Cinema e Argumento

Apostas para os indicados ao Oscar 2014

Chegou a hora de conhecer os indicados ao Oscar 2014. Amanhã, às 11h, o ator Chris Hemsworth se junta à presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs, para revelar a lista oficial. Abaixo, nossas apostas nas categorias principais (filme, direção, atuações e roteiros) com breves comentários:

MELHOR FILME
12 Anos de Escravidão
Álbum de Família
Capitão Phillips

Clube de Compras Dallas
Ela
Gravidade
Nebraska
Philomena

Rush – No Limite da Emoção
Trapaça

COMENTANDO… Os que são certeza, na minha opinião: 12 Anos de Escravidão, Capitão Phillips, Clube de Compras Dallas, Gravidade, Rush e Trapaça. OU SEJA… Quanto ao resto, não quero colocar minha mão no fogo. Só não subestimem Harvey Weinstein e o apelo do elenco de Álbum de Família. Lembrem de como Stephen Daldry queimou a língua de meio mundo chegando em melhor filme com Tão Forte e Tão Perto.

MELHOR DIREÇÃO
Alfonso Cuarón (Gravidade)
David O. Rusell (Trapaça)
Paul Greengrass (Capitão Phillips)
Ron Howard (Rush – No Limite da Emoção)
Steve McQueen (12 Anos de Escravidão)

COMENTANDO… Ron Howard é um queridinho da Academia e Rush é repleto de elementos que têm a cara dos votantes (além de ter surpreendido nessa award season até mesmo com indicações para Daniel Brühl). Scorsese parece ter feito um filme muito diferente para os padrões do Oscar e as polêmicas envolvendo a fidelidade do retrato pintado por O Lobo de Wall Street de seu protagonista não ajuda neste caso. OU SEJA… Acredito que Ron Howard vem para surpreender. Caso não, Scorsese fica com a vaga mesmo.

MELHOR ATRIZ
Amy Adams (Trapaça)
Cate Blanchett (Blue Jasmine)
Judi Dench (Philomena)
Meryl Streep (Álbum de Família)
Sandra Bullock (Gravidade)

COMENTANDO… Lembram de Helen Mirren em Hitchcock? Indicada a todos os prêmios por um filme em que a grande figura biográfica não brilhou (Anthony Hopkins, que era a aposta inicial) e esquecida pelo Oscar. Não me surpreenderia se acontecesse o mesmo com Emma Thompson, cujo Walt nos Bastidores de Mary Poppins não trouxe confetes para Tom Hanks como Walt Disney. OU SEJA… Não tenho tanta fé em Amy Adams, mas acho que a vaga se alterna entre ela e Thompson, mesmo que muitos questionem a presença de Meryl Streep.

MELHOR ATOR
Bruce Dern (Nebraska)
Chiwetel Ejiofor (12 Anos de Escravidão)
Matthew McCounaghey (Clube de Compras Dallas)
Robert Redford (Até o Fim)
Tom Hanks (Capitão Phillips)

COMENTANDO… Tenho lá minhas dúvidas se Robert Redford realmente chega entre os finalistas (não ter sido indicado ao SAG foi uma pedra no caminho), até porque aparentemente ninguém tem vontade de ver Até o Fim, mas pela força de seu nome deve chegar lá. OU SEJA… Acho complicado a lista fugir desses cinco nomes, mas, em caso de surpresa, apostaria em Michael B. Jordan, por Fruitvale Station – A Última Parada, porque é muito estranho não ter um novato-surpresa em nenhuma das categorias (alô, Quvenzhané Wallis!).

