As Submissões Ao Emmy (Pushing Daisies)
Pushing Daisies é a maior surpresa entre as séries dessa temporada. Não apenas por causa de sua inteligência em relação ao seu humor ou por causa da história super original, mas por causa de seu visual inovador e instigante – aproximando-se muito do conhecido estilo de Tim Burton. Afetada pela greve dos roteiristas, a primeira temporada de Pushing Daisies (que aqui no Brasil irá receber o subtítulo de “Um Toque de Vida”) teve somente nove episódios; contudo, isso não impediu que a série chamasse a atenção do público, que teve uma recepção muito boa. De certa forma, Pushing tinha vários fatores que não favoriam seu sucesso – não temos mentes conhecidas envolvidas no projeto e a história é original até demais para os padrões inventivos atuais. Aconteceu justamente o contrário, o seriado foi um grande sucesso e já é nome certo em pelo menos algumas categorias da próxima premiação do Emmy, cujos indicados serão revelados no próximo dia 17.
Infelizmente chego a conclusão que Pushing Daisies vai ter que se contentar apenas com algumas indicações. Recentemente se soube que a série foi finalista em duas categorias – atriz em série cômica e atriz coadjuvante em série cômica. Provavelmente Anna Friel e Kristin Chenoweth vão receber as indicações em suas respectivas categorias, mas ambas com chances quase nulas de ganhar. Já uma indicação para o seriado na categoria principal e sequer na categoria de melhor ator em seriado cômico já é algo bem incerto. A série não anda sendo muito cotada nem comentada para a festa, mas quem sabe não teremos uma surpresa? Pushing Daisies é merecedora de maior destaque, pois não é qualquer dia que enxergamos uma série cômica tão hipnotizante como essa. De qualquer forma, mesmo que não faça sucesso nas premiações, o público se encarregará de que ela seja para sempre lembrada. Os produtores da série resolveram investir mais no episódio piloto, Pie-Lette, o que certamente é uma ótima jogada, visto que é um dos melhores episódios do seriado.
COMEDY SERIES
Pushing Daisies – “Pie-Lette“
COMEDY LEAD ACTOR
Lee Pace – “Pie-Lette“
COMEDY LEAD ACTREES
Anna Friel – “Bitter Sweets“
COMEDY SUPPORTING ACTOR
Chi McBride – “Bitches“
COMEDY SUPPORTING ACTREES
Kristin Chenoweth – “Girth”
Ellen Greene – “Smell Of Success”
Swoosie Kurtz – “Smell Of Success”
COMEDY GUEST ACTOR
Brad Grunberg – “The Fun In Funeral”
Paul Reubens – “Smell Of Success”
Christopher Sieber – “Smell Of Success”
COMEDY DIRECTING
Barry Sonnenfeld – “Pie-Lette“
COMEDY WRITING
Bryan Fuller – “Pie-Lette“
As Submissões Ao Emmy (Damages)
É inegável, Damages é a série queridinha do momento. Mesmo que a fama do seriado gire praticamente toda em torno do marcante desempenho da Glenn Close como a poderosa e implacável Patty Hewes, a história foi começando a atingir um público mais amplo até se tornar uma das principais concorrentes a categoria principal do Emmy desse ano. Inclusive, arrisco a dizer que seja a que tenha mais chances de vencer. Também não é pra menos, Damages consegue ser o melhor drama jurídico já criado na televisão – unindo inteligente condução, excelentes desempenhos e um roteiro interessante. Confesso que apesar de eu ter muito respeito por esse trabalho, especialmente por ser muito bem construído, até agora não cheguei a ser cativado (visto que recém estou no episódio número quatro). Então, minhas visões e comentários sobre o seriado são bem limitados e expressam apenas o que Damages me transmitiu no pouco que assisti até o momento. Sem dúvida é uma série merecedora de seu sucesso, por mais que seu público seja limitado aos que apreciam uma trama complexa e cheia de detalhes.
