Cinema e Argumento

Melhores de 2009 – Ator Coadjuvante

É preciso fazer algo extraordinário para se destacar em um filme de Quentin Tarantino. Ora, o diretor sempre arrasa em suas direções e, na maioria das vezes, atrai todas atenções para si. Não foi assim com Bastardos Inglórios. Tarantino foi elogiado sim, mas quem também recebeu honrarias foi o estupendo Christoph Waltz. Assistindo Waltz em cena, dá pra ficar se perguntando: onde ele esteve durante todo esse tempo? Com uma eterna ironia no rosto (que se mistura com toda a tensão imposta pelo dúbio personagem), ele foi o grande coadjuvante desse ano, sobressaindo-se a cada cena de Bastardos Inglórios. Méritos de um personagem bem construído? Com certeza. Mas bem mais de Waltz, um extraordinário profissional. Anteriormente: 2006 – Jack Nicholson (Os Infiltrados), 2007 – Casey Affleck (O Asssassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford) e 2008 – Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez, escolha do público: Heath Ledger, por Batman – O Cavaleiro das Trevas).

PHILIP SEYMOUR HOFFMAN (Dúvida)

Acho muito provável que se, caso Heath Ledger não estivesse concorrendo no Oscar, Philip Seymour Hoffman levaria seu segundo Oscar. Sua composição é perfeita e de uma sutilidade absurda. Hoffman mais uma vez demonstra ser um monstro da atuação, não se intimidando nem perante a diva Meryl Streep. Além de ter um papel fundamental na trama, ele nos apresentou váriso momentos maravilhosos.

EDDIE MARSAN (Simplesmente Feliz)

O personagem de Eddie Marsan representa o completo oposto da personagem de Sally Hawkins. E o ator entendeu isso com uma bárbara precisão. O mal humor do instrutor de auto-escola chega a ser divertido. Marsan estava ótimo e roubava a cena toda a vez que aparecia.

EMILE HIRSCH (Milk – A Voz da Igualdade)

Não sei o que anda acontecendo com as premiações, que têm ignorado novos astros. Emile Hirsch sofre o mesmo problema de Paul Dano, por exemplo. Hirsch é um jovem talentoso, já teve um trabalho respeitável na carreira (Na Natureza Selvagem) e conseguiu ter a melhor caracterização de Milk – A Voz da Igualdade (só perdendo para Sean Penn, claro). Enquando Josh Brolin, inexplicavelmente, recebia honrarias, Hirsch mais uma vez foi esquecido. Uma pena.

STANLEY TUCCI (Julie & Julia)

Gosto muito de Stanley Tucci. Ele não é um grande ator, mas está sempre no tom certo e com um carisma inegável em suas representações. Em Julie & Julia não é diferente: Stucci se mostra completamente à vontade ao lado de Meryl Streep, convencendo completamente como o marido apaixonado que, além de amar a sua mulher, acreditava que ela era talentosa o suficiente para fazer qualquer coisa.

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Escolha do público:

1. Christoph Waltz, Bastardos Inglórios (76%, 31 votos)

2. Philip Seymour Hoffman, Dúvida (12%, 5 votos)

3. Emile Hirsch, Milk – A Voz da Igualdade (5%, 2 votos)

4. Stanley Tucci, Julie & Julia (5%, 2 votos)

5. Eddie Marsan, Simplesmente Feliz (2%, 1 voto)

Melhores de 2009 – Fotografia

Às vezes fico me perguntando se o ótimo resultado de Quem Quer Ser Um Milionário? não se deve mais aos seus setores técnicos. Será mesmo que o filme é essa maravilha ou é “apenas” resultado de uma direção maravilhosa, de uma trilha contagiante ou de uma montagem dinâmica? Será que a história é mesmo tudo isso que dizem ser ou é a estrutura que faz a diferença? De qualquer maneira, um setor técnico que chama bastante a atenção no filme de Danny Boyle é a fotografia. Utilizando tons coloridos para que o espectador visualize toda a diversidade cultural da Índia, a fototografia tem momentos brilhantes, especialmente nas cenas que retratam a infância do protagonista. Unindo-se com puro dinamismo ao grande trabalho de Boyle na direção, o setor fotográfico é um dos grandes coringas do setor técnico de Quem Quer Ser Um Milionário?. Anteriormente: 2008Ensaio Sobre a Cegueira (escolha dos leitores: idem), 2007 – O Despertar de Uma Paixão e 2006 – Memórias de Uma Gueixa.