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Jennifer Lawrence (Trapaça)
Julia Roberts (Álbum de Família)
June Squibb (Nebraska)
Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão)
Sally Hawkins (Blue Jasmine)

COMENTANDO… Quatro nomes confirmadíssimos nessa categoria e apenas uma vaga em aberto. Sally Hawkins ou Oprah Winfrey? Sei que Winfrey tem um poder imensurável com sua figura, mas Hawkins é, supostamente, uma injustiçada por não ter concorrido anos atrás por Simplesmente Feliz (o que não concordo). OU SEJA… Prefiro acreditar que Hawkins, ótima em Blue Jasmine, será a finalista, já que que Oprah não merece indicação nem ao prêmio Contigo! por O Mordomo da Casa Branca.

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Barkhad Abdi (Capitão Phillips)
Bradley Cooper (Trapaça)
Daniel Brühl (Rush – No Limite da Emoção)
Jared Leto (Clube de Compras Dallas)
Michael Fassbender (12 Anos de Escravidão)

COMENTANDO… Categoria de pouco mistério. Se existe um nome para se duvidar, esse seria Bradley Cooper. Só que o ator vem de uma interpretação que parece ter sido o pontapé inicial para uma nova carreira (O Lado Bom da Vida), o que é sempre muito apelativo. OU SEJA… Se for para ele sair da competição, apostaria no carinho dos votantes pelo falecido James Gandolfini, por À Procura do Amor, que chegou a ser finalista do SAG.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Blue Jasmine
Clube de Compras Dallas
Ela
Nebraska
Trapaça

COMENTANDO… Não vejo grandes surpresas acontecendo aqui. OU SEJA… Uma possibilidade remota seria Gravidade, mas incluí-lo nessa categoria seria um leve exagero, principalmente com uma categoria tão fechada.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
12 Anos de Escravidão
Álbum de Família
Antes da Meia-Noite
Capitão Phillips
Philomena

COMENTANDO… Já essa é um pouco mais complicada. Não entendo muito bem o porquê do roteiro de Álbum de Família ser tão ignorado (lida magnificamente bem com uma infinidade de personagens), mas creio que a indicação ao Sindicato de Roteiristas deve ter alguma influência aqui. O texto de Tracy Letts é uma leve dúvida, mas creio que a presença de Philomena seja mais questionável. OU SEJA… Se o filme estrelado por Judi Dench não chegar entre os finalistas, quem deve roubar a vaga é O Lobo de Wall Street.

Os vencedores do Globo de Ouro 2014

Cate Blanchett é a melhor atriz em drama por Blue Jasmine. Já dá para entregar o Oscar?

Cate Blanchett foi a melhor atriz em drama por Blue Jasmine

Posso estar enganado, mas tenho a forte sensação de que tudo que vimos no Globo de Ouro está numa realidade bem distante do Oscar. Leonardo DiCaprio venceu como ator de comédia, enquanto ainda tem que remar muito para sequer ser indicado ao prêmio da Academia. Amy Adams foi a melhor atriz em comédia, mas sua concorrente Meryl Streep é a única certeza para o Oscar, enquanto Amy só deve faturar o Globo de Ouro por Trapaça. Reparem também como 12 Anos de Escravidão tem tudo para repetir os casos de Desejo e Reparação e Babel: ganhar apenas o prêmio principal da noite e despontar como favorito para depois perder o Oscar. Jennifer Lawrence e um segundo Oscar? Para se duvidar. Seria algo realmente inédito para seu perfil.

U2 melhor canção por Mandela: Long Walk to Freedom? Confetes do Globo de Ouro, que não resiste a uma celebridade. A banda deve seguir os passos de Mick Jagger, Prince, Madonna e Eddie Vedder. Ou seja, não será sequer indicada ao Oscar. Matthew McCounaghey melhor ator por Clube de Compras Dallas? Se o Globo de Ouro adora um astro galã, o Oscar tem completa aversão (o próprio DiCaprio que o diga). Alfonso Cuarón, que ganhou merecidamente como melhor diretor, deve seguir os passos de James Cameron por Avatar (ganha aqui, perde lá), principalmente quando o Oscar tem a chance de fazer algo inédito e premiar pela primeira vez um negro como diretor (assim como não resistiu consagrar Kathryn Bigelow como a primeira mulher vitoriosa na categoria).

