Enquanto os norte-americanos têm Meryl Streep, os europeus têm Isabelle Huppert. E uma não deve nada a outra. Ambas profissionais de extensa carreira e que seguem trabalhando incansavelmente depois dos 60 anos, Streep e Huppert se destacam pelos papeis desafiadores que não hesitam em abraçar – e, em 2016, a francesa viveu um momento particularmente especial de sua carreira nesse sentido. Além de marcar presença nos cinemas brasileiros com O Que Está Por Vir, Mais Forte Que Bombas, O Vale do Amor e Fique Comigo, ela deixou sua marca por aqui com Elle, que, entre esses cinco filmes estrelados por ela no ano passado, foi o que lhe trouxe um reconhecimento grandioso fora do território europeu, provavelmente o maior de sua carreira. Huppert, que é um ícone desprovido de qualquer vaidade ou estrelismo ao escolher papeis, ganhou o Globo de Ouro e uma indicação ao Oscar por dar vida Michèle LeBlanc, a controversa protagonista do filme dirigido pelo holandês Paul Verhoeven. Complexa, a personagem é uma verdadeira síntese do poder interpretativo de Huppert e, principalmente, do cinema que tanto marcou seu invejável currículo até aqui. Talvez somente ela pudesse estrelar Elle sem bagunçar a protagonista ou transformá-la em uma caricatura meramente desprezível. Pelo contrário: é embasbacante como a atriz a transforma em uma personagem fascinante em todas as suas perigosas complexidades. Ainda disputavam a categoria: Cate Blanchett (Carol), Denise Fraga (De Onde Eu Te Vejo), Rooney Mara (Carol) e Sonia Braga (Aquarius).
EM ANOS ANTERIORES: 2015 – Camila Márdila e Regina Casé (Que Horas Ela Volta?) | 2014 – Rosamund Pike (Garota Exemplar) | 2013 – Adèle Exarchopoulos (Azul é a Cor Mais Quente) | 2012 – Tilda Swinton (Precisamos Falar Sobre o Kevin) | 2011 – Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg (Melancolia) | 2010 – Carey Mulligan (Educação) | 2009 – Kate Winslet (Foi Apenas Um Sonho) | 2008 – Meryl Streep (Mamma Mia!) | 2007 – Marion Cotillard (Piaf – Um Hino ao Amor)
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Ainda não assisti “Elle”, mas não duvido que a Huppert esteja mesmo maravilhosa nesse filme. Das que você indicou, e que eu assisti, meu voto iria para Rooney Mara (“Carol”).
Kamila, para mim, se fosse para premiar “Carol” nessa categoria, teria que ser um prêmio em conjunto para Rooney Mara e Cate Blanchett!