O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON

Um dos aspectos mais admiráveis de O Curioso Caso de Benjamin Button é a sua fotografia. O filme é dono de grandes momentos nesse setor, tendo alguns momentos realmente memoráveis (a dança de Daisy para Button ou quando Cate Blanchett narra a história de Mr. Gateau, poe exemplo). É através de cores escuras e sutis que a fotografia cumpre a missão de passar toda a melancolia que a história exige.

O LEITOR

O mestre Roger Deakins (que também fez a fotografia de Dúvida) mais uma vez apresenta um grande trabalho. A excepcional ambientação de O Leitor é fruto de uma bela fotografia, que sabe usar os tons certos para montar a atmosfera do romance entre Hanna Schmitz e Michael Berg. Mas, o que mais se destaca é a forma como Deakins entendeu, por escolhas técnicas admiráveis, o que Bernhard Schlink quis transmitir com sua obra.

AVATAR

O mundo fantasioso criado por James Cameron encontrou uma abordagem bem interessante no setor da fotografia. Claro que grande parte dos méritos são dos efeitos especiais, mas eles não seriam nada se a fotografia não trouxesse o correto padrão artístico para Avatar. É uma parte técnica que não foi muito considerada na recepção do longa, mas que merece ser reconhecida.

HARRY POTTER E O ENIGMA DO PRÍNCIPE

Talez essa seja a fotografia que melhor sintetize o clima que o longa quer passar dentre os indicados desse ano. A escolha de trazer Bruno Debonell para a fotografia de Harry Potter e o Enigma do Príncipe foi um imenso acerto. Toda a atmosfera tétrica que envolve os personagens está retratada nas felizes escolhas de Debonell. Há quem reclame da escuridão e de algumas iluminações. Mas, para mim, é um trabalho digno de aplausos.

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Escolha do público:

1. Quem Quer Ser Um Milionário? (38%, 15 votos)

2. O Curioso Caso de Benjamin Button (33%, 13 votos)

3. Avatar (15%, 6 votos)

4. Harry Potter e o Enigma do Príncipe (10%, 4 votos)

5. O Leitor (5%, 2 votos)

Melhores de 2009 – Canção Original

Austrália não é um filme muito digno de elogios. Contudo, se existe algo de muito belo no épico de Baz Luhrmann é a canção originalmente feita para o longa. Não sei se é porque eu tenho um fraco por músicas melancólicas e românticas, mas By the Boab Tree me conquistou completamente. A canção, que aparece de forma bem ligeira nos créditos finais, ganha uma sonoridade muito especial pela voz de Angela Little e traz tudo aquilo que o romance entre o casal principal deveria trazer: sinceridade, sentimento e verossimilhança. Quase ninguém sequer ouviu falar de By the Boab Tree. O que é uma pena, já que, para mim, é a melhor música cinematográfica do ano de 2009. Anteriormente: 2008 – “Falling Slowly”, Apenas Uma Vez (escolha dos leitores: idem), 2007 – “Come So Far (Got so Far to Go), Hairspray – Em Busca da Fama e 2006 – “You Know My Name”, 007 – Cassino Royale

“I THOUGHT I LOST YOU” (Bolt – Supercão)

I Thought I Lost You ganha uma sonoridade excessivamente infantil na voz de Miley Cyrus. O que nos leva a pensar que a música, de certa forma, pode ser desprezível. A verdade é que a canção é um excelente guilty pleasure que esconde uma coisa que poucos notam: a profunda letra. É analisando trechos como “I felt so empty out there and there were days I had my doubts / I thought I lost you when you ran away to try to find me” que dá pra se notar onde reside a excelência dessa música

“THE WRESTLER” (O Lutador)

É de se admirar que uma música tão bonita como essa (e cantada pelo mestre Bruce Springsteen) não tenha sido valorizada da maneira como deveria. É aquele tipo de canção que me atrai bastante: a que sintetiza o protagonista de um determinado filme. The Wrestler narra, com grande precisão, a jornada do personagem de Mickey Rourke, sendo, portanto, um retrato fiel da história narrada pelo diretor Darren Aronofsky. Letra e melodia se unem em uma excelente canção.