Desta forma, por mais que a premiação tenha ido de acordo com o esperado e com as bolsas de apostas, tudo indica que pouco do que foi visto na noite deste domingo realmente significa alguma coisa para a posteridade. De certo, só Cate Blanchett e Jared Leto mesmo. Entre os vencedores de TV, nada de muito surpreendente, excetuando a vitória de Jon Voight como ator coadjuvante por Ray Donovan. A própria consagração de Brooklyn Nine-Nine como melhor série de comédia não chega a ser um susto: o Globo de Ouro adora premiar as primeiras temporadas. Ainda em tempo, Amy Poehler (finalmente vitoriosa por Parks and Recreation!) e Tina Fey, apesar da abertura sensacional, tiveram pouco a fazer com o tempo dado. Particularmente, gostei bastante do discurso de Diane Keaton, que recebeu o Cecil B. DeMille em nome de Woody Allen. Singelo e tocante, o discurso nos lembrou o quanto essa atriz é subaproveitada. Abaixo, a lista completa de vencedores.

CINEMA

MELHOR FILME DRAMA: 12 Anos de Escravidão

MELHOR FILME COMÉDIA/MUSICAL: Trapaça

MELHOR DIREÇÃO: Alfonso Cuarón (Gravidade)

MELHOR ATRIZ DRAMA: Cate Blanchett (Blue Jasmine)

MELHOR ATOR DRAMA: Matthew McCounaghey (Clube de Compras Dallas)

MELHOR ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL: Amy Adams (Trapaça)

MELHOR ATOR COMÉDIA/MUSICAL: Leonardo DiCaprio (O Lobo de Wall Street)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Jennifer Lawrence (Trapaça)

MELHOR ATOR COADJUVANTE: Jared Leto (Clube de Compras Dallas)

MELHOR ROTEIRO: Ela

MELHOR FILME ESTRANGEIRO: A Grande Beleza (Itália)

MELHOR ANIMAÇÃO: Frozen – Uma Aventura Congelante

MELHOR TRILHA SONORA: All is Lost

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “Ordinary Love” (Mandela: Long Walk to Freedom)

TV

MELHOR SÉRIE DRAMA: Breaking Bad

MELHOR SÉRIE COMÉDIA: Brooklyn Nine-Nine

MELHOR MINISSÉRIE/TELEFILME: Behind the Candelabra

MELHOR ATOR DRAMA: Bryan Cranston (Breaking Bad)

MELHOR ATOR COMÉDIA/MUSICAL: Andy Samberg (Brooklyn Nine-Nine)

MELHOR ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL: Amy Poehler (Parks and Recreation)

MELHOR ATOR MINISSÉRIE/TELEFILME: Michael Douglas (Behind the Candelabra)

MELHOR ATRIZ DRAMA: Robin Wright (House of Cards)

MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Elisabeth Moss (Top of the Lake)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME: Jaqueline Bisset (Dancing on the Edge)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME: Jon Voight (Ray Donovan)

Globo de Ouro 2014: apostas

Tina Fey e Amy Poehler apresentam a cerimônia pelo segundo ano consecutivo

Tina Fey e Amy Poehler apresentam a cerimônia pelo segundo ano consecutivo

Dia de finalmente conhecer os vencedores do Globo de Ouro 2014! Lembrando que, aqui no Brasil, a transmissão fica a cargo do canal TNT a partir das 22h (horário de Brasília), começando com o tapete vermelho. A cerimônia inicia posteriormente às 23h. Fiquem abaixo com as nossas apostas para as categorias de cinema e TV!

