Piores de 2010



1. Atividade Paranormal 2: Não sei se “isso” pode ser chamado de cinema, mas nem lembro a última vez que assisti a um filme tão sem propósito e gratuito como esse. Além de destruir por completo o que o primeiro filme tinha de “interessante” (e vale lembrar que não era muita coisa), essa continuação chega a assustar por ser tão repetitiva e vazia. Nada funciona, é uma história sobre o nada e ainda consegue deixar, novamente, um final que insinua uma nova continuação. Completo absurdo. Socorro!
2. Sex and the City 2: Pode até não ser o pior filme do ano, mas foi um dos que mais conseguiu me deixar cheio de fúria. Essa continuação é um completo desastre em todos os sentidos. Quase três horas de filme para narrar um monte de bobagens, mostrar várias situações constrangedoras e colocar as atrizes em cenas lamentáveis. Os figurinos, que antes eram um atrativo, parecem ter saído do guarda-roupa da Nany People para ilustrar uma história interminável e que traz os conflitos mais imbecis de 2010. Quase estrega a memória e a reputação do seriado…
3. Eclipse: Meu currículo deveria ser enviado ao Vaticano para que eu pudesse virar santo. Sério, porque só eu mesmo para ainda ter alguma esperança com essa série e ainda me prestar para ir ao cinema (por vontade própria) para assistir a mais uma continuação da história de amor entre a louca suicida Bella (Kristen Stewart) e o gay enrustido Edward (Robert Pattinson), que se ouriça todo com o lobisomem Jacob (Taylor Lautner). Mas parei por aqui. Eclipse é o meu limite. Não quero mais me irritar com personagens tão detestáveis, história redundante e tentativas bestas de trazer emoção.
4. Caso 39: Hoje em dia, ver filme com o nome de Renée Zellweger é sinônimo de dar muitas risadas. No mau sentido, claro. Mas com Caso 39, Renée parece ter abraçado a mediocridade de uma vez por todas. Caindo nos maiores clichês do gênero e em absurdos que o roteiro simplesmente não faz questão de explicar, é um filme que aposta no batido enredo da menina possuída por algum espírito maligno e que engana a todos com seu jeitinho meigo de coitadinha. Renée, imobilizada de tanto botox, não consegue fazer uma expressão sem deixar o espectador na dúvida se ela está chorando, rindo ou com medo.
5. Sherlock Holmes: Pior que filme ruim é filme chato. Sei que todo mundo vai discordar de mim e dizer que se divertiu com Sherlock Holmes. Eu simplesmente não consegui. Já tinha preconceito para assistir esse filme porque detesto Robert Downey Jr., mas nada tinha me preparado para uma história tão indiferente, que disvirtua o personagem-título e ainda comete o erro de realizar uma aventura… sem aventura! Sherlock Holmes é chato, sem qualquer suspense de “investigação” e um verdadeiro sonífero.
6. Nosso Lar: Enredo enfadonho e que deve ser considerado um produto espritual de auto-ajuda, não um produto cinematográfico. Os personagens irritam por sempre estarem com um sorriso no rosto, dando conselhos e ensinando várias lições. Todo mundo tem algo de especial para mostrar ao protagonista em um cenário futurístico plastificado. Tudo muito zen e forçado. Só deve funcionar para quem acredita em espiritismo – talvez, nem para eles. O resto deve passar longe, já que Nosso Lar não dialoga com todos os públicos.
7. O Último Mestre do Ar: Dirigido por M. Night Shyamalan? Não precisa nem pensar duas vezes: um dos piores do ano certo! Se com Fim dos Tempos eu até cogitava a possibilidade de Shy estar em crise existencial, com O Último Mestre do Ar ele provou ter se tornado péssimo mesmo. Dói no meu coração falar isso de um diretor que realizou longas tão excelentes como O Sexto Sentido e A Vila. Contudo, não dá mais… Shyamalan é uma verdadeira enganação e O Último Mestre do Ar transborda a irregularidade e a má qualidade da direção do indiano.
