Melhores de 2015 – Atriz Coadjuvante

É preciso admirar a coragem de Kristen Stewart ao ter topado embarcar em um projeto como Acima das Nuvens. Amaldiçoada por seus desempenhos repetitivos e enjoados na saga Crepúsculo, a jovem atriz não se intimidou ao aceitar o desafio de trabalhar ao lado de uma gigante como Juliette Binoche. Em qualquer circunstância, era de se imaginar que esse seria um completo suicídio e que, por mais generosa que fosse La Binoche, Stewart estaria fadada a desaparecer diante dela. Poucas vezes – e poucas vezes mesmo! – foi maravilhoso estar enganado. Ninguém era capaz de prever que ela faria um trabalho minucioso em parceria com a protagonista, provando que seus dias no mundo vampiresco realmente ficaram para trás. Como Valentine, a fiel assistente da consagrada intérprete Maria Enders (Binoche), Kristen Stewart brilhou nos detalhes e nas discretas complexidades de um papel essencial para a ampliação dos dramas pensados pelo diretor e roteirista Olivier Assayas. A dinâmica cinematográfica e teatral entre as duas personagens e o confronto de gerações que surge cena a cena tiram o melhor de Stewart, que, muito merecidamente, se tornou a primeira atriz estadunidense a conquistar um César em mais de quatro décadas da premiação. Ainda disputavam a categoria: Karine Telles (Que Horas Ela Volta?), Laura Dern (Livre), Naomi Watts (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)) e Tilda Swinton (Expresso do Amanhã).
EM ANOS ANTERIORES: 2014 – Lesley Manville (Mais Um Ano) | 2013 – Helen Hunt (As Sessões) | 2012 – Viola Davis (Histórias Cruzadas)| 2011 – Amy Adams (O Vencedor) | 2010 – Marion Cotillard (Nine) | 2009 – Kate Winslet (O Leitor) | 2008 – Marcia Gay Harden (O Nevoeiro) | 2007 – Imelda Staunton (Harry Potter e a Ordem da Fênix)
Melhores de 2015 – Elenco

É sempre admirável quando um filme consegue tirar o melhor proveito de seus atores, seja dos que protagonizam a história ou daqueles que aparecem brevemente em cena. Birdman se enquadra nesse grupo não simplesmente por ter atores talentosos por todos os cantos, mas por saber aproveitá-los. Se a ironia de ter Michael Keaton interpretando um sujeito de carreira decadente tentando dar a volta por cima é perfeitamente funcional, nomes como Zach Galifianakis e Amy Ryan se destacam em poucas cenas com versatilidade (é o caso dele) ou simplesmente por serem realmente ótimos com qualquer texto (Ryan prova mais uma vez que merecia chances melhores no cinema). E o que falar de Edward Norton totalmente ensandecido como o egocêntrico ator substituto que chega ao espetáculo encenado pelo filme? Ou de Naomi Watts, tão maravilhosa e subestimada como uma atriz insegura que está prestes a pisar pela primeira vez em um palco da Broadway? Mesmo Emma Stone, ovacionada em excesso com indicações para todos os prêmios por seu trabalho aqui, tem uma cena especial: aquela em que enfrenta o pai, acusando-o de estar alheio ao mundo a sua volta. Ainda disputavam a categoria: Foxcatcher – Uma História Que Chocou o Mundo, Mapas Para as Estrelas, Que Horas Ela Volta? e Sicario: Terra de Ninguém.
EM ANOS ANTERIORES: 2014 – Relatos Selvagens | 2013 – Álbum de Família | 2012 – O Impossível | 2011 – Tudo Pelo Poder | 2010 – Minhas Mães e Meu Pai | 2009 – Dúvida | 2008 – Vicky Cristina Barcelona | 2007 – Bobby
Melhores de 2015 – Fotografia

