Cinema e Argumento

Dez Personagens da Década

merylmiranda

Quando fui assistir O Diabo Veste Prada no cinema, não dava nada pelo filme. Mas eis que uma certa Meryl Streep resolve roubar a cena. Cada minuto dela na projeção é de deixar qualquer um encantado com a figura que Meryl criou. Não apenas conseguiu ser a representação mais brilhante do filme como também passou de vilã à personagem perfeita. Cada palavra proferida parece um corte, cada olhar dá medo e cada gesto parece ter uma potência única. E mesmo assim ela diverte, encanta e é a maior estrela do filme. Méritos de uma Meryl Streep de arrepiar.

WALL-E

WALL-E pode ser um robô, mas representa perfeitamente a raça humana. É apaixonado, sonhador, corajoso e não mede esforços para conseguir o que quer. Presente de uma espetacular Pixar, o robozinho já entra para a história dos desenhos animados como um dos mais queridos de toda a existência. Impossível não se encantar com o seu jeito autêntico ou com suas trapalhadas ingênuas. Além disso, formou com Eva um casal perfeito, que faz com que o espectador torça até o final por eles. WALL-E é simplesmente fenomenal.

elenapenélope

Outra personagem que rouba todas as atenções para si quando entra em cena. Maria Elena representa outra prova do talento de Penélope Cruz (aqui como comediante, ao contrário de Volver), que aqui tem uma performance impecável. Deixando todos os outros em cena ofuscados, Cruz e sua Maria Elena são o auge de Vicky Cristina Barcelona. O curioso é que ela é uma “vilã”, que só inferniza a vida de Juan Antonio (Javier Bardem) e sempre causa confusão por causa de seu gênio maluco e forte. Mas que, assim como Miranda Priestly, brilha completamente.

audreyamelie

Notável como Amélie Poulain é bondosa e generosa mas nunca soa falsa. Presente de uma Audrey Tautou inspiradíssima, no melhor papel de sua carreira. O filme já é cult e a personagem marcou muita gente, especialmente por causa de sua cativante vontade de transformar a vida de todos à sua volta. Amélie conquista de imediato e pouco a pouco vai ganhando cada vez mais o coração do espectador com sua humilde história de vida. Um belo exemplo de uma atriz e uma personagem em plena sintonia.

brionysaoirse

Provavelmente, a personagem mais polêmica dessa lista. Apesar de Briony ser uma figura que causa aversão, tem uma construção muito fascinante em Desejo e Reparação. Começa inconsequente e de gênio difícil, para depois se tornar uma adulta retraída, envergonhada de seus atos. Já quando idosa, tenta se redimir de tudo através de seu próprio jeito. Não é necessariamente a pessoa dela que se destaca no filme, mas sim toda a sua trajetória, toda a sua mudança durante a vida. É isso que torna Briony uma personagem tão fascinante do ponto de vista cinematográfico.

judibarbara

Barbara Covett ganhou contornos extraordinários pelas mãos de Judi Dench em Notas Sobre Um Escândalo. Certamente, a personagem é das mais detestáveis, mas Dench conseguiu uma representação tão visceral, que fica difícil resistir a alguém tão intrigante em cena. Mas o mais interessante é que Barbara é justificável, uma vez que levou uma vida muito complicada emocionalmente, que a levou a ser quem ela é hoje. Com grandes cenas, a personagem é o que existe de melhor no longa de Patrick Marber.

jackschmidt

Misturando comédia e drama com perfeição, Jack Nicholson criou um Warren Schmidt perfeito. Se no livro ele é considerado antipático, o personagem no filme do Alexander Payne ganha traços admiráveis. Ao mesmo tempo em que arranca risadas com suas situações inusitadas, também consegue levar o espectador às lágrimas com seus momentos de pura solidão. No final das contas, deixamos de lado a parte rabugenta do personagem e nos vemos torcendo por ele. Esperando que ele faça algum tipo de diferença na vida de alguém.

