Melhores de 2010 – Canção Original

Todas as incursões de Eddie Vedder no cinema foram maravilhosas. Na Natureza Selvagem, por exemplo, perderia parte de sua poesia se não tivesse aquela fabulosa trilha sonora. Em Comer Rezar Amar, Vedder, mais uma vez, resume muito bem a jornada de um personagem. Dessa vez, ele vem com Better Days. O filme de Ryan Murphy é monótono e sem vida, mas a canção dá um toque todo especial para os créditos finais da adaptação do best-seller de Elizabeth Gilbert. Não é só a letra cheia de significados – e nunca simples ou óbvias, como todas as outras de Vedder – mas também a melodia, que se incorpora com exatidão ao espírito que o longa-metragem tenta mas não consegue passar. Resumo da ópera: a canção teve o poder de sintetizar todo o filme. Melódica, com uma ótima letra e totalmente condizente com a mensagem do roteiro. Muito mais, foi além: tem vários significados que o próprio roteiro não conseguiu transmitir.
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WHEN YOU FIND ME (Adam)
Adam foi um filme que chegou diretamente em DVD no Brasil no início desse ano e quase não teve repercussão. Pois, então, fica a dica: esse é um sincero filme independente que merece ser conferido. Além do ótimo desempenho de Hugh Dancy como um jovem com síndrome de Asperger, a produção também traz a ótima canção When You Find Me. Cantada por Joshua Radin, ela tem uma melodia que fica na cabeça e que se encaixa de forma certeira no mundo do personagem-título.

WE BELONG TOGETHER (Toy Story 3)
Longe de ser um compositor que tem o meu apreço, Randy Newman, pelo menos, conseguiu me deixar bem satisfeito com a canção que fez originalmente para Toy Story 3. Mesmo que inserida em um contexto estranho (afinal, o filme acaba em um rio de lágrimas e, do nada, a música feliz começa a tocar quebrando o clima), We Belong Together é uma homenagem aos amigos e a tudo que passamos com essa nossa segunda família. Outro ponto alto dessa ótima animação da Pixar.

TAKE IT ALL (Nine)
Nine nem chega a ser esse horror todo que dizem por aí, mas é fato que o longa decepcionou – incluindo na parte musical. No entanto, a trilha tem seus bons momentos. Se Cinema Italiano é a mais pop e divertida de todas, peca por ter uma letra que beira ao ridículo. É por isso que Take It All é a melhor canção do musical de Rob Marshall. Entoada de forma impecável pela francesa Marion Cotillard, encaixa-se com precisão no contexto dramático em que é executada no filme, além da boa letra.

THE WEARY KIND (Coração Louco)
É sempre um problema escolher apenas uma música de um filme que está repleto delas. Coração Louco tem uma história musicalizada ao extremo e é meio injusto escolher apenas uma, como se ela se destacasse das demais. Todavia, The Weary Kind é uma espécie de “resumo” de todo o estilo musical do filme, tendo uma melodia bem simples e uma letra que nos lembra a mensagem e a proposta do filme. Nada espetacular, mas totalmente apropriada para o longa.
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Escolha do público:
1. “The Weary Kind” (9 votos, 30%)
2. “We Belong Together” (8 votos, 26.67%)
3. “Better Days” (6 votos, 20%)
4. “Take it All” (6 votos, 20%)
5. “When You Find Me” (1 voto, 3.33%)
Melhores de 2010 – Ator Coadjuvante

O Oscar que Michael Douglas recebeu por Wall Street – Poder e Cobiça foi meio questionável. Ora, ele nem era o verdadeiro protagonista da história! Mais um daqueles casos em que certa interpretação é maximizada pelas premiações só para que algum ator conceituado consiga um prêmio mais “importante”. Dessa vez, na continuação de subtítulo O Dinheiro Nunca Dorme, colocaram Michael Douglas no lugar certo e ajustaram o personagem à posição de coadjuvante. Os anos se passaram e o ator permanece impecável como o ganancioso Gordon Gekko. Contudo, a situação aqui é diferente. Gekko acaba de sair da prisão e, ao que tudo indica, está arrependido das escolhas erradas que fez no passado e quer se redimir. Só que a dúvida continua no ar e não sabemos se as atitudes dele são confiáveis ou não. Douglas trabalha com extremo talento esse personagem, deixando o espectador o tempo inteiro em dúvida sobre o caráter de Gekko. O ator sabe exatamente o que fazer com ele e, durante cada minuto que aparece em cena, todos os holofotes pairam sobre Douglas. Nada mais justo, já que seu personagem é o que existe de mais sofisticado no filme.
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ANDREW GARFIELD (A Rede Social)
Se todos os personagens de A Rede Social parecem unidimensionais, Andrew Garfield se destaca justamente por ter o único personagem que não parece um robô desprovido de emoções. Enquanto todas as outras figuras do filme de David Fincher são frias e mecânicas, o Eduardo Saverin de Garfield tem fúria, coragem e arrependimento. O ator é uma das revelações da temporada e, de todos do elenco, é o que tem a melhor interpretação. Ele é um sopro de humanidade num filme seco e frio, onde apenas a figura de Garfield traz humanidade para o enredo. O ator é uma grata surpresa que merece ter seu devido reconhecimento.