“JAI HO” (Quem Quer Ser Um Milionário?)

Jai Ho já virou baladinha na voz das Pussycat Dolls e, inclusive, virou hit instanâneo, o que tira um pouco da essência da canção. É fato que ninguém se importa com o que está sendo dito na letra (eu, até hoje, não sei o que ela quer dizer), mas ela é tão empolgante que dá pra se esquecer desse detalhe. Mais do que isso, ainda é coreografada por todo elenco em um excelente número musical que toca nos momentos finais do filme – deixando o finale ainda mais interessante.

“O… SAYA” (Quem Quer Ser Um Milionário?)

Toda a correria e a agilidade da câmera de Danny Boyle ganham um fluxo ainda mais dinâmico quando começa a tocar O… Saya nos momentos iniciais de Quem Quer Ser Um Milionário?. É outra canção muito empolgante de A.R. Rahman – que não mereceu o Oscar (já que eu tenho relutância em premiar essas trilhas que não são instrumentais) – mas que deve ser valorizado pela excelente compilação de sonoridades indianas e que aqui ganharam tratamentos extremamente empolgantes

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Escolha do público:

1. Jai Ho, Quem Quer Ser Um Milionário? (17 votos, 43%)

2. The Wrestler, O Lutador (12 votos, 30%)

3. By the Boab Tree, Austrália (5 votos, 13%)

4. I Thought I Lost You, Bolt – Supercão (4  votos, 10%)

5. O… Saya, Quem Quer Ser Um Milionário? (2 votos, 5%)

Melhores de 2009 – Atriz Coadjuvante

Alguns consideram Kate Winslet como lead actress em O Leitor. Já eu a considero uma personagem secundária – mesmo que a trama se desenvolva por causa das suas atitudes. Comparada ao protagonista, ela tem um espaço bem mais limitado em cena e, em determinados momentos, fica muito em segundo plano. Independentemente disso, Winslet tem um desepenho visceral como a misteriosa e complicada Hanna Schmitz. Ela se entregou de corpo e alma para a personagem, despindo-se de qualquer beleza para mostrar ao espectador como Hanna era uma mulher verdadeira. Winslet poderia facilmente cair no lugar comum ao vitimar a personagem ou até mesmo deixar de humanizá-la. Mas, faz justamente o oposto: ela provoca o espectador. Ao mesmo tempo em que sentimos pena da personagem, também não deixamos de puni-la pelo que ela fez. Uma personagem extremamente complicada, mas que nas mãos de uma atriz do calibre de Winslet recebeu uma abordagem sensacional. É a segunda indicação da inglesa aqui no blog (concorreu antes como protagonista por Pecados Íntimos) e a primeira vitória. Em anos anteriores: 2006 – Meryl Streep, por O Diabo Veste Prada, 2007 – Imelda Staunton, por Harry Potter e a Ordem da Fênix e 2008 – Marcia Gay Harden, por O Nevoeiro (escolha dos leitores: Penélope Cruz, por Vicky Cristina Barcelona)

VIOLA DAVIS (Dúvida)

É necessária uma presença muito forte para roubar a cena em poucos minutos de aparição. Mais do que isso, Viola Davis ainda conseguiu brilhar mais do que a veterana Meryl Streep quando ambas contracenaram juntas. Desconhecida e emergindo para o cinema com um papel contundente, Davis emociona ao mostrar toda a força amorosa que uma mãe tem pelo filho. Ajudada por um texto excepcional, ela conseguiu uma indicação ao Oscar de coadjuvante – e deveria ter saído da festa com a estatueta em mãos.