johnnysparrow

É certo que a série Piratas do Caribe só decaiu em qualidade desde a estreia de A Maldição do Pérola Negra. Contudo, existe algo que sempre está presente de forma interessante: o desempenho de Johnny Depp como o irreverente capitão Jack Sparrow. Impagável, Depp some completamente dentro de um visual estranho e cria gestos, entonações e expressões memoráveis, tornando o personagem um dos mais divertidos dos últimos tempos. Pena que, ultimamente, tal figura tenha sido parte de continuações tão fracas…

juliannelaura

As Horas é cheio de grandes personagens, mas nenhum é tão complexo e tão bem interpretado como Laura Brown. Frustrada com a vida que tem, vive cada dia como um martírio e tenta arranjar algum tipo de força ao se apegar nos amores que o filho e o marido sentem por ela. Julianne Moore captou com perfeição as entrelinhas da personagem e moldou uma Laura Brown impecável, dona de grandes cenas e que até alcança o feito de não causar repulsa no espectador quando descobrimos suas decisões. Nós conseguimos entendê-la.

heathjoker

Ovacionado pela crítica e pelo público, Heath Ledger entregou um Coringa fenomenal. Unindo insanidade e caos numa personalidade obscura, o Coringa direcionou todos os holofotes para si em Batman – O Cavaleiro das Trevas. Ledger, que ganhou um Oscar póstumo de ator coadjuvante por sua representação, fez uma grande composição, que também já foi listada por aqui como uma das melhores atuações dessa década. Sem falar, claro, que já deixou frases memoráveis.

Coco Depois de Desplat

Se já não bastasse a minha expectativa com esse filme pela interpretação da sempre querida Audrey Tautou – que aqui parece ter uma importante atuação de sua carreira – eis que descubro que o compositor da trilha desse filme é o nada menos que genial Alexandre Desplat. Ele, novamente, cria mais uma trilha espetacular, cheia de momentos originais e melodias fantásticas. Quem sabe ele não consegue seu primeiro Oscar – que, por sinal, já merecia ter faz horas – com esse seu excelente trabalho? Portanto, fica a dica: Coco Avant Chanel, por Alexandre Desplat, mais uma trilha maravilhosa do brilhante compositor. Abaixo, as canções do álbum + link para download.

1. L’abandon
2. Chez Chanel
3. Coco & Boy
4. Royallieu
5. Couture
6. Avenue du Bois
7. Premier Baiser
8. Gabrielle Bonheur
9. L’Hippodrome
10. Arthur Capel
11. Confession de Balsan
12. Coco Rêve de Paris
13. L’Atelier
14. Un Seul Amour
15. Le Chagrin de Coco
16. Casino de Deauville
17. Little Black Baby
18. Qui qu’a vu Coco

http://rapidshare.com/files/262579269/Alexandre_Desplat-Coco_Avant_Chanel-OST_CD-2009-OBC.rar

Brüno

Direção: Larry Charles

Elenco: Sacha Baron Cohen, Gustaf Hammarsten, Clifford Bañagale

Brüno – Delicious Journeys Through America for the Purpose of Making Heterosexual Males Visibly Uncomfortable in the Presence of a Gay Foreigner in a Mesh T-shirt, EUA, 2009, Comédia, 90 minutos, 18 anos

Sinopse: Brüno (Sacha Baron Cohen), um fashionista gay, é o apresentador do programa noturno de moda de maior audiência em todos os países de fala germânica… excetuando-se a Alemanha. A missão de Bruno? Tornar-se a maior celebridade austríaca desde Hitler. A sua estratégia? Cruzar o planeta na esperança de encontrar a fama e o amor.

Falho como comédia e como cinema, Brüno só tem certa graça por causa do sempre ótimo Sacha Baron Cohen.

