Melhores de 2009 – Filme

Dúvida
“Dúvida é, acima de tudo, cinema obrigatório. Denso, reflexivo e anormalmente bem escrito. Todo o efeito irá pairar como uma nuvem sob sua cabeça por um bom tempo. E não há certeza tão forte quanto a dúvida que o texto te deixa.”
– Wally Soares (Cine Vita)
“É um filme que é caracterizado por um casamento perfeito entre atores e roteiro. O interessante, porém, é que, assim como Ian McEwan, e, ao contrário de Machado de Assis, ele tem plena consciência de que não existe um lado vencedor. A culpa sempre irá existir. A grande pergunta é: quem sabe conviver com ela? Aí, sim, teremos alguém levando vantagem – se é que isso é possível.”
– Kamila Azevedo (Cinéfila Por Natureza)
“A direção discreta é eficiente justamente por depositar no seu elenco os melhores momentos do longa. É tão intenso, que até a minúscula aparição de Viola Davis se torna inesquecível!”
– Gustavo Bezerra (Fina Ironia)
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QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?

O LEITOR

STAR TREK

(500) DIAS COM ELA

UP – ALTAS AVENTURAS
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AVATAR

A GAROTA IDEAL

FROST/NIXON

RIO CONGELADO
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Escolha do público:
1. Quem Quer Ser Um Milionário? (13 votos, 25%)
2. Avatar (12 votos, 23%)
3. Dúvida (8 votos, 15%)
4. Frost/Nixon (5 votos, 10%)
5. (500) Dias Com Ela (4 votos, 8%)
6. Up – Altas Aventuras (4 votos, 8%)
7. O Leitor (2 votos, 4%)
8. Star Trek (2 votos, 4%)
9. A Garota Ideal (2 votos, 4%)
10. Rio Congelado (0 votos, 0%)
Melhores de 2009 – Direção

Se não fosse por Danny Boyle, talvez, Quem Quer Ser Um Milionário? não teria sido metade do que foi. Se no início do ano todo mundo amava o longa e agora todo mundo desdenha, ao menos uma coisa deve ser levada em consideração: a direção de Boyle permanece intacta. É o fator do filme que sempre vai continuar extremamente interessante a cada revisão. Num ano em que James Cameron e Quentin Tarantino tiveram grandes trabalhos atrás das câmeras, Boyle conseguiu se sobressair. Na minha opinião, mais do que eles. Enquanto Cameron e Tarantino fizeram o que sempre souberam fazer (ou seja, coisas geniais como diretores), o diretor vencedor do Oscar 2009 se superou completamente e foi uma verdadeira surpresa. Agilizou e trouxe uma surpreendente dinâmica para uma história simples – e que nas mãos dele se tornou digna de reconhecimento. Em anos anteriores: 2006 – Alfonso Cuarón (Filhos da Esperança), 2007 – Alejandro González Iñárritu (Babel) e 2008 – Paul Thomas Anderson (Sangue Negro).
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KATHRYN BIGELOW (Guerra ao Terror)
É complicado avaliar a direção de Guerra ao Terror. Na minha opinião, esse setor tem destaque por ser justamente uma mulher que está comandando tudo atrás das câmeras. Tenho certeza que se fosse um homem, não teria metade do reconhecimento que está tendo em diversas premiações. Mas, convenhamos, Bigelow mostrou que mulheres não são só sentimentalismos e donas de histórias intimistas!

QUENTIN TARANTINO (Bastardos Inglórios)
Mesmo quando seus filmes não são lá essas coisas no roteiro (como é o caso aqui), Tarantino sempre dá um jeito de mostrar que é um cara genial. E costuma fazer isso de forma brilhante. Bastardos Inglórios é um trabalho excepcional de direção, onde Tarantino inova com muita originalidade um gênero tão corriqueiro no cinema. Seja pela trilha, pelos enquadramentos ou pela direção de elenco. Tarantino sabe o que faz. E sabe muito bem.

JAMES CAMERON (Avatar)
James Cameron. Só o nome já significa tudo. Não existe muito a ser dito. Dono de incríveis espetáculos visuais durante toda a sua carreira, ele mais uma foi brilhante como diretor no arrasa-quarteirões chamado Avatar. Por onde o filme passou, arrancou aplausos e muita bilheteria. Méritos todos do diretor, uma pessoa muito empenhada no que faz e que sabe exatemente o que o público quer ver nas telonas.

