48º Festival de Cinema de Gramado #5: um balanço geral das mostras competitivas

27 filmes concorreram ao Kikito em 2020. Foto: Edison Vara/Pressphoto

O Festival de Cinema de Gramado foi o primeiro grande evento do gênero a não se contentar somente com exibições virtuais e a transferir toda a sua programação presencial para um formato inteiramente novo. A decisão de exibir os filmes em plataformas online sempre foi uma excelente tática dos festivais como um todo desde que a pandemia impossibilitou eventos presenciais, mas Gramado foi além: não só disponibilizou parte da programação no streaming do Canal Brasil como colocou as mostras competitivas de longas e curtas-metragens, bem como as suas tradicionais homenagens, diretamente no horário nobre da emissora com transmissão pela TV para todo o Brasil. Sendo assim, Gramado, antes um evento restrito ao Palácio dos Festivais na Serra Gaúcha, tornou-se possível para qualquer pessoa que tivesse assinatura do pacote básico de uma TV por assinatura. O acerto pôde ser constatado nas redes sociais: do Twitter ao Letterboxd, cinéfilos de diferentes pontos do Brasil acompanhavam a programação e opinavam sobre os filmes exibidos diariamente. Ponto para o Festival.

No entanto, já tendo trabalhado nos bastidores do evento e conhecendo as dinâmicas que envolvem a submissão de filmes para uma possível seleção, deduzo que muitos títulos devem ter pulado fora do barco quando Gramado anunciou, após o período de inscrições, que as mostras competitivas seriam exibidas pela TV. E aí não é uma questão de conservadorismo ou preciosismo: disponibilizar um filme para a TV, ainda que em exibição única, não deixa de ser uma maneira de queimar futuras janelas de exibição e até mesmo de correr o grande risco de que os filmes sejam pirateados, distribuídos na internet ilegalmente ou algo semelhante. Há de se entender quem possivelmente optou por dispensar Gramado, mas também é preciso admirar quem apostou no evento em um ano tão complicado e incerto, colocando suas fichas no prestígio que o festival gaúcho acumulou em 48 anos de trajetória e também na proposta de, através da parceria com o Canal Brasil, ter um público muito mais amplo, plural e talvez nunca antes alcançado nessas circunstâncias.

Em tese, a complexa equação foi bem resolvida, já que Gramado conseguiu reunir títulos aguardados, como Todos os Mortos, de Caetano Gotardo e Marco Dutra, que havia sido exibido no início deste ano no Festival de Berlim, e os novos trabalhos de diretores como Felipe Bragança (Um Animal Amarelo), Ruy Guerra (Aos Pedaços) e Camilo Cavalcante (King Kong en Asunción). Contudo, o assunto foi diferente na prática, e só o tempo dirá se a safra não colaborou, se a nova curadoria formada por Marcos Santuario, Pedro Bial e Soledad Villamil foi vítima das circunstâncias já citadas e dos tempos exceções que vivemos ou se de fato o Festival realmente errou nessa nova composição de curadores, visto que, mesmo Bial e Soledad tendo um filme aqui e outro ali no currículo, ambos são reconhecidos primordialmente por atividades em outras áreas profissionais, como o jornalismo e a música. Para um evento de cinema que, em suas últimas edições, chegou a ter o ator José Wilker, o crítico Rubens Ewald Filho e a produtora argentina Eva Piwowarski na curadoria, eis um ponto a ser debatido.

Levanto tal questionamento pois a competição do 48º Festival de Cinema de Gramado foi a mais fraca em, pelo menos, dez anos, tempo em que passei a acompanhar religiosamente a programação do evento. E a irregularidade não ficou restrita aos longas, uma vez que os próprios curtas-metragens, escolhidos por uma comissão à parte, também pouco entusiasmaram. Por fim, para dimensionar melhor as razões que me levam a ter encerrado a 48ª edição do evento com frustração, faço abaixo um balanço mais amplo das mostras.