Borat – O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América foi um dos filmes mais superestimados de seu ano – conseguindo, inclusive, uma injusta indicação ao Oscar de melhor roteiro adaptado. Mas se o resultado era celebrado em excesso e não muito interessante, tinha ao menos um coringa na manga: Sacha Baron Cohen. Brüno repete toda a estrutura de Borat e consegue um produto final igualmente irregular ao do longa anterior de Larry Charles.

Na realidade, Brüno perde a chance de produzir risadas inteligentes sobre um assunto que poderia facilmente render muito. Toda a veia cômica está centrada mais no lado sexual do que nas sátiras ao mundo homossexual. Isso, ao meu ver, é um erro – pois o longa sugeria justamente o contrário: apontava um conjunto de piadas bem humoradas sobre o mundo gay. No entanto, resulta grosseiro, lembrando em diversos momentos o humor dos terríveis Jackass. Quem gosta desse estilo vai conseguir entrar no clima e se divertir.

Outro problema de Brüno é a sua estrutura. É um filme que não parece ser um filme. São cenas que não têm continuidade, onde em cada tomada temos uma piada nova ou uma situação nova, que surgiu do nada só para causar risadas, sem o intuito de conectar alguma coisa ou dar sentido para a história. Parece um programa de humor com vários quadros diferentes. Portanto, a falha não é só no tom humorístico, mas também na narrativa cinematográfica.

O que continua intacto desde Borat é a presença de Sacha Baron Cohen, que continua a demonstrar grande vitalidade na hora de transitar entre personagens. Impressionante a diferença entre o repórter do Cazaquisão e o fashionista gay. São tons diferentes e ele está completamente imerso nos papéis, nunca dando sinais de trejeitos em comum nas figuras que representa. É por ele que Brüno, de certa forma, tem certa graça. Mas o conselho para ele é esse: largar os projetos com personagens de sua criação e investir em outros longas. Ou será que só eu acho que ele tem uma aparição muito notável em filmes como Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet?

FILME: 5.5

2

Filmes em DVD

wizard

O Mágico de Oz, de Victor Fleming

Com Judy Garland, Ray Bolger e Jack Haley

4

Inocente e encantador durante toda a sua projeção, O Mágico de Oz é um dos clássicos infantis mais bem inspirados da história. Tal mérito se deve a um grande ponto positivo: o filme passa lições de moral e conta uma história infantil sem nunca soar enfadonho. Verossimilhança é a palavra-chave desse roteiro, que consegue passar toda a sua mensagem de forma sincera. Quem também merece aplausos é o elenco, em especial Judy Garland, iluminada como a protagonista Dorothy. Em alguns momentos perde o tom (a chegada na cidade de Oz é particularmente desconcertante de tão frenética), mas a sorte é que o diretor Fleming nunca se deixa levar por muito tempo com momentos assim.

FILME: 8.5

pyjamas

O Menino do Pijama Listrado, de Mark Herman

Com Vera Farmiga, David Thewlis e Asa Butterfield

4

Ainda que baseado em um livro de sucesso, O Menino do Pijama Listrado não fez muito sucesso nos cinemas – bem como o seu semelhante (tanto em bilheteria quanto em temática) O Caçador de Pipas. Mas se o longa de Marc Forster era sem graça e aquém do livro de Khaled Hosseini, O Menino do Pijama Listrado é muito bem sucedido como cinema. Caprichado em sua produção e na escolha de seus atores (o garoto protagonista é excepcional) – ainda que alguns deslizes como a presença David Thewlis – o filme de Mark Herman é um completo acerto. A história é bem desenvolvida, o final é emocionante e ainda temos uma grande trilha de James Horner. Não dá pra acreditar em algumas coisas (a mãe do garoto ficando meio maluca por que descobriu a verdade sobre Auschwitz?!), mas o longa é tão bem cuidado e satisfatório, que esses detalhes ficam pequenos perto do notável resultado obtido.

