Cinema e Argumento

Oscar 2012: Filme

O Oscar anda mesmo perdido. Depois de banalizar o título “indicado ao Oscar de melhor filme” com essa história de dez indicados, erram ano após ano em suas escolhas. A princípio, a ideia de dez concorrentes parecia maravilhosa, mas foi um tiro no pé – especialmente porque esquematizaram, por exemplo, que sempre teria vaga para filmes específicos, como animações e independentes. Dois anos foram o suficiente para perceber que o formato não deu certo: afinal, de que adianta tantos indicados se os principais favoritos se refletem entre os cinco diretores nomeados?.

Ao invés de darem o braço a torcer com um retorno aos tradicionais cinco filmes, tomaram outra medida maluca: indicar somente aqueles filmes que ficaram em primeiro lugar na ficha de pelo menos 5% dos votantes. A expectativa para o Oscar 2012, portanto, era grande: afinal, essa ideia daria certo ou não? Não deu. Parece que nada mudou. Os indicados poderiam variar entre cinco e dez. Escolheram nove. Mais da metade, como sempre, sem muito merecimento para ostentar a honra da vaga.

Enfim, essa  lista é, possivelmente, a mais fraca desde que não temos mais apenas cinco indicados. A cada ano, a esperança com o Oscar vai ainda mais para o ralo. Está na cara: eles precisam voltar ao esquema antigo. Esse seria o passo mais urgente para um prêmio que precisa se reestruturar logo – afinal, não é loucura de momento, já que os erros sempre se repetem. O Oscar, supostamente, deve ser uma celebração ao cinema. O que vemos é um jogo baseado em política e campanhas.  Continuamos sem ver ousadias, novos valores ou escolhas que reflitam, realmente, a vontade de celebrar o bom cinema.  Pena. Queria voltar a me encantar com o prêmio… Ainda não foi em 2012.

CAVALO DE GUERRA: O pior indicado ao Oscar 2012. É até uma injustiça reclamar da puxação de saco de Stephen Daldry com Cavalo de Guerra concorrendo como melhor filme. O novo trabalho de Steven Spielberg é antiquado, forçado e sem ritmo. Se Tão Forte e Tão Perto recebeu indicação ao prêmio principal porque amam Daldry, Cavalo de Guerra também entrou nessa tendência por causa de Spielberg. Só isso para explicar a inclusão desse filme sonolento entre os nove melhores do ano. A consolação é que deve conquistar, no máximo, uma categoria de som.

O ARTISTA: O grande favorito da temporada. E não tem como questionar, já que os concorrentes desse ano estão longe de alcançar o nível do espetacular. Ainda pairam dúvidas em relação às limitações de alcance a um grande público impostas pelo formato do filme, mas a homenagem ao cinema deve falar mais alto. É uma experiência atípica e que, ao contrário dos últimos vencedores do Oscar, não causa qualquer divergência. Todos aprovam O Artista, o que já é um grande ponto positivo para o Oscar. Além de tudo, a equipe do filme é francesa, tornando a vitória ainda mais histórica.

O HOMEM QUE MUDOU O JOGO: Ok, Bennett Miller é um ótimo diretor, Aaron Sorkin é um roteirista conceituado e Brad Pitt tem participação em projetos vitoriosos. Só que essa fórmula não torna O Homem Que Mudou o Jogo universal. O filme é estado-unidense demais, além de longo e repetitivo. Foi indicado, claro, porque a temática de beisebol é muito forte nos Estados Unidos. Não deve fazer carreira significativa fora do país (até porque, sim, é um filme só sobre o esporte), o que, nesse caso, comprova que o assunto é decisivo para a correta apreciação do resultado final. Assim como vários dos indicados, é superestimado.

OS DESCENDENTES: E não é que Alexander Payne alcançou seu maior reconhecimento com esse que é o filme mais fraco de sua carreira? Até dá para entender o porquê da história agradar tanta gente, mas não é muito compreensível tanta festa para um filme que nada mais é tão… comum. George Clooney e Shailene Woodley, ótimos, mereciam um filme mais contundente e, claro, original. Principalmente porque estamos falando do cara que fez As Confissões de SchmidtEleição. Pelo visto, as premiações gostam mesmo é de quando os diretores se domesticam – como foi o caso de Gus Van Sant em Milk – A Voz da Igualdade.