CINEMA

MELHOR FILME DRAMA: 12 Anos de Escravidão / alt: Gravidade

MELHOR FILME COMÉDIA/MUSICAL: Trapaça / alt: O Lobo de Wall Street

MELHOR ATOR DRAMA: Matthew McCounaghey (Clube de Compra Dallas) / alt: Chiwetel Ejiofor (12 Anos de Escravidão)

MELHOR ATOR COMÉDIA/MUSICAL: Bruce Dern (Nebraska) / Leonardo DiCaprio (O Lobo de Wall Street)

MELHOR ATRIZ DRAMA: Cate Blanchett (Blue Jasmine) / alt: Sandra Bullock (Gravidade)

MELHOR ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL: Meryl Streep (Álbum de Família) / alt: Amy Adams (Trapaça)

MELHOR ATOR COADJUVANTE: Jared Leto (Clube de Compra Dallas) / alt: Michael Fassbender (12 Anos de Escravidão)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão) / alt: Julia Roberts (Álbum de Família)

MELHOR DIREÇÃO: Alfonso Cuarón (Gravidade) / alt: Steve McQueen (12 Anos de Escravidão)

MELHOR ROTEIRO: Trapaça / alt: Ela

MELHOR FILME ESTRANGEIRO: Azul é a Cor Mais Quente / alt: Vidas ao Vento

MELHOR ANIMAÇÃO: Frozen – Uma Aventura Congelante / alt: Meu Malvado Favorito 2

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “Let it Go” (Frozen – Uma Aventura Congelante) / alt: “Ordinary Love” (Mandela: Long Walk to Freedom)

MELHOR TRILHA SONORA: Gravidade / alt: 12 Anos de Escravidão

TV

MELHOR SÉRIE DRAMA: Breaking Bad / alt: House of Cards

MELHOR SÉRIE COMÉDIA/MUSICAL: Girls / alt: Modern Family

MELHOR MINISSÉRIE/TELEFILME: Behind the Candelabra / alt: Top of the Lake

MELHOR ATOR DRAMA: Bryan Cranston (Breaking Bad) / alt: Kevin Spacey (House of Cards)

MELHOR ATRIZ DRAMA: Julianna Margulies (The Good Wife) / alt: Kerry Washington (Scandal)

MELHOR ATOR COMÉDIA/MUSICAL: Michael J. Fox (The Michael J. Fox Show) / Jim Parsons (The Big Bang Theory)

MELHOR ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL: Julia Louis-Dreyfus (Veep) / alt: Amy Poehler (Parks and Recreation)

MELHOR ATOR MINISSÉRIE/TELEFILME: Michael Douglas (Behind the Candelabra) / alt: Matt Damon (Behind the Candelabra)

MELHOR ATRIZ MINISSÉRIE/TELEFILME: Helena Bonham Carter (Burton & Taylor) / alt: Elisabeth Moss (Top of the Lake)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE/MINISERÉRIE/TELEFILME: Aaron Paul (Breaking Bad) / alt: Josh Charles (The Good Wife)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME: Hayden Panettiere (Nashville) / alt: Sofia Vergara (Modern Family)

O Mordomo da Casa Branca

Darkness cannot drive out darkness. Only light can do that.

butlerposter

Direção: Lee Daniels

Roteiro: Danny Strong, baseado no artigo “A Butler Well Served by This Election”, de Wil Haygood

Elenco: Forest Whitaker, Oprah Winfrey, John Cusack, Jane Fonda, Cuba Gooding Jr., Terrence Howard, Lenny Kravitz, James Marsden, Vanessa Redgrave, Alan Rickman, Liev Schreiber, Robin Williams, David Oyelowo