FILME: 8.5

lessergod

Filhos do Silêncio, de Randa Haines

Com William Hurt, Marlee Matlin e Piper Laurie

35

É raro achar um filme sobre deficiência sem que a história fique centrada demais no assunto ou que apele para os típicos dramas desse tema. Filhos do Silêncio é um dos melhores longas já realizados sobre o assunto, especialmente porque ele não é necessariamente sobre surdez e sim sobre a relação sincera que surge entre um professor (William Hurt, ótimo) e uma mulher que não consegue ouvir (Marlee Matlin, vencedora do Oscar de melhor atriz). Por mais que o roteiro não tenha maiores inspirações para tornar o filme original e seja meio formulaico, trabalha muito bem o que se propõe e alcança um excelente resultado, especialmente por causa das verossímeis interpretações que vemos na tela.

FILME: 8.0

gia

Gia – Fama e Destruição, de Michael Cristofer

Com Angelina Jolie, Elizabeth Mitchell e Faye Dunaway

3

Antes de ser premiada com um duvidoso Oscar de melhor atriz coadjuvante por Garota, Interrompida e de ser a mulher de Brad Pitt, Angelina Jolie já havia sido consagrada por esse filme feito para a televisão. Gia – Fama e Destruição rendeu para atriz o Globo de Ouro e o SAG de melhor atriz em filme feito para TV. Com todos os méritos. Temos aqui, possivelmente, o melhor trabalho da carreira da atriz, que se entrega de forma notável ao personagem. Despida (literalmente) de vaidades, Jolie tem uma personagem forte, que se entregou às drogas e mais tarde sofreu de AIDS, chegando em decadência ao fim de sua vida cheia de sucesso. O longa, no final das contas, dá mais ênfase ao declínio da modelo Gia do que ao seu sucesso e tem como maior mérito a presença corajosa de Jolie, uma vez que o resultado não difere de outras tantas biografias quadradas que vemos por aí sobre astros problemáticos.

FILME: 7.5

rodanthe

Noites de Tormenta, de George C. Wolfe

Com Diane Lane, Richard Gere e Viola Davis

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Sabe aqueles filmes românticos com o Richard Gere que você não vê a mímina graça mas a sua mãe adora porque morre de amores pelo ator? Noites de Tormenta é isso: mais um longa estrelado por Gere que não tem nada de novo e traz tudo aquilo que já vimos antes. A diferença é que, durante todo o filme, o roteiro aposta em um tom romântico e, no final, faz um desfecho triste – e meio que repentino, já que parece que não sabiam como finalizar a história. Entretanto, é positivo constatar que o filme não chega a ser irritante ou sequer meloso, tornando-se até verossímil por causa de uma boa Diane Lane e um aceitável Gere. O empecilho é que esse tipo de história já não causa mais o efeito que causava nos anos 90, por exemplo.

FILME: 6.0

airibreathe

Ligados Pelo Crime, de Jieho Lee

Com Forest Whitaker, Brendan Fraser e Kevin Bacon

2

Ligados Pelo Crime começa até de forma interessante, mas aos poucos vai decaindo. E, no final das contas, o filme deixa a impressão de que é muito mal resolvido. A história é fraca, a estrutura narrativa “unindo os personagens” não tem efeito algum e os atores não são o suficiente para conferir algum tipo de carisma ao conjunto. Enquanto algumas partes funcionam, outras são um completo desastre. Além disso tudo, também consegue o fato de ser monótono. O resultado, portanto, é um filme B com alguns atores conhecidos e que, por alguma razão desconhecida, foram parar nesse filme fraco e sem atrativos muito elogiáveis.

FILME: 4.5

Opinião – A obsessão de Barbara

Atenção! Se você ainda não assistiu o filme “Notas Sobre Um Escândalo”, não continue a ler o texto, pois ele possui spoilers.

