The Girl

Her inexperience is an asset. She has nothing to unlearn.

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Direção: Julian Jarrold

Roteiro: Gwyneth Hughes, baseado no livro “Spellbound by Beauty”, de Donald Spoto

Elenco: Sienna Miller, Toby Jones, Imelda Staunton, Conrad Kemp, Penelope Wilton, Angelina Ingpen, Candice D’Arcy, Carl Beukes, Kate Tilley, Aubrey Shelton, Leon Clingman, Patrick Lyster

EUA/Inglaterra/África do Sul, 2012, Drama, 91 minutos

Sinopse: Baseado no livro “Fascinado pela Beleza”, de Donald Spoto, o longa gira em torno do obsessivo relacionamento entre o diretor Alfred Hitchcock (Toby Jones) e a atriz Tippi Hedren (Sienna Miller), a protagonista de “Os Pássaros” e “Marnie – Confissões de Uma Ladra”. (Adoro Cinema)

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É incontestável: Alfred Hitchcock voltou à moda. Ganhou prelúdio de Psicose na TV com o seriado Bates Motel, uma cinebiografia com o nome de Hitchcock estrelada por Anthony Hopkins e também este novo telefilme da HBO, em parceria com a BBC, intitulado The Girl. Se Bates Motel não chega a ser um tributo à Hitchcock (o que é bom) e o filme com Hopkins decepciona profundamente, The Girl surpreende pela forma mais séria e interessante com que narra um recorte da vida do cultuado diretor. Dessa vez, acompanhamos o relacionamento dele com a atriz Tippi Hedren (Sienna Miller), durante as gravações do longa-metragem Os Pássaros. As filmagens, no entanto, foram conturbadas – tanto que a atriz só gravou mais um filme  com o diretor (Marnie – Confissões de Uma Ladra) e porque o contrato previa uma segunda parceria. O telefilme de Julian Jarrold tem algumas abordagens discutíveis (e que não chegam a ser depreciativas, dependo da forma como levamos o “baseado em fatos reais” ao pé da letra), mas, no geral, instiga pela forma eficiente com que retrata o conturbado relacionamento entre o realizador e sua musa.

Possivelmente o maior empecilho de The Girl seja a forma com que o roteiro de Gwyneth Hughes, baseado no livro Spellbound by Beauty, de Donald Spoto, constrói Alfred Hitchcock (Toby Jones). Não é exagero dizer que sua figura se torna quase um vilão da trama, uma vez que o resultado mostra muito de suas loucuras, taras e excentricidades, colocando a personagem de Sienna Miller como vítima de tantos devaneios dele. Não é fácil gostar desse retrato. E cabe ao espectador decidir até que ponto isso influencia o resultado. Particularmente, me desconectei de comparações e outros relatos do diretor e encarei The Girl como uma ficção quase que inteiramente original. Sendo assim, é fácil se envolver com o que está sendo mostrado, até porque toda a construção dramática é coerente: impossível não se encantar e confiar naquela nova parceria que se estabelece entre atriz e diretor e, pouco a pouco, incomodar-se com os pequenos momentos que começam a minar essa relação que, no final das contas, chega a vários extremos.

Toby Jones, mais uma vez atrasado (viveu Truman Capote à sombra de Philip Seymour Hoffman e agora foi ofuscado por Anthony Hopkins), tem seus momentos, mas em nada se parece com o diretor. Assim, o brilho fica mesmo com Sienna Miller, que tem aqui o desempenho de sua vida. Não só impressionante na beleza estonteante (e na caracterização de Tippi Hedren), a atriz abandona a prioridade de mimetismos para pensar primeiro na dramaticidade da personagem. E o resultado é louvável: toda a angústia de Tippi (seja por ter dificuldades em atuar – ficou notoriamente conhecida por ser ruim – ou por se perturbar com as loucuras do diretor) é transmitida pela atriz, que consegue fazer um ótimo balanço entre toda a imagem de musa da protagonista e uma excelente atuação dramática. Dessa forma, faz todo sentido do mundo que o filme se chame The Girl: é o show de Sienna Miller e uma história que quase coloca Hitchcock e o processo criativo dos filmes em segundo plano para falar sobre a tal garota cujo arco dramático é muito bem desenvolvido pelo roteiro.

The Girl tem alguns problemas, entretanto, que não passam despercebidos. Começando pelo total desperdício do elenco de suporte, especialmente de Imelda Staunton. A veterana britânica (que teve um dos melhores desempenhos da década passada com O Segredo de Vera Drake) chama a atenção quando entra em cena, mas, como Alma, esposa de Hithcock, tem pouco a fazer com o texto limitadíssimo que tem em mãos. Nesse sentido, Helen Mirren teve chances muito melhores no mesmo papel em Hitchcock. É imperdoável que o roteiro deixe uma atriz tão talentosa de escanteio e que não aproveite a personagem, cuja figura era total inspiração para o cultuado diretor. Volta e meia The Girl também erra a mão na trilha – e o que dizer, então, quando resolve usar o prelúdio de Tristão e Isolda, de Richard Wagner, que recentemente se eternizou cinematograficamente nas mãos de Lars Von Trier em cenas simplesmente inesquecíveis de Melancolia?! E se você também não aceita muito bem a ideia de que Hitchcock era completamente maluco… Bom, aí a sessão se torna realmente incômoda.

Melhor visto como um difícil processo de produção de um filme do que como uma biografia convencional, o telefilme de Julian Jarrold, apesar de pequenos detalhes, tem sua força, muito em função de Sienna Miller e desse processo constantemente difícil entre Hitchcock e Tippi Hedren. É fácil aceitar toda a trajetória da personagem, que, primeiro uma atriz totalmente insegura e deslumbrada com uma chance de ouro (literalmente, já que ela ganhou o Globo de Ouro!), logo vira uma mulher que se vê obrigada a encontrar forças para sobreviver a filmagens que chegam a lhe tirar o sono. Bem como em HitchcockThe Girl encontra, portanto, o seu encantamento na principal figura feminina. Aqui, porém, com o bônus de ser um bom filme que, além de contar com a tradicional qualidade técnica da BBC e da HBO, faz um retrato eficiente da vida de uma mulher que se descobriu mais forte do que pensava frente a uma difícil situação.

FILME: 8.0

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3 comentários em “The Girl

  1. Kamila, sem dúvida é melhor que “Hitchcock”, que me decepcionou muito!

    Giovan, ela merecia uma indicação muito mais do que Toby Jones! E também tenho lembranças dela desde “Alfie – O Sedutor”…

  2. Sienna sempre teve minha admiração desde Alfie, aqui ela esta linda do que nunca ,pena que nao foi indicada ao Emmy este ano. Abçs

  3. Ainda não consegui assistir “The Girl”, porque não consigo pegar um horário legal de exibição do telefilme na HBO. De todo jeito, pelo seu texto, percebo que se trata de uma obra melhor que “Hitchcock”. Você me deixou curiosa para assistir “The Girl”.

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