Cinema e Argumento

Ator certo, Oscar errado – parte 1

Este não é um post sobre tradicionais injustiças do Oscar envolvendo atores, afinal, todo mundo sabe que Gwyneth Paltrow não mereceu levar o prêmio por Shakespeare Apaixonado ou que Reese Witherspoon roubou o Oscar que deveria ser de Felicity Huffman. Motivado pela minha sessão de ontem do filme O Regresso, resolvi fazer essa pequena seleção de atores que ganharam o Oscar pelo papel errado. Sim, DiCaprio está prestes a ganhar o prêmio por razões preguiçosas, e minha lista explicará melhor isso ao longo dos próximos posts, mas ele não está sozinho: são vários os ótimos atores que, com uma infinita lista de bons papeis no currículo, foram coroados por momentos bastante desinteressantes. Às vezes, acontece para corrigir justamente as injustiças do passado, enquanto em outros casos é a pressa em celebrar um profissional reconhecidamente talentoso e em ascensão que precisa dos holofotes. Com isso, muitos atores queridos finalmente levam o prêmio, mas pelo papel errado. Eis, nessa primeira parte do post, alguns deles.

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Actress Julianne Moore poses with her Oscar for best actress for her role in "Still Alice" the 87th Academy Awards in Hollywood, California February 22, 2015. REUTERS/Lucy Nicholson (UNITED STATES TAGS:ENTERTAINMENT) (OSCARS-BACKSTAGE) - RTR4QPH7Julianne Moore (Para Sempre Alice, 2015): Poucas atrizes têm um currículo com personagens tão transgressoras e atuações minimalistas à altura, mas Julianne Moore foi ganhar logo por um dos papeis mais óbvios de toda a sua carreira. Ela é sempre ótima e faz o tema de casa em Para Sempre Alice, só que, nele, não existe desafio algum para atriz, que já interpretou uma atriz pornô em Boogie Nights e uma dona de casa dos anos 1950 que precisa lidar com a homossexualidade do marido em Longe do Paraíso, para citar somente dois trabalhos mais complexos. E o mais triste desse Oscar é que, neste mesmo ano, ela tinha um trabalho infinitamente melhor que trazia na bagagem o prêmio de melhor atriz em Cannes: o ácido Mapas Para as Estrelas, que sintetiza perfeitamente o que Julianne Moore é no cinema. Na TV, pelo menos, ganhou todos os prêmios da vida pelo papel certo: o da política republicana Sarah Palin em Virada no Jogo. Já na tela grande, merecia ter vencido por Boogie NightsAs HorasLonge do Paraíso (isso mesmo, na minha lista ela já teria três estatuetas!). Roubou o Oscar de: Marion Cotillard (Dois Dias, Uma Noite) e Rosamund Pike (Garota Exemplar).

Rreneeoscarenée Zellweger (Cold Mountain, 2004): Reza a lenda que Renée Zellweger rasgou seu vestido depois de ter perdido o Oscar de melhor atriz em 2003 por Chicago. Na realidade, ela deveria ter rasgado quando venceu o prêmio por Cold Mountain, já que a tragédia foi grande: a) o filme está longe de representar algo expressivo na carreira da atriz, b) Renée está mais do que caricata nele, c) o prêmio foi pura consolação, tanto para ela após inúmeras indicações quanto para o filme que não levou nenhuma outra estatueta, e d) a maldição do Oscar se concretizou e ela nunca mais conseguiu segurar sua carreira. Para uma intérprete que transitou com tanta excelência entre o drama e a comédia e entre o popular e o autoral, esse foi mais um prêmio entregue no automático por um papel perfeitamente esquecível mas que caiu no formato que o Oscar adora premiar erroneamente (e isso que nem entramos nos méritos de Cold Mountain ser uma obra tediosa). Roubou o Oscar de: qualquer uma das outras indicadas, mas tenho um carinho especial por Shoreh Aghdashloo (Casa de Areia e Névoa) e Patricia Clarkson (Do Jeito Que Ela É).