STEPHEN DALDRY (O Leitor)
Acadêmico. Metódico. Esquemático. Daldry foi acusado de tudo isso. Eu, de certa forma, concordo. E aprecio demais isso no diretor. Adoro o jeito como Daldry comandou a história de O Leitor. A todo momento fica aquela sensação de um filme bem feito, bem arquitetado. Dentro do que se propõe, o diretor inglês se sai muito bem e é uma pena que o público não o tenha apreciado como deveria.
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Escolha do público:
1. Danny Boyle, Quem Quer Ser Um Milionário? (38%, 18 votos)
2. Quentin Tarantino, Bastardos Inglórios (32%, 15 votos)
3. James Cameron, Avatar (17%, 8 votos)
4. Kathryn Bigelow, Guerra ao Terror (9%, 4 votos)
5. Stephen Daldry, O Leitor (4%, 2 votos)
Melhores de 2009 – Ator

Sean Penn é um dos grandes atores que o cinema contemporâneo já viu. Em sua carreira, fez de tudo um pouco – sempre passando por variadas personificações – e ainda já se aventurou atrás das câmeras. Penso que um bom ator é aquele que está sempre se reinventando. Foi exatamente o que Penn fez emsua carreira e agora em Milk – A Voz da Igualdade. Quando se pensava que o ator não poderia fazer algo mais diferente, eis que ele resolve entrar de corpo e alma na pele do político gay Harvey Milk. Falar que Penn achou o tom perfeito entre o afetado e o contido é cair no lugar comum: ele fez mais do que isso. É um trabalho de edtalhes. É ver para crer. Tanto, que recebeu outro merecido Oscar de melhor ator por seu desempenho. Anteriormente: 2006 – Philip Seymour Hoffman (Capote), 2007 – Forest Whitaker (O Último Rei da Escócia) e 2008 – Daniel Day-Lewis (Sangue Negro, escolha dos leitores: idem).
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RICHARD JENKINS (O Visitante)
Interpretação parecida com a de Kristin Scott Thomas em Há Tanto Tempo Que Te Amo: contida e de inúmeras minúcias. Jenkins, famoso coadjuvante que todo mundo reconhece pelo rosto mas nunca pelo nome, encontrou o papel de sua vida em O Visitante. Além de estar ótimo em cena, o filme é bem direcionado e com vários aspectos admiráveis.

RYAN GOSLING (A Garota Ideal)
Não sei porque consideram A Garota Ideal um filme engraçado. Para falar bem a verdade, acho esse filme bem triste, pois narra a história de um protagonista muito problemático. E Ryan Gosling o representa com uma precisão maravilhosa. Ele, que está fazendo sucesso em pequenos papéis no circuito independente, foi injustamente ignorado pelas premiações por seu desempenho aqui.

FRANK LANGELLA (Frost/Nixon)
Era fácil cai na caricatura ao interpretar um personagem como esse. Não foi o que aconteceu com Frank Langella. O ator, que interpretava esse mesmo papel de Richard Nixon nos palcos, trouxe uma composição impecável (aquela voz firme dele é extremamente marcante), onde, inclusive, o personagem passa por algumas transformações emotivas sem nunca perder a essência.

MICHAEL SHEEN (Frost/Nixon)
Para mim, não existe Nixon sem Frost e vice-e-versa. Frost/Nixon é um trabalho de dupla. E se Langella foi reconhecido por prêmios e críticos, Michael Sheen também tinha que ter sido. Langella pode ter o papel mais interessante e chamativo, mas Sheen não fica atrás: não se intimida em momento algum e mostra que é um dos atores mais promissores dessa geração – exatamente como já havia sugerido ao lado de Helen Mirren em A Rainha.
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Escolha do público:
1. Sean Penn, Milk – A Voz da Igualdade (60%, 21 votos)
2. Frank Langella, Frost/Nixon (20%, 7 votos)
3. Ryan Gosling, A Garota Ideal (9%, 3 votos)
4. Richard Jenkins, O Visitante (6%, 2 votos)
5. Michael Sheen, Frost/Nixon (6%, 2 votos)
Melhores de 2009 – Atriz

Em 2009, Kate Winslet pode não ter apresentado os melhores personagens, mas certamente arrebentou nos dois filmes que participou. A atriz é o que existe de melhor no mediano Foi Apenas Um Sonho. Se, às vezes, as dicussões dos protagonistas soam irritantes e Leonardo DiCaprio sai fora de tom, é Kate quem vem para salvar o dia. Oscilando entre explosões sentimentais e expressões contidas, a inglesa tem aqui uma interpretação genial, digna do maior número de elogios possíveis. É por ela que o filme de Sam Mendes vale a pena. Kate Winslet recebe sua terceira indicação aqui no blog e essa é a sua segunda vitória (venceu ainda esse ano como coadjuvante por outro ótima performance em O Leitor). Anteriormente: 2006 – Felicity Huffman (Transamérica), 2007 – Marion Cotillard (Piaf – Um Hino ao Amor) e 2008 – Meryl Streep (Mamma Mia!, escolha dos leitores: idem).
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MERYL STREEP (Julie & Julia)
Mais uma vez a atual musa do cinema entrega uma excelente performance em uma comédia. É prazeroso ver Streep alternando entre papéis densos, como o de Dúvida, e outros tão desconstraídos como esse de Julie & Julia. Streep apresenta um notável trabalho vocal e corporal (muito alta, desengonçada e ofegante), além de ter um timing cômico na medida para a personagem. Confesso que está longe de ser um dos grandes papéis contemporâneos da atriz, mas não dá pra ficar indiferente com uma aparição tão fora do habitual e radiante como essa.

