozen – Uma Aventura Congelante / alt: Meu Malvado Favorito 2

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “Let it Go” (Frozen – Uma Aventura Congelante) / alt: “Ordinary Love” (Mandela: Long Walk to Freedom)

MELHOR TRILHA SONORA: Gravidade / alt: 12 Anos de Escravidão

TV

MELHOR SÉRIE DRAMA: Breaking Bad / alt: House of Cards

MELHOR SÉRIE COMÉDIA/MUSICAL: Girls / alt: Modern Family

MELHOR MINISSÉRIE/TELEFILME: Behind the Candelabra / alt: Top of the Lake

MELHOR ATOR DRAMA: Bryan Cranston (Breaking Bad) / alt: Kevin Spacey (House of Cards)

MELHOR ATRIZ DRAMA: Julianna Margulies (The Good Wife) / alt: Kerry Washington (Scandal)

MELHOR ATOR COMÉDIA/MUSICAL: Michael J. Fox (The Michael J. Fox Show) / Jim Parsons (The Big Bang Theory)

MELHOR ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL: Julia Louis-Dreyfus (Veep) / alt: Amy Poehler (Parks and Recreation)

MELHOR ATOR MINISSÉRIE/TELEFILME: Michael Douglas (Behind the Candelabra) / alt: Matt Damon (Behind the Candelabra)

MELHOR ATRIZ MINISSÉRIE/TELEFILME: Helena Bonham Carter (Burton & Taylor) / alt: Elisabeth Moss (Top of the Lake)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE/MINISERÉRIE/TELEFILME: Aaron Paul (Breaking Bad) / alt: Josh Charles (The Good Wife)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME: Hayden Panettiere (Nashville) / alt: Sofia Vergara (Modern Family)

O Mordomo da Casa Branca

Darkness cannot drive out darkness. Only light can do that.

butlerposter

Direção: Lee Daniels

Roteiro: Danny Strong, baseado no artigo “A Butler Well Served by This Election”, de Wil Haygood

Elenco: Forest Whitaker, Oprah Winfrey, John Cusack, Jane Fonda, Cuba Gooding Jr., Terrence Howard, Lenny Kravitz, James Marsden, Vanessa Redgrave, Alan Rickman, Liev Schreiber, Robin Williams, David Oyelowo

Lee Daniels’ The Butler, EUA, 2013, Drama, 132 minutos

Sinopse: 1926, Macon, Estados Unidos. O jovem Cecil Gaines vê seu pai ser morto sem piedade por Thomas Westfall (Alex Pettyfer), após estuprar a mãe do garoto. Percebendo o desespero do jovem e a gravidade do ato do filho, Annabeth Westfall (Vanessa Redgrave) decide transformá-lo em um criado de casa, ensinando-lhe boas maneiras e como servir os convidados. Cecil (Forest Whitaker) cresce e passa a trabalhar em um hotel ao deixar a fazenda onde cresceu. Sua vida dá uma grande guinada quando tem a oportunidade de trabalhar na Casa Branca, servindo o presidente do país, políticos e convidados que vão ao local. Entretanto, as exigências do trabalho causam problemas com Gloria (Oprah Winfrey), a esposa de Cecil, e também com seu filho Louis (David Oyelowo), que não aceita a passividade do pai diante dos maus tratos recebidos pelos negros nos Estados Unidos. (Adoro Cinema)

O diretor Lee Daniels conseguiu enganar meio mundo quando estourou com Preciosa – Uma História de Esperança. E me incluo no grupo dos enganados, já que, ainda hoje, tenho boas lembranças do filme estrelado por Gabourey Sidibe. Depois de Preciosa, no entanto, Daniels se mostrou irremediavelmente ruim. Aqui no Brasil, por exemplo, ele chegou aos cinemas com dois longas bastante insatisfatórios em 2013. O primeiro foi Obsessão, que se perdia em diversos fetiches de seu realizador e narrava mil histórias ao mesmo tempo sem se aprofundar em nada. O segundo foi esse O Mordomo da Casa Branca, que, mesmo tendo razões de sobra para justificar plenamente seu sucesso de 116 milhões de dólares nas bilheterias estadunidenses, é mais um trabalho falho do diretor, com um roteiro muito mal estruturado, enorme desperdício de elenco e uma história apoiada nos mais ultrapassados esquemas utilizados em biografias.