blanchettoscaraCate Blanchett (O Aviador, 2005): Cate Blanchett é rainha, e isso é indiscutível. Por isso que sua primeira grande consagração (levanto as mãos para os céus e agradeço que houve uma segunda por Blue Jasmine!) até hoje soa tão frustrante. Ela empresta, claro, a sua incomparável elegância à Katharine Hepburn em O Aviador, o que infelizmente não chega a representar o melhor do que a atriz realmente é capaz de fazer. Tenho infinitos problemas com o sonolento filme de Martin Scorsese, mas o trabalho de Blanchett aqui realmente fica longe de outras interpretações suas como a de Elizabeth Não Estou Lá. Sou defensor ferrenho até mesmo de sua subestimada performance como a frustrada e confusa professora de artes Sheba Hart de Notas Sobre Um Escândalo. Foi outra coroação errada que aconteceu pelos motivos errados: primeiro para consagrar a injustiça de ter perdido por Elizabeth e segundo por ser uma atriz em franca ascensão. Se estivessem esperado um pouquinho mais, poderiam ter ficado sem essa, pois o que não faltou posteriormente foi uma carreira digna de Blanchett para se consagrar. Roubou o Oscar de: Natalie Portman (Closer – Perto Demais) e Sophie Okonedo (Hotel Ruanda).

jlawoscarsJennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida, 2013): Hoje a nova queridinha da América já é um caso à parte porque sua superexposição e supervalorização em todo e qualquer prêmio já dificultam qualquer avaliação menos passional. Por outro lado, é uma verdade absoluta para mim que seu Oscar de melhor atriz por O Lado Bom da Vida foi equivocado e prematuro. Sempre defendo o reconhecimento para papeis cômicos, mas não existe nada de tão especial no que ela faz no filme de David O. Russell para uma grande honraria como essa. Certamente venceu porque era uma estrela que começava a nascer e porque precisava ter recompensado o Oscar que mereceria vencer por Inverno da Alma caso não tivesse a imbatível Natalie Portman no seu caminho com Cisne Negro. E é bom lembrar que um hit como Jogos Vorazes sempre ajuda (e seria até mais digno Lawrence ter sido premiada pela saga, algo muito mais simbólico em sua carreira). Pena que não esperaram mais um pouco, pois é certo que a jovem estrela ainda terá muitas oportunidades pela frente… E mais interessantes. Roubou o Oscar de: não era um ano excepcional, mas tinha Emmanuelle Riva por Amor e até mesmo a garotinha Quvenzhané Wallis por Indomável Sonhadora (sei que estou sozinho nessa). 

Os vencedores do Screen Actors Guild Awards 2016

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“Me disseram que eu não era magra o suficiente, que eu não era branca o suficiente, que eu não era baixa o suficiente, que eu não era homem o suficiente… Dane-se, eu sou o suficiente! Eu sou Queen Latifah e eu sou uma atriz!”

Um temporal dos fortes atingiu Porto Alegre na última sexta-feira (29) e, sem brincadeiras, deixou a cidade parecendo uma locação de O Impossível. No meu bairro, uma árvore caída em cada esquina, telhados destroçados, lugares interditados… O resultado? A luz foi embora, assim como a internet, a água e a TV a cabo, o que fez com que, pela primeira vez na vida, eu não acompanhasse a cerimônia de premiação do Screen Actors Guild Awards. Comento agora um pouco atrasado e começo falando justamente de Queen Latifah, que abriu a cerimônia com um desses depoimentos que viriam a resumir a noite (esse mesmo que ilustra a foto do post).

Foi lindo ver o Screen Actors Guild Awards abraçando a diversidade. Dizem que é um tapa na cara do Oscar, mas não vamos tão longe: com o assunto do racismo em polvorosa, era óbvio que o SAG seguiria esse caminho. Sendo mais específico, é importante perceber que a comparação com o Oscar não deixa de ser um tanto equivocada, já que, apesar da vitória de Idris Elba como ator coadjuvante por Beasts of No Nation (o primeiro ator na história a ganhar um prêmio do Sindicato sem uma indicação ao Oscar pelo mesmo papel), as consagrações de Uzo Aduba (melhor atriz em comédia por Orange is the New Black), Queen Latifah (melhor atriz em minissérie por Bessie), Viola Davis (melhor atriz em drama por How to Get Away With Murder) e Idris Elba em dobradinha (ator em minissérie por Luther) são todas relacionadas ao universo televisivo. Dessa forma, o SAG foi, na realidade, um tapa na cara do Globo de Ouro, que só conseguiu premiar Taraji P. Henson como melhor atriz dramática por Empire.