Lee Daniels’ The Butler, EUA, 2013, Drama, 132 minutos

Sinopse: 1926, Macon, Estados Unidos. O jovem Cecil Gaines vê seu pai ser morto sem piedade por Thomas Westfall (Alex Pettyfer), após estuprar a mãe do garoto. Percebendo o desespero do jovem e a gravidade do ato do filho, Annabeth Westfall (Vanessa Redgrave) decide transformá-lo em um criado de casa, ensinando-lhe boas maneiras e como servir os convidados. Cecil (Forest Whitaker) cresce e passa a trabalhar em um hotel ao deixar a fazenda onde cresceu. Sua vida dá uma grande guinada quando tem a oportunidade de trabalhar na Casa Branca, servindo o presidente do país, políticos e convidados que vão ao local. Entretanto, as exigências do trabalho causam problemas com Gloria (Oprah Winfrey), a esposa de Cecil, e também com seu filho Louis (David Oyelowo), que não aceita a passividade do pai diante dos maus tratos recebidos pelos negros nos Estados Unidos. (Adoro Cinema)

O diretor Lee Daniels conseguiu enganar meio mundo quando estourou com Preciosa – Uma História de Esperança. E me incluo no grupo dos enganados, já que, ainda hoje, tenho boas lembranças do filme estrelado por Gabourey Sidibe. Depois de Preciosa, no entanto, Daniels se mostrou irremediavelmente ruim. Aqui no Brasil, por exemplo, ele chegou aos cinemas com dois longas bastante insatisfatórios em 2013. O primeiro foi Obsessão, que se perdia em diversos fetiches de seu realizador e narrava mil histórias ao mesmo tempo sem se aprofundar em nada. O segundo foi esse O Mordomo da Casa Branca, que, mesmo tendo razões de sobra para justificar plenamente seu sucesso de 116 milhões de dólares nas bilheterias estadunidenses, é mais um trabalho falho do diretor, com um roteiro muito mal estruturado, enorme desperdício de elenco e uma história apoiada nos mais ultrapassados esquemas utilizados em biografias.

O Mordomo da Casa Branca era para ser, em teoria, o relato da vida de Cecil Gaines (Forest Whitaker), personagem inspirado na história real de Eugene Allen, mordomo negro que serviu diversos presidentes na Casa Branca entre 1952 e 1986. Porém, o roteiro escrito por Danny Strong, baseado no artigo A Butler Well Served by This Election, de Wil Haygood, inexplicavelmente abandona os dramas do protagonista quase em tempo integral para colocar a luta dos negros contra o racismo no século XX como norte da trama. O resultado é um filme extremamente irregular em sua narrativa, já que o texto ora oscila entre os rasos questionamentos de Gaines e o excessivo foco documental nos fatos politico-sociais do espaço e tempo recortados pelo roteiro. E ver um texto tão mal desenvolvido com a assinatura de Danny Strong é especialmente decepcionante, pois ele já foi responsável por exemplares roteiros políticos e biográficos para a TV, sendo Virada no Jogo, da HBO, seu exemplar mais recente nesse sentido.

Se a parte envolvendo a luta dos negros até tem seu valor histórico – o que reforça a ideia de que O Mordomo da Casa Branca seria mais relevante como documentário -, os momentos envolvendo a vida pessoal do protagonista desapontam profundamente. Começamos pela essência de Cecil Gaines, que por si só já praticamente anula as chances do filme de ter algum conflito: ele é um homem íntegro, batalhador e vencedor, que não faz mal a ninguém e que sempre foi vítima das circunstâncias injustas da vida. Nesse sentido, a escalada desse homem quase sem defeitos de garoto escravo em fazendas de algodão a homem de confiança da Casa Branca não é sentida, pois em menos de meia hora Cecil percorreu toda sua trajetória e já chegou no ponto em que conquista todas as pessoas e a atenção de presidentes. A presença de sua esposa, vivida por Oprah Winfrey (desde 1998, com Bem-Amada, ela não atuava em um filme), também não diz muita coisa, já que Gloria é, assim como seu marido, basicamente unidimensional – e a investida do roteiro em citar uma possível traição dela com o amigo vivido por Terrence Howard é jogada na trama com muito descaso.   

