Cinema e Argumento

Jogos Vorazes

May the odds be ever in your favor.

Direção: Gary Ross

Roteiro: Gary Ross, Suzanne Collins e Billy Ray, baseado no livro “The Hunger Games”, de Suzanne Collins

Elenco: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Stanley Tucci, Elizabeth Banks, Woody Harrelson, Toby Jones, Liam Hemsworth, Willow Shields, Alexander Ludwig

The Hunger Games, EUA, 2012, Ação, 142 minutos

Sinopse: Num futuro distante, boa parte da população é controlada por um regime totalitário, que relembra esse domínio realizando um evento anual – e mortal – entre os 12 distritos sob sua tutela. Para salvar sua irmã caçula, a jovem Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) se oferece como voluntária para representar seu distrito na competição e acaba contando com a companhia de Peeta Melark (Josh Hutcherson), desafiando não só o sistema dominante, mas também a força dos outros oponentes. (Adoro Cinema)

Lançado pela primeira vez em 2008, nos Estados Unidos, Jogos Vorazes, da escritora Suzanne Collins, só começou a se tornar um hit de verdade a partir do ano passado, quando a adaptação da obra começou a ser produzida sob o comando do diretor Gary Ross. E o filme vingou: durante várias semanas, liderou a bilheteria dos Estados Unidos e, aqui no Brasil, chegou a ser vendido como o mais novo fenômeno infanto-juvenil – inclusive, fizeram questão de compará-lo a outros sucessos, como Harry Potter. Bom, pode até ser que, nos livros, Jogos Vorazes tenha mesmo todo essa empolgação que seu sucesso sugere, mas, a julgar pela versão cinematográfica, a história fica devendo (e muito!) em termos de inovação.

Jogos Vorazes aposta nessa nova moda de criar ficção com um quê de realidade, colocando pessoas comuns em situações extraordinárias. Para tanto, usa figuras que têm cotidianos extremamente simples: jovens trabalhadores que enfrentam as dificuldades da vida, sejam elas financeiras ou familiares. Primeiro, apresenta tudo isso para, depois, inserir a tal ficção: aquela em que tais personagens são misteriosamente obrigados a participar de um jogo anual de mata-mata onde apenas um pode sobreviver. Novidade? Não. Se formos pensar bem, a história criada por Suzanne Collins lembra, propositalmente ou não, muitas outras. Temos esse mundo de matar ou morrer cheio de regras de Tron, por exemplo. Ou, então, o fato dos personagens estarem sendo vistos pela TV, onde existe uma equipe que manipula todo e qualquer movimento deles. O Show de Truman?

Por isso, no sentido de enredo, tal comparação com Harry Potter se torna absurda. Abordagens completamente diferentes e que, em termos de consistência, também em nada se parecem. Jogos Vorazes é, no máximo, um passatempo satisfatório – e que, a julgar por esse primeiro filme, não tem sobrevida. A história não tem muito a dizer e o roteiro pouco se preocupa em aprofundar certos aspectos. O que importa é o básico: um personagem ama o outro, a garota é corajosa, o menino tem seus medos, e juntos eles vão enfrentar um grande desafio. Pouco importa a relação que eles nutriam antes dos tal jogos ou sequer a dinâmica deles com outras pessoas. Tal abordagem rasa está evidente, por exemplo, nas relações que a personagem de Jennifer Lawrence estabelece com a família e com outro menino – todas mostradas de forma superficial, beirando o esquecível.

E se os personagens principais são básicos, o que dizer, então dos coadjuvantes? Todos unilaterais ou sem importância. Por isso, quando o jogo começa e as mortes surgem minuto a minuto, não sentimos nada. Afinal, não os conhecemos. Isso também se deve ao fato de que Jogos Vorazes leva cerca de metade do filme para explicar para os espectador como funciona aquele jogo para depois lançar os personagens lá. Mas, ao invés de, nesse tempo em que explica os jogos, o roteiro nos aproximar dos personagens que combaterão, o filme só se preocupa em mostrar, de forma quase didática, a regra dos jogos vorazes. Dessa forma, figuras como a de Elizabeth Banks e do jovem vilão Alexander Ludwig, acabam, respectivamente, apenas como caricatas. Nada além.