O Mordomo da Casa Branca era para ser, em teoria, o relato da vida de Cecil Gaines (Forest Whitaker), personagem inspirado na história real de Eugene Allen, mordomo negro que serviu diversos presidentes na Casa Branca entre 1952 e 1986. Porém, o roteiro escrito por Danny Strong, baseado no artigo A Butler Well Served by This Election, de Wil Haygood, inexplicavelmente abandona os dramas do protagonista quase em tempo integral para colocar a luta dos negros contra o racismo no século XX como norte da trama. O resultado é um filme extremamente irregular em sua narrativa, já que o texto ora oscila entre os rasos questionamentos de Gaines e o excessivo foco documental nos fatos politico-sociais do espaço e tempo recortados pelo roteiro. E ver um texto tão mal desenvolvido com a assinatura de Danny Strong é especialmente decepcionante, pois ele já foi responsável por exemplares roteiros políticos e biográficos para a TV, sendo Virada no Jogo, da HBO, seu exemplar mais recente nesse sentido.

Se a parte envolvendo a luta dos negros até tem seu valor histórico – o que reforça a ideia de que O Mordomo da Casa Branca seria mais relevante como documentário -, os momentos envolvendo a vida pessoal do protagonista desapontam profundamente. Começamos pela essência de Cecil Gaines, que por si só já praticamente anula as chances do filme de ter algum conflito: ele é um homem íntegro, batalhador e vencedor, que não faz mal a ninguém e que sempre foi vítima das circunstâncias injustas da vida. Nesse sentido, a escalada desse homem quase sem defeitos de garoto escravo em fazendas de algodão a homem de confiança da Casa Branca não é sentida, pois em menos de meia hora Cecil percorreu toda sua trajetória e já chegou no ponto em que conquista todas as pessoas e a atenção de presidentes. A presença de sua esposa, vivida por Oprah Winfrey (desde 1998, com Bem-Amada, ela não atuava em um filme), também não diz muita coisa, já que Gloria é, assim como seu marido, basicamente unidimensional – e a investida do roteiro em citar uma possível traição dela com o amigo vivido por Terrence Howard é jogada na trama com muito descaso.   

Com tudo isso, O Mordomo da Casa Branca perde seu ritmo por completo. São mais de duas horas aborrecidas onde a maior diversão é procurar os milhares de rostos conhecidos que integram o elenco. E a missão é longa, já que poucas vezes nos últimos vimos um elenco tão extenso e eclético em um mesmo filme. Só que a péssima notícia é que a brincadeira termina mesmo nesse “Onde está Wally?”, pois nenhum dos atores faz sequer algo especial. Não é culpa deles: o roteiro simplesmente não dá espaço para que veteranos como Alan Rickman, Jane Fonda e Vanessa Redgrave explorem qualquer dimensão em seus papeis. São apenas nomes em um cartaz para atrair público. Já Whitaker e Winfrey, protagonistas da história, não passam do velho samba de uma nota só. Ele, no piloto-automático, prova que seu Oscar por O Último Rei da Escócia foi justo sim, pois lá ele fazia muito bem um papel completamente atípico para sua carreira: forte, misterioso e perigoso – e não indefeso e inocente, quase abobado, como costuma representar. Oprah também não se impõe na tela, seja por sua interpretação ou pelo material que lhe é dado. E percebam que até mesmo nos momentos dramáticos a câmera foca abruptamente em seu rosto já encharcado de lágrimas, sem sequer acompanhar a origem e a evolução dos choros.

Se existe um consolo em O Mordomo da Casa Branca é que ele termina como o filme menos afetado de toda a carreira de Lee Daniels. Aliás, talvez o diretor nunca tenha sido tão quadrado e domesticado. Essa deve ter sido a principal razão para o filme ter sido um verdadeiro sucesso de bilheteria lá fora. Os estadunidenses adoram uma história esquemática, biográfica e, acima de tudo, patriótica. Até porque O Mordomo da Casa Branca faz de tudo para mostrar como o país “venceu” o racismo, chegando a mostrar inclusive a era Barack Obama. E Lee Daniels não poupa esforços para melodramatizar esse momento, com direito até ao protagonista já envelhecido e cheio de maquiagem se emocionando com essa eleição que significa tanto para seus semelhantes após anos de injustiça. Dessa forma, é mais um longa que, assim como Histórias Cruzadas, mostra as barbaridades sociais sofridas pelos negros, mas que também faz questão de forçar todo o drama possível para indicar que, apesar dos erros, os Estados Unidos e seu povo “consertam” os erros. E como questionar esse sucesso financeiro se a história ainda é encabeçada por uma espécia de Forrest Gump negro que acompanha diversos fatos históricos do país? Mas falta Tom Hanks. E Roberts Zemeckis. Aliás, faltam muitas coisas. Quem sabe na próxima vez, Lee Daniels…