STANLEY TUCCI (Um Olhar do Paraíso)
Um Olhar do Paraíso foi uma das maiores frustrações de 2010. Além de estragar uma excelente história, não trabalhou de forma mais interessante as ótimas atrizes que tinha em mãos, como Saoirse Ronan e Susan Sarandon. Entretanto, foi bom ver um irreconhecível Stanley Tucci sendo o total destaque entre o elenco. Alguns dizem que Tucci beira o caricatural e que, em diveros momentos, cai em exageros. Não vejo dessa forma. Intenso e eficiente como o problemático vizinho que assassina a protagonista, o ator demonstrou versatilidade e competência no papel que é a verdadeira engrenagem de Um Olhar do Paraíso.

EWAN MCGREGOR (O Golpista do Ano)
Ewan McGregor já foi um sujeito promissor. Hoje, ele amarga participações em filmes que não fazem sucesso e que nem ganham muita repercussão. É o caso de O Golpista do Ano. O filme estrelado por Jim Carrey realmente não é grande coisa, mas tem um Ewan McGregor cheio de inspiração. Como o delicado presidiário gay que se apaixona pelo vigarista Steven Russell (Jim Carrey), McGregor encontrou o tom certo para representar seu personagem. Traduzido toda a paixão incondicional que seu Phillip Morris possui por seu namorado vigarista, McGregor, sem dúvida, é uma das razões para se assistir O Golpista do Ano.

JEREMY RENNER (Atração Perigosa)
Não sou um dos maiores fãs de Jeremy Renner. Inclusive, nem teria indicado o ator ao Oscar por Guerra ao Terror. Mas não dá para ignorar o desempenho dele em Atração Perigosa. Se Ben Affleck ainda deve muito como ator, Renner supriu as necessidades do longa de um bom desempenho masculino. Além de ter uma das cenas mais intensas do filme, Renner construiu um personagem decidido e que, ao contrário do protagonista, não se rende a sentimentos ou arrependimentos. Ele não abre mão de seus princípios, custe o que custar. E isso está muito bem representado na performance do ator.
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Escolha do público:
1. Andrew Garfield (22 votos, 53.66%)
2. Michael Douglas (7 votos, 17.07%)
3. Jeremy Renner (7 votos, 17.07%)
4. Stanley Tucci (4 votos, 9.76%)
5. Ewan McGregor (1 voto, 2.44%)
Melhores de 2010 – Edição/Mixagem de Som

Tron – O Legado é aquele tipo de filme para se assistir em uma grande tela de cinema, com óculos 3D, aproveitando toda a tecnologia que uma sala bem equipada pode trazer. Sorte que consegui assistir o filme de Joseph Kosinski nessas condições. Assim, fiquei impressionado com a potência sonora do longa-metragem, bem como pude perceber melhor o bom uso desse setor para a construção técnica da história. Alguns podem dizer que o resultado não passa do básico e que nem a parte técnica de Tron – O Legado consegue minimizar os erros do roteiro. Discordo completamente. Além dos já comentados maravilhosos efeitos especiais, a edição e a mixagem de som cumprem muito bem a sua missão de trazer ainda mais detalhes para o mundo tecnológico concebido por essa produção da Disney. Isso fica evidente não apenas nas cenas de ação, mas durante o filme inteiro. Todo o setor sonoro é acertado – e vale lembrar, também, da surpreendente trilha do Daft Punk, que ajuda a deixar essa impressão.
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COMO TREINAR O SEU DRAGÃO
Bons filmes de animação já possuem um ótimo trabalho de edição e mixagem de som. Como Treinar o Seu Dragão não foge à regra. Principalmente por ter vários momentos de aventura, o longa se utiliza bastante do setor sonoro não só para trazer vida aos personagens e aos dragões da trama, mas também para pontuar o dinamismo de cada cena.

LUNAR
Impressiona a quantidade de detalhes que Lunar apresenta no seu trabalho de som. Se já não bastasse a espetacular trilha sonora de Clint Mansell, a edição e a mixagem de som também conseguem ser minuciosos na hora de retratar a solitária vida do astronauta Sam Bell (Sam Rockwell) na lua. Trabalho que, inclusive, ajuda na hora de estruturar o certo suspense que o longa cria.

TOY STORY 3
O mundo dos brinquedos de Andy não teria a mesma eficiência se não fosse o excelente trabalho de som. Cada personagem possui suas particularidades sonoras, o que contribui para a sempre ótima diversão proporcionada por Toy Story 3. Vale lembrar que, assim como em Como Treinar o Seu Dragão a mixagem e a edição de som também são fundamentais na hora da aventura.