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Um Animal Amarelo, de Felipe Bragança

LONGAS-METRAGENS BRASILEIROS

A competição de longas-metragens brasileiros abriu com Por Que Você Não Chora?, trabalho da diretora Cibele Amaral que coloca em pauta o delicado tema do suicídio, alertando para o fato de que, a cada 40 minutos, uma pessoa tira a sua própria vida no Brasil. Cibele traz para o projeto toda a sua experiência como psicóloga e estagiária do Instituto de Saúde Mental do Distrito Federal, deixando muito clara a sua assumida vontade de versar sobre o assunto. Acontece que, como diretora e roteirista deste projeto tão pessoal, ela é muito mais didática do que cinematográfica, o que se reflete em problemas básicos, como a presença de personagens que só estão em cena para contextualizar o espectador em conceitos e padrões da psicologia a partir de diálogos expositivos, quando não artificiais. Ou seja, Por Que Você Não Chora? é um filme bastante informativo e feito sob medida para ser usado em sessões temáticas seguidas de debate, mas de pouquíssima consistência quando se elimina a relevância das discussões propostas para se avaliar o filme como um todo.

Ainda na linha de longas que priorizam seus objetos de estudo em detrimento do protagonismo de uma linguagem cinematográfica, foram exibidos dois documentários sobre figuras musicais na competição: O Samba é Primo do Jazz, que tem como figura central a cantora Alcione, e Me Chama Que Eu Vou, sobre a vida e a obra do cantor Sidney Magal. Ambos são televisivos no sentido negativo dessa comparação (Angela Zoé, diretora de O Samba é Primo do Jazz, chegou a comentar no debate sobre o filme de que, inclusive, foi inicialmente convidada a fazer um especial para a TV, e somente depois surgiu a ideia de fazer um longa-metragem), mas com uma diferença crucial entre eles: a entrega entre cada um dos seus personagens. Enquanto Sidney Magal abre até o seu guarda-roupa para o público e ressignifica seus próprios fracassos em Me Chama Que Eu Vou, Alcione parece tomar certa distância de O Samba é Primo do Jazz, dando depoimentos eventualmente divertidos, ainda que reservados entre um ensaio ou outro, deixando inclusive lacunas como a de sua intocável afetiva (em nenhum momento sabemos se ela sequer namorou, casou ou teve alguma grande paixão). Esse distanciamento facilita o veredito: pelo carisma e pela entrega, sou muito mais Magal. De qualquer forma, ambos não são filmes com a estatura e relevância dignas de um grande festival de cinema.

E param por aí a formalidade, a panfletagem ou as convencionalidades da seleção de longas brasileiros do 48º Festival Cinema de Gramado, pois demais títulos exibidos se arriscam muito mais na forma e nas discussões. O meu favorito é Um Animal Amarelo, de Felipe Bragança, que venceu o júri da crítica, do qual fiz parte, por unanimidade. Espécie de fábula tragicômica e ambiciosa rapsódia sobre ruínas do nosso passado e heranças coloniais indigestas, o filme acompanha a jornada de um cineasta brasileiro falido de 33 anos em busca do passado violento de seu avô. Bragança, que nega qualquer teor autobiográfico, é preciso ao entender seu lugar de fala: aqui, o homem branco e heterossexual não é vangloriado, mas sim até mesmo ridicularizado em suas fraquezas e visões de mundo. A mistura de gêneros também é muito bem harmonizada para que o diretor construa uma estrutura caleidoscópica, tendo como base importantes críticas sociais e históricas sobre como nossas colonizações ainda definem as organizações identitárias e afetivas de toda uma geração. Além disso, a narração de Isabél Zuaa, ainda que por vezes excessiva, ajuda a ampliar as percepções sobre um protagonista que carrega memórias sem saber ao certo como organizá-las. É um trabalho com estilo de superprodução e que dá conta de suas ambições.