Esses vários problemas de roteiro (que também tem a participação da própria autora do livro) tiram o impacto do filme, até porque também outros fatores não conseguem compensar por completo esses erros. Falando em não conseguir compensar problemas, o que dizer da frenética montagem? Na primeira meia hora, é quase impossível não ficar tonto com milhares de cortes desnecessários. Por outro lado, o diretor Gary Ross soube escolher muito bem os seus protagonistas. A jovem Jennifer Lawrence segura bem as pontas e confirma todo o talento que apresentou em Inverno da Alma. Seu par, Josh Hutcherson, também apresenta eficiência: é dotado de uma incrível simpatia que cai como uma luva para a abordagem do personagem. São eles que mais sustentam Jogos Vorazes.

Todos os elementos para agradar o público infanto-juvenil estão ali. No segundo ato do filme, a tensão funciona nas cenas de ação, os elementos dos tais jogos são bem explorados e o filme adquire novo ritmo. Por isso, poucos se importarão com os vários problemas de roteiro – principalmente no que se refere ao final bagunçado e cheio de mudanças bruscas. Jogos Vorazes, para os menos atentos, sabe disfarçar muito bem todas as falhas. Só que, para uma experiência que é vendida e concebida como um novo fenômeno, não chega a empolgar. É divertido, momentâneo. E, para ser bem sincero, não vejo para onde Jogos Vorazes pode caminhar em futuras continuações.

FILME: 7.0

Melhores de 2011 – Roteiro Adaptado

Não deve existir, em 2011, filme com roteiro mais ousado e surpreendente do que A Pele Que Habito. O texto faz um casamento perfeito com a direção, trazendo um longa cheio de reviravoltas no melhor estilo Pedro Almodóvar. Por sinal, é uma das raras vezes em que o diretor aposta em uma adaptação para fazer um filme. Enganou-se quem pensava que, em função disso, Almodóvar pudesse perder a sua essência como roteirista. O que acontece é justamente o oposto: depois do fraco Abraços Partidos, ele retomou as rédeas de seu estilo inconfundível e apresentou um trabalho excepcional. A Pele Que Habito, baseado no livro Tarântula, traz todos os elementos que sempre fizeram do diretor também um excelente roteirista, como a questão da identidade sexual e as famílias problemáticas. Um resultado no mínimo instigante, onde é impossível ficar indiferente a um resultado tão polêmico e, acima de tudo, diferente. Almodóvar não perdeu a capacidade de se reinventar. E o roteiro de A Pele Que Habito é o exemplo mais recente de sua carreira que comprova isso.

HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE – PARTE 2

O trabalho de Steve Kloves em ambas as partes finais de Harry Potter foi maravilhoso. Só que a última é a verdadeira coroação de Kloves como roteirista. Impressiona como ele conseguiu reunir os milhares de elementos da obra original de J.K. Rowling em um roteiro bem organizado e pontuado com ação e drama. Claro que, para o público leigo, alguns aspectos da história não ficam tão consistentes como deveriam, mas, no geral, o roteiro de As Relíquias da Morte – Parte 2 não deve em nada para os outros impressionantes aspectos do desfecho da saga.

VEJO VOCÊ NO PRÓXIMO VERÃO

Subestimada estreia de Philip Seymour Hoffman atrás das câmeras, Vejo Você no Próximo Verão merecia reconhecimento, também, pelo ótimo roteiro de Robert Glaudini, que adaptou a sua própria peça homônima. É importante como o texto, junto com a direção de Hoffman, nunca deixa o resultado com um tom teatral. Por isso, discussões sobre solidão e relacionamentos aparecem no filme de forma muito natural e eficiente, em uma história que faz um ótimo contraste entre um casal despedaçado e outro que está aprendendo como a vida pode ser bem melhor com alguém ao lado. Merecia mais atenção.

TUDO PELO PODER

George Clooney, Grant Heslov e Beau Willimon adaptaram a peça Farragut North com uma inegável qualidade. O roteiro, talvez, seja o ponto alto de Tudo Pelo Poder, um filme que lida com vários persongens e subtramas mas que nunca se perde ao misturá-los. A política, no filme de George Clooney, é acessível e instigante como há tempos não víamos no cinema. E o trio de roteiristas merece todos os elogios por esse texto subestimado que, inclusive, merecia ter vencido o Oscar 2012 em sua respectiva categoria. Outra prova do amadurecimento de Clooney atrás das câmeras (também como roteirista).