8. A Caixa: Richard Kelly realizou um ótimo cult chamado Donnie Darko. Na tentativa de fazer algo igualmente engenhoso e cheio de situações inteligentes-beirando-o-incompreensível, derrapou nas próprias pretensões com A Caixa. O resultado? Uma história que é complicada além do necessário e que chega a irritar de tão enrolada e cheia de problemáticas que não chegam a lugar algum. Fica o recado para o sr. Kelly: um filme cult e inteligente surge naturalmente e não enfiando goela abaixo teorias malucas e cenas engenhosas.
9. Cadê os Morgan?: Comédias de gente rica da cidade que são obrigadas a conviver com pessoas caipiras do interior já normalmente me irritam, mas Cadê os Morgan? ainda traz de brinde um casal cheio de inexpressividade e com química nula. Hugh Grant (no piloto-automático) e Sarah Jessica Parker (com um ar de má vontade) não conseguem combinar, algo que só traz ainda mais antipatia para a história boba e enrolada. Humor fraco e romance inexistente formam a insossa mistura que é Cadê os Morgan?
10. Comer Rezar Amar: Assistir a esse filme foi uma das maiores frustrações que tive em 2010. Ryan Murphy, que sabe enganar bem o espectador ao disfarçar suas fracas tramas com diversão (Glee é uma prova disso), não conseguiu sequer fazer um guilty pleasure. Nem o carisma de Julia Roberts ou as belas locações (mal utilizadas) conseguiram salvar Comer Rezar Amar. É um filme monótono, previsível do início ao fim e que leva mais de duas horas para contar uma história que simplesmente não evolui em conflitos. Para um longa que se propõe a ser uma reflexão sobre relacionamentos, o resultado, na realidade, tornou-se uma luta contra o sono.
Oscar 2011: resultados

Antes mesmo da festa do Oscar acontecer, O Discurso do Rei já era apedrejado. Ontem, então, quando o filme de Tom Hooper saiu da premiação como o grande vencedor, foi completamente amaldiçoado nas redes sociais e em todos os lugares possíveis. Longe de mim dizer que o vencedor da noite era o melhor entre os indicados, mas gostaria de fazer uma análise defendendo os prêmios que ele levou na cerimônia de ontem.
É o seguinte: o Oscar é um jogo de cartas marcadas. Nunca vence quem merece, existem vários absurdos na lista divulgada por eles e, na maioria das vezes, entregam estatuetas bem questionáveis. Ora, a seleção que ficamos conhecendo no final de janeiro já apontava um Oscar de ausências e sérios erros. Como, então, esperar algo diferente e inovador de uma equipe que sequer indica, por exemplo, Christopher Nolan como melhor diretor por A Origem?
Ou seja, o que desejo dizer é que já passou da hora da ficha dos cinéfilos cair. É hora de acordar: gente, Oscar nunca foi e nunca será um prêmio que dá atestado de qualidade ou que muito menos representa os melhores do ano. O evento pode até ter esse objetivo, mas sabemos que não é assim. Portanto, vamos evitar esse blá blá blá whiskas sachê e essa revolta em Twitter e afins. Mesmo que O Discurso do Rei não merecesse, era mais do que óbvio que ele seria o grande vencedor. Deu, era isso. Nossos extratos bancários continuam os mesmos e a vida de sempre volta ao normal. Não adianta perder tempo se importando.