TÃO FORTE E TÃO PERTO: Reclamam à toa desse novo filme de Stephen Daldry. Bom, já reclamavam dele antes. Sim, do diretor que fez a obra-prima chamada As HorasTão Forte e Tão Perto está longe de ser uma maravilha e é, sem dúvida, o filme mais fraco de Daldry. Mas por que pegar no pé logo desse filme que, assim como tantos outros, não merecia estar concorrendo ao prêmio principal? Implicância. Até porque ele tem elementos bem característicos do Oscar: dramas do povo estado-unidense (nesse caso, o atentado ao World Trade Center), relações familiares e um mensagens bem inofensivas. Não existe razão para tanto ódio, principalmente porque existem exemplares bem piores nessa lista (Cavalo de Guerra, por exemplo).

A ÁRVORE DA VIDA: Questão delicada, já que é o filme que ninguém pode falar mal. Se você não o considera em obra-prima, é um E.T. Baseando comentários em outros prêmios, não era para conseguir uma indicação na categoria principal – e é de se admirar que tenha conseguido tanta força desde a Palma de Ouro em Cannes que dividiu opiniões. Mas está aí e tem sua presença bem justificada. É um filme diferente, com fãs incondicionais e que, como já podemos notar, será um clássico contemporâneo. Só a lembrança dele já é uma vitória.

MEIA-NOITE EM PARIS: É aquele tipo de exemplar mais significativo que Woody Allen lança de três em três anos, como Match PointVicky Cristina Barcelona. Por alguma razão, caiu nas graças de todo mundo. A verdade é que Meia-Noite em Paris não difere muito de outros excelentes filmes do diretor que foram injustamente ignorados. Mas tudo bem, Woody Allen é sempre Woody Allen. Não dá para questionar. O longa é agradável, inteligente e inspirador. Reconhecer Woody nunca é demais…

HISTÓRIAS CRUZADAS: Representando a vaga de sucesso de bilheteria do ano, esse filme está longe de ser o estouro que sua arrecadação aponta. É um bom trabalho de atrizes (mais pelo conjunto do que por desempenhos específicos), onde elas seguram uma história que já foi contada mil vezes e que, aqui, recebe tratamento despretensioso e dramas bem açucarados para emocionar o público sem ter que trazer complexidade para o enredo. Outro indicado que tem uma indicação bem compreensível, mas que não merecia estar na categoria principal.

A INVENÇÃO DE HUGO CABRET: O único filme que pode estragar a festa de O Artista. É improvável, mas não duvide. A Invenção de Hugo Cabret é um filme completamente diferente das temáticas normalmente apresentadas por Scorsese, o que, naturalmente, chama a atenção. Ainda não tivemos a oportunidade de assistir ao filme, portanto, podemos apenas deduzir as chances que ele tem no Oscar. É provável que vença algumas categorias técnicas e, por que não, outras mais importantes. Se der um freio em O Artista, não será surpresa. Mas vale lembrar: Scorsese já tem Oscar (e relativamente recente), o que nunca é um ponto muito a favor.

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OS ESQUECIDOS

Impossível escolher apenas um. Então, aí vai a lista que seria impecável para o Oscar 2012, seguindo o formato de nove indicados (lembrando que ainda não conferimos A Invenção de Hugo Cabret):

– O Artista

– Guerreiro

– Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2

– Meia-Noite em Paris

– Melancolia

A Pele Que Habito

– Precisamos Falar Sobre o Kevin

– A Separação

– Tudo Pelo Poder

Oscar 2012: Ator

Um ano particularmente diversificado para a categoria, tanto em estilos de interpretações quanto em atores. Entre veteranos e recém descobertos, todos fizeram um bom trabalho, mesmo que um ou outro seja superestimado. Quem começou como favorito foi George Clooney, por Os Descendentes, que venceu o Critics’ Choice e o Globo de Ouro. No entanto, o fato de já ter um Oscar em casa começou a pesar contra o ator, o que abriu espaço para o francês Jean Dujardin – que, inesperadamente, venceu o Screen Actors Guild (prêmio que, até hoje, George Clooney não faturou).

Ambos merecem e o prêmio estará em boas mãos se for para qualquer um dos dois. Porém, Dujardin é o que tem mais chances de vencer. Não é costume da Academia premiar estrangeiros, mas O Artista fez tanto sucesso no circuito de premiações que isso não deve ser um problema. Sem falar que os talentos emergentes, na maioria das vezes, sempre se dão bem na disputa com outros já conhecidos e experientes. O prêmio, portanto, está entre Clooney e Dujardin. Qualquer outro que vencer estará surpreendendo – e, de certa forma, ganhando injustamente, pois só os dois favoritos foram superlativos.

