Desejo e Reparação

Direção: Joe Wright
Elenco: James McAvoy, Keira Knightley, Saoirse Ronan, Romola Garai, Vanessa Redgrave, Brenda Blethyn
Atonement, EUA, 2007, Drama, 135 minutos, 14 anos.
Sinopse: Em 1935, no dia mais quente do ano na Inglaterra, Briony Tallis (Saoirse Ronan) e sua família se reúnem num fim de semana na mansão familiar. O momento político é de tensão, por conta da segunda Guerra Mundial. Em meio ao calor opressivo, emergem antigos ressentimentos familiares. Briony, então, usa sua imaginação de escritora principante para acusar Robbie Turner, o filho do caseiro e amante de sua irmã mais velha, Cecilia (Keira Knightley), de um crime que não cometeu. A acusação destruiu o amor da irmã e alterou de forma dramática várias vidas.

Surpreendente. Foi essa a palavra que veio a minha cabeça logo que os créditos finais de Desejo e Reparação surgiram na tela. Não por causa do lindo final, mas porque fazia um bom tempo que eu não assistia um filme tão harmônico: contundente em sua parte técnica, preciso nas interpretações e brilhante em seu roteiro. É incrível como esse segundo filme do diretor Joe Wright tem muita cara de Oscar. Foi feito para vencer o prêmio da Academia, mas conseguiu esse feito de forma honesta, sem qualquer pretensão para premiações. O grande feito de Desejo e Reparação é conseguir trazer verossimilhança em todos os seus poros. Especialmente em seu elenco, que merece ser citado separadamente.
James McAvoy, o verdadeiro protagonista da história, já havia mostrado ser um ator muito competente com sua subestimada interpretação no ótimo O Último Rei da Escócia e aqui prova ser um ator de futuro em Hollywood. Keira Knightley (que sempre achei péssima e que nem sequer merecia ter concorrido ao Oscar em 2006 consegue aqui a melhor atuação de sua carreira, ainda que ofuscada pela personagem Briony. A Cecilia de Keira não é tão explorada como os demais personagens, mas ela faz um trabalho muito competente com o espaço que lhe é dado. Por mais que o casal seja ótimo, quem rouba completamente a cena é personagem Briony, interpretada em três fases por Saoirse Ronan (impressionante), Romula Garai (escolha mais do que acertada) e Vanessa Redgrave (simplesmente impecável e emocionante).
A parte técnica, sem dúvida, também é impressionante. É incrível como a direção de arte de Desejo e Reparação conseguiu traduzir toda uma época da forma mais perfeita possível. Outro aspecto que também acaba impressionando é a trilha sonora do Dario Marianelli: inovadora, poderosa e utilizada na medida exata e uma das melhores dos últimos anos. A fotografia e os figurinos são igualmente bons. Também gostei bastante de ver o diretor Joe Wright muito amadurecido na direção, conduzindo tudo com muita habilidade.
O roteiro raramente erra, ficando apenas um pouco monótono quando se foca na guerra. Gostei particularmente dos momentos finais, onde Vanessa Redgrave interpretou um dos momentos mais emocionantes dos últimos tempos, conseguindo emocionar e passar vários sentimentos para o espectador. Eu não esperava muita coisa de Desejo e Reparação, mas adorei ficar completamente surpreendido por esse lindo filme. Uma saga de amor, que durante vários momentos lembra diversos filmes, mas que tem uma identidade singular e que desde já acaba de se torna um longa imperdível.
FILME: 9.0