Confesso: como cinema, o roteiro de Notas Sobre Um Escândalo realmente não é uma preciosidade. Mas, como adaptação, é fenomenal. O trabalho de Patrick Marber não só movimentou muito mais a morna história do livro de Zoe Heller, como também deu mais complexidade e potência para a principal engrenagem da trama: o interior sentimental da protagonista Barbara Covett (Judi Dench, espetacular). Muitas pessoas acusam a personagem de ser louca por correr tanto atrás de Sheba (Cate Blanchett, subestimada) e fazer dela uma refém, mas existe uma explicação viável para tal comportamento.

Amarga e infeliz, Barbara vive uma vida completamente sozinha. O único contato mais “humano” que ela tem é com a sua gata Portia, uma vez que desdenha a todos em sua escola e não possui amizade alguma. O gênio dificil – que também pode ser interpretado como um reflexo de sua alma intelectual e demasiadamente crítica – complica a sua convivência com as pessoas. Por ser essencialmente ácida, Barbara tende a se afastar das pessoas por considerá-las medíocres, tolas e inferiores ao seu nível. E, mesmo quando se apaixona, não consegue deixar de lado essas suas fortes opiniões. Mas, ao invés de dizer o que pensa, relata tudo em um diário pessoal.

Quando conhece a professora de artes Sheba Hart, podemos notar em cena um sentimento novo na protagonista. No início, curiosidade. Depois, admiração. Logo, paixão. O homossexualismo de Barbara fica visível (enquanto no livro isso é algo bem mais sutil), tornando a protagonista ainda mais complicada diante de nossos olhos. Não pela sexualidade, mas como ela é visivelmente mal resolvida nessa parte de sua vida. Parece ser virgem e, a todo momento, anseia por algum tipo de contato físico. Quando se aproxima demais de alguma mulher, já é secretamente taxada pelos colegas como apaixonada.

O problema é que, a partir do momento em que nutre sentimentos mais fortes por Sheba, Barbara começa a perder as rédeas de seus impulsos. Principalmente quando descobre que a ingênua professora tem um caso com o aluno Steven (Andrew Simpson). Barbara vê na insegurança emocional de Sheba (casada, mas frustrada em seu casamento, procurando algo “diferente” no garoto) a grande chance de sua vida: a de ter alguém ao seu lado para sempre. Mesmo que através de chantagem. Começa, portanto, uma obsessão incontrolável pela colega – que, em sua ingenuidade, não nota que Barbara quer muito mais que uma simples companhia.

Tal comportamento descontrolado e até mesmo perigoso toma conta de Barbara, que vê em cada negação de Sheba uma ofensa, em cada distanciamento de sua amiga um motivo para vingança ou mágoa. Todas essas nuances da difícil personagem é encenada de forma espetacular por Judi Dench (a minha favorita no Oscar daquele ano), que assume a sua idade com um rosto marcado pela velhice. Dench torna as narrações em off inesquecíveis e é o que existe de melhor em Notas Sobre Um Escândalo. Uma composição impecável.

Agora, voltando ao início do texto. Barbara é taxada como louca pela maioria das pessoas. Mas, o que temos que ter em mente é que toda essa alma da protagonista é fruto de uma vida repleta de insatisfações, de objetivos nunca alcançados. Ela, de certa forma, não tem culpa de ter chegado nesse ponto.  A própria Sheba nota isso no final do longa, onde se despede de Barbara com uma certa compaixão nos olhos. Afinal, ser obsessiva não é uma escolha dela. É imposição de uma vida de completa solidão, onde o sense of touch (como diria Crash – No Limite) é inexistente. E existe maior tristeza que essa?

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Anteriormente:

A culpa do Padre Flynn, em Dúvida

A escolha de Francesca, em As Pontes de Madison

O segredo da vila, em A Vila

A verdade sobre Hanna Schmitz, em O Leitor

A felicidade de Poppy, em Simplesmente Feliz