A ORIGEM
Muito mais do que uma ótima ideia bem desenvolvida pelo roteiro, A Origem também é um excelente trabalho técnico. No setor de edição e mixagem de som não foi diferente. Se a construção visual de Christopher Nolan é extremamente satisfatória, a sonora também consegue esse feito. Mais um acerto desse filme que é um dos melhores de 2010.
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Escolha do público:
1. A Origem (19 votos, 55.88%)
2. Tron – O Legado (9 votos, 26.47%)
3. Toy Story 3 (4 votos, 11.76%)
4. Lunar (1 voto, 2.94%)
5. Como Treinar o Seu Dragão (1 voto, 2.94%)
Melhores de 2010 – Animação

Antes de qualquer definição, é recomendável que todos saibam que Mary & Max – Uma Amizade Diferente não é uma animação para crianças. Ilustrando sua história com várias problematicas (uma personagem alcoólatra, tentativa de suicídio e até mesmo descoberta de homossexualidade), esse trabalho do diretor Adam Eliott encontra na maturidade narrativa o seu ponto mais forte. Isso quer dizer que Mary & Max tem uma história que parece vinda de um filme com pessoas reais, além de uma dramaticidade digna de tantos filmes reflexivos sobre amizade e distância. Dublado com notável precisão pelos ótimos Philip Seymour Hoffman e Toni Collette, é uma animação que dialoga de forma contundente com todas as pessoas que possuem uma pessoa especial que mora a quilômetros de distância. Assim, Mary & Max terá um significado todo especial para esse público – podendo, inclusive, emocionar bastante. Todavia, isso não significa que o enredo não funcionará para os outros públicos. Muito pelo contrário. A história comandada por Adam Elliott é universal justamente por ser extremamente humana e verdadeira. Um trabalho adulto e cheio de belas mensagens.
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TOY STORY 3
Mantendo o excelente padrão criado pela Pixar, Toy Story 3 foi outro atestado de originalidade e competência do estúdio. O resultado não me empolgou tanto como Ratatouille ou WALL-E, mas também é digno de muitos elogios. Repleto de personagens sempre carismáticos, a animação de Lee Unkrich também tem a seu favor o fato de trazer um notável retrato sobre como a transição entre fases de nossa vida pode ser melancólica. Tal característica está ilustrada de forma excepcional na última cena, capaz de emocionar qualquer um.

COMO TREINAR O SEU DRAGÃO
Grata surpresa da Dreamworks, que parecia redimida a viver das fracassadas continuações de Shrek. Bom ver que o estúdio ainda tem fôlego para criar animações cheias de diversão e personagens simpáticos como os vistos em Como Treinar o Seu Dragão. Se formos prestar atenção, a história é batida e as resoluções são previsíveis, mas a animação tem a habilidade de retratar cada momento com pura descontração. É fácil se conectar com a história e torcer pelos personagens. Um longa sobre ultrapassar as barreiras da diferenças e também sobre a necessidade de mudar princípios antiquados.
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Escolha do público:
1. Toy Story 3 (32 votos, 66.67%)
2. Mary & Max – Uma Amizade Diferente (12 votos, 25%)
3. Como Treinar o Seu Dragão (4 votos, 8.33%)
Melhores de 2010 – Efeitos Especiais

Nunca fui muito fã de filmes com cenários computadorizados e com clima cibernético. Tanto que detesto Speed Racer, que tem uma concepção visual, ao meu ver, desinteressante. Tron – O Legado, por um outro lado, conseguiu me deixar impressionado. Não sei se é porque assisti o longa em 3D (e, das produções que vi nesse formato, essa foi a que melhor utilizou esse recurso), mas entrei por completo na proposta visual do filme de Joseph Kosinski. As cenas de ação conseguem ser executadas com qualidade por causa dos efeitos impecáveis e o cenário ganha uma dimensão detalhada também em função desse aspecto. Tron – O Legado é um blockbuster que possui as falhas habituais desse tipo de filme, principalmente no que se refere ao enredo raso. Contudo, o visual sombrio iluminado por neons e todo o mundo representado no filme são maravilhosamente bem construídos por um excelente uso de efeitos especiais.
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SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO
Os efeitos especiais de Scott Pilgrim Contra o Mundo não são necessariamente utilizados para impressionar, mas sim para construir visualmente as tantas referências nerds do filme. Se a insistente vontade do filme em querer mostrar que é super cool quando resolve materializar referências estéticas e visuais de videogames chega a irritar, pelo menos o acertado uso de efeitos compensa as pretensões de Scott Pilgrim. Eles trazem um bom ritmo para as tomadas onde são utilizados, construindo a grande diversão que, pelo menos pra mim, ficou faltando no roteiro falho.

A ORIGEM
Os efeitos especiais do longa de Christopher Nolan possuem uma carcaterística que é bem interessante. Eles querem estar próximos da realidade. O que acontece em A Origem é ficção, claro. Mas os efeitos recebem a missão de transportar aquela história para o mais próximo da realidade. Ou seja, cada tomada – seja ela de ação ou meramente expositiva visualmente – transmite verossimilhança. Não é um mundo absurdo. Propósito que foi cumprido com precisão pelos ótimos efeitos e, mais importante ainda, pela excelente inserção deles dentro do universo criado por Nolan.
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Escolha do público:
1. A Origem (33 votos, 70.21%)
2. Tron – O Legado (10 votos, 21.28%)
3. Scott Pilgrim Contra o Mundo (4 votos, 8.51%)