A ÚLTIMA ESTAÇÃO

Assim como o trio responsável pelo roteiro de Tudo Pelo Poder, Michael Hoffman apostou na simplicidade para adaptar o livro The Last Station: A Novel of Tolstoy’s Last Year, de Jay Parini. Seria fácil, em um tema como esse, cair em armadilhas intelectuais e tornar o filme um exemplar pedante sobre a vida Tolstói. Não é o que acontece no roteiro de Hoffman, que prefere falar não só sobre os ideais do escritor, mas também sobre o complicado relacionamento que ele tinha com a mulher e sobre as pessoas em sua volta. E essa falta de pretensão, por si só, já justificaria elogios para o roteiro.

EM ANOS ANTERIORES: 2010Direito de Amar | 2009Dúvida | 2008Desejo e Reparação | 2007Notas Sobre Um Escândalo

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Escolha do público:

1. A Pele Que Habito (52,17%, 12 votos)

2. Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 (26,09%, 6 votos)

3. Tudo Pelo Poder (21,74%, 5 votos)

4. A Última Estação (0%, o votos)

5. Vejo Você no Próximo Verão (0%, 0 votos)

O que passou…

2 COELHOS (idem, 2011, de Afonso Poyart): Os defensores podem dizer que 2 Coelhos é um filme diferente e estiloso. Também podem elogiar a narrativa rápida ou a trilha que vai de Lenine até 30 Seconds to Mars. E, em seus minutos iniciais, o filme de Afonso Poyart chama a atenção sim por ser completamente diferente do que estamos acostumados a ver no cinema nacional. O problema é que, aos poucos, 2 Coelhos se perde na mistura forma + conteúdo. A história, que por si só já é bastante movimentada (tanto em ação quanto em detalhes), não precisava de uma abordagem ainda mais frenética. Assim, o trabalho de Poyart se torna cansativo e repetitivo, não estiloso como o planejado. Em certos momentos, inclusive, o uso excessivo de câmera lenta e a presença de efeitos constantemente fracos deixam o filme cafona. As intenções eram boas, mas a incansável vontade de ser pop não deu chances para o filme, de fato, ser diferente. Tinha potencial, pena que errou na dose. 5.5/10

UM MÉTODO PERIGOSO (A Dangerous Method, 2011, de David Cronenberg): É possível uma atriz acabar com as chances de um filme ser bem sucedido? Sim. E é exatamente isso o que Keira Knightley faz em Um Método Perigoso – um filme que, por si só, já é genérico demais. Alcançando níveis altamente caricaturais (os primeiros minutos são vergonhosos), Keira, que, misteriosamente, desloca a mandíbula o tempo inteiro, constrói uma interpretação baseada em cacoetes e trejeitos incansáveis. O problema também é agravado pelo fato de que Keira precisa ter constante presença, já que sua personagem é decisiva para todo o desenvolvimento da história. Assim, por mais que os contidos Viggo Mortensen e Michael Fassbender tentem, não dá para se envolver com um filme em que uma figura tão importante não foi conduzida com o mínimo de verossimilhança.  6.0/10

NOITE DE ANO NOVO (New Year’s Eve, 2011, de Garry Marshall): Filmes sobre datas festivas já cansaram. Principalmente aqueles que surgem no final do ano e que trazem milhares de atores famosos que, misteriosamente, resolveram participar do projeto. Noite de Ano Novo é assim. Também é mais uma investida oportunista do diretor Garry Marshall (um diretor cujo único acerto em toda carreira foi Uma Linda Mulher) e, que, aqui, parece fazer de tudo para que seu filme naufrague: excesso de personagens (a história leva, no mínimo, meia hora para fazer a apresentação deles!), histórias desnecessárias, rumos previsíveis e atores interpretando uma variação deles mesmos (Lea Michele cantando, Sofia Vergara com seu habitual sotaque hipercarregado). Mas nada surpreende, especialmente porque sabemos, desde o princípio, como destino de cada uma das figuras em cena. Noite de Ano Novo é um mistério: afinal, como tanta gente boa conseguiu se interessar por um projeto tão ultrapassado? 5.0/10

