Quem serão os vencedores do Emmy 2015?

Na sua quarta indicação consecutiva, Veep finalmente faturou o prêmio de melhor elenco cômico no Emmy. A vitória eleva as chances da série para a grande premiação do próximo domingo (20).
Sempre longe de ser previsível, o Emmy já trouxe algumas surpresas neste fim de semana, quando anunciou os vencedores do chamado Creative Arts, que lista os melhores entre categorias técnicas, atores convidados e elencos. Se Transparent parecia uma barbada entre as comédias (definição de gênero questionável, diga-se de passagem), sua soberania agora já pode ser contestada: pela primeira vez em quatro anos Veep faturou o prêmio de melhor elenco, reforçando a ideia de que a série é sim muito mais do que apenas a maravilhosa Julia Louis-Dreyfus – e não será surpresa alguma se Tony Hale e Anna Chlumsky se consagrarem como coadjuvantes na próxima semana também, quando os demais vencedores serão revelados, já que ambos submeteram episódios onde protagonizam cenas de absoluto brilho individual.
De qualquer forma, tanto Veep quanto Transparent são séries de alto nível. Pela definição de comédia e pela qualidade acentuada a cada temporada, seria mais justo Veep vencer, só que, pela relevância temática e por apontar para o caminho das novas plataformas de streaming, Transparent, que abriu os trabalhos da Amazon como produtora de conteúdo audiovisual, salta na frente. Ainda entre as comédias, Transparent levou um merecido prêmio de ator convidado para a sensível participação de Bradley Whitford no episódio Best New Girl (o melhor da temporada), trazendo mais uma derrota para Jon Hamm, que concorria por seu ótimo momento em Unbreakable Kimmy Schmidt. Já Joan Cusack foi a melhor atriz convidada por Shameless, derrotando candidatas de peso que estão com indicações duplas este ano, como Christine Baranski e Gaby Hoffman.
Nas categorias de drama, outras surpresas: Game of Thrones pela primeira vez faturou o prêmio de melhor elenco – e é no mínimo inusitada a vitória em um ano que o seriado dividiu opiniões e entregou aquela que é unanimemente a sua temporada menos interessante. A lembrança não é brincadeira: no ano em que Mad Men se despediu da TV e supostamente viria com força total para reinar novamente no Emmy, a derrota surge como um forte sinal para a grande premiação da semana que vem, especialmente quando Orange is the New Black vive um grande momento e outras séries veteranas e mais focadas em trabalhos de interpretação seguem sendo lembradas, como House of Cards, que faturou a categoria de melhor ator convidado para Reg E. Cathey. A sempre maravilhosa Margo Martindale foi a melhor interpretação feminina mo mesmo segmento por The Americans, desbancando a veterana Cicely Tyson (ótima como a mãe de Viola Davis em How to Get Away With Murder), que já havia perdido um Emmy no ano passado pelo telefilme O Regresso Para Bountiful.
Para o próximo domingo, apenas duas apostas parecem realmente fáceis: Jeffrey Tambor como melhor ator de comédia por seu sensível desempenho em Transparent e Viola Davis fazendo história como a primeira atriz negra a vencer na categoria por How to Get Away With Murder. Muitos querem crer que Jon Hamm (Mad Men) e Amy Poehler (Parks and Recreation) finalmente serão corados na premiação, mas vale lembrar que o Emmy não se comove com despedidas: Steve Carell (The Office), Hugh Laurie (House) e Frances Conroy (Six Feet Under) foram alguns dos atores indicados várias vezes – e reconhecidamente merecedores da estatueta – que nunca subiram ao palco para receber honrarias individuais.