Todos os Mortos, de Caetano Gotardo e Marco Dutra, conversa diretamente com Um Animal Amarelo ao materializar os fantasmas da herança escravocrata. Ao mesmo tempo em que desenha a origem da mentalidade reacionária moderna, o filme quebra estereótipos e preconceitos na construção de seu discurso, reafirmando uma característica muito própria do cinema de Marco e Caetano: em Todos os Mortos, a branquitude, por exemplo, é vista como uma elite falida e que se vê completamente perdida sem os negros, enquanto estes estes passam a reivindicar algum tipo de voz, independência e identidade (a trama se passa na São Paulo de 1899, poucos anos depois da abolição da escravatura). O olhar diferenciado dos diretores continua na ideia do longa ser essencialmente centrado em figuras femininas, sem que necessariamente haja protagonistas bem definidas em um verdadeiro filme-elenco. O cuidado minimalista da excelente trilha sonora assinada por Salloma Salomão também fala muito sobre a preservação da identidade negra, solidificando as escolhas sofisticadas de Todos os Mortos. Contudo, falta ao resultado um ritmo mais digerível, sem essa sensação de que tudo é prolongado demais, o que não deixa de ser consequência de uma narrativa tão fragmentada entre uma quantidade considerável de personagens, alguns mais interessantes e complexos do que outros. 

Na linha tênue entre o inventivo e o hermético, o veterano Ruy Guerra apresentou Aos Pedaços, onde o protagonista Eurico (Emilio de Mello) recebe um bilhete anunciando a sua morte e começa a embaralhar internamente espaços, personagens, paixões extremas, ódios, amores e suspeitas em na tentativa de compreender quem poderia ter lhe enviado a fatídica mensagem. É inegável o impacto técnico da obra, com destaque para belíssima fotografia em preto e branco assinada por Pablo Baião que faz poderosos contrastes entre luz e sombra evocando traços de clássicos noir, mas o texto excessivamente teatral e a escolha por rodar o filme em espaços limitadíssimos fazem de Aos Pedaços uma experiência erudita demais, esvaziando a interessante proposta de ser um drama de paranoia kafkiano com toques de horror existencialista onde amor e morte são faces da mesma moeda. O clima, que começa funcionando, termina dissipado em um longa que anda em círculos e que parece apenas interessado em elaborar monólogos e mais monólogos com frases bonitas jogadas ao ar. Foi certamente uma das sessões mais difíceis do evento.

E o que dizer do grande vencedor da competição, King Kong en Asunción, último filme a ser exibido na programação? O que imediatamente me vem à cabeça ao pensar nele é o grande desempenho de Andrade Júnior, falecido em maio de 2019 e que sequer chegou o projeto finalizado. Não tenho dúvidas de que o filme é todo dele: delicado e profundo, Andrade carrega no corpo e na alma as melancólicas nuances de um matador de aluguel que, já na terceira idade, realiza seu último trabalho e parte em busca da filha que nunca conheceu. É curioso, entretanto, como essa mesma melancolia não chega a ter a mesma potência no filme como um todo, que é reiterativo nas longas caminhadas feitas pelo protagonista em sua viagem e nos inúmeros silêncios que costumam ser interrompidos apenas pela peculiar narração em Guaraní que busca dar mais camadas ao protagonista. Há sequências muito belas, como a que abre o filme ou aquela com o choro frente ao espelho, onde King Kong en Asunción entrega seus melhores momentos. Entretanto, não é o bastante para disfarçar conhecida sensação de que a história, tão esticada aqui, poderia render, na verdade, um belíssimo curta-metragem.

El Gran Viaje al País Pequeño, de Mariana Viñoles

LONGAS-METRAGENS ESTRANGEIROS

Não é de hoje que a mostra estrangeira do Festival de Cinema de Gramado vem perdendo a sua expressividade e relevância. Na última década, aliás, talvez somente As Herdeiras tenha sido o trabalho verdadeiramente marcante exibido na Serra Gaúcha, o que é uma constatação frustrante quando lembramos que, desde a sua criação nos anos 1990, a mostra já premiou nomes como Pedro Almodóvar, Javier Bardem, Alberto Iglesias, Marisa Paredes e exibiu títulos como O Banheiro do PapaO Filho da Noiva e Medianeras – Buenos Aires na Era do Amor Virtual. Pois a nova curadoria não dá sinais de mudar esse cenário: em 2020, os títulos estrangeiros de Gramado foram menos irregulares do que os brasileiros, mas novamente ficaram distantes de deixar alguma grande lembrança para a posteridade. O que segue valendo mesmo é a possibilidade de navegar pela cinematografia de diferentes lugares. Nesse casos, de seis países contemplados na competição: Argentina, Chile, Colômbia, México, Paraguai e Uruguai.