Como em toda premiação decente, não existem favoritos absolutos. Mas se existe uma categoria em que quase todos têm o mesmo palpite, essa é melhor atriz em série dramática. Desde que ganhou o Globo de Ouro (mas vale lembrar que ela perdeu o Screen Actors Guild), Glenn Close vem ganhando força a cada momento. Às vezes fico achando que o êxito de sua presença se deve mais ao benefício que a atriz recebe por ter um personagem tão instigante e poderoso, lembrando muito o encanto que Meryl Streep causava nas telas com sua Miranda Priestly em O Diabo Veste Prada. Mas isso é mera impressão, Glenn vai além disso – sabe atuar de forma magistral. Se dependesse disso, sua vitória no Emmy seria mais do que certa. O que deixa dúvidas sobre sua vitória é a escolha de seu episódio concorrente. O Pilot dá mais espaço para que a personagem Ellen Parsons (Rose Byrne) seja melhor trabalhada, enquanto Patty Hewes (Glenn Close) é apenas uma figura coadjuvante enigmática e hipnotizante. Mas mesmo assim é bem provável que ela leve.
Uma jogada esperta foi incluir Rose Byrne como atriz coadjuvante em série dramática. Todo mundo sabe que ela é outra favorita uma vez incluída nessa categoria. Seria uma vitória mais do que perfeita… se Rose fosse coadjuvante. O que me parece é que esse tipo de jogada injusta já se ajustou ao padrão de todos, que aceitam isso com certa naturalidade. Eu ainda me irrito muito com isso, porque evita com que outras merecedoras se saiam vitoriosas. Damages já pode caminhas tranquilamente para Emmy porque, de acordo com as listas divulgadas recentemente, a série já é finalista nas categorias de melhor série dramática, atriz em série dramática, atriz coadjuvante em série dramática e ator coadjuvante em série dramática.
DRAMA SERIES
Damages – “Pilot“
DRAMA LEAD ACTREES
Glenn Close – “Pilot“
DRAMA SUPPORTING ACTOR
Philip Bosco – “Pilot”
Ted Danson – “Jesus, Mary and Joe Cocker”
Tate Donovan – “A Regular Earl Anthony”
Zeljko Ivanek – “I Hate These People”
DRAMA SUPPORTING ACTREES
Rose Byrne – “Because I Know Patty”
Anastasia Griffith – “Tastes Like a Ho-Ho”
DRAMA GUEST ACTOR
Michael Nouri – “And My Paralyzing Fear Of Death”
Peter Riegert – “Do You Regret What We Did?”
DRAMA DIRECTING
Daniel Attias – “We Are Not Animals”
Ed Bianchi – “I Hate These People”
Timothy Busfield – “Sort of Like a Family”
Thomas Carter – “Do You Regret What We Did?”
Allen Coulter – “Pilot”
Todd A. Kessler – “Because I Know Patty”
Mario Van Peebles – “She Spat on Me”
Greg Yaitanes – “Jesus, Mary and Joe Cocker”
DRAMA WRITING
Jeremy Doner, Mark Fish – “Sort of Like a Family”
Mark Fish – “She Spat at Me”
Todd A. Kessler, Glenn Kessler, Daniel Zelman – “Pilot”
Aaron Zelman – “We Are Not Animals“
As Submissões Ao Emmy (Dexter)
Chegou a hora da verdade. Será que o Emmy vai esnobar novamente a série mais inteligente e instigante exibida no momento? É até compreensível que os votantes não tivessem simpatizado logo de cara com a primeira temporada de Dexter (não tão compreensível assim, já que é uma temporada maravilhosa), mas deixar de lado essa segunda parte seria uma grande ofensa para os fãs do seriado. Contudo, Emmy é Emmy e eu não me surpreenderia muito se fizessem isso – já que não acho uma premiação justa ou sequer muito interessante nas suas escolhas. Tamanho foi o descaso do prêmio com a série ano passado, que nem o memorável desempenho do protagonista Michael C. Hall foi lembrado entre os cinco finalistas na categoria de melhor ator em série dramática. Michael parece não ter a simpatia dos votantes, já que durante toda a sua carreira e cinco maravilhosas temporadas de Six Feet Under, ele foi indicado apenas uma vez. Six Feet Under, por sinal, nunca ganhou sequer um prêmio de atuação para os atores fixos da série – o que já comprova que o Emmy não é atestado de qualidade.
