Oscar 2012: indicados (comentários)

Pois é, o Oscar surpreendeu. Apesar de uma ou outra decepção, essa deve ser a lista mais diferente dos últimos anos. Repleta de surpresas, coloca A Invenção de Hugo Cabret na frente com 11 indicações, mesmo que o favoritismo ainda se divida entre O Artista e Os Descendentes. Abaixo, breves comentários sobre os indicados:
– Nunca subestime Stephen Daldry. Mesmo quando o cara não consegue indicação para diretor, o filme dele está lá na categoria principal. Não significa nada a indicação de Tão Forte e Tão Perto, só comprova o amor incondicional da Academia pelo britânico.
– Melissa McCarthy em atriz coadjuvante? Essa entra para o hall das indicações mais absurdas e inexplicáveis do Oscar nos últimos anos.
– Não falem mal de Carlinhos Brown! “Real in Rio” é excelente e, pelo jeito, o Brasil terá seu primeiro Oscar. Merecido, por sinal.
– Surpreendente A Árvore da Vida chegando nas categorias principais. Não faz o estilo do Oscar e, se levarmos em consideração outros prêmios, não estaria ali. Pelo menos sinalizou uma mudança de atitude da Academia.
– Steven Spielberg esnobado por As Aventuras de Tintim. Pena. E olha que venceu o PGA, hein…
– Onde os votantes estavam com a cabeça ao deixar Tilda Swinton de fora por Precisamos Falar Sobre o Kevin, hein? Além da atriz ter sido indicada a todos os prêmios da temporada, merecia demais estar ali. E o filme em si também merecia mais reconhecimento.
– Apenas dois indicados em canção? Por que não acabam logo com a categoria? É triste e desrespeitoso ver uma situação dessas. Como questionou Randy Newman ano passado: qual a razão dessa categoria ter menos indicados que as outras? É uma desvalorização escancarada.
– A Dama de Ferro indicado em atriz (Meryl quebrando seu próprio recorde de novo!) e maquiagem. Será que teremos uma dobradinha de vitória ao estilo Piaf – Um Hino ao Amor?
– Não coloco minha mão no fogo por O Artista. Olha A Invenção de Hugo Cabret surpreendendo...
– E, por fim, ainda bem que alguém parou o sucesso descontrolado de Histórias Cruzadas. Quatro indicações (sendo três delas para o elenco feminino) já são muito mais do que o suficiente. Muito mais.
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Os vencedores do Oscar serão conhecidos no dia 26 de fevereiro. Confira no Cultnews a lista completa de indicados.
Oscar 2012: apostas (indicados)
Na próxima terça-feira (24), conheceremos os indicados ao Oscar 2012. Abaixo, os meus palpites (apenas categorias principais):
MELHOR FILME
O Artista
Os Descendentes
Histórias Cruzadas
O Homem Que Mudou o Jogo
A Invenção de Hugo Cabret
Meia-Noite em Paris
Tudo Pelo Poder
MELHOR DIRETOR
Michel Hazanavicius (O Artista)
Alexander Payne (Os Descendentes)
Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret)
Tate Taylor (Histórias Cruzadas)
Woody Allen (Meia-Noite em Paris)
MELHOR ATRIZ
Glenn Close (Albert Nobbs)
Viola Davis (Histórias Cruzadas)
Meryl Streep (A Dama de Ferro)
Tilda Swinton (Precisamos Falar Sobre o Kevin)
Michelle Williams (Sete Dias Com Marylin)
MELHOR ATOR
George Clooney (Os Descendentes)
Leonardo DiCaprio (J. Edgar)
Jean Dujardin (O Artista)
Michael Fassbender (Shame)
Brad Pitt (O Homem Que Mudou o Jogo)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Bérénice Bejo (O Artista)
Jessica Chastain (Histórias Cruzadas)
Janet McTeer (Albert Nobbs)
Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)
Shailene Woodley (Os Descendentes)
MELHOR ATOR COADJUVANTE
Kenneth Branagh (Sete Dias Com Marilyn)
Jim Broadbent (A Dama de Ferro)
Albert Brooks (Drive)
Jonah Hill (O Homem Que Mudou o Jogo)
Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Os Descendentes
Histórias Cruzadas
O Homem Que Mudou o Jogo
A Invenção de Hugo Cabret
Precisamos Falar Sobre o Kevin
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
50%
O Artista
Ganhar ou Ganhar – A Vida é Um Jogo
Meia-Noite em Paris
Jovens Adultos
Globo de Ouro 2012: Resultados