Começo falando sobre aquele que mais me instigou: o documentário uruguaio El Gran Viaje al País Pequeño, de Mariana Viñoles, premiado como melhor filme pelo júri popular e pelo júri da crítica. Viñoles usa o tempo documental com sabedoria neste relato sobre a adaptação de duas famílias sírias que, tendo deixado suas terras e tradições para trás, começam uma nova vida no Uruguai. É com calma e com o mínimo de interferência que ela registra a desconstrução de um sonho: ao chegar no Uruguai, as famílias se deparam não com o país idealizado que tinham em mente, mas sim com uma realidade de pouca assistência e com prazo de validade para amparos sociais e financeiros. Sem papas na língua, os sírios se mostram frustrados e indignados com o país governado à época por Pepe Mujica, trazendo reflexões e críticas muito pertinentes para o endeusamento que, inclusive nós brasileiros, costumamos fazer, para o bem e para o mal, de figuras e regimes políticos de nosso país e também de países vizinhos. Contemporâneo e multifacetado, El Gran Viaje al País Pequeño instiga ao entregar a voz para personagens que reagem com pensamentos distintos e inclusive polêmicos frente à situação, fazendo desse um documentário que não prefere o calorzinho do conforto.

Na relação entre dois países também se desenvolve o colombiano La Frontera. Dessa vez, mais especificamente, em um certo limbo da fronteira entre Colômbia e Venezuela, onde uma jovem indígena vive com seu marido e seu irmão, roubando viajantes que seguem por trilhas, até o destino transformar as condições de sobrevivência dessa personagem. O diretor David David faz, em La Frontera, uma bonita homenagem à resiliência feminina, munido de uma protagonista que já enfrenta tragédias, abandonos e desamparos desde muito cedo. Ao contrário do que se pode imaginar, não é um filme necessariamente político, e sim mais humano, focado na luta diária e silenciosa de uma mulher para sobreviver em um cenário de completa miséria. E nada é apelativo ou exagerado, pois David David escolhe acompanhar a protagonista quase em tom documental, deixando para que as próprias paisagens e precaridades de uma paupérrima moradia falem por si só. Da metade em diante, o longa também surpreende com a entrada de outra figura feminina, muito oposta à protagonista, mas equivalente em solidariedade e companheirismo para vencer as mazelas de um cotidiano tão duro. O júri oficial de Gramado considerou La Frontera o melhor longa-metragem estrangeiro deste ano, e o prêmio ficou em boas mãos.

Para completar a trilogia dos filmes que considerei os melhores da mostra latina de 2020, cito o chileno Los Fuertes, de Omar Zúñiga. No centro da história, temos uma paixão entre Lucas (Samuel González), que viaja para visitar sua irmã em uma cidade remota no sul do Chile, e Antonio (Antonio Altamirano), um contramestre de um barco de pesca local. Não se trata de um grande filme, muito menos de um muito inventivo, o que não tira o mérito da sobriedade e da delicadeza impressas por Omar Zúñiga na direção e no roteiro. Mesmo que o entorno dos personagens traga certas adversidades e que tenhamos novamente personagens gays enfrentando a impossibilidade de um amor minado pelas distâncias impostas pela vida, Los Fuertes não trata tudo isso com desespero ou melodrama. Zúñiga prefere, na realidade, se debruçar sobre o tempo em que esses personagens vivem juntos e sobre a construção de afeto que se dá entre eles, conferindo doses extras de realismo na bonita entrega dos atores, ambos despidos de vaidades ou cerimônias para dar vida ao carinho e ao sexo de dois personagens gays sem qualquer distanciamento.