Adam Arkapaw tem uma infinidade de trabalhos como diretor de fotografia em curtas-metragens, mas a sua credencial definitiva como o profissional ideal para esse segmento de Macbeth: Ambição e Guerra foi a trajetória em seriados e minisséries como Top of the Lake e True Detective, programas que, curiosamente, refletem, assim como o texto de Shakespeare no qual o filme é baseado, a ideia de que não existe nada mais sombrio na vida do que a própria mente humana. As escolhas de Arkapaw não são unânimes: há quem considere óbvio o uso das cores e a forma como as lentes exploram o design de produção. Particularmente, senti o oposto, e fui submerso (ou seria sufocado?) pela fotografia, seja quando Arkapaw enquadra lady Macbeth (Marion Cotillard) sorrateiramente atrás de seu marido, representando a figura aparentemente secundária mas manipuladora que ela é ou quando assombra o espectador ao fazer um personagem desaparecer em uma paisagem avermelhada que claramente remete ao inferno que destruiu todo um reino. Ainda disputavam a categoria: Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), Mad Max: Estrada da Fúria, Sicario: Terra de Ninguém e Sr. Turner.
EM ANOS ANTERIORES: 2014 – Ida | 2013 – Gravidade | 2012 – As Aventuras de Pi | 2011 – A Árvore da Vida | 2010 – Direito de Amar | 2009 – Quem Quer Ser Um Milionário? | 2008 – Ensaio Sobre a Cegueira
Melhores de 2015 – Edição/Mixagem de Som

O trabalho de som tem papel fundamental em Mad Max: Estrada da Fúria pelas mais variadas razões. A mais óbvia, claro, é ser uma das ferramentas que ajudam o filme de George Miller a explorar os sentidos do espectador – e, nesse sentido, o quinteto formado por Ben Osmo, Chris Jenkins, David White, Gregg Rudloff, e Mark A. Mangini é superlativo ao nos mergulhar em toda a adrenalina da jornada da icônica Imperatriz Furiosa (Charlize Theron). Por outro lado, também é válido reconhecer o fato de que o som de Mad Max é inteligentemente dosado, afinal, são muitos os filmes de ação frenética que chegam a dar dor de cabeça tamanha a agressão aos ouvidos do espectador. Transformers está aí como prova. Felizmente, tudo relacionado a esse segmento em Mad Max é de tirar o chapéu. Ainda disputavam a categoria: Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), Sniper Americano, Star Wars: O Despertar da Força e Whiplash: Em Busca da Perfeição.
EM ANOS ANTERIORES: 2014 – Até o Fim | 2013 – Gravidade | 2012 – 007 – Operação Skyfall | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte | 2010 – Tron: O Legado | 2009 – Avatar | 2008 – WALL-E | 2007 – O Ultimato Bourne
Melhores de 2015 – Trilha Sonora

Foi somente em 2014 que o islandês Jóhann Jóhannsson recebeu reconhecimento por seu trabalho no cinema. É claro que as lembranças pela bela trilha de A Teoria de Tudo foram merecidas, mas Jóhannsson já era digno de nota desde Os Suspeitos, suspense que marcou a sua primeira e assombrosa parceria com o diretor Denis Villeneuve. Os dois voltam a trabalhar juntos em Sicario: Terra de Ninguém, e a nova colaboração da dupla é a mais impactante do ano no que se refere ao segmento de trilhas sonoras. Imersivo e perturbador, o trabalho de Jóhannsson dá a devida intensidade para essa história sobre o lado sombrio do ser humano frente à busca sem medidas pela justiça. O compositor potencializa a sua criatividade ao acompanhar a trama com composições que nos deixam a sensação de que o chão está prestes a se abrir sob os nossos pés. Ainda disputavam a categoria: Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), Dívida de Honra, Mad Max: Estrada da Fúria e A Teoria de Tudo.
EM ANOS ANTERIORES: 2014 – Ela | 2013 – Gravidade | 2012 – Tão Forte e Tão Perto | 2011 – A Última Estação | 2010 – Direito de Amar | 2009 – O Curioso Caso de Benjamin Button | 2008 – Desejo e Reparação | 2007 – A Rainha