DEMIÁN BICHIR (Uma Vida Melhor): Já tinha conseguido indicação para o Screen Actors Guild, mas sua inclusão entre os cinco finalistas do Oscar foi uma pequena surpresa, já que o esperado era que Leonardo DiCaprio, por J. Edgar, estivesse na disputa. Bichir, no entanto, não pode ser desprezado por ter entrado de última hora. Uma Vida Melhor é uma novelinha sobre a vida de um imigrante tentando melhorar de vida nos Estados Unidos, mas Bichir se destaca por entregar um personagem bastante realista. Poucos conseguem fazer isso com naturalidade. Ele conseguiu.

GEORGE CLOONEY (Os Descendentes): O filme de Alexander Payne não seria o mesmo sem a presença de George Clooney. Aqui, o ator alcança uma notável maturidade, preservando todas as características de outros bons desempenhos mais recentes (Conduta de RiscoAmor Sem Escalas) e amenizando aquele velho problema de ser George Clooney e não um personagem. Em Os Descendentes, ele se entrega de corpo e alma para o personagem, saindo um pouco da certa constante que até então preservava. Clooney tem pelo menos um momento marcante aqui – e não é exagero dizer, também, que nunca esteve tão humano.

JEAN DUJARDIN (O Artista): Ao lado de sua colega Bérénice Bejo, o francês Jean Dujardin apresentou uma atuação digna de aplausos por, justamente, ser uma fiel reprodução de como eram os atores dos filmes mudos. E não estamos falando apenas de visual ou charme, mas também de gestos, olhares, humor. Dujardin consegue, em O Artista, voltar no tempo e construir um personagem marcante. Seu George Valentin, certamente, conquistará aqueles que estiverem dispostos a dar uma chance ao filme. Pura desenvoltura em uma atuação que será merecedora se alcançar a consagração.

GARY OLDMAN (O Espião Que Sabia Demais): O filme é restrito demais (leia-se longo e confuso), mas Gary Oldman consegue ultrapassar todos os obstáculos. Sucinto e econômico em cada cena, o veterano ator recém chega a sua primeira indicação ao prêmio. Muitos dizem que ele já deveria ter recebido esse reconhecimento antes, mas antes tarde do que nunca, não? Por mais que não tenha chances de vencer o prêmio, sua indicação é bastante justa. O Espião Que Sabia Demais pode até ser superestimado, mas, pelo menos, Oldman é um dos destaques do filme. Salto significativo depois de… uh… A Garota da Capa Vermelha.

BRAD PITT (O Homem Que Mudou o Jogo): Se a Academia parece ter problemas com Leonardo DiCaprio, também tem uma admiração meio inexplicável por Brad Pitt. Ele, que está apenas ok em O Homem Que Mudou o Jogo, mais uma vez teve repercussão um pouco questionável. A exemplo de O Curioso Caso de Benjamin Button, seu trabalho no novo filme de Bennett Miller é apenas correto. No início da temporada de premiações, era a aposta de muitos. Se vencer, estaremos diante de uma injustiça – especialmente quando outros concorrentes, em especial Clooney e Dujardin, estão em momentos inspirados.

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O ESQUECIDO

Quando um ator apresenta vários desempenhos bons em um mesmo ano, suas chances para o Oscar diminuem. Não foi diferente com Ryan Gosling. Muitos queriam que fosse indicado por Drive, mas bem que Gosling poderia ter sido pelo subestimado Tudo Pelo Poder, onde se destaca diante de um elenco afiadíssimo.

Oscar 2012: Atriz

A categoria de melhor atriz é a que, possivelmente, teve mais reviravoltas desde que as especulações sobre a vencedora começaram. A princípio, era para ser uma batalha entre Meryl Streep (essa, desde o início, claro, uma favorita) e Glenn Close. Bastou Albert Nobbs ser exibido para que todos percebessem que o retorno de Close, infelizmente, não era grandioso ou muito merecedor de consagrações.