PROPRIEDADE PRIVADA (Nue Proprieté, 2006, de Joachim Lafosse): Tenho um fraco por dramas familiares e Propriedade Privada não fugiu à regra. Estrelado pela sempre competente Isabelle Huppert, essa produção francesa não poderia ser mais simples: incomunicabilidade entre membros de uma família, planos longos, câmera estática e trama calcada quase que exclusivamente em diálogos. A habitual calma francesa para subjetivar os dramas está presente – e, aqui, por mais que tudo seja de uma simplicidade absurda, consegue alcançar, por isso mesmo, um notável realismo. Propriedade Privada, em sua abordagem singela (e, por que não, batida?) encontrou o tom certo. Resultado extraordinário? Longe disso, mas o suficiente para valer uma conferida. 8.0/10

UMA VIDA MELHOR (A Better Life, 2011, de Chris Weitz): Nada de novo nessa repetida história sobre imigrantes tentando ganhar a vida nos Estados Unidos. Todos os ingredientes melodramáticos estão ali: o filho distante e rebelde, o pai dedicado, a pobreza, o azar, e por aí vai… Por se tratar de um longa dirigido por Chris Weitz, não existe qualquer surpresa nesse sentido. O que se destaca em Uma Vida Melhor é, certamente, a performance do mexicano Demián Bichir, que entrega muita sensibilidade a um papel extremamente comum. Indicado ao Oscar de melhor ator, Bichir é o que existe de melhor nesse corriqueiro filme – e devemos destacar, claro, a última cena dele com o filho. Maravilhosa. 7.0/10

MISSÃO: IMPOSSÍVEL – PROTOCOLO FANTASMA (Mission: Impossible – Ghost Protocol, 2011, de Brad Bird): Vindo diretamente do mundo das animações, Brad Bird resolveu se aventurar em um filme live action. Reponsável por um dos maiores sucessos da Pixar (o superestimado Os Incríveis), Bird mostra que tem carreira promissora no formato com esse Missão: Impossível – Protocolo Fantasma. Ele consegue criar cenas de ação completamente envolventes (ainda que, claro, com aquele clima de “só em filme mesmo”) e, surpresa, colocar humor na mistura sem parecer forçado. Se Tom Cruise já parece ter passado do prazo de validade para protagonizar um filme desses, Bird compensa tudo. Pena que, por outro lado, o longa sofra de uma síndrome que tem atacado as mais recentes continuações de Hollywood: a do esquecimento. A maioria das sequências produzidas hoje em dia é boa, mas, no geral, não chegam nem perto de marcar. São entretenimentos de momento. M:I 4 se enquadra nessa teoria. 7.5/10

Melhores de 2011 – Ator

O nível que Colin Firth alcançou nos últimos anos não é brincadeira. Ele, inclusive, já merecia ter vencido o Oscar logo na sua primeira indicação por Direito de Amar, onde estava impecável na pele do melancólico professor de literatura George Falconer. O prêmio, contudo, veio com O Discurso do Rei. E se o filme de Tom Hooper tem detratores até mesmo debaixo d’água, tal ódio não pode se estender ao maravilhoso desempenho de Colin Firth. Mais uma vez vitorioso ao mergulhar nas angústias de um personagem, Firth mostra toda a vulnerabilidade de um sujeito que, devido ao destino, precisa encontrar força e liderança para assumir um posto que claramente não era destinado ao seu perfil. O trabalho do ator, então, não é apenas sobre a técnica de reproduzir uma gagueira ou de encarnar uma figura real, mas também sobre a habilidade de demonstrar fragilidade e força de superação. E, em todos os sentidos, Firth está mais uma vez impecável, trazendo outro grande desempenho para essa nova fase de sua carreira. Pois é, podemos esperar bastante dele para os próximos anos…

JAVIER BARDEM (Biutiful)

Biutiful é, provavelmente, o filme mais desinteressante do diretor Alejandro González Iñárritu. Excessivamente lento e desperdiçando tempo com histórias que não precisavam de tanto destaque, o filme pode ter seus erros, mas nenhum deles envolve Javier Bardem. Bem pelo contrário. O espanhol é quem segura magnificamente esse filme que merece ser conferido justamente por causa de seu desempenho. Com cenas arrebatadoras, em especial aquelas que divide com os filhos, Bardem entrega um trabalho que figura, facilmente, entre os melhores de sua carreira.