ROSEMARIE DEWITT (O Casamento de Rachel)

Subestimada pelas premiações – e também pelo público – Rosemarie DeWitt é uma das figuras mais interessantes do mosaico familiar apresentado por O Casamento de Rachel. Ela, que pode muito bem estar no nível (e até melhor) que a protagonista Anne Hathaway, tem uma atuação digna de elogios, onde fica visível o entendimento que tem sobre a sua personagem e sobre o contexto em que ela esta inserida na história. DeWitt é, realmente, uma ótima atriz e que aqui está em um momento iluminado.

ELSA ZYLBERSTEIN (Há Tanto Tempo Que Te Amo)

A principal marca da atuação de Elsa Zylberstein é o completo oposto que ela exerce sob a sua companheia de tela, Kristin Scott Thomas. Enquanto Kristin é a reclusa e a sileciosa, Elsa encarna a sentimental e a comunicativa irmã. O que é algo muito interessante, pois traz um certo alívio em relação ao papel gélido da protagonista. Zylberstein aparece muito a vontade em cena, conseguindo provar uma notável maturidade que a transforma num dos melhores pontos de Há Tanto Tempo Que Te Amo.

AMY ADAMS (Dúvida)

Não sei se a palavra coadjuvante é apropriada para definir a participação de Amy Adams em Dúvida, mas ela se encaixa mais nessa categoria do que na de protagonista. Adams mais uma vez faz o papel da menina meiga e ingênua, mas aqui o personagem é mais complexo e bem trabalhado do que o habitual. Como a freira indecisa que fica no meio do confronto entre Aloysius (Meryl Streep) e Flynn (Philip Seymour Hoffman), ela demonstrou que continua sendo uma das atrizes mais interessantes da sua geração.

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Escolha do público:

1. Kate Winslet, O Leitor (47%, 17 votos)

2. Viola Davis, Dúvida (22%, 8 votos)

3. Amy Adams, Dúvida (14%, 5 votos)

4. Rosemarie DeWitt, O Casamento de Rachel (8%, 3 votos)

5. Elsa Zylberstein, Há Tanto Tempo Que Te Amo (8%, 3 votos)

008 – Marcia Gay Harden, por O Nevoeiro (escolha dos leitores: Penélope Cruz, por Vicky Cristina Barcelona)

Melhores de 2009 – Animação

Não sei até quando a Pixar vai lançar animações maravilhosas. Up – Altas Aventuras segue o notável ritmo da produtora que, desde Ratatouille, vem ganhando todos os prêmios consecutivamente. Nada mais justo. E não é diferente com essa nova animação do estúdio. Tá certo que não tem toda a grandiosidade de WALL-E, mas Up aposta completamente na emoção, apoiando-ne nas ternas memórias do protagonista Fredericksen para montar sua atmosfera emocional. Temos aqui um roteiro muito especial unindo-se com uma maravilhosa trilha sonora para, mais uma vez, entreter o espectador. É uma acertada mistura de comédia, aventura e drama que consegue conquistar qualquer um.

VALSA COM BASHIR

Seguindo o estilo Persépolis de animação adulta e com conteúdo, Valsa Com Bashir é um filme para poucos, já que, além de ter tratamento documental, aposta em assuntos politizados. Somente quem aprecia filmes assim vai entrar nessa maravilhosa viagem visual, onde o lado estético é simplesmente excepcional. A animação pode até perder o ritmo diversas vezes e ser um pouco cansativa, mas isso não chega a afetar o magnetismo simbólico de Valsa Com Bashir.

BOLT – SUPERCÃO

Fazia tempo que nenhum outro estúdio além da Pixar conseguia divertir tanto. Bolt – Supercão é um excelente exemplar de coo se fazer animações sem cair nas obviedades de desenhos já saturados como Madagascar ou qualquer outra produção que envolva bichos falantes. Não são apenas os personagens carismáticos que conquistam, mas também o roteiro satisfatória, as canções e tambem a aventura.

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Escolha do público:

1. Up – Altas Aventuras, 80% (24 votos)

2. Bolt – Supercão, 10% (3 votos)

3. Valsa Com Bashir, 10% (3 votos)