O que quero dizer é que o passo dado pelo SAG foi extremamente importante, mas é bom que não seja uma jogada óbvia para um momento extremamente delicado e para inconscientemente se desviar das tantas polêmicas que têm surgido em relação ao assunto. Isso precisa perdurar para que discussões sobre racismo na indústria não sejam assunto apenas para tempos de Oscar. Principalmente porque muitas dessas vitórias (pelo menos as que conferi) são pra lá de justas: Viola Davis é magnífica no mero guilty pleasure que é How to Get Away With Murder e Queen Latifah tem um dos grandes momentos de sua carreira em Bessie (dá para entender sua derrota no Emmy para Frances McDormand por Olive Kitteridge, ao contrário do papelão que foi vê-la sendo derrota por Lady Gaga no Globo de Ouro por American Horror Story: Hotel). Talento é o que não falta em qualquer ator de qualquer raça, sexualidade ou cor de pele. Citando Viola novamente, o que faz a diferença é a oportunidade.

Falemos agora sobre cinema e o que realmente significou a premiação em termos práticos. Antes de conhecer a lista de vencedores, comentava que o SAG só serviria para iluminar a categoria mais imprevisível até então: atriz coadjuvante. Ora, uma suposta vitória de A Grande Aposta em melhor elenco não resolveria muita coisa, principalmente se lembrarmos que Pequena Miss Sunshine, também uma comédia, foi a alternativa do SAG e do PGA em 2007, outro ano de competição extremamente confusa. E, como bem sabemos, isso não se refletiu no Oscar, que optou por finalmente consagrar Martin Scorsese com o seu Os Infiltrados

Pode até ser que, com a vitória de Spotlight – Segredos Revelados, a corrida pela estatueta de melhor filme continue aberta, mas o quarteto vencedor dos prêmios de atuação já está basicamente resolvido agora que Alicia Vikander, vindo também de uma recente vitória no Critics’ Choice Awards, ganhou como atriz coadjuvante por A Garota Dinamarquesa (a sua derrota no Globo de Ouro nada significa porque ela concorria certeiramente como protagonista e não tinha como rivalizar com Brie Larson por O Quarto de Jack). Moral da história: vamos para o Oscar confusos de verdade apenas nas categorias de filme e direção. Confira abaixo a lista completa de vencedores do Screen Actors Guild Awards 2016:

CINEMA

MELHOR ELENCOSpotlight – Segredos Revelados
MELHOR ATRIZ: Brie Larson (O Quarto de Jack)
MELHOR ATOR: Leonardo DiCaprio (O Regresso)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Idris Elba (Beasts of No Nation)

TV

MELHOR ELENCO DE SÉRIE DRAMÁTICA: Downton Abbey
MELHOR ELENCO DE SÉRIE DE COMÉDIAOrange is the New Black
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DRAMÁTICA: Viola Davis (How to Get Away With Murder)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DRAMÁTICA: Kevin Spacey (House of Cards)
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA: Uzo Aduba (Orange is the New Black)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA: Jeffrey Tambor (Transparent)
MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Queen Latifah (Bessie)
MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Idris Elba (Luther)

 

Os indicados ao Oscar 2016

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O Regresso lidera a lista do Oscar 2016 com 12 indicações.

Ao contrário do ano passado, a lista do Oscar 2016 não reservou grandes surpresas ou indicações mais autênticas. A lista, correta e bastante de acordo com o que tem sido celebrado de melhor da atual safra, apenas preferiu deixar de fora apostas dadas como certas em detrimento de outras que já estavam no nosso radar. Em maior escala, destacam-se as ausências de Helen Mirren como atriz coadjuvante por Trumbo – Lista Negra (prejudicada pelo absurdo que é a dupla fraude de Alicia Vikander e Rooney Mara), Quentin Tarantino em melhor roteiro original com seu Os Oito Odiados (poucos podiam prever as inclusões de Ex-MachinaStraight Outta Compton), Aaron Sorkin e seu Steve Jobs em roteiro adaptado e Ridley Scott como melhor diretor por Perdido em Marte (uma exclusão que particularmente não me incomoda). Nenhuma, no entanto, se equipara ao erro que é Carol ter ficado de fora da disputa de melhor filme e direção, provando que a Academia realmente tem sérios problemas com filmes mais delicados e de temática gay nas categorias principais.

