Os vencedores do Oscar 2022

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Em quase cem anos de história do Oscar, Jane Campion (Ataque dos Cães) se torna a terceira mulher a conquistar o prêmio de melhor direção.

O tapa dado por Will Smith em Chris Rock foi o assunto mais comentado do Oscar 2022, e isso diz muito sobre uma cerimônia que, em todos os aspectos, foi vexaminosa em todas as escolhas tomadas. Já se tratava de um desastre anunciado desde que os produtores anunciaram, por exemplo, a decisão de não transmitir ao vivo a entrega das estatuetas para algumas categorias técnicas, mas tudo foi muito além de uma noite sem foco e personalidade que preferiu Shawn Mendes e DJ Khaled a endereçar o devido respeito a profissionais de segmentos que, gravados antes da cerimônia ao vivo, acabaram com suas vitórias reveladas ao público via Twitter.

Da edição dos clipes a intervenções desesperadas por audiência, como a interpretação de We Don’t Talk About Bruno, de Encanto, que sequer concorria em canção original, o Oscar 2022 escancarou uma falta de convicção da Academia quanto a sua própria relevância e, principalmente, a equivocada missão que colocou na cabeça de ser um sucesso de audiência a qualquer custo — algo simplesmente impossível por razões merecedoras de uma discussão à parte. No final das contas, a cerimônia do ano passado que tanto defendi e que foi tão injustiçada pelo público me parece cada vez mais alinhada ao verdadeiro espírito do que deve ser o Oscar.

Na esperança de ver resultados mais inspirados, acabei com uma péssima pontuação nas minhas apostas. Quem seguiu o óbvio certamente se deu bem, pois não houve uma surpresa sequer ao longo de toda cerimônia, em qualquer categoria, seja para o bem (prêmio de direção para Jane Campion, documentário para Summer of Soul, filme internacional para Drive My Car, etc) ou para o mal (Ataque dos Cães saindo da cerimônia com apenas uma estatueta entre as 12 em que concorria, Belfast em roteiro original, os prêmios para Will Smith e Jessica Chastain por cinebiografias super quadradas). Pelo visto, a crescente ala internacional entre os votantes já é capaz de emplacar indicações bem diferenciadas, mas ainda não consegue o mesmo efeito na hora de eleger vencedores.

Por fim, sou fã de Ataque dos Cães e gosto bastante de No Ritmo do Coração. Prefiro, sim, o primeiro, mas não me incomodo com a consagração do segundo, um filme simples, de emoções genuínas e que se conecta verdadeiramente com o público. Inclusive, a vitória faz sentido se lembrarmos que o sistema de votação de melhor filme contempla aquele trabalho que é mais consenso entre os votantes. E ainda acho que Ataque dos Cães saiu só com uma estatueta porque Duna também acabou roubando duas: melhor montagem e fotografia.

Entretanto, o que eu gostaria de dizer é que precisamos tomar cuidado com juízo de valores neste momento, especialmente no calor da hora. Vale concordar. Vale discordar. Vale se indignar. Vale comemorar. O que não vale é ficar apontando dedo para dizer o que é mais ou menos cinema, como se houvesse certo ou errado, perpetuando um discurso pomposo e elitista de que cinema só é cinema quando se encaixa nos padrões de “filme de arte”.

Cinema também é emoção, simplicidade, empatia. E isso “No Ritmo do Coração” tem de sobra. Não concordo com o hate. Mesmo. Principalmente porque já deixei de levar o Oscar tão a sério. Quem dá a importância a um filme é a gente e o tempo. Não os prêmios. E isso é para lá de subjetivo. Quanto antes entendemos isso, melhor para todo mundo. Principalmente para os filmes.

Confiro abaixo a lista de vencedores:

MELHOR FILME: No Ritmo do Coração
MELHOR DIREÇÃO: Jane Campion (Ataque dos Cães)
MELHOR ATRIZ: Jessica Chastain (Os Olhos de Tammy Faye)
MELHOR ATOR: Will Smith (King Richard: Criando Campeãs)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Ariana DeBose (Amor, Sublime Amor)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Troy Kotsur (No Ritmo do Coração)
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Belfast
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: No Ritmo do Coração
MELHOR FILME INTERNACIONAL: Drive My Car (Japão)
MELHOR ANIMAÇÃO: Encanto
MELHOR DOCUMENTÁRIO: Summer of Soul (…Ou, Quando a Revolução Não Podia Ser Televisionada)

MELHOR FOTOGRAFIA: Duna
MELHOR FIGURINO: Cruella
MELHOR MONTAGEM: Duna
MELHOR TRILHA SONORA: Duna
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “No Time to Die” (Sem Tempo Para Morrer)

MELHOR SOM: Duna 
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO: Duna

MELHOR MAQUIAGEM E PENTEADOS: Os Olhos de Tammy Faye
MELHORES EFEITOS VISUAIS: Duna
MELHOR CURTA-METRAGEM: The Long Goodbye
MELHOR CURTA-METRAGEM (DOCUMENTÁRIO): The Queen of Basketball
MELHOR CURTA-METRAGEM (ANIMAÇÃO): The Windshield Whiper

3 comentários em “Os vencedores do Oscar 2022

  1. Você é um hipócrita cara, critica o Oscar por “elitismo” quando no seu blogzinho só fala de filme artístico, cadê os filmes de entretenimento? Cadê os filmes de terror, ação, etc?

    • Lucas, acredita que há quem discorde de você e que já tenha me “acusado” de escrever só sobre estreias e filmes mais populares? Para você ver como é tudo ponto de vista e as definições de “filme de arte” e “filme de entretenimento” variam de opinião para opinião. Este blog tem mais de 14 anos de história. Acredito que há textos sobre vários estilos de cinema nos arquivos.

      De uns tempos para cá, no entanto, tenho mesmo me focado mais em apresentar algumas “descobertas” para os leitores, fugindo um pouco do grande circuito de estreias, que é contemplado aos montes por aí em inúmeros sites, blogs e canais. Não entendo muito bem essa sua crítica de, por escrever sobre o que você chama de “filme artístico”, eu não poder reivindicar mais popularidade nos filmes vencedores do Oscar… Eu só poderia reivindicar isso se tivesse um blog sobre o que você chama de “filmes de entretenimento”? Enfim, como disse: tudo ponto de vista…

      P.S.: Curioso você fazer esse comentário quando o post que você mais interagiu aqui no blog foi, justamente, de um filme do Batman…

  2. “O que não vale é ficar apontando dedo para dizer o que é mais ou menos cinema, como se houvesse certo ou errado, perpetuando um discurso pomposo e elitista de que cinema só é cinema quando se encaixa nos padrões de “filme de arte”.

    Engraçado, vindo de um cara que só vê e faz critica de filme “arte”.

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