De resto, o Oscar foi, como sempre, previsível. No início da festa, até ensaiou algumas surpresas, mas voltou para o seu ponto de origem: o lugar-comum. Se Melissa Leo fez um teatrinho básico fingindo surpresa quando ganhou como melhor atriz coadjuvante, todos os outros discursos foram quadrados. Anne Hathaway estava lá, linda e trocando de belos vestidos a todo momento, ao passo que James Franco não fez muita coisa. Ambos ok, mas sem momentos especiais. Eles seguiram o estilo da festa, que foi mais uma apresentação de prêmios do que um evento em si. A dupla pouco interagiu com a plateia e com o público. Foi tudo uma mera formalidade para a entrega das estatuetas. Se fosse todo apresentado pelo mumificado Kirk Douglas seria mais divertido, you know…
Resumo da ópera: o Oscar 2011 não foi “contemporâneo” como a escolha dos apresentadores indicava e muito menos escapou das previsibilidades que foram tão massacradas e negadas pelo público. O rei roeu a rede. Esse sempre foi o esperado para a festa. A vitória de O Discurso do Rei ainda vai ser muito comentada e humilhada… Bom, isso vai passar. Como todo ano. Aposto que todos vocês, ano que vem, estarão fazendo apostas e acompanhando a cerimônia de novo, não é mesmo? Pois é. Só resta saber quem vai aprender a não levar o Oscar mais a sério. Não dá pra ficar se importando muito. É só pensar assim que tudo será menos decepcionante…
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Os vencedores:
MELHOR FILME: O Discurso do Rei
MELHOR DIRETOR: Tom Hooper (O Discurso do Rei)
MELHOR ATOR: Colin Firth (O Discurso do Rei)
MELHOR ATRIZ: Natalie Portman (Cisne Negro)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Christian Bale (O Vencedor)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Melissa Leo (O Vencedor)
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL O Discurso do Rei
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: A Rede Social
MELHOR FILME ESTRANHEIRO: Em Um Mundo Melhor (Dinamarca)
MELHOR TRILHA SONORA: A Rede Social
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “We Belong Together” (Toy Story 3)
MELHOR FOTOGRAFIA: A Origem
MELHOR MONTAGEM: A Rede Social
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: Alice no País das Maravilhas
MELHOR FIGURINO: Alice no País das Maravilhas
MELHORES EFEITOS ESPECIAIS: A Origem
MELHOR ANIMAÇÃO: Toy Story 3
MELHOR CURTA DE ANIMAÇõ: The Lost Thing
MELHOR MIXAGEM DE SOM: A Origem
MELHOR EDIÇÃO DE SOM: A Origem
MELHOR MAQUIAGEM: O Lobisomem
MELHOR CURTA-METRAGEM: God of Love
MELHOR DOCUMENTÁRIO CURTA: Strangers No More
MELHOR DOCUMENTÁRIO: Trabalho Interno
Oscar 2011: Apostas

MELHOR FILME
Quem leva: O Discurso do Rei, pelas razões mais óbvias.
Quem merece: A Origem, um dos melhores filmes do ano passado.
Não desdenhe: A Rede Social, já que foi, desde sempre, um dos mais cotados.
MELHOR DIRETOR
Quem leva: David Fincher. Pelo menos um dos prêmios principais A Rede Social leva.
Quem merece: Christopher Nolan. Oi, não tá indicado? Ah, então, pode ser Darren Aronofsky, que arrasou em Cisne Negro.
Não desdenhe: Tom Hooper, já que ele dirigiu o filme mais queridinho entre os votantes.
MELHOR ATRIZ
Quem leva: Natalie Portman. Venceu todos os prêmios. Alguém ainda duvida?
Quem merece: Portman mesmo, no momento mais importante de sua carreira.
Não desdenhe: Annette Bening. Nunca esqueçam: Oscar adora cometer uma injustiça para corrigir outra.
MELHOR ATOR
Quem leva: Colin Firth, aposta para se fazer de olhos fechados.
Quem merece: Colin Firth, voto para se fazer de olhos fechados.
Não desdenhe: Desdenhe todos. Esse ano não tem pra ninguém além do favorito.
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Quem leva: Helena Bonham Carter. Melissa Leo arruinou suas chances na última hora e Helena ganhou o BAFTA (mesmo caso de Tilda Swinton em Conduta de Risco, que surgiu como vencedora nos últimos momentos).
Quem merece: Melissa Leo, mas isso não quer dizer muita coisa. Nenhuma das candidatas me conquistou de verdade.
Não desdenhe: Melissa Leo. Vai que o Oscar resolve perdoar as insanidades dessa mulher…
MELHOR ATOR COADJUVANTE
Quem leva: Christian Bale, já que venceu todos os grandes prêmios da temporada.
Quem merece: Geoffrey Rush, sempre eficiente e magnético.
Não desdenhe: Geoffrey Rush. Não sabemos até onde pode ir o amor dos votantes por O Discurso do Rei.
