Três atores, três filmes… com Tanira Lebedeff

Credenciais não faltam para a minha colega jornalista Tanira Lebedeff, que tenho o prazer de ter como convidada aqui na coluna. Ela, que já ganhou o Candango de melhor roteiro no Festival de Brasília pelo curta-metragem A Vida do Outro, viveu oportunidades de ouro em sua carreira como jornalista, entre elas a de ser correspondente da Globo News em Los Angeles durante a época do Oscar! Aliás, fica a dica: Tanira conta um pouco de seus bastidores em reportagens e de seus diários de viagens de produção no livro A Velhinha Que Entrevistou George Clooney, lançado pela editora Catarse, em 2016. Hoje, ela compartilha toda a sua experiência como repórter com os futuros jornalistas do mercado ao integrar o corpo docente da ESPM Sul. Além de ser uma querida, Tanira traz ao blog escolhas indefectíveis, de intérpretes talentosíssimos, incluindo Vladimir Brichta, que vem se revelando há anos, mas que tem, em Bingo – O Rei das Manhãs, um momento realmente especial. O resto eu deixo para ela contar nos comentários abaixo!

Frances McDormand (Fargo – Uma Comédia de Erros)
Nessa comédia de erros – aliás, subtítulo que o filme ganhou no Brasil – Frances McDormand é uma policial gravidíssima investigando uma série de assassinatos desencadeados pelo plano muito infeliz do vendedor de automóveis vivido por William H. Macy. Com uma personalidade simples e um sotaque carregado, típicos de uma pequena cidade interiorana, não seria improvável duvidar de sua capacidade de desvendar um crime. Mas Marge Gunderson é astuta, determinada, não se intimida nem por bandidos brutamontes, nem pelo peso da barriga ou pela neve que em certas ocasiões é praticamente coadjuvante do filme. A policial Marge Gunderson rendeu a Frances McDormand o Oscar de Melhor Atriz em 1997. Ela foi ovacionada ao subir palco para receber estatueta imitando o caminhar desengonçado da personagem. Um clássico que merece ser revisto (inspirou série na TV americana), Fargo foi dirigido pelos irmãos Joel e Ethan Coen. Frances é casada com Joel e trabalhou com a dupla em vários filmes, incluindo Queime Depois de Ler, em que tira uma lasquinha de George Clooney e inventa uma intriga internacional para financiar uma cirurgia plástica. Outra atuação primorosa numa obra tão imprevisível quanto Fargo.

Viggo Mortensen (em qualquer filme)
Sim, para mim seu nome nos créditos é atestado de qualidade da obra. O entrevistei numa coletiva quando era correspondente em Los Angeles. Viggo, um gentleman, nos presenteou com seus livros de fotografia e escreveu um agradecimento no idioma de cada um dos jornalistas. Naqueles tempos de protestos contra as guerras no Iraque e no Afeganistão era comum vê-lo nas ruas de Los Angeles entre os manifestantes. Tudo isso transcende a tela e deixa Viggo e seus personagens ainda mais instigantes e encantadores. Aragorn, por exemplo, é o motor da trilogia Senhor dos Anéis, a personificação da nobreza. Mais recentemente Viggo encarnou o teimoso Capitão Fantástico, que conduz sua filharada hippie num road movie rumo à realidade de uma vida convencional. Mas como tenho que indicar um filme… Escolho Senhores do Crime, de David Cronenberg. Nele Viggo Mortensen é Nikolai Luzhin (SPOILER!), um agente secreto resignado que entrega sua existência para investigar a máfia russa em Londres. A cena de luta na sauna é uma das melhores de ação que já vi.

Vladimir Brichta (Bingo – O Rei das Manhãs)
O reino do politicamente incorreto tem um soberano incontestável: o Bingo de Vladimir Brichta. Inspirado na vida surreal de Arlindo Barreto, um dos atores que viveram o palhaço Bozo na TV, o filme tem altas doses de humor, drama e escracho. Vamos do ápice do sucesso ao fundo da garrafa em que o Augusto de Brichta mergulha por não poder mostrar a cara – afinal quem tem que fazer sucesso é o palhaço, não o ator. Bingo é recheado de sexo, drogas e o bom rock n’roll dos anos 80, tem fotografia e uma produção cênica primorosas. Mas quem rouba o picadeiro é Vladimir Brichta, com uma atuação intensa e honesta, sem exageros. Brichta, que era uma das pérolas no elenco da série televisiva em que trocava tapas e beijos com Fernanda Torres, ganhou um baita presente com esse filme. E honra cada palavra do roteiro (SPOILER! a participação de Domingos Montagner, como o palhaço que foi, beira o sobrenatural.)  E o melhor da piada: num ano em que arte e cultura viraram saco de pancadas, Bingo, The King of Mornings foi a produção indicada para representar o Brasil no Oscar de 2018. Bravo!

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