Há quem tenha se surpreendido com a inclusão de Lenny Abrahamson como melhor diretor por O Quarto de Jack, mas, conforme comentamos em nossas previsões, não é preciso puxar muito a memória para lembrar de Behn Zeitlin quebrando o bolão de todo mundo ao ser finalista por Indomável Sonhadora. Sempre é uma boa apostar na lembrança do cinema independente (e faz todo sentido, já que o filme estrelado por Brie Larson concorre em categorias importantes como melhor filme e atriz). Também não é espantosa a lembrança de Charlotte Rampling por seu magnífico desempenho em 45 Anos. Já não é de hoje que o Oscar escolhe uma interpretação esnobada por todos os outros prêmios para sua lista. O que surpreende mesmo (e positivamente) é a tendência da Academia de finalmente dar o devido valor para atuações menores e mais contidas, mas nem por isso menos brilhantes (caso de Marion Cotillard ano passado com Dois Dias, Uma Noite). Se alguém roubou vaga na lista de melhor atriz, certamente foi Jennifer Lawrence, lembrada apenas pelo Globo de Ouro, comprovando seu poder mesmo com Joy sendo completamente esnobado.

Confira abaixo a lista completa de indicados, liderada por O Regresso com 12 indicações. A cerimônia do Oscar acontece no dia 28 de fevereiro.

MELHOR FILME
Brooklyn

A Grande Aposta
Mad Max: Estrada da Fúria

Ponte dos Espiões
Perdido em Marte
O Quarto de Jack

O Regresso
Spotlight – Segredos Revelados

MELHOR DIREÇÃO
Adam McKay (A Grande Aposta)
Alejandro González Iñarritu (O Regresso)
George Miller (Mad Max: Estrada da Fúria)
Lenny Abrahamson (O Quarto de Jack)
Tom McCarthy (Spotlight – Segredos Revelados)

MELHOR ATRIZ
Brie Larson (O Quarto de Jack)
Cate Blanchett (Carol)
Charlotte Rampling (45 Anos)
Jennifer Lawrence (Joy – O Nome do Sucesso)
Saoirse Ronan (Brooklyn)

MELHOR ATOR
Bryan Cranston (Trumbo – Lista Negra)
Eddie Redmayne (A Garota Dinamarquesa)
Leonardo DiCaprio (O Regresso)
Matt Damon (Perdido em Marte)
Michael Fassbender (Steve Jobs)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa)
Jennifer Jason Leigh (Os Oito Odiados)
Kate Winslet (Steve Jobs)
Rachel McAdams (Spotlight – Segredos Revelados)
Rooney Mara (Carol)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Christian Bale (A Grande Aposta)
Mark Ruffalo (Spotlight – Segredos Revelados)
Mark Rylance (Ponte dos Espiões)
Sylvester Stallone (Creed: Nascido Para Lutar)
Tom Hardy (O Regresso)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Divertida Mente
Ex-Machina: Instinto Artificial
Ponte dos Espiões
Spotlight – Segredos Revelados
Straight Outta Compton – A História do N.W.A.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Brooklyn
Carol
A Grande Aposta
Perdido em Marte
O Quarto de Jack

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Embrace of the Serpent (Colômbia)
Cinco Graças (França)
O Filho de Saul (Hungria)
Theeb (Jordânia)
A War (Dinamarca)

MELHOR ANIMAÇÃO
Anomalisa
Divertida Mente

O Menino e o Mundo
Quando Estou com Marnie

Shaun – O Carneiro

MELHOR DOCUMENTÁRIO
Amy
Cartel Land
The Look of Silence
What Happened, Miss Simone?
Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom

MELHOR TRILHA SONORA
Carol
Os Oito odiados
Ponte dos Espiões
Sicario: Terra de Ninguém
Star Wars: O Despertar da Força

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Earned It” (Cinquenta Tons de Cinza)
“Manta Ray” (Racing Extinction)
“Simple Song #3” (Juventude)
“Writing’s On the Wall” (007 Contra Spectre)
“Til it Happens to You” (The Hunting Ground)

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
A Garota Dinamarquesa
Mad Max: Estrada da Fúria
Perdido em Marte
Ponte dos Espiões
O Regresso

MELHOR FOTOGRAFIA
Carol
Os Oito Odiados
Mad Max: Estrada da Fúria
O Regresso
Sicario: Terra de Ninguém

MELHOR FIGURINO
Carol
Cinderela
A Garota Dinamarquesa
Mad Max: Estrada da Fúria
O Regresso

