
O Custo da Coragem, de Joel Schumacher
Com Cate Blanchett, Emmet Bergin e Alan Devine

Se existe um diretor que até hoje não mostrou ao que veio, esse é Joel Schmuacher. Ele se lançou em diversos gêneros – musical (O Fantasma da Ópera), suspense (Número 23) e aventura (Batman & Robin). No entanto, até hoje não se achou: quando não realiza catástrofes, produz filmes completamente irregulares e esquecíveis. Só existe um trabalho relevante em seu currículo, O Cliente, e ainda por cima todos os méritos vão para a Susan Sarandon. O Custo da Coragem não vai mudar sua vida e logo você irá esquecer. A história é mal conduzida e não empolga em nenhum momento, mas a presença da Cate Blanchett (outra atriz que apesar do filme ser ruim, tem a habilidade de salvar o dia) consegue disfarçar a banalidade da narrativa, que é completamente linear e sem emoção. A história só consegue criar certo charme nos momentos finais, onde a protagonista da história tem que se deparar com um perigo real. É por Blanchett, e somente por ela, que O Custo da Coragem não chega a ser ruim.
FILME: 6.5

Tentação, de John Curran
Com Mark Ruffalo, Peter Krause e Naomi Watts

O diretor John Curran me surpreendeu completamente com O Despertar de Uma Paixão. Nem lembrava que esse Tentação era dele, e assisti sem saber disso. E, mais uma vez, ele conseguiu me conquistar. Existe um quê de Pecados Íntimos (a vida suburbana é cheia de casamentos despedaçados e pessoas infelizes) e um toque de Closer – Perto Demais (o sexo é usado como forma de afetar os sentimentos e magoar o próximo) no roteiro, que além de usar a introspecção para criar um clima de tristeza na trama, ainda conta com um ótimo elenco. Mark Ruffalo, Peter Krause (em seu trabalho mais significativo depois do fim de A Sete Palmos), Laura Dern e Naomi Watts estão excelentes, entregando uma empatia única e fazendo com que o espectador se identifique com os personagens. Apesar desses nomes famosos, Tentação é um filme completamente independente. Por mais que não traga inovações ou uma mensagem mais consistente, é um filme simples e efetivo, que até faz pensar.
FILME: 8.0

16 Quadras, de Richard Donner
Com Bruce Willis, Mos Def e David Morse

16 Quadras é mais uma bobagem policial que Bruce Willis realiza tentando resgatar seu estrelato no gênero que fez tanto sucesso no passado. Não posso dizer que não fui envolvido pela trama e que não me empolguei em certos momentos, mas acho difícil apreciar esse passatempo que nada mais é que uma repetição de tantos outros filmes que vagam pelo cinema. Além de ter um dos coadjuvantes mais chatos da década (alguém me explica porque Mos Def faz aquela voz tão insuportável?!), o filme segue uma linearidade absurda, mantendo-se totalmente preso às regras do gênero. No entanto, quando não se exige muito do filme de Richard Donner, ele engana perfeitamente, mantendo a tensão e a curiosidade pelo desfecho. Por mais que seja esquecível e completamente dispensável, 16 Quadras é uma aceitável diversão para se assistir sem expectativas.
FILME: 6.5

O Homem Que Não Estava Lá, de Joel e Ethan Coen
Com Billy Bob Thornton, Frances McDormand e Scarlett Johansson

O Homem Que Não Estava Lá resgata todo o espírito noir do cinema, contando uma história totalmente envolvente e interessante. Cheio de brilhantimos, o filme é uma pérola dos irmãos Coen que foi completamente ignorada nas premiações – recebeu apenas uma indicação ao Oscar (fotografia) e perdeu. O protagonista é Billy Bob Thornton, em momento inspirado e que caiu como uma luva para o papel. Em menores participações aparecem Frances McDormand, James Gandolfini, Scarlett Johansson e Richard Jenkins. A elegante trilha sonora ajuda a conduzir o interessante roteiro, que nunca decepciona durante suas duas horas de projeção. Como não sou muito fã de Fargo – Uma Comédia de Erros, acho que O Homem Que Não Estava Lá é a melhor introdução possível ao mundo desse dois ótimos irmãos.
FILME: 8.5

Feliz Natal, de Christian Carion
Com Daniel Brühl, Diane Krueger e Guillaume Canet

Até hoje eu não entendo a badalação em torno de Paradise Now. Muitos condenaram a Academia por não ter premiado o filme, enquanto eu acho que a não-premiação foi algo bem justo. Falou-se tanto nesse filme, que acabaram esquecendo dos outros concorrentes. O mais injustiçado é esse Feliz Natal, surpreendente drama de guerra que chama a atenção por tratar o tema de forma humana, deixando de lado toda aquela repetição típica que costuma envolver esse gênero tão saturado. Além de ser um filme relativamente curto para esse tipo de história (não tem nem duas horas de duração), consegue ser dramaticamente interessante, mostrando toda emoção que existe dentro de cada ser humano envolvido na guerra – algo parecido com o recente Cartas de Iwo Jima, de Clint Eastwood. Sua primeira hora é um pouco chata e entediante, mas tudo se recupera a partir do momento em que o tal “feliz natal” do título é dado. Certamente merecia ter levado o Oscar…
FILME: 8.0

Impulsividade, de Mike Mills
Com Lou Pucci, Tilda Swinton e Vince Vaughn

Ritmo é inexistente no roteiro de Impulsividade, já que a história é arrastada e tudo demora pra se desenrolar. O que não deveria acontecer, uma vez que a história é interessante. Tirando esse efeito que é quase debilitante para o andamento, o filme tem bons aspectos. A começar pelo elenco, onde todos têm destaque. O novato Lou Pucci é competente, Vince Vaughn longe de qualquer caricatura habitual e Keanu Reeves sem parecer o robô que sempre é. Mas a presença mais significativa é a de Tilda Swinton (recém agraciada com o Oscar de coadjuvante por Conduta de Risco), em um dos desempenhos mais memoráveis de toda a sua carreira. Outro aspecto positivo é a deliciosa trilha sonora, cheia de excelentes canções. Impulsividade é um bom filme, mas que peca por não ter um bom andamento. O que, na minha visão, é essencial.
FILME: 6.0