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Quem leva: A Rede Social, incontestavelmente.
Quem merece: Ahm, Toy Story 3.
Não desdenhe: Não tem jeito, o prêmio é de A Rede Social.
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Quem leva: O Discurso do Rei. O filme pode até não vencer os prêmios principais, mas alguma estatueta importante ele leva.
Quem merece: A Origem.
Não desdenhe: A Origem, se os votantes quiserem reparar toda a palhaçada que fizeram com Christopher Nolan.
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OUTRAS CATEGORIAS:
MELHOR MONTAGEM: A Rede Social
MELHOR FILME ESTRANGEIRO: Biutiful
MELHOR FOTOGRAFIA: Bravura Indômita
MELHOR TRILHA SONORA: O Discurso do Rei
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “We Belong Together” (Toy Story 3)
MELHORES EFEITOS ESPECIAIS: A Origem
MELHOR ANIMAÇÃO: Toy Story 3
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: A Origem
MELHOR FIGURINO: Alice no País das Maravilhas
MELHOR MAQUIAGEM: O Lobisomem
MELHOR MIXAGEM DE SOM: A Origem
MELHOR EDIÇÃO DE SOM: A Origem
MELHOR DOCUMENTÁRIO: Exit Through the Gift Shop
Oscar 2011: Filme

Todo ano vai ser sempre assim: vários filmes indicados na categoria principal sequer mereciam receber o título de “indicado ao Oscar de melhor filme”. Com a expansão para dez indicados, o efeito foi justamente o inverso do que era pretendido. Se antes pensávamos que essa escolha poderia beneficiar aqueles esquecidos como WALL-E, Batman – O Cavaleiro das Trevas e até mesmo Dúvida, hoje vemos que a safra de filmes elegíveis para o prêmio está cada vez mais fraca. O resultado? Todo ano, a lista se torna cada vez mais desinteressante, contendo nomes inexplicáveis. Deveriam ter permanecido nos cinco. Era muito mais clássico e não banalizava os indicados na categoria principal.
A disputa esse ano é bem clara, não apenas no que se refere aos principais candidatos, mas também nos próprios estilos que se confrontam. De um lado, o jeito contemporâneo de fazer cinema, evidenciado em longas como Cisne Negro, A Rede Social e A Origem. Do outro, o estilo mais clássico ou “quadrado”, unicamente representado por O Discurso do Rei – filme esse que está sendo injustamente massacrado por causa do favoritismo. Ao que tudo indica, o longa-metragem de Tom Hooper deve ser coroado em várias categorias (incluindo a mais importante), enquanto o de David Fincher deve conseguir direção, roteiro adaptado e montagem. Mas minhas apostas finais ficam para amanhã…
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Abaixo, minha ordem de preferência dos indicados:
1. A ORIGEM: De todos os indicados ao Oscar de melhor filme nesse ano, A Origem foi o que mais me impressionou. Grandioso e com jeito de clássico contemporâneo, o longa é uma verdadeira sequência de acertos, desde o elenco bem selecionado até ao trabalho extraordinário de Christopher Nolan atrás das câmeras. Uma história original contada de uma forma mais original ainda. É de se lamentar que o filme não será devidamente reconhecido. A culpa, na minha opinião, está na data de estreia do longa. Tenho certeza que, se tivesse sido lançado no final do ano, teria o favoritismo. Como estreiou na metade de 2010, deve se contentar apenas com lembranças técnicas.
2. CISNE NEGRO: O filme mais artístico da seleção. Misturando linguagem de cinema, dança e música, Darren Aronofsky (o diretor do ano) construiu um verdadeiro espetáculo. Natalie Portman em grande momento, bem como a ótima fotografia e os ótimos coadjuvantes só engrandecem essa história que merecia muito mais do que meras cinco indicações. Muito comentado aqui pelo Brasil, seria uma grata surpresa vê-lo como vencedor – e, meus caros, não duvidem que isso possa acontecer.