ANDY SERKIS (Planeta dos Macacos: A Origem)

Andy Serkis foi o grande responsável por essa corrente de cinéfilos que defendem a valorização de interpretações “maquiadas” por tecnologia. E não é para menos. Depois do ótimo trabalho como o bizarro Gollum, de O Senhor dos Aneis, o ator alcança, em Planeta dos Macacos: A Origem, aquele que é, possivelmente, o seu auge como profissional. Reproduzindo tudo o que é necessário para tornar o macaco Caeasar uma figura extremamente realista, Serkins realiza um trabalho convincente e, acima de tudo detalhista. Muitos atores por aí, normalmente, não conseguem sequer fazer metade disso.

RYAN GOLSING (Namorados Para Sempre)

O sucesso que Ryan Gosling tem alcançado nos últimos anos é apenas fruto de uma série de bons trabalhos apresentados anteriormente. Desde Half Nelson e A Garota Ideal, Gosling já mostrava o seu talento. E, em Namorados Para Sempre, ele deu mais uma prova do porquê ser um dos atores mais disputados de sua geração. Fazendo uma ótima dupla com Michelle Williams, ele consegue se sair muito bem nesse personagem que, frente ao de Williams, pode parecer menos digno de compaixão. Mais um caso de injustiça onde o integrante de uma dupla foi preterido quando deveria ser celebrado nas mesmas proporções que o outro.

PAUL GIAMATTI (A Minha Versão do Amor)

A Minha Versão do Amor pode até não ser um filme muito interessante (se prolonga demais e não é necessariamente narrado de forma original), mas Paul Giamatti salva o dia. Independente do filme, esse é um ator que sempre chama a atenção. Também ótimo no recente Tudo Pelo Poder, Giamatti encontra destaque absoluto em A Minha Versão do Amor, mostrando, de novo, a sua facilidade em conseguir ser tão natural e eficiente diante das câmeras. O ator sabe dar o tom certo para sua interpretação, que, no final das contas, é o que justifica uma conferida nesse filme.

EM ANOS ANTERIORES: 2010 – Colin Firth (Direito de Amar) | 2009 – Sean Penn (Milk – A Voz da Igualdade) | 2008 – Daniel Day-Lewis (Sangue Negro) | 2007 – Forest Whitaker (O Último Rei da Escócia)

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Escolha do público:

1. Ryan Gosling, por Namorados Para Sempre (44,12%, 15 votos)

2. Colin Firth, por O Discurso do Rei (35,29%, 12 votos)

3. Andy Serkis, por Planeta dos Macacos: A Origem (8,82%, 3 votos)

4. Javier Bardem, por Biutiful (5,88%, 2 votos)

5. Paul Giamatti, por A Minha Versão do Amor (5,88%, 2 votos)

Jovens Adultos

Direção: Jason Reitman

Elenco: Charlize Theron, Patrick Wilson, Patton Oswalt, Elizabeth Reaser, Mary Beth Hurt, Collette Wolfe, Louisa Krause, Richard Bekins, Hettienne Park

Young Adult, EUA, 2011, Comédia Dramática, 94 minutos

Sinopse:Divorciada, a escritora Mavis Gary (Charlize Theron) retorna para sua cidade natal no estado de Minnesota, nos Estados Unidos, disposta a reconquistar seu ex-namorado, Buddy Slade (Patrick Wilson). Acontece que ele, atualmente, está casado com Beth (Elizabeth Reaser) e acaba de ganhar uma filha. Mesmo assim, Mavis não desiste e se reencontra com a rotina do colégio, passando a agir como uma adolescente. (Adoro Cinema)

