Oscar 2011: resultados

Antes mesmo da festa do Oscar acontecer, O Discurso do Rei já era apedrejado. Ontem, então, quando o filme de Tom Hooper saiu da premiação como o grande vencedor, foi completamente amaldiçoado nas redes sociais e em todos os lugares possíveis. Longe de mim dizer que o vencedor da noite era o melhor entre os indicados, mas gostaria de fazer uma análise defendendo os prêmios que ele levou na cerimônia de ontem.

É o seguinte: o Oscar é um jogo de cartas marcadas. Nunca vence quem merece, existem vários absurdos na lista divulgada por eles e, na maioria das vezes, entregam estatuetas bem questionáveis. Ora, a seleção que ficamos conhecendo no final de janeiro já apontava um Oscar de ausências e sérios erros. Como, então, esperar algo diferente e inovador de uma equipe que sequer indica, por exemplo, Christopher Nolan como melhor diretor por A Origem?

Ou seja, o que desejo dizer é que já passou da hora da ficha dos cinéfilos cair. É hora de acordar: gente, Oscar nunca foi e nunca será um prêmio que dá atestado de qualidade ou que muito menos representa os melhores do ano. O evento pode até ter esse objetivo, mas sabemos que não é assim. Portanto, vamos evitar esse blá blá blá whiskas sachê e essa revolta em Twitter e afins. Mesmo que O Discurso do Rei não merecesse, era mais do que óbvio que ele seria o grande vencedor. Deu, era isso. Nossos extratos bancários continuam os mesmos e a vida de sempre volta ao normal. Não adianta perder tempo se importando.

De resto, o Oscar foi, como sempre, previsível. No início da festa, até ensaiou algumas surpresas, mas voltou para o seu ponto de origem: o lugar-comum. Se Melissa Leo fez um teatrinho básico fingindo surpresa quando ganhou como melhor atriz coadjuvante, todos os outros discursos foram quadrados. Anne Hathaway estava lá, linda e trocando de belos vestidos a todo momento, ao passo que James Franco não fez muita coisa. Ambos ok, mas sem momentos especiais. Eles seguiram o estilo da festa, que foi mais uma apresentação de prêmios do que um evento em si. A dupla pouco interagiu com a plateia e com o público. Foi tudo uma mera formalidade para a entrega das estatuetas. Se fosse todo  apresentado pelo mumificado Kirk Douglas seria mais divertido, you know…

Resumo da ópera: o Oscar 2011 não foi “contemporâneo” como a escolha dos apresentadores indicava e muito menos escapou das previsibilidades que foram tão massacradas e negadas pelo público. O rei roeu a rede. Esse sempre foi o esperado para a festa. A vitória de O Discurso do Rei ainda vai ser muito comentada e humilhada… Bom, isso vai passar. Como todo ano. Aposto que todos vocês, ano que vem, estarão fazendo apostas e acompanhando a cerimônia de novo, não é mesmo? Pois é. Só resta saber quem vai aprender a não levar o Oscar mais a sério. Não dá pra ficar se importando muito. É só pensar assim que tudo será menos decepcionante…

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Os vencedores:

MELHOR FILME: O Discurso do Rei
MELHOR DIRETOR: Tom Hooper (O Discurso do Rei)
MELHOR ATOR: Colin Firth (O Discurso do Rei)
MELHOR ATRIZ: Natalie Portman (Cisne Negro)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Christian Bale (O Vencedor)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Melissa Leo (O Vencedor)
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL O Discurso do Rei
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO:  A Rede Social
MELHOR FILME ESTRANHEIRO: Em Um Mundo Melhor (Dinamarca)
MELHOR TRILHA SONORA: A Rede Social
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “We Belong Together” (Toy Story 3)
MELHOR FOTOGRAFIA: A Origem
MELHOR MONTAGEM: A Rede Social
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: Alice no País das Maravilhas
MELHOR FIGURINO: Alice no País das Maravilhas
MELHORES EFEITOS ESPECIAIS: A Origem
MELHOR ANIMAÇÃO: Toy Story 3
MELHOR CURTA DE ANIMAÇõ: The Lost Thing
MELHOR MIXAGEM DE SOM: A Origem
MELHOR EDIÇÃO DE SOM: A Origem
MELHOR MAQUIAGEM: O Lobisomem
MELHOR CURTA-METRAGEM: God of Love
MELHOR DOCUMENTÁRIO CURTA: Strangers No More
MELHOR DOCUMENTÁRIO: Trabalho Interno

5 comentários em “Oscar 2011: resultados

  1. Mateus, em termos de festa, acho que a cerimônia de “Quem Quer Ser Um Milionário?” continua imbatível (e olha que detestei aquele exagero de prêmios pro filme do Danny Boyle), mas, pelo menos, a desse ano foi muito melhor que a do ano passado!

    Kamila, e é exatamente isso que está me indignando: TODOS sabiam que “O Discurso do Rei” seria o vencedor, mas mesmo assim fizeram um baita movimento de revolta…

    Mayara, Tom Hooper não merecia mesmo, mas, já que ele havia vencido o sindicato de diretores, também não foi surpresa alguma!

    Júlio, obrigado!

  2. Òtima análise! Dá para compreender a vitória do Bertie, é a cara da Academia. Mas, Tom Hooper levar foi decepcionante. E gostei da Anne Hathaway, James Franco não fez nada, só colocar um vestido. rsrs. ;)

  3. Ótimo texto, Matheus!

    No Oscar 2011, a gente não pode reclamar da vitória de “O Discurso do Rei”, porque a gente já sabia que isso iria acontecer, mas podemos reclamar do triunfo de Tom Hooper e a apresentação do James Franco (Anne Hathaway fez o que podia)! E podemos comemorar, por outro lado, as vitórias de Natalie Portman e de “A Origem”, que foram merecidíssimas!

  4. É… you know…
    “O rei roeu a rede.”, HAHAHA!
    Justamente por o Oscar se considerar e ser considerada a premiação mais relevante do Cinema é que lhe damos toda essa importância. Mas, claro, “the trick is not minding”. Celebração da arte é o que menos se vê aí. A cerimônia começou bem e foi ficando morna, mas ainda assim foi melhor que os dois péssimos shows passados. Ano que vem estaremos de novo acompanhando, claro.

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