A segunda temporada de Dexter já se encontra em um caminho mais esperançoso – ficou entre as dez finalistas para a categoria de melhor série dramática na lista recém-divulgada; ao lado de Boston Legal, Damages (que será comentado no próximo post sobre as submissões), Friday Night Lights, Grey’s Annatomy, House, Lost, Mad Men, The Tudors e The Wire. Acho que as chances de Dexter ser indicada são bastante grandes, especialmente porque a escolha do episódio concorrente foi bem apropriada. The Dark Defender não é nem de longe o melhor da temporada, mas é o mais complexo, denso e profundo. A personalidade do protagonista nunca tinha sido tão bem explorada anteriormente em sua essência dramática e Michael C. Hall alcançou o auge de sua atuação. Mas não é apenas Michael que tem seus excelentes momentos. Sua nova companheira de tela, Jaime Murray (enviada como guest drama actrees), também contribui muito para a trama e uma indicação para ela cairia muito bem. Estranho que a Julie Benz e a Jennifer Carpenter foram incluídas como coadjuvantes, o que é uma jogada bem esperta, uma vez que nenhuma das duas teriam sequer a possibilidade de sonhar em entrar entre as finalistas de atriz em drama; no entanto, é quase impossível que sejam lembradas, mesmo na categoria coadjuvante, assim como qualquer outra pessoa do elenco.
Acredito ainda que Dexter possa conseguir indicações nas categorias de Direção e Roteiro, que são outros pontos altos da segunda temporada, com chances bastantes significativas para o episódio The Dark Defender. Como ainda não assisti o episódio There’s Something About Harry, que foi a grande aposta para as indicações, meus comentários se limitam apenas a The Dark Defender, An Inconvenient Lie e Waiting To Exhale. Baseado nisso, creio que o seriado chegará aos finalistas de Melhor Série Dramática e Ator em Série Dramática. Quanto a outras categorias, as chances são bem improváveis. Mas já está na hora da série ser reconhecida – tamanha excelência não pode ser deixada de lado.
DRAMA SERIES
Dexter (“The Dark Defender“)
DRAMA LEAD ACTOR
Michael C. Hall – “There’s Something About Harry”
DRAMA SUPPORTING ACTOR
Eric King – “There’s Something About Harry”
C.S. Lee – “The British Invasion”
James Remar – “There’s Something About Harry”
David Zayas – “There’s Something About Harry”
DRAMA SUPPORTING ACTREES
Julie Benz – “Waiting to Exhale”
Jennifer Carpenter – “Left Turn Ahead”
Lauren Velez – “Resistance Is Futile”
DRAMA GUEST ACTOR
Keith Carradine – “Morning Comes”
DRAMA GUEST ACTREES
Jaime Murray – “Morning Comes”
DRAMA DIRECTING
Tony Goldwyn – “An Inconvenient Lie”
Keith Griffin Gordon – “The Dark Defender”
Steve Shill – “The British Invasion”
DRAMA WRITING
Clyde Phillips – “Waiting To Exhale”
Melissa Rosenberg – “Resistance Is Futile”
Tim Schlattmann – “The Dark Defender“
As Submissões Ao Emmy (Brothers & Sisters)
A opinião do Cinema e Argumento sobre as submissões das séries para concorrer ao Emmy. Serão comentadas somente os seriados e os respectivos episódios concorrentes assistidos pelo blog. O primeiro post fala sobre Brothers & Sisters e sua segunda temporada.
Se ano passado a escolha do episódio Bad News para Rachel Griffiths concorrer como atriz coadjuvante foi um grande equívoco (apesar do episódio ser sobre ela, a atriz estava infinitamente melhor em outros capítulos, como Grapes Of Wrath), esse ano a decisão de que Domestic Issues irá representá-la na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante em Série Dramática foi um enorme acerto. Rachel exerce seu papel de coadjuvante com maestria, em um episódio que sua personagem é obrigada a se separar de pessoas muito queridas em sua vida. Somente a cena final já vale a sua indicação. Agora fica a dúvida: ela leva o prêmio, caso indicada? Não sei. Em primeiro lugar, Rachel já devia ter um Emmy em mãos, por causa de sua inesquecível Brenda Chenowith em Six Feet Under. Segundo, caso vença, o prêmio será mais do que merecido. Aliás, seria uma homenagem a essa atriz versátil e brilhante que sem dúvida alguma é uma das melhores atuantes no mundo televisivo. Ano passado não levou e dá até pra entender, mas esse ano ela chega com muito mais chances. O episódio Domestic Issues também foi o escolhido para representar a série na categoria principal. Mas infelizmente, como pode ser conferido no blog Cinéfila Por Natureza, a série não conseguiu chegar entre as dez finalistas na categoria principal.