Com tudo isso, O Mordomo da Casa Branca perde seu ritmo por completo. São mais de duas horas aborrecidas onde a maior diversão é procurar os milhares de rostos conhecidos que integram o elenco. E a missão é longa, já que poucas vezes nos últimos vimos um elenco tão extenso e eclético em um mesmo filme. Só que a péssima notícia é que a brincadeira termina mesmo nesse “Onde está Wally?”, pois nenhum dos atores faz sequer algo especial. Não é culpa deles: o roteiro simplesmente não dá espaço para que veteranos como Alan Rickman, Jane Fonda e Vanessa Redgrave explorem qualquer dimensão em seus papeis. São apenas nomes em um cartaz para atrair público. Já Whitaker e Winfrey, protagonistas da história, não passam do velho samba de uma nota só. Ele, no piloto-automático, prova que seu Oscar por O Último Rei da Escócia foi justo sim, pois lá ele fazia muito bem um papel completamente atípico para sua carreira: forte, misterioso e perigoso – e não indefeso e inocente, quase abobado, como costuma representar. Oprah também não se impõe na tela, seja por sua interpretação ou pelo material que lhe é dado. E percebam que até mesmo nos momentos dramáticos a câmera foca abruptamente em seu rosto já encharcado de lágrimas, sem sequer acompanhar a origem e a evolução dos choros.

Se existe um consolo em O Mordomo da Casa Branca é que ele termina como o filme menos afetado de toda a carreira de Lee Daniels. Aliás, talvez o diretor nunca tenha sido tão quadrado e domesticado. Essa deve ter sido a principal razão para o filme ter sido um verdadeiro sucesso de bilheteria lá fora. Os estadunidenses adoram uma história esquemática, biográfica e, acima de tudo, patriótica. Até porque O Mordomo da Casa Branca faz de tudo para mostrar como o país “venceu” o racismo, chegando a mostrar inclusive a era Barack Obama. E Lee Daniels não poupa esforços para melodramatizar esse momento, com direito até ao protagonista já envelhecido e cheio de maquiagem se emocionando com essa eleição que significa tanto para seus semelhantes após anos de injustiça. Dessa forma, é mais um longa que, assim como Histórias Cruzadas, mostra as barbaridades sociais sofridas pelos negros, mas que também faz questão de forçar todo o drama possível para indicar que, apesar dos erros, os Estados Unidos e seu povo “consertam” os erros. E como questionar esse sucesso financeiro se a história ainda é encabeçada por uma espécia de Forrest Gump negro que acompanha diversos fatos históricos do país? Mas falta Tom Hanks. E Roberts Zemeckis. Aliás, faltam muitas coisas. Quem sabe na próxima vez, Lee Daniels…

FILME: 5.0

2*

Os indicados ao BAFTA 2014

bafta

Foram divulgados, nesta madrugada, os indicados ao BAFTA 2014. Distinção máxima do cinema britânico, a premiação é a última parada da temporada de premiações antes das cerimônias começarem a revelar seus vencedores. Bairrista mas frequentemente justo (foi nela que Philip Glass ganhou por As Horas e Colin Firth por Direito de Amar, por exemplo), o BAFTA deste ano, no entanto, não teve grandes surpresas. Quem lidera a lista é Gravidade, de Alfonso Cuarón, com 11 indicações, e os vencedores serão conhecidos no dia 16 de fevereiro.

O que mais chamou a atenção foi a ausência de Meryl Streep em melhor atriz por Álbum de Família (Julia Roberts conseguiu ficar entre as finalistas de coadjuvante), a inclusão de Behind the Candelabra em várias categorias (o filme foi exibido na TV em terras estadunidenses, mas ganhou espaço nas telas de cinema do Reino Unido), o reajuste em algumas categorias com a ausência de Dallas Buyers Club (o filme só será exibido no Reino Unido a partir de fevereiro) e, em menor escala, um carinho além do esperado para Walt nos Bastidores de Mary Poppins. Abaixo, a lista de indicados.