Logo, Close cedeu buzz para Michelle Williams, que chegou a vencer o Globo de Ouro de melhor atriz comédia/musical por seu retrato de Marilyn Monroe. A atriz também não ostentou seu favoritismo por muito tempo… Por fim, Viola Davis chega ao domingo do Oscar como a grande favorita ao lado de Meryl Streep – muito em função do sucesso de Histórias Cruzadas.

A disputa entre Meryl e Viola é tema de muitas discussões (afinal, ambas as atrizes possuem inúmeros prós e contras para ganhar o prêmio) e, claro, deve ser o maior suspense da cerimônia. No geral, a seleção foi boa, onde atrizes competentes e talentosas entregam desempenhos muito distintos. Só é uma pena que Rooney Mara tenha entrado de última hora para tirar da disputa uma grande interpretação (citada no final desse post).

GLENN CLOSE (Albert Nobbs): Aquela que, antes mesmo da award season começar, era uma das grandes favoritas… Só que Albert Nobbs é uma decepção – em especial para a personagem de Glenn Close, que não é devidamente aprofundada (e merecia, já que é uma figura muito complexa). Por isso mesmo, apesar da ótima caracterização e da dedicação da atriz, fica difícil se envolver com uma personagem que é constantemente colocada de escanteio pela boba storyline de Mia Wasikowska e Aaron Johnson. E Glenn ainda precisa lidar com a maravilhosa Janet McTeer roubando a cena. Longe de ser o retorno triunfal esperado. Mais sorte da próxima vez…

VIOLA DAVIS (Histórias Cruzadas): Que Viola Davis é uma grande atriz, todo mundo sabe (os poucos minutos de Dúvida permanecem intensos até hoje) e seu desempenho em Histórias Cruzadas, claro, é ótimo. Uma pena que esteja classificado de forma errada. A atriz está longe de ser leading role e, com certeza, teria um reconhecimento mais justo se fosse enquadrada como coadjuvante. Independente disso, ela consegue vencer as barreiras do papel previsível para, mais uma vez, emocionar e ser o coração de um longa-metragem. Não dá para questionar qualquer prêmio para Viola. Ela sempre merece!

ROONEY MARA (Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres): Dizem que Rooney Mara roubou a vaga de Tilda Swinton por Precisamos Falar Sobre o Kevin. E é verdade. Se vestibular tem cotas, Oscar também tem. Rooney cumpriu a de revelação do ano. No entanto, das últimas que surgiram (Jennifer Lawrence, Gabourey Sidibe), é a que menos impressiona. Até que ponto sua Lisbeth Salander, em Millenium, tem mais méritos em função de Rooney do que do texto? Apesar da boa composição, a atriz não faz nada impossível para qualquer outra pessoa de talento. Indicação meio duvidosa.

MERYL STREEP (A Dama de Ferro): Os mais insensatos dizem que Meryl Streep virou uma mobília no Oscar e que ninguém tem coragem de tirar. Que ofensa! A veterana ostenta sim, com muito merecimento, todas as suas 17 indicações ao prêmio. Não é diferente em A Dama de Ferro, um trabalho que, certamente, só poderia ser feito com tal precisão por uma atriz como ela. O filme, todos sabem, é ruim e mal dirigido, mas Streep se sobressai, realizando um dos seus trabalhos mais interessantes da atualidade. Se vencer o Oscar, será merecido – até porque o papel tem a fórmula infalível.

MICHELLE WILLIAMS (Sete Dias Com Marilyn): Em termos de mergulhar de corpo e alma em uma figura real, Meryl Streep foi infinitamente melhor esse ano. Mas não devemos retirar os méritos de Williams, que acertou em cheio ao mostrar as fragilidades e angústias de uma estrela que, apesar de popular e desejada por todos, era, em seu íntimo, normal como qualquer pessoa. Williams não tem muitas semelhanças com Monroe (e, em vários momentos, vemos a intérprete e não a personagem-título), só que se sai vitoriosa, com sua habitual habilidade, ao executar as dramaticidades da personagem. Indicação merecida.

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A ESQUECIDA

Certeza absoluta que os votantes não viram o mesmo filme… A exclusão de Tilda Swinton por Precisamos Falar Sobre o Kevin é um dos maiores absurdos da categoria nos últimos anos. A atriz foi indicada a todos os grandes prêmios e ficou de fora da seleção da Academia. Uma imperdoável injustiça com um trabalho tão contundente e humano.