Talvez só a escolha do episódio de Griffiths tenha sido um acerto. Incluir a atuação de Sally Field em History Repeating para que a atriz volte a concorrer esse ano (lembrando que ano passado ela foi a vencedora e esse ano nem tem chances) não foi muito inteligente. O episódio é banal e investe no caráter do personagem que menos chama a atenção – o cômico. Por sinal, a personagem Nora Walker decepcionou nessa temporada – tornando-se alguém chata e sem graça. Caiu na mesmice. Sally teria mais chances se concorresse por Home Front, um dos melhores episódios da série ao lado de Mistakes Were Made – Part 1 (que deu o Emmy de Atriz em Série Dramática para a matriarca do seriado). Ela provavelmente concorrerá, já que ganhou ano passado. Prefiro que Calista Flockhart concorra no lugar da Sally, pois a atriz teve uma evoluída nessa segunda temporada. O coadjuvante Dave Annable recebeu uma boa escolha, já que está excelente em 36 Hours, mas é improvável que ele concorra. Mas quem sabe o Danny Glover não leva como ator convidado? Ainda não assisti o episódio escolhido para ele, mas o ator realiza bom trabalho em sua aparição.
Existem algumas citações que nem devem ser consideradas, como Rob Lowe em Melhor Ator em Série Dramática por 36 Hours e Balthazar Getty como Coadjuvante em Série Dramática por History Repeating. Infelizmente só tive a oportunidade de assistir a esses episódios. Mas não poderia deixar de comentar a equivocada escolha de Rob Lowe ser escolhido como o Ator principal da série. Além de ser um ator limitado, seu personagem é insosso e nada traz de muito útil para a trama. No final das contas, minhas maiores torcidas para a série ficam com Rachel Griffiths e Matthew Rhys. Pena que não apostaram em Home Front, primeiro episódio dessa segunda temporada.Confira abaixo as submissões de Brothers & Sisters para o Emmy.
DRAMA SERIES:
Brothers & Sisters (“Domestic Issues” /”36 Hours”)
DRAMA LEAD ACTOR:
Rob Lowe – “36 Hours”
DRAMA LEAD ACTRESS:
Sally Field – “History Repeating”
Calista Flockhart – “Holy Matrimony”
DRAMA SUPPORTING ACTOR:
Dave Annable – “36 Hours”
Balthazar Getty – “History Repeating”
Matthew Rhys – “Moral Hazard”
Ron Rifkin – “Moral Hazard”
DRAMA SUPPORTING ACTRESS:
Rachel Griffiths – “Domestic Issues”
Sarah Jane Morris – “Missionary Imposition”
Emily VanCamp – “Double Negative”
Patricia Wettig – “Moral Hazard”
DRAMA GUEST ACTOR
Danny Glover – “The Feast Of Epiphany”
DRAMA DIRECTING
Laura Innes – “The Feast of Epiphany”
Ken Olin – “Domestic Issues”
David Paymer – “36 Hours”
DRAMA WRITING
Greg Berlanti, Monica Owusu-Breen, Alison Schapker – “Prior Commitments”
David Marshall Grant, Molly Newman – “36 Hours”
Jason Wilborn, Sherri Cooper – “Moral Hazard”
O vídeo da semana já fica embutido nesse post, mostrando a melhor cena de Rachel Griffiths em “Domestic Issues”. Contem spoilers.
WALL•E

Direção: Andrew Stanton
Com as vozes de Ben Burtt, Elissa Knight, Jeff Garlin, Fred Willard, Kathy Najimy, Sigourney Weaver
EUA, 2008, Animação, 105 minutos, Livre.