FILME: 5.0

2*

Questão de Tempo

All the time traveling in the world can’t make someone love you. 

abouttimeposter

Direção: Richard Curtis

Roteiro: Richard Curtis

Elenco: Domhnall Gleeson, Rachel McAdams, Bill Nighy, Lydia Wilson, Lindsay Duncan, Richard Cordery, Joshua McGuire, Tom Hollander, Margot Robbie, Will Merrick, Vanessa Kirby

About Time, Inglaterra, 2013, Romance, 123 minutos

Sinopse: Ao completar 21 anos, Tim (Domhnall Gleeson) é surpreendido com a notícia dada por seu pai (Bill Nighy) de que pertence a uma linhagem de viajantes no tempo. Ou seja, todos os homens da família conseguem viajar para o passado, bastando apenas ir para um local escuro e pensar na época e no local para onde deseja ir. Cético a princípio, Tim logo se empolga com o dom ao ver que seu pai não está mentindo. Sua primeira decisão é usar esta capacidade para conseguir uma namorada, mas logo ele percebe que viajar no tempo e alterar o que já aconteceu pode provocar consequências inesperadas. (Adoro Cinema)

abouttimemovie

É impossível falar de romances contemporâneos sem citar o nome do britânico Richard Curtis. Ele só dirigiu três filmes até agora, mas fez grande carreira ao roteirizar sucessos como Um Lugar Chamado Notting Hill, O Diário de Bridget Jones e Quatro Casamentos e Um Funeral. Como diretor, debutou com o ótimo Simplesmente Amor, e, na sequência, realizou uma divertida comédia que não tinha nada de romântica: Os Piratas do Rock. Afastado da cadeira de direção desde 2009 (mas sem perder a prática de roteiros), agora ele volta aos cinemas comandando mais uma história de amor. Dessa vez, menos marcante e distante de se tornar candidata a marcar época, mas que também traz toda a desenvoltura de Curtis com o gênero e cuja essência vem muito a calhar neste final de ano. Isso mesmo: Questão de Tempo pode ser sim esse filme afetivo que você procura para terminar seu ano cinematográfico de forma bastante espirituosa.

A premissa não é o que podemos chamar de original: jovem descobre que pode viajar no tempo e usa esse poder para conquistar uma garota e fazer com que cada minuto de sua relação com ela seja perfeito. Mas Richard Curtis não se preocupa tanto com as piadas que pode fazer com essa mágica e sim com o romance mesmo. Com isso, Questão de Tempo é quase uma fábula sobre um garoto estranho mas sonhador que encontra a garota da sua vida. Em tempos tão pessimistas e cada vez mais distantes de afetos, é bom acompanhar uma história que preze justamente pelos pequenos momentos com a pessoa amada e pelo verdadeiro encantamento que é a paixão. As mensagens, que poderiam ser enfadonhas nas mãos de outro diretor, mostram-se eficientes e o resultado chega até mesmo a emocionar nos momentos finais – só que com outra figura: a de Bill Nighy, um ator que esbanja naturalidade e que representa toda a força familiar do filme.

Por falar em elenco, Questão de Tempo tem certamente a seu favor um grupo de atores bem escolhido, começando pela figura do protagonista. Aqui, nada de Hugh Grant ou Colin Firth. O mocinho da vez é vivido por Domhnall Gleeson, um jovem ruivo e magricelo que já passou discretamente por filmes como Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2Não Me Abandone Jamais e o novo Bravura Indômita. O fato de ele ser estranho e desengonçado faz toda a diferença para o filme, que ganha um tom muito mais realista com essa escolha. Todos são pura simpatia em Questão de Tempo, até mesmo Rachel McAdams, normalmente especialista em papeis de mulheres enjoadas e desagradáveis, que aqui surge encantadora.

Só que Questão de Tempo tem um problema facilmente irritante para alguns: a falta de conflitos. Qualquer problemática apresentada pelo roteiro dura no máximo cinco minutos até o protagonista decidir voltar no tempo e remendar a situação. Isso faz com que o filme não tenha um grande obstáculo a ser vencido ou um questionamento contínuo. Cabe a cada um decidir até que ponto esse detalhe altera o resultado do filme, que particularmente me envolveu e me encantou. Richard Curtis, ainda que em menor escala de originalidade e contundência, continua com sensibilidade para contar histórias de amor. E, em uma trama guiada por viagens no tempo, o que na realidade fica é: não existe tempo melhor que o agora. E Curtis consegue passar essa mensagem de forma bastante afetuosa. Para senti-la, basta se desarmar.

FILME: 8.0

35