Charlize Theron, antes de fazer o papel de Aileen Wuornos, em Monster – Desejo Assassino, não era o que podemos chamar de atriz exemplar. Envolvida em projetos enjoados (Doce Novembro) ou, então, em filmes onde era ofuscada (Regras da Vida), Theron reverteu a situação de sua carreira quando protagonizou o a cinebiografia de Wournos, a prostituta considerada a primeira mulher serial killer da América. Por seu desempenho, ganhou merecidamente o Oscar e ainda engatou outro trabalho significativo em Terra Fria. Com esses dois filmes, a atriz mostrou que não é apenas dona de uma beleza estonteante; ela também tem muito talento. Por outro lado, com exceção de No Vale das Sombras, Theron não conseguiu confirmar sua sucessão de boas escolhas nos seis anos que a separavam de sua indicação ao Oscar por Terra Fria. O novo trabalho do diretor Jason Reitman, Jovens Adultos, veio acabar com esse jejum.

Reitman, cuja preferência é sempre por histórias simples sobre relacionamentos humanos, tornou-se um queridinho da crítica com filmes como Amor Sem Escalas. Só que, com Jovens Adultos, pela primeira vez, ele não alçoou voos maiores. Mesmo repetindo a parceria com a roteirista Diablo Cody (que foi celebrada pelo roteiro que realizou para Juno), o longa parece não ter caido nas graças da crítica e do público. Talvez não seja nem pelo fato de Jovens Adultos ser um filme passageiro, mas sim pelo tipo de história que vende. Ora, estamos falando de uma mulher que retorna para sua cidade natal com o objetivo de reconquistar o grande amor de sua adolescência – o problema é que o moço agora é casado e pai de família. Mesmo assim, a inescrupulosa protagonista não desanima: ela vai acabar com esse casamento, desmontar aquele lar e roubar sua antiga paixão. Não é todo mundo que compra a ideia de uma personagem que não se importa com as consequencias de seus atos para conseguir o que deseja.

E, durante muitos momentos, Jovens Adultos pede que o espectador entre no clima desse humor. Acompanhamos a protagonista Mavis se produzindo para começar a sedução (e, nesse sentido, a beleza de Charlize cai como uma luva), tentando embebedar o rapaz para despertar uma possível vontade de traição, etc. Assim, muitos não conseguem se sentir confortáveis ao torcer por uma personagem tão, digamos, gananciosa. Por outro lado, é bom ver Diablo Cody repetindo algo que deu certo em Juno: a inversão de clichês. Jovens Adultos poderia ser sobre a feia do colégio que retorna lindíssima para reconquistar o galanteador que hoje está em um casamento falido. Não, o longa de Reitman é sobre a garota mais desejada do colégio que continua linda mas que não evoluiu na vida: é sozinha, mal consegue executar seu trabalho e vive em um completo tédio. Ela volta para conhecer o seu antigo amor que, hoje, virou um homem comum casado com uma mulher de boa índole, vivendo uma rotina satisfatória. Portanto, apesar das atitudes muito duvidosas de Mavis, o filme ganha pontos, justamente, por ter essa abordagem que foge do lugar-comum. Aí, entramos em uma questão de gosto pessoal mesmo. Você gostará da personagem de Charlize Theron?

Theron, por sinal, alcança um resultado muito digno, conseguindo separar personagem de atuação: podemos não gostar de Mavis, mas conseguimos apreciar sua intérprete. Ela, impecável no uso de sua beleza para a construção da personagem, dá a sua mais interessante performance desde Terra Fria, conseguindo manter o interesse do público pelo filme. A atriz é a vida de Jovens Adultos, um filme que, infelizmente, depois de usar um humor, de certa forma, ácido para contar sua história, resolve cair no óbvio quando se encaminha para o final. O longa de Reitman não precisava de previsíveis crises existenciais, discursos enfadonhos sobre como a beleza pode ser um fardo e choros de “ninguém me ama, ninguém me quer”. Tal abordagem, junto com a falta de um clímax, revertem o tom apresentado por Jovens Adultos até então. Não combinaram com a protagonista. Assim, o filme não é especificamente uma comédia ou um drama, mas sim um retrato (que não precisava ser escancarado nos minutos finais) de pessoas que não cresceram. Pessoas que têm tudo para alcançar a plenitude, mas preferem se apegar ao passado; não querem nada novo, muito menos desafios. Só desejam as lembranças, e não abrem mão disso. Há quem conheça gente assim – e, com certeza, quem se identifique.

FILME: 7.0