Sinopse: Após entulhar a Terra de lixo e poluir a atmosfera com gases tóxicos, a humanidade deixou o planeta e passou a viver em uma gigantesca nave. O plano era que o retiro durasse alguns poucos anos, com robôs sendo deixados para limpar o planeta. Wall-E é o último destes robôs, que se mantém em funcionamento graças ao auto-conserto de suas peças. Sua vida consiste em compactar o lixo existente no planeta, que forma torres maiores que arranha-céus, e colecionar objetos curiosos que encontra ao realizar seu trabalho. Até que um dia surge repentinamente uma nave, que traz um novo e moderno robô: Eva. A princípio curioso, Wall-E logo se apaixona pela recém-chegada.

“A Pixar chega ao auge de sua genialidade com WALL-E, animação surpreendente que, além de ser o melhor filme do ano, também consegue ser a mais grandiosa e bem produzida do cinema nos últimos tempos.”
Foi só ano passado, com o maravilhoso Ratatouille, que a Pixar conseguiu realmente chamar a minha atenção. Não é que eu não gostasse da produtora, mas sinceramente eu não via nada de tão genial em suas animações. Inclusive eu tinha me decepcionado bastante com um de seus maiores sucessos, o superestimado Os Incríveis. Fui conferir WALL-E com zero expectativa, ainda que eu estivesse curioso demais para conferir se o filme do ratinho do cozinheiro tinha sido apenas um golpe de tremenda sorte da produtora. O fato é que o novo filme da Pixar é surpreendente, e o melhor que ela já realizou. Sem falar que é a melhor animação que aparece pelo cinema em anos.
Pra começar, temos um diretor incrivelmente competente. Andrew Stanton comanda o filme de forma segura e impecável, sabendo controlar cada mínimo detalhe de seu filme. Unindo-se a isso, temos um roteiro brilhante – a história não podia ser mais improvável e se torna um produto de pura genialidade, conferindo verossimilhança e emoção em cada minuto. O que também o favorece é sua curta duração, são ligeiros 105 minutos de pura diversão. WALL-E é quase desprovido de diálogos – e ao contrário do que se possa imaginar, isso não afeta em nenhum momento o ritmo do longa. Muito pelo contrário, as expressões de nosso protagonista conseguem dizer tudo o que palavras talvez não conseguiriam. Mais do que nunca, uma imagem vale mais do que mil palavras. O robozinho é humano – tem medo, coragem, curiosidade e… amor. A animação de Andrew Stanton termina por ser uma tímida história de amor, que pouco a pouco vai se tornando cada vez mais sincera. Além disso, faz uma enorme crítica sobre a alienação da população, que só fica sentada em frente do computador, comendo, engordando e esquecendo-se do quão importante é o sense of touch, como diria Crash – No Limite.
Por os diálogos serem mínimos, WALL-E usa e abusa da estupenda trilha sonora do genial Thomas Newman. Ele, que absurdamente até hoje não tem um Oscar em mãos, realiza possivelmente o melhor trabalho de toda a sua carreira de compositor. Nunca ouvi em seu currículo uma trilha tão diversificada, original e minimalista. Esse é um dos pontos altos do filme, pois a música é o que também dota o filme de emoção. A grandiosidade e o detalhismo do desenho dispensam comentários, uma vez que as animações de hoje em dia se aperfeiçoam cada vez mais nesse quesito. Mas o mais impressionante é como conseguiram dar expressões tão verdadeiras para um robô. É por esse e outros motivos que Wall-E merece ser coroado com o Oscar por seu brilhantismo. E não apenas na categoria de desenho animado, os efeitos sonoros também são incríveis e dignos de reconhecimento.
Se existe um ponto fraco em WALL-E, esse é a repetição de seu humor. Assistimos sempre a mesma coisa – as estripulias do robô tentando compreender novos mundos. Mas estranhamente eu não vejo isso como um fator negativo. É extremamente gratificante sair da sala de cinema com uma sensação positiva por ter visto algo realmente genial. A animação é isso – estupenda, muito bem orquestrada e até agora a melhor surpresa do ano. E o melhor filme também.
PS: Procure assistir aos créditos finais, que são um primor de beleza estética, sem falar da linda música de Peter Gabriel, “Down To Earth”.
FILME: 9.0