Breves comentários sobre a 69ª edição do Globo de Ouro:
– Os Descendentes? The Artist (finalmente com distribuidora aqui no Brasil)? A Invenção de Hugo Cabret? Depois que os prêmios se dividiram tanto e que Martin Scorsese levou o prêmio de melhor diretor, fica cada vez mais difícil prever o que está por vir nas próximas premiações. Isso é ruim? Bem pelo contrário. É o suspense que tanto esperamos…
– Ricky Gervais já cansou. Quando era ousado, reclamaram. Quando foi podado, acabou insosso. Os estadounidenses não sabem rir deles próprios. Gervais não consegue mudar isso. Hora de trocar a fita.
– Depois do Critics’ Choice Awards, Woody Allen conquista, de novo, a categoria de melhor roteiro. Seria prematuro considerá-lo como uma barbada para vencer o Oscar depois de tantos anos?
– O caminho de George Clooney nas premiações já parece bem claro com Os Descendentes (ainda deve levar o SAG, uma vez que nunca conquistou o prêmio). Mas será mesmo que a Academia vai premiá-lo uma segunda vez? E ainda como ator? Pelo visto, aquela estatueta de Syriana foi mesmo muito prematura…
– Madonna ganhando canção? Bom, mais um atestado de que ganhar Globo de Ouro de canção é quase um atestado para ficar de fora Oscar (lembrando que Masterpiece já não consta na pré-lista divulgada recententemente). Sem falar que basta ser uma estrela para vencer: Mick Jagger, Prince, Cher, Madonna…
– Meryl Streep silenciou todos aqueles que duvidavam de sua Margaret Thatcher. Pela primeira vez em anos (é sua oitava vitória), seu Globo de Ouro finalmente significa alguma coisa, já que, aqui, ela bateu grandes candidatas e não venceu por falta de concorrência, como em O Diabo Veste Prada e Julie & Julia. A alegria de todos ficou visível e o terceiro Oscar… Bom, cada vez mais perto.
– Christopher Plummer e Octavia Spencer já podem preparar o lugar na estante. Pelo visto, o ano é deles mesmo. Uma pena que a segunda nem merece.
– Para completar, um pedido: votantes do Oscar, coloquem Viola como coadjuvante. Esse é o lugar dela em Histórias Cruzadas. Assim, ela e Meryl, grandes amigas, saem ganhando. Seria épico. Duas felicidades na mesma noite. Ninguém precisa ficar com o coração dividido.
(confira aqui a lista completa de vencedores e mais comentários)
Globo de Ouro 2012: Apostas
2012 é um ano estranho para as premiações. Temos vários filmes, dos mais diferentes estilos – mas não existe um favorito absoluto. Se Os Descendentes parecia a aposta mais óbvia para levar todos os prêmios, eis que o Critics’ Choice Awards confundiu um pouco a situação ao consagrar The Arsist. No entanto, vale lembrar que a corrida pelo Oscar começa somente amanhã, quando o Globo de Ouro apresentará os seus vencedores. Mesmo que não seja o termômetro mais confiável para prever os votos da Academia, tem papel fundamental ao apontar nomes promissores e tendências que devem ser seguidas em outros prêmios. Abaixo, as apostas do Cinema e Argumento para o Globo de Ouro:
MELHOR FILME DRAMA: Os Descendentes, de Alexander Payne
MELHOR FILME COMÉDIA/MUSICAL: The Artist, de Michel Hazanavicius
MELHOR ATOR DRAMA: George Clooney (Os Descendentes)
MELHOR ATOR COMÉDIA/MUSICAL: Jean Dujardin (The Artist)
MELHOR ATRIZ DRAMA: Meryl Streep (A Dama de Ferro)
MELHOR ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL: Michelle Williams (Sete Dias Com Marilyn)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Jessica Chastain (Histórias Cruzadas)
MELHOR DIRETOR: Michel Hazanavicius (The Artist)
MELHOR ROTEIRO: Tudo Pelo Poder
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “Masterpiece” (W.E. – O Romance do Século)
MELHOR TRILHA SONORA: Abel Korzeniowski (W.E. – O Romance do Século)
MELHOR FILME ESTRANGEIRO: A Separação (Irã)
MELHOR ANIMAÇÃO: As Aventuras de Tintim
As indicações ao Oscar de… Alexandre Desplat
Hoje, todo cinéfilo conhece o francês Alexandre Desplat. Entretanto, até cinco anos atrás, poucos sabiam de sua existência. Indicado para quatro Oscars, esse francês de 50 anos é o compositor que mais trabalha atualmente, além de ser extremamente eclético, fazendo trilha para blockbusters, dramas, animações e suspenses. O melhor de Desplat é que ele nunca perde o ritmo e, mesmo que, de vez em quando, apresente trabalhos reciclados, está sempre dando provas de originalidade. Confira, abaixo, breves análises das quatro vezes em que o compositor foi indicado ao Oscar:

2007 – Melhor Trilha Sonora
Javier Navarrete (O Labirinto do Fauno)
Philip Glass (Notas Sobre Um Escândalo)
Alexandre Desplat (A Rainha)
Gustavo Santaolalla (Babel)
Thomas Newman (O Segredo de Berlim)
Pouco interessa se Alexandre Desplat merecia estar nessa lista com A Rainha ou com O Despertar de Uma Paixão, filme que lhe rendeu um merecido Globo de Ouro. As duas trilhas são ótimas e foram perfeitas introduções do compositor para o público que até então não tinha muito conhecimento de sua obra (ela já incluía bons trabalhos como Reencarnação e Moça Com Brinco de Pérola). Desplat poderia sim ter vencido o prêmio logo de cara, uma vez que a segunda estatueta para o subestimado Gustavo Santaolalla foi apenas uma consolação para Babel, filme que era um dos favoritos daquela cerimônia e que não poderia sair da festa de mãos abanando. Além de um merecido reconhecimento para A Rainha, seria também um importante voto de confiança para esse compositor que não deixaria de dar constantes provas de talento a partir daí. Se não fosse Desplat, que pelo menos tivessem premiado a bela trilha de O Labirinto do Fauno, ou, então, a de Notas Sobre Um Escândalo, para corrigir as injustiças absurdas que já cometeram com o mestre Philip Glass, que, pasmem, não tem Oscar até hoje.

2009 – Melhor Trilha Sonora
Alexandre Desplat (O Curioso Caso de Benjamin Button)
A.R. Rahman (Quem Quer Ser Um Milionário?)
Thomas Newman (WALL-E)
James Newton Howard (Um Ato de Liberdade)
Danny Elfman (Milk – A Voz da Igualdade)
Obra-prima de Alexandre Desplat, a trilha de O Curioso Caso de Benjamin Button não conseguiu rivalizar com a de Quem Quer Ser Um Milionário?, do indiano A.R. Rahman – um sujeito que, assim como Santaolalla, é bastante superestimado. O trabalho de Desplat era, claramente, o mais consistente entre todos, criando uma atmosfera impecável para o filme de David Fincher. Estranho ver a Academia se rendendo ao trabalho de Rahman, já que a trilha é basicamente composta por canções (três delas indicadas ao prêmio em sua respectiva categoria). 2009 também foi um ano de gigantes, onde ainda concorriam outros profissionais que até hoje não sentiram o gosto do que é vencer um Oscar, como Thomas Newman (inspirado em sua trilha para WALL-E, outro que merecia mais reconhecimento), James Newton Howard e Danny Elfman. Rahman, cujo prêmio foi mais pela empolgação exacerbada com o filme de Danny Boyle, realizou sim um trabalho muito interessante, mas que, hoje, já não fica tanto na memória quanto O Curioso Caso de Benjamin Button, de Alexandre Desplat.

2010 – Melhor Trilha Sonora
Michael Giacchino (Up – Altas Aventuras)
Alexandre Desplat (O Fantástico Sr. Raposo)
Hans Zimmer (Sherlock Holmes)
James Horner (Avatar)
Marco Beltrami & Buck Sanders (Guerra ao Terror)
No ano em que Marco Beltrami e Buck Sanders foram inexplicavelmente lembrados pela trilha de Guerra ao Terror (mais um caso de indicação só para bajular um filme) e que Abel Korzeniowski não foi citado por seu perfeito trabalho em Direito de Amar, poderíamos esperar qualquer loucura para o vencedor. Desplat, por O Fantástico Sr. Raposo, não tinha qualquer chance de vencer, pois Michael Giacchino era, merecidamente, o favorito por seu ótimo trabalho em Up – Altas Aventuras. Era mesmo o ano da Pixar nessa categoria, porque os já consagrados Hans Zimmer e James Horner dificilmente venceriam por seus respectivos trabalhos. Vale lembrar, claro, que Desplat, seguindo o seu padrão de alta quantidade de trilhas por ano, ainda tinha dois excelentes trabalhos elegíveis: Coco Antes de Chanel e Chéri. Trabalhos, inclusive, que eram mais merecedores do que o próprio indicado do francês.

2011 – Melhor Trilha Sonora
Trent Reznor & Atticus Ross (A Rede Social)
Hans Zimmer (A Origem)
Alexandre Desplat (O Discurso do Rei)
John Powell (Como Treinar o Seu Dragão)
A.R. Rahman (127 Horas)
Desplat não seria Desplat se não se envolvesse com os projetos certos. Entre tantos trabalhos, eis que ele foi parar no grande vencedor do ano de 2011. E, se num primeiro momento, pode até parecer que o compositor foi indicado apenas pelo buzz de O Discurso do Rei, logo percebemos que não é bem assim: a trilha, simpática e com uma música-tema muito interessante, merecia mesmo estar ali. Mas não para vencer. Assim como o próprio filme de Tom Hooper, era o indicado “clássico” e sem ousadias de sua categoria. Se O Discurso do Rei conseguiu bater seus rivais na categoria principal, Desplat não alcançou tal feito, até mesmo porque os vencedores, Trent Reznor e Atticus Ross, mereceram a estueta pelo trabalho contemporâneo e diferente. Outro cotadíssimo desse ano era Hans Zimmer, que criou composições emblemáticas para o grandioso A Origem. Entre as ausências, Daft Punk, por Tron – O Legado. A dupla merecia figurar entre os cinco selecionados, fazendo par com A Rede Social. As duas trilhas têm muito em comum.
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No próximo post: George Clooney.