Entre as surpresas possíveis, não subestimar a sexta indicação consecutiva de Christine Baranski como atriz coadjuvante em drama por The Good Wife (a série sempre teve uma de suas atrizes premiadas a cada temporada e ela é a única que não passou um ano sem ser lembrada), Niecy Nash entre as atrizes coadjuvantes de comédia por Getting On (seria uma daquelas pequenas surpresas da categoria ao estilo Kristin Chenoweth por Pushing Daisies e Merritt Wever por Nurse Jackie) e Ben Mendelsohn, ótimo em Bloodline e favorecido por uma fraude de categoria (ele é obviamente protagonista ao lado de Kyle Chandler e não coadjuvante como o programa vendeu e o Emmy comprou). E o que mais vai acontecer na grande noite de premiação do Emmy? Abaixo as nossas apostas:
MELHOR SÉRIE DRAMA: Mad Men / alt: Game of Thrones
MELHOR SÉRIE COMÉDIA: Transparent / alt: Veep
MELHOR MINISSÉRIE: Olive Kitteridge / alt: American Horror Story: Freak Show
MELHOR ATOR DRAMA: Kevin Spacey (House of Cards) / alt: Jon Hamm (Mad Men)
MELHOR ATOR COMÉDIA: Jeffrey Tambor (Transparent) / alt: William H. Macy (Shameless)
MELHOR ATOR MINISSÉRIE/TELEFILME: David Oyelowo (Nightingale) / alt: Adrien Brody (Houdini)
MELHOR ATRIZ DRAMA: Viola Davis (How to Get Away With Murder) / alt: Taraji P. Henson (Empire)
MELHOR ATRIZ COMÉDIA: Julia Louis-Dreyfus (Veep) / alt: Amy Poehler (Parks and Recreation)
MELHOR ATRIZ MINISSÉRIE/TELEFILME: Frances McDormand (Olive Kitteridge) / alt: Queen Latifah (Bessie)
MELHOR ATOR COADJUVANTE DRAMA: Ben Mendelsohn (Bloodline) / alt: Jonathan Banks (Better Call Saul)
MELHOR ATOR COADJUVANTE COMÉDIA: Tituss Burgess (Unbreakable Kimmy Schmidt) / alt: Tony Hale (Veep)
MELHOR ATOR COADJUVANTE MINISSÉRIE/TELEFILME: Bill Murray (Olive Kitteridge) / alt: Michael Kenneth Williams (Bessie)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE DRAMA: Christine Baranski (The Good Wife) / alt: Uzo Aduba (Orange is the New Black)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE MINISSÉRIE/TELEFILME: Sarah Paulson (American Horror Story: Freak Show) / alt: Mo’Nique (Bessie)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE COMÉDIA: Niecy Nash (Getting On) / alt: Anna Chlumsky (Veep)
Os indicados ao Emmy 2015

A lista do Emmy 2015 reflete a imensa diversidade temática e narrativa que a TV e as plataformas on demand vêm oferecendo. Das discussões envolvendo identidade e gênero em Transparent ao retorno da recentemente esquecida Mad Men, os indicados deste ano, com algumas ressalvas, reforçam a ideia de que nunca vivemos tempos tão ricos e democráticos no mundo dos seriados. É bem verdade que em alguns pontos não dá para levar o Emmy a sério – oito indicadas em atriz coadjuvante de comédia?! -, mas é sempre irresistível acompanhar premiações, não é mesmo? Abaixo, nossos breves comentários sobre os indicados, cuja lista completa está disponível no site oficial do Emmy.
– Mad Men precisou se despedir da TV para voltar a concorrer ao Emmy (ano passado o programa não teve uma indicação sequer), com direito a lembranças para Jon Hamm, Christina Hendricks e Elisabeth Moss. No entanto, a série deve seguir os passos de Six Feet Under: ter seu unanime elenco se despedindo da premiação sem ter conquistado prêmios individuais ao longo dos anos;
– Homeland, que anos atrás chegou a ganhar como melhor série dramática, volta ao páreo na categoria. Dizem que o programa está em uma boa fase, mas quase ninguém fala mais nele. Inclusão no mínimo inesperada;
– Better Call Saul também não foi lá muito popular ou sequer discutida com entusiasmo pela crítica, mas o prestígio de Vince Gilligan conseguiu surpreendentemente levar a série para a categoria principal;
– Entre as comédias, Modern Family parece finalmente ter seus dias contados, já que não conseguiu indicações a roteiro e direção e ainda teve lembranças apenas para Ty Burell e Julie Bowen na lista de coadjuvantes. Enquanto isso, The Big Bang Theory passou em branco e nem Jim Parsons chegou entre os finalistas. Já estava na hora, né?;
– Apesar da novidade que é Unbreakable Kimmy Schmidt, a série é muito específica e deve ter sorte apenas entre os coadjuvantes, em especial com o impagável Tituss Burgess. A disputa está merecidamente entre Veep, que chega ao quarto ano com o mesmo e justificado prestígio de sempre, e a inspiradora e delicada Transparent, já vencedora do Globo de Ouro;
– Kyle Chandler como protagonista em drama e Ben Mendehlson como coadjuvante em drama foram as duas únicas lembranças de Bloodline, que, mesmo com criadores celebrados e elenco de qualidade, não vingou entre os votantes. O hit Empire também performou abaixo do esperado, conseguindo uma única e merecida indicação de melhor atriz para Taraji P. Henson;
– Surpreendente a inclusão de Lily Tomlin como melhor atriz de comédia por Grance and Frankie enquanto sua colega de cena Jane Fonda amarga o esquecimento. Uma pergunta para quem assiste a série: esse não é um trabalho de dupla? E, por ter Oscar em casa, era esperado que Fonda fosse lembrada caso optassem apenas por uma;
– Vencedora do Emmy de melhor atriz dramática ano passado, Julianna Margulies não foi lembrada pelo sexto ano da sempre ótima The Good Wife. Na realidade, a categoria deixou de indicar vários nomes há anos fixados na lista ou então dados como certos: Ruth Wilson, vencedora do Globo de Ouro por The Affair, Michelle Dockery por Downton Abbey e Kerry Washington por Scandal. Quem sai ganhando é Tatiana Maslany, por The Orphan Black, considerada uma das boas surpresas;
– Oito indicadas em atriz coadjuvante de comédia? A indecisão foi tanta assim? De qualquer forma, não dá para reclamar quando tem Niecy Nash lembrada por Getting On (a melhor série de comédia que ninguém vê) e Jane Krakowski por Unbreakable Kimmy Schmidt. A disputa é acirrada, já que Allison Janey (