Completaram a seleção de estrangeiros: o argentino El Silencio del Cazador, o mexicano Dias de Invierno e o paraguaio Matar a un Merto. Para fins comparativos, são longas bastante inferiores quando colocados lado a lado com os outros citados até aqui. El Silencio del Cazador até tem bons ideias ao explorar a perigosa rivalidade entre dois homens de personalidades opostas, mas cede a um desenrolar muito convencional, com escolhas e reviravoltas esperadas para os conflitos apresentados. Já Dias de Invierno é o oposto de Los Fuertes: ao invés de ser um mérito, seu intimismo leva o filme para a inexpressividade, onde os dramas familiares são todos mornos e com pouco a revelar sobre personagens defendidos por um elenco irregular. Enquanto isso, o paraguaio Matar un Muerto segue a linha de um certo marasmo, ainda que conte a seu favor a direção climática de Hugo Giménez para falar sobre assombros da ditadura paraguaia e a boa performance de Aníbal Ortiz, premiada com o Kikito de melhor ator.

Inabitável, de Matheus Farias e Enock Carvalho

CURTAS-METRAGENS BRASILEIROS

Entre os curtas, 14 produções estiveram na disputa pelo Kikito, em uma seleção cujo perfil chamou a atenção pelo grande número de documentários. Foram seis ao total, quase metade da seleção: Dominique, Extratos, Atordoado, Eu Permaneço Atento, Joãosinho da Goméa – O Rei do Candomblé e Wander Vi. Meu destaque fica com Atordoado, Eu Permaneço Atento, que redimensiona o formato de monólogo de um personagem para transformá-lo em uma análise muito mais ampla e necessária sobre como o Brasil vem alimentando o retorno de práticas da ditadura. Também vale o destaque para Dominique, que, ao acompanhar o retorno de uma transexual para a cidade de sua mãe, aos poucos se apresenta como uma bonita homenagem ao amor materno. Nesse caso, o de uma mulher por suas três filhas transexuais, representadas no documentário pela figura de Dominique, uma personagem cativante. De resto, temos documentários protocolares, válidos mais pelo tema levantado do que pela execução.

Nos outros títulos, é fácil perceber a tendência de obras sobre a realidade brasileira atual. Há, por exemplo, 4 Bilhões de Infinitos, sobre duas crianças que sonham com dias mais esperançosos em uma casa com a luz cortada no interior; Subsolo, divertida animação gaúcha de Erica Maradona e Otto Guerra sobre a obsessão pela busca de corpos perfeitos em academias; Tricheira, de Alagoas, onde um garoto que vive em um aterro de lixo encontra uma realidade alternativa na sua própria imaginação; e, claro, O Barco e o Rio, grande vencedor do júri oficial e popular, que acompanha os dias de uma mulher religiosa que cuida de uma embarcação no porto de Manaus e que precisa lidar com uma irmã que diverge em relação a como lidar com o barco e com a própria vida (o curta marca a primeira vitória de uma produção de Amazonas no Festival de Cinema de Gramado).

Porém, nenhum deles me conquistou tanto quando Inabitável, de Matheus Farias e Enock Carvalho. No júri da crítica, premiamos o curta “pela forma delicada como corporifica a protagonista ausente, trazendo elementos fantásticos para descrever um estado de invisibilidade e dar sentido a uma vivência da transgeneridade”. Falar mais do que isso é possivelmente estragar a boa surpresa desse filme que tem uma excelente performance central de Luciana Souza e que constrói uma atmosfera angustiante e realista ao mesmo tempo em que se utiliza de pitadas fantásticas para falar sobre um mundo (ou, mais especificamente, um Brasil) que já não é mais possível para parcelas da população tão discriminadas e invisibilizadas pela sociedade. É um belo exemplo sobre como tratar sobre temas sociais importantes sem panfletagem, mas sim de maneira muito cinematográfica e atmosférica.

Até a próxima, Gramado!

2 comentários em “48º Festival de Cinema de Gramado #5: um balanço geral das mostras competitivas

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