3. O DISCURSO DO REI: Reclamem o quanto quiser. Sim, sou quadrado e todo aquele bla bla bla. Gostei e defendo O Discurso do Rei. Injustamente massacrado por ser o favorito da noite, o filme de Tom Hooper tem sim muitos pontos positivos. Seja a extraordinária dupla Firth + Rush, a parte técnica ou, até mesmo, a direção. Para quem gosta do formato, é um prato cheio. E é por causa disso que O Discurso do Rei lidera corrida. Por mais que não seja o meu favorito, tem a minha compreensão.
4. 127 HORAS: Danny Boyle é mestre em disfarçar o pouco conteúdo com uma estrutura diferente. 127 Horas, assim como o premiado Quem Quer Ser Um Milionário? é ótimo justamente por causa disso. Quem assiste ao filme sabe que ele foi dirigido por Boyle. Ritmo ágil, montagem dinâmica, trilha diferenciada, fotografia bem utilizada. É o suficiente para justificar o reconhecimento da produção.
5. TOY STORY 3: Se tem pelo menos uma vaga para um filme independente, também tem vaga certa para uma animação. Alguns podem dizer que Toy Story 3 está só completando a lista, mas, sejamos sinceros, é impossível ficar indiferente com toda a emoção que o filme de Lee Unkrich passa. Toy Story 3 é nostálgico e funciona como qualquer outro filme da Pixar. Por isso, sua indicação é mais do que justa.
6. O VENCEDOR: Novelesco do início ao fim e com personagens que, às vezes, são propositalmente caricatos, O Vencedor tem seus momentos por ter justamente essas características. É um filme inofensivo, que teve atenção em função de seu ótimo elenco. Nunca que era digno de indicações para direção e montagem, mas, de resto, recebeu as nomeações que merecia. Agora, se merece conquistar qualquer estatueta é outra história…
7. A REDE SOCIAL: Elogiado mais do que merecia, A Rede Social é uma boa história, mas que é contada da pior maneira possível: fria e mecânica. Os diálogos robóticos não me agradaram muito, mas, pelo menos, é um longa que tem várias virtudes, como a dinâmica trilha sonora, a ágil montagem e o excelente desempenho de Andrew Garfield. Só faltou o roteirista Aaron Sorkin entender que não é porque um filme está falando de um tema frio que o resultado também precise ser necessariamente frio…
8. MINHAS MÃES E MEU PAI: Por mais que eu não concorde com toda essa festa para Minhas Mães e Meu Pai, dá pra entender o porquê dele estar aqui. Além de ocupar a vaga de filme independente do ano, é agradável e ainda traz um excelente elenco encabeçado por duas atrizes maravilhosas. Porque, de resto, Minhas Mães e Meu Pai é previsível do início ao fim. Sorte da diretora Lisa Cholodenko ter um elenco especial como esse…
9. BRAVURA INDÔMITA: Depois de Onde os Fracos Não Têm Vez já virou regra: qualquer coisa vinda dos irmãos Coen precisa ser celebrada. Se qualquer menção para o monótono Um Homem Sério já não me agradou, imagina, então, ver esse faroeste apenas satisfatório receber nada menos que dez indicações! Bravura Indômita é linear e pouco movimentado. Na minha seleção particular, não estaria entre os dez concorrentes.
10. INVERNO DA ALMA: Sempre existe a vaga do filme independente entre os dez indicados. Mas se Minhas Mães e Meu Pai já ocupou essa posição, qual a razão de Inverno da Alma também estar na seleção principal? O filme de Debra Granik é lento e arrastado, onde apenas a atuação de Jennifer Lawrence pode ser ressaltada como extraordinária. A indicação, então, é desnecessária. Poderia ter sido facilmente trocada por outra produção.
O ESQUECIDO
Se abriram duas vagas para filmes independentes, por que, então, não celebrar o melhor deles? Namorados Para Sempre (nem vou comentar esse título brasileiro cretino) é claramente superior a Inverno da Alma e Minhas Mães e Meu Pai. Além de ter ótimos desempenhos de Michelle Williams e Ryan Gosling, o filme constrói muito bem o retrato de um relacionamento despedaçado. Reflexivo e muito mais interessante que qualquer um dos dois filmes independentes citados anteriormente, Namorados Para Sempre poderia ter entrado com muita facilidade na seleção principal do Oscar.
Oscar 2011: Ator

De todas as categorias do Oscar desse ano, a de melhor ator é a mais certa. Não é arriscado dizer que Colin Firth tem 100% de chances para vencer o prêmio. Injustiçado na última edição quando perdeu o Oscar por Direito de Amar para Jeff Bridges, Firth mais uma vez se reinventou e entregou um desempenho cheio de qualidades em O Discurso do Rei. Transitando entre a técnica excepcional e o lado motivo, o britânico é o favorito incontestável.
Existem outros bons concorrentes na parada. Javier Bardem não está menos que maravilhoso em Biutiful (filme, inclusive, que lhe rendeu o prêmio de melhor ator no último festival de Cannes). James Franco, apesar de não estar essa maravilha toda que andam dizendo por aí, também é outro concorrente de nível. Entretanto, o quadro já muda com os outros dois indicados.
Jesse Eisenberg e Jeff Bridges são os únicos com indicações bem duvidosas. Ambos não fazem nada de novo, caindo em repetições não muito interessantes. Candidatos para ocupar as nomeações dos dois não faltavam. Só foram lembrados mesmo por causa de seus respectivos filmes, que foram aprovados pelos membros da Academia. Contudo, não adianta nem especular. É Colin Firth, aposta para se fazer até de olhos vendados.
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Abaixo, minha ordem de preferência dos indicados:
1. COLIN FIRTH (O Discurso do Rei): Impecável pelo segundo ano consecutivo, o britânico Colin Firth finalmente receberá seu merecido Oscar. É notável a evolução do ator de uns tempos para cá e O Discurso do Rei prova que Firth também tem muita técnica para, por exemplo, representar um homem que sofre de gagueira. Técnica e emoção são o que não faltam nele. Direito de Amar e, agora, o longa de Hooper vieram para comprovar isso.
2. JAVIER BARDEM (Biutiful): Depois de passar por Cannes, Javier Bardem foi lembrado apenas pelo Oscar. Clap, clap, Academia! O espanhol entrega em Biutiful uma representação extraordinária, sendo o principal atrativo de um filme bem cansativo. Transparecendo humanidade e verossimilhança, ele nos leva para dentro das angústias do personagem. Nomeação mais do que necessária e justa.
3. JAMES FRANCO (127 Horas): É preciso talento para protagonizar um longa sozinho. Por sorte, James Franco tem. Antes não ia muito com a cara do ator e duvidava de todas essas indicações que ele vinha recebendo. Bobagem, todas menções bem merecidas. Pelo fôlego e verossimilhança transmitidos, Franco honrou seu reconhecimento. Deve se contentar com a indicação. Só isso já é uma importate estrelinha dourada no teste mais importante da carreira dele.
4. JESSE EISENBERG (A Rede Social): Junto com Jeff Bridges, Eisenberg forma a dupla de atores que não merecia ganhar de jeito nenhum – e, também, sequer receber indicação. Eisenberg está ok em A Rede Social, mas nada que seja espetacular ou que validasse tantas lembranças em prêmios, principalmente porque seu colega, Andrew Garfield (o melhor do filme), foi esnobado.
5. JEFF BRIDGES (Bravura Indômita): Com sotaque forçado e jeito caricatural, Jeff Bridges foi indicado por ser… Jeff Bridges, o último vencedor do Oscar! Só isso para justificar a lembrança dessa interpretação que, quando não está insossa, fica no nível do forçado. É, Bridges está longe de ser tudo isso que andam falando por aí desde o Oscar passado…
O ESQUECIDO
Se já não bastasse estrelar A Origem, um dos melhores filmes de 2010, Leonardo DiCaprio alcançou um nível digno de reconhecimento em Ilha do Medo. Totalmente ignorado nas premiações (não recebeu indicação a nenhum grande prêmio), o ator poderia entrar fácil na categoria de melhor ator desse ano. Além de ser mais uma prova que DiCaprio permanece em constante evolução nas suas escolhas, Ilha do Medo traz um dos melhores desempenhos desse profissional que já não é mais aquele garotinho loiro de olhos azuis que vimos em Titanic.