MELISSA LEO (Rio Congelado)
O sofrimento está estampado no rosto de Melissa Leo em Rio Congelado. Logo na primeira cena já notamos o quão sofrida é a personagem. Na medida em que o filme se desenvolve, confirmamos isso – a jornada dela é de pura luta, com muitos dramas e dificuldades. Leo soube administrar a abordagem com uma habilidade absurda. Ela é mais um exemplo de que o cinema independente ainda tem muitos talentos que não são conhecidos. A atriz foi uma das privilegiadas que obteve merecido reconhecimento.

KRISTIN SCOTT THOMAS (Há Tanto Tempo Que Te Amo)
É aquele tipo de atuação que não é muito valorizada. Kristin Scott Thomas está contida em Há Tanto Tempo Que Te Amo. A atriz se comunica com o espectador através de expressões sucintas, o que leva muita gente a acreditar que não está diante de uma ótima interpretação. Pura heresia, já que é exatamente aí que está o brilhantismo da atriz. Thomas segura com perfeição as rédeas da difícil personagem, trazendo, assim, um desempenho muito digno de reconhecimento.

MERYL STREEP (Dúvida)
Acusada de cometer exageros e de estar descontrolada, Streep foi muito questionada por sua atuação em Dúvida. Mas também muito elogiada. Não sou daquele grupo que acha que aqui ela está em um momento excepcional, mas, com certeza, está suficientemente ótima para figurar entre as melhores do ano. O maior mérito da atriz é fazer com que o espectador reconheça a sua ótima interpretação mesmo que ela esteja sob a pele de uma personagem antipática e que causa repulsa. Com duas indicações esse ano, Streep se torna a recordista do prêmio do blog, com seis indicações e duas vitórias.
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Escolha do público:
1. Kate Winslet, Foi Apenas Um Sonho (60%, 24 votos)
2. Meryl Streep, Julie & Julia (15%, 6 votos)
3. Meryl Streep, Dúvida (15%, 6 votos)
4. Kristin Scott Thomas, Há Tanto Tempo Que Te Amo (8%, 3 votos)
5. Melissa Leo, Rio Congelado (3%, 1 voto)
Melhores de 2009 – Montagem

Depois da direção de Danny Boyle, talvez a montagem seja o aspecto mais admirável de Quem Quer Ser Um Milionário?. São esses dois setores que tornam a história do protagonista tão dinâmica na parte técnica. De todos os filmes de 2009, nenhum apresentou uma montagem tão ágil como essa. Ela é fundamental não só para os flashbacks que são intercalados com precisão para explicar a atual situação de Jamal (Dev Patel), mas também para mostrar de forma muito interessante o difícil cotidiano da Índia – tanto no passado quanto no presente. Em anos anteriores: 2007 – O Ultimato Bourne e 2008 – Onde os Fracos Não Têm Vez.
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GUERRA AO TERROR
Filmes de guerra, na maioria das vezes, são favorecidos no setor de montagem. Pra falar bem a verdade, nem sei se Guerra ao Terror é brilhante nesse aspecto. Mas, assim como todos os outros filmes desse gênero, foi uma produção que me conquistou nesse setor.

FROST/NIXON
Toda a agilidade dos tensos debates entre David Frost (Michael Shannon) e Richard Nixon (Frank Langella) são frutos de uma edição muito dinâmica. Cada plano comandado por Ron Howard e cada enquadramento de câmera foram unidos perfeitamente pela montagem – que surpreendeu para um filme desse estilo.
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AVATAR
Falar bem de qualquer aspecto técnico de Avatar é cair no lugar comum. Não é diferente com a montagem – que, talvez seja a parte técnica mais subestimada do filme. Enquanto todos prestam a atenção nos efeitos, quase ninguém se lembra que a edição é outro fator fundamental e bem orquestrado do filme de Cameron.

DISTRITO 9
Filme de maiores méritos técnicos do que qualquer outra coisa, Distrito 9 acertou em cheio na hora da montagem. Bem utilizada nos momentos de ação e também na hora de retratar o bizarro mundo criado em cena, esse artifício foi o que trouxe um aspecto, digamos, mais “realista” para a produção.
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Escolha do público:
1. Quem Quer Ser Um Milionário? (38%, 16 votos)
2. Avatar (31%, 13 votos)
3. Frost/Nixon (14%, 6 votos)
4. Distrito 9 (10%, 4 votos)
5. Guerra ao Terror (7%, 3 votos)