MELHOR FILME

12 Anos de Escravidão
Trapaça
Capitão Phillips
Gravidade
Philomena

MELHOR DIREÇÃO

Alfonso Cuarón (Gravidade)
David O. Russell (Trapaça)
Martin Scorsese (O Lobo de Wall Street)
Paul Greengrass (Capitão Phillips)
Steve McQueen (12 Anos de Escravidão)

MELHOR ATOR

Bruce Dern (Nebraska)
Chiwetel Ejiofor (12 Anos de Escravidão)
Christian Bale (Trapaça)
Leonardo DiCaprio (O Lobo de Wall Street)
Tom Hanks (Capitão Phillips)

MELHOR ATRIZ

Amy Adams (Trapaça)
Cate Blanchett (Blue Jasmine)
Emma Thompson (Walt nos Bastidores de Mary Poppins)
Judi Dench (Philomena)
Sandra Bullock (Gravidade)

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Barkhad Abdi (Capitão Phillips)
Bradley Cooper (Trapaça)
Daniel Brühl (Rush – No Limite da Emoção)
Matt Damon (Behind the Candelabra)
Michael Fassbender (12 Anos de Escravidão)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Jennifer Lawrence (Trapaça)
Julia Roberts (Álbum de Família)
Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão)
Oprah Winfrey (O Mordomo da Casa Branca)
Sally Hawkins (Blue Jasmine)

MELHOR FILME BRITÂNICO

Gravidade
Mandela – Long Walk to Freedom
Philomena
Rush – No Limite da Emoção
Walt nos Bastidores de Mary Poppins
The Selfish Giant

MELHOR FILME EM LÍNGUA NÃO-INGLESA

O Ato de Matar (Dinamarca)
Azul é a Cor Mais Quente (França)
A Grande Beleza (Itália)
Metro Manila (Filipinas)
O Sonho de Wadjda (Arábia Saudita)

MELHOR ANIMAÇÃO

Meu Malvado Favorito 2
Frozen – Uma Aventura Congelante
Universidade Monstros

MELHOR DOCUMENTÁRIO

O Ato de Matar
The Armstrong Lie
Blackfish
Tim’s Vermeer
We Steal Secrets: The Story of Wikileaks

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Blue Jasmine
Gravidade
Inside Llewyn Davis – Balada de Um Homem Comum
Nebraska
Trapaça

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

12 Anos de Escravidão
Behind the Candelabra
Capitão Phillips
Philomena
O Lobo de Wall Street

MELHOR TRILHA SONORA

12 Anos de Escravidão
A Menina que Roubava Livros
Capitão Phillips
Gravidade
Walt nos Bastidores de Mary Poppins

MELHOR FOTOGRAFIA

12 Anos de Escravidão
Capitão Phillips
Gravidade
Inside Llewyn Davis – Balada de Um Homem Comum
Nebraska

MELHOR MONTAGEM

12 Anos de Escravidão
Capitão Phillips
Gravidade
Rush – No Limite da Emoção
O Lobo de Wall Street

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO

12 Anos de Escravidão
Behind the Candelabra
Trapaça
Gravidade
O Grande Gatsby

MELHOR FIGURINO

Trapaça
Behind the Candelabra
O Grande Gatsby
The Invisible Woman
Walt nos Bastidores de Mary Poppins

MELHOR SOM

All is Lost
Capitão Phillips
Gravidade
Inside Llewyn Davis – Balada de Um Homem Comum
Rush – No Limite da Emoção

MELHORES EFEITOS VISUAIS

Além da Escuridão – Star Trek
Círculo de Fogo
Gravidade

O Hobbit – A Desolação de Smaug
Homem de Ferro 3

MELHOR MAQUIAGEM

Behind the Candelabra
O Grande Gatsby
O Hobbit – A Desolação de Smaug
O Mordomo da Casa Branca
Trapaça

BAFTA RISING STAR (voto do público)

Dane DeHaan
George Mackay
Léa Seydoux
Lupita Nyong’o
Will Poulter