Oscar 2012: Ator Coadjuvante

Assim como a categoria de atriz coadjuvante, o elenco masculino desse segmento também já tem o seu favorito incontestável. Christopher Plummer, bem como Octavia Spencer, já levou todos os prêmios da temporada por Toda Forma de Amor, e sua derrota é, sem exageros, impossível de acontecer. A categoria está bem representada – lembrando que ainda não assistimos ao filme Sete Dias Com Marilyn – com três concorrentes que, se vencessem o Oscar, seriam muito merecedores. Plummer, Nick Nolte e Max Von Sydow estão excelentes em seus respectivos filmes. São atores experientes e que, nesse ano, conseguiram resultados dignos da estatueta. Contudo, como já dito, Plummer, o eterno capitão Von Trapp de A Noviça Rebelde, tem tudo para ser o escolhido da Academia.

KENNETH BRANAGH (Sete Dias Com Marilyn): Essa é a quinta indicação de Kenneth Branagh ao Oscar (ele já concorreu como ator e diretor anteriormente, diversas vezes por filmes de época), que, em Sete Dias Com Marilyn, interpreta sir Laurence Olivier. Por esse trabalho, foi nomeado para o BAFTA, SAG e Globo de Ouro. No entanto, não tem qualquer chance de vencer na categoria, devendo se contentar apenas com o reconhecimento das indicações que recebeu em todos os prêmios.

JONAH HILL (O Homem Que Mudou o Jogo): Confundir simpatia com boa atuação é um problema corriqueiro do Oscar. Jonah Hill foi beneficiado por ele. Só isso para explicar sua inclusão na boa seleção dessa categoria que traz atores já experientes em papeis bem interessantes. Em O Homem Que Mudou o Jogo, Hill tem seus momentos de destaque (muito em função de representar bastante o lado cômico do enredo), em uma interpretação satisfatória. Nada, no entanto, que merecesse esse alarde.

NICK NOLTE (Guerreiro): Eis o ator mais subestimado da award season. Nick Nolte está simplesmente maravilhoso em Guerreiro, um filme igualmente subestimado. Como o pai ex-alcoolatra que deseja recuperar a relação com os filhos, Nolte é um dos pontos altos do longa de Gavin O’Connor. Junto com seus colegas Joel Edgerton e Tom Hardy, ele acerta nas emoções: está longe de parecer caricato ou sequer perto de cair no lugar-comum ao interpretar um papel semelhante com a sua vida (ele já foi preso diversas vezes por dirigir embriagado). De todos os indicados, é o melhor.

CHRISTOPHER PLUMMER (Toda Forma de Amor): É no mínimo admirável a coragem de Christopher Plummer assumir um papel como o de Toda Forma de Amor. Que ator com mais de 80 anos aceitaria, sem preconceito algum, dar vida a um homem gay e ainda beijar outro homem em cena? Além disso, Plummer constrói um personagem que rouba a cena toda vez que aparece, além de entregar um desempenho extremamente afetivo. É a celebração não só de um veterano ator que nunca foi celebrado, mas também de uma excelente atuação que, certamente, está entre as melhores das indicadas na categoria.

MAX VON SYDOW (Tão Forte e Tão Perto): Outro ator veterano que ajuda a formar a parte emotiva de um filme. Von Sydow, considerado uma das surpresas entre os indicados, mereceu a indicação. Em Tão Forte e Tão Perto, ele interpreta um homem que deixou de falar e que ajuda o jovem Oskar (Thomas Horn) a encontrar a solução para o mistério deixado pelo pai do garoto. É, também, um papel motivacional, onde o personagem ajuda Oskar a vencer medos e encarar a realidade. Tudo isso passado com notável humanidade pelo ator. Reconhecimento merecido e inquestionável, mesmo que Tão Forte e Tão Perto tenha dividido tantas opiniões…

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O ESQUECIDO

Pela matemática de outras premiações, era óbvio que, infelizmente, Alan Rickman não seria indicado ao Oscar por Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2. Na parte final da saga, seu personagem tem importância fundamental, trazendo grandes cenas para o ator. Seria um reconhecimento pelo filme e pelo ótimo trabalho do ator na série.

Oscar 2012: Atriz Coadjuvante

A exemplo do ano passado, vamos começar a contagem regressiva para o Oscar aqui no blog. Até o dia da premiação, posts comentando as principais categorias (atores + filme) e o trabalho de cada um dos concorrentes, além de um panorama de quem merece e quem possivelmente levará o prêmio. Começamos, então, com as damas…

A categoria de atriz coadjuvante é, possivelmente, a mais bagunçada do Oscar 2012: duas das cinco nomeadas não mereciam estar concorrendo (Octavia Spencer e Melissa McCarthy), outra teve sua indicação questionada por estar na disputa pelo filme errado (Jessica Chastain) e ainda temos uma leading role indicada como coadjuvante (Bérénice Bejo). Ou seja, se fizermos as contas, a única que tem classificação impecável é Janet McTeer, ótima em Albert Nobbs.

 Apesar de tantos erros e da visível bagunça, a categoria já está mais do que definida. Octavia Spencer ganhou todos os prêmios da temporada por sua interpretação em Histórias Cruzadas e facilmente levará o Oscar. Difícil explicar tanta paixão por um desempenho tão limitado. Mas não adianta ir contra, a situação é irreversível. O Oscar já é de Spencer.

BÉRÉNICE BEJO (O Artista): Assim como seu colega Jean Dujardin, Bérénice Bejo entra de corpo e alma na proposta de O Artista. Seu desempenho como Peppy Miller, estrela em ascenção do cinema mudo e falado, é cheio de carisma e desenvoltura. Bejo parece mesmo uma atriz “clássica”, o que só torna seu trabalho ainda mais interessante e completo. Como é desconhecida, ainda deve levar certo tempo para alcançar algum tipo de reconhecimento (caso, claro, consiga fazer carreira promissora, o que é bem provável), mas seria extremamente justo se já fosse consagrada logo de cara por O Artista.

JESSICA CHASTAIN (Histórias Cruzadas): A vontade geral era que Jessica Chastain fosse lembrada por A Árvore da Vida, mas, não teve jeito, o sucesso de Histórias Cruzadas foi tanto que ela acabou indo por esse mesmo. A indicação não é injusta, já que Chastain é uma atriz de talento e consegue ser uma das melhores intérpretes do filme de Tate Taylor – melhor até mesmo que sua companheira de cena, Octavia Spencer, favorita absoluta para o Oscar. O prêmio para Chastain não seria injusto e significaria muito mais para ela do que para Spencer. Possivelmente, a primeira indicação de muitas outras que estão por vir.

MELISSA MCCARTHY (Missão Madrinha de Casamento): Indicação até hoje incompreensível. O sucesso de Melissa McCarthy foi tanto no Emmy que a atriz acabou conseguindo fôlego para chegar a uma indicação ao Oscar. Não dá para entender tanto sucesso. Em Missão Madrinha de Casamento, ela é a que menos se destaca – sendo dona, inclusive, dos momentos mais duvidosos do filme. Se tem talento ou não, ela ainda não mostrou, já que nessa comédia fica devendo – e muito! Um exagero desnecessário e que, daqui há alguns anos, o Oscar talvez tenha certo arrependimento ao olhar para trás e ver a bobagem que fez.

JANET MCTEER (Albert Nobbs): Glenn Close não está sozinha em Albert Nobbs. Ela tem a valiosa companhia de Janet McTeer que, se bobear, está até mesmo melhor que a própria protagonista! Sustentando um papel muito semelhante ao de Close, McTeer é um dos pontos altos do mediano filme de Rodrigo García, conferindo complexidade e emoção em uma performance muito especial. Uma pena que esse desempenho tenha passado tão despercebido – especialmente em um ano que a categoria não está inspirada ou sequer interessante. Merecia mais atenção.

OCTAVIA SPENCER (Histórias Cruzadas): Para começo de conversa, não merecia estar nem entre as cinco finalistas. Assim como Melissa McCarthy, é superada por várias outras atrizes de seu próprio filme. Octavia Spencer, que não é nada além de um alívio cômico cheio de caricaturas em Histórias Cruzadas, ocupa o lugar que poderia ser muito bem de Bryce Dallas Howard (pelo mesmo filme), por exemplo. Inexplicavelmente, vem ganhando todos os prêmios possíveis e, ao que tudo indica, deve faturar o Oscar também. Quem pode me explicar a razão para tanta festa?

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A ESQUECIDA

Shailene Woodley não se intimidou ao lado de George Clooney em Os Descendentes. Bem pelo contrário. Completamente à vontade e surgindo como uma grande promessa, a jovem atriz foi um dos destaques do filme de Alexander Payne. Em um ano fraco para as coadjuvantes, sua presença entre as finalistas era mais do que necessária.