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Ex-Machina: Instinto Artificial
Mad Max: Estrada da Fúria
Perdido em Marte
O Regresso
Star Wars: O Despertar da Força

MELHOR MONTAGEM
A Grande Aposta
Mad Max: Estrada da Fúria
O Regresso
Spotlight – Segredos Revelados
Star Wars: O Despertar da Força

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
Mad Max: Estrada da Fúria
Perdido em Marte
O Regresso
Sicario: Terra de Ninguém
Star Wars: O Despertar da Força

MELHOR MIXAGEM DE SOM
Mad Max: Estrada da Fúria
Perdido em Marte
Ponte dos Espiões
O Regresso
Star Wars: O Despertar da Força

MELHOR CABELO E MAQUIAGEM
Mad Max: Estrada da Fúria
O Regresso
The 100-Year-Old Man Who Climbed Out the Window and Disappeared

MELHOR DOCUMENTÁRIO DE CURTA-METRAGEM
Body Team 12
Chau, Beyond the Lines
Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah
A Girl in the River: The Price of forgiveness
Last Day of Freedom

MELHOR CURTA-METRAGEM
Ave Maria
Day One
Everything Will Be Okay (Alles Wird Gut)
Shok
Stutterer

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
Bear Story
Prologue
Sanjay’s Super Team
We Can’t Live Without Cosmos
World of Tomorrow

Quem serão os indicados ao Oscar 2016?

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Hora de conhecer os indicados ao Oscar! Em uma temporada extremamente confusa e cheia de dúvidas até aqui (além de um Globo de Ouro que não iluminou absolutamente nada), o suspense reina mais do que nunca. Muitas perguntas serão respondidas amanhã. A fraude de Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa) e Rooney Mara (Carol) vai colar entre os votantes como aconteceu com Hailee Steinfeld em Bravura Indômita? Ou eles irão contra a corrente como quando indicaram Kate Winslet como protagonista por O Leitor? Filmes de grande orçamento como Mad Max: Estrada da FúriaStar Wars: O Despertar da ForçaPerdido em Marte serão levados a sério? Essas são apenas algumas das muitas dúvidas que temos para este ano. O anúncio dos indicados, incluindo categorias técnicas, será feito nesta quinta-feira (14) a partir das 11h20 (horário de brasília). Ang Lee, Guillermo Del Toro, John Krasinski e a presidente da Academia Boone Isacs apresentam a lista. Confira abaixo as nossas apostas nas categorias principais com comentários: 

MELHOR FILME
Carol
Divertida Mente
A Grande Aposta
Mad Max: Estrada da Fúria
Perdido em Marte
Ponte dos Espiões
O Quarto de Jack
O Regresso
Spotlight – Segredos Revelados

Fique de olho emStraight Outta Compton. Revisando a lista, ela parece um pouco fechada demais, sem surpresas, apenas com a inclusão não tão difícil de prever de Ponte dos Espiões (o BAFTA já comprou esse Spielberg sério, político e histórico que tem a cara da Academia). Em 2015, houve toda aquela choradeira cheia de culpa da plateia branca quando dezenas de negros subiram ao palco para cantar “Glory”, de Selma: Uma Luta Pela Igualdade, escancarando a indústria racista que estava refletida no prêmio. Mas isso será corrigido na prática este ano? Quem sabe os votantes não se embalam com o Screen Actors Guild Awards e também não indicam Straight Outta Compton em sua categoria principal para aliviar a consciência? É uma grande possibilidade, mesmo que seja a única indicação do filme em toda a lista.

MELHOR DIREÇÃO
Adam McKay (A Grande Aposta)
Alejandro González Iñárritu (O Regresso)
George Miller (Mad Max: Estrada da Fúria)
Lenny Abrahamson (O Quarto de Jack)
Steven Spielberg (Ponte dos Espiões)

Fique de olho em: Ridley Scott (Perdido em Marte). Deve ser porque não vejo nada demais em Perdido em Marte, mas simplesmente não consigo imginar Ridley Scott concorrendo e sendo considerado favorito por um filme que é apenas um entretenimento correto. Todd Haynes é muito mais merecedor de uma lembrança aqui por seu ótimo trabalho em Carol, mas suas chances já parecem mortas na disputa. Tiro tanto Scott quanto Haynes da disputa para colocar Steven Spielberg (apostando na total força de Ponte dos Espiões) e Lenny Abrahamson, apostando naquela surpresinha que a Academia adora fazer com filmes independentes ao estilo Behn Zeitlin indicado a melhor direção por Indomável Sonhadora.

MELHOR ATRIZ
Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa)
Charlotte Rampling (45 Anos)
Brie Larson (O Quarto de Jack)
Cate Blanchett (Carol)
Saoirse Ronan (Brooklyn)

Fique de olho em: Rooney Mara (Carol). Se Marion Cotillard fez todo mundo perder pontos no bolão do ano passado com sua indicação por Dois Dias, Uma Noite, quero, lá no fundo, acreditar que o absurdo de não ver Charlotte Rampling indicada a prêmio algum por 45 Anos também deve ser surpreendentemente corrigido pelo Oscar. É complicado apostar na categoria porque ninguém sabe muito bem como os votantes vão reagir ao movimento de fraude de Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa) e Rooney Mara (Carol) para a lista de coadjuvantes. Pela lógica, Vikander deve ser a única lembrada como protagonista por justamente ter um outro papel coadjuvante possível de ser lembrado (Ex-Machina: Instinto Artificial).

MELHOR ATOR
Bryan Cranston (Trumbo – Lista Negra)
Eddie Redmayne (A Garota Dinamarquesa)
Leonardo DiCaprio (O Regresso)
Matt Damon (Perdido em Marte)
Michael Fassbender (Steve Jobs)

Fique de olho em: Johnny Depp (Aliança do Crime). A categoria mais previsível de atuação está praticamente consolidada. Somente duas opções em escala bem menores podem surpreender, começando por Johnny Depp, que coloco como primeira opção porque todo mundo fala nisso. Tenho relutância em considerá-lo porque Johnny Depp está desacreditado há anos e Aliança do Crime parece apenas um momento de sorte momentâneo na carreira do ator. Que fique registrado também: nunca devemos subestimar o prestígio de Tom Hanks, ignorado anos atrás por Capitão Phillips, em Ponte dos Espiões, um filme que tem tudo para surpreender em qualquer categoria.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Helen Mirren (Trumbo – Lista Negra)
Jennifer Jason Leigh (Os Oito Odiados)
Kate Winslet (Steve Jobs)
Rachel McAdams (Spotlight – Segredos Revelados)
Rooney Mara (Carol)

Fique de olho em: Jane Fonda (Juventude). Não pense duas vezes: Helen Mirren, Jennifer Jason Leigh e Kate Winslet são apostas indiscutíveis para essa categoria. Se você acha que Alicia Vikander e Rooney Mara serão lembradas aqui, a lista, então, está fechada sem maiores discussões. O problema mesmo é se as duas ou pelo menos uma delas conseguir chegar à protagonista. A alternativa mais óbvia caso isso aconteça é Rachel McAdams (Spotlight – Segredos Revelados), beneficiada por um filme que está no radar de todos. Já a outra opção é Jane Fonda, uma escolha de cinema mais alternativo e autoral, além de ser uma forma de celebrar uma veterana já premiada duas vezes pelo Oscar (e que está naquele típico papel de cinco minutos que rouba a cena).

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Christian Bale (A Grande Aposta)
Jacob Trambley (O Quarto de Jack)
Mark Ruffalo (Spotlight – Segredos Revelados)
Mark Rylance (Ponte dos Espiões)
Paul Dano (Love & Mercy)

Fique de olho em: Idris Elba (Beasts of No Nation). Não sei se o ano está realmente fraco, mas foi muito difícil chegar a uma aposta final nessa categoria. O único nome que parece ser certo é o de Mark Rylance, unanimidade indicada a todos os prêmios. Aquele feeling inexplicável me diz que Sylvester Stallone (Creed: Nascido Para Lutar) não chega lá, até porque o único prêmio a honrá-lo com uma lembrança foi o Globo de Ouro. Tenho minhas dúvidas também se o sempre subestimado Paul Dano (Love & Mercy) emplaca com um filme tão pequeno e pouco visto. Por isso, aqui tomamos nossas maiores liberdades: Mark Ruffalo por Spotlight (é ator confiável, ativo, sempre presente em bons projetos e já indicado duas vezes ao Oscar), Jacob Trambley por O Quarto de Jack (impulsionado pelo filme e pelo amor da Academia às crianças) e Christian Bale por A Grande Aposta (seguindo basicamente a mesma lógica de Ruffalo). Se o Oscar deixar de ser careta e considerar a relevância do Netflix, Idris Elba emplaca por Beasts of No Nation. Um desejo: Benicio Del Toro por Sicario.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Divertida Mente
Os Oito Odiados
Ponte dos Espiões
O Regresso
Spotlight – Segredos Revelados

Fique de olho em: Sicario – Terra de Ninguém. Muito mais fácil apostar em roteiro adaptado, principalmente porque a lista do Writers Guild of America é toda confusa por não aceitar muitos roteiros em função da não-sindicalização de seus autores. Da lista do Sindicato, repito Ponte dos EspiõesSpotlight, acrescentando Divertida Mente (hora da Pixar merecidamente voltar à categoria), Ponte dos Espiões (de novo acreditando na glória do filme de Spielberg) e O Regresso (será mesmo que vão deixar o vencedor Iñárritu do ano passado de fora?). Como alternativa principal, vou de Sicario, seguindo a lista do WGA.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Carol
A Grande Aposta
O Quarto de Jack
Steve Jobs
Trumbo – Lista Negra

Fique de olho emPerdido em Marte. Três dos indicados a melhor filme têm tudo para se repetir aqui (CarolA Grande ApostaO Quarto de Jack). As outras duas vagas devem ficar com um queridinho dos prêmios (Aaron Sorkin, que chega com Steve Jobs e um recente Globo de Ouro na bagagem) e Trumbo – Lista Negra, em uma dessas apostas meio aleatórias. De novo, prefiro não acreditar em tanta exaltação para Perdido em Marte e o coloco apenas como uma possível surpresa.

Os vencedores do Globo de Ouro 2016

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Teria Kate Winslet virado o jogo na disputa entre as atrizes coadjuvantes?

Uma distribuição de estatuetas desordenada e sem conceitos marcou a cerimônia do Globo de Ouro 2016 neste domingo (10). Como sabemos, esperavam-se muitas surpresas, mas não da forma como foram entregues. Logo no início da cerimônia, Kate Winslet já surpreendeu faturando a estatueta de melhor atriz coadjuvante por Steve Jobs, mas, ao contrário do que pode parecer, sua lembrança não é tão chocante assim: lembrem-se que, assim como Ang Lee vencendo Oscar por As Aventuras de Pi em um ano extremamente confuso na categoria, Winslet levou a melhor por ser a única unanimidade da categoria com indicações a todos os prêmios da temporada. Steve Jobs, que foi mal de bilheteria nos Estados Unidos e realmente não alçou voo nas categorias principais, de repente levou outro prêmio que ninguém tinha no horizonte: o de melhor roteiro para o quase sempre celebrado Aaron Sorkin. Sylvester Stallone, esnobado pela lista do Screen Actors Guild Awards e do BAFTA, foi ovacionado por sua vitória como coadjuvante por Creed: Nascido Para Lutar. Mas será mesmo que ele chega ao Oscar, visto que os votantes da Academia já haviam entregue suas cédulas?

Tarantino saiu a falar bobagem quando foi receber o prêmio de melhor trilha sonora para Os Oito Odiados no lugar do ausente Ennio Morricone (ele disse que o compositor nunca foi celebrado na América, o que é uma grande gafe, já que esse é o terceiro Globo de Ouro de Morricone), fazendo um pequeno show onde claramente queria roubar as atenções para si próprio. Morricone é lenda, e sua trilha para Os Oito Odiados é boa (mesmo que não tão presente ao longo das três horas de filme), mas, particularmente, ficaria com o delicado e marcante trabalho de Carter Burwell para Carol. Ainda em música, um dos piores prêmios envolvendo cinema deve ter sido o de canção original para a tediosa “Writing’s On the Wall”, de Sam Smith para 007 Contra Spectre. Novamente o Globo de Ouro prova que não entende nada do que significa ter uma canção como ferramenta de um filme.

Nas atuações principais, nenhuma grande surpresa, nem mesmo a vitória de Matt Damon com a “comédia” Perdido em Marte que também faturou o prêmio principal de sua respectiva categoria. O que embola mesmo o meio de campo é a consagração de O Regresso, que levou os prêmios de melhor filme drama, direção e ator drama para Leonardo DiCaprio. Vale lembrar que Iñárritu perdeu o Globo de Ouro de diretor ano passado para Richard Linklater, e seu Birdman precisou testemunhar a surpreendente consagração de O Grande Hotel Budapeste na categoria de melhor filme comédia/musical. Ou seja, fica a dúvida: os votantes gostaram mesmo de O Regresso e essa é uma tendência a ser seguida ou tudo não passa de uma mera reparação? Dito isso, é quase nula a influência do Globo de Ouro nessa corrida principal ao Oscar, já que é praticamente impossível que os votantes da Academia se rendam a Iñárritu em um segundo ano consecutivo. A situação permanece em aberto.

Entre os seriados, o caos foi total. É marca do Globo de Ouro premiar qualquer série novata mesmo quando veteranas continuam a brilhar com o passar dos anos (Transparent!), mas os votantes chegaram a ser quase infantis ao preferir descontroladamente debutantes e estrelas. Nas comédias ninguém foi páreo para Mozart in the Jungle, da Amazon (e é bom que Gael García Bernal esteja realmente um estouro para ter tirado o prêmio do impecável Jeffrey Tambor), enquanto Julia Louis-Dreyfus, que até hoje não tem um Globo de Ouro por sua ótima composição em Veep, perdeu novamente o prêmio para a novata Rachel Bloom por Crazy Ex-Girlfriend. Já minha implicância com Lady Gaga ganhando por American Horror Story: Hotel não é em função de ela ser Lady Gaga, mas porque ninguém mais se entusiasma com o programa e, posso estar errado, mas é bastante improvável que ela esteja superior ao que pelo menos Queen Latifah faz em Bessie, citando uma de suas concorrentes.

É tanta gente nova ganhando (alguns com merecimento, vamos ser justos, como Taraji P. Henson por Empire), que fica, portanto, meio estranho ver Jon Hamm triunfando com Mad Men. Afinal, ele já tinha um Globo de Ouro em casa, e a série há tempos estava murcha na premiação. Pode ser que mereça (não acompanhei o programa), mas, em termos de conceito, não faz qualquer sentido com o que a premiação tentou desastrosamente nos vender. Não adiantou Ricky Gervais ser ousado com suas piadas (Hollywood não sabe rir de si mesma) nem a homenagem a Denzel Washington (dono de um discurso estranhamente sem inspiração), uma vez que, além de nada significar para a award season, o Globo de Ouro de ontem só serviu para dar novamente ao prêmio aquela fama tão desagradável que sempre lhe assombrou mas havia sido diminuída nos últimos anos: a de facilmente deslumbrada, sem linha de pensamento e até mesmo subornável. Confira a lista completa de vencedores:

CINEMA

MELHOR FILME DRAMA: O Regresso
MELHOR FILME COMÉDIA/MUSICAL: Perdido em Marte
MELHOR DIREÇÃO: Alejandro González Iñárritu (O Regresso)
MELHOR ATRIZ DRAMA: Brie Larson (O Quarto de Jack)
MELHOR ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL: Jennifer Lawrence (Joy: O Nome do Sucesso)
MELHOR ATOR DRAMA: Leonardo DiCaprio (O Regresso)
MELHOR ATOR COMÉDIA/MUSICAL: Matt Damon (Perdido em Marte)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Kate Winslet (Steve Jobs)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Sylvester Stallone (Creed: Nascido Para Lutar)
MELHOR ROTEIRO: Steve Jobs
MELHOR FILME ESTRANGEIRO: O Filho de Saul (Hungria)
MELHOR ANIMAÇÃO: Divertida Mente
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “Writing’s on the Wall” (007 Contra Spectre)
MELHOR TRILHA SONORA: Os Oito Odiados

SÉRIES

MELHOR SÉRIE DRAMA: Mr. Robot
MELHOR SÉRIE COMÉDIA/MUSICAL: Mozart in the Jungle
MELHOR MINISSÉRIE/TELEFILME: Wolf Hall
MELHOR ATRIZ DRAMA: Taraji P. Henson (Empire)
MELHOR ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL: Rachel Bloom (Crazy Ex-Girlfriend)
MELHOR ATRIZ EM MISSÉRIE/TELEFILME: Lady Gaga (American Horror Story: Hotel)
MELHOR ATOR DRAMA: Jon Hamm (Mad Men)
MELHOR ATOR COMÉDIA/MUSICAL: Gael García Bernal (Mozart in the Jungle)
MELHOR ATOR EM MISSÉRIE/TELEFILME: Oscar Isaac (Show Me a Hero)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME: Maura Tierney (The Affair)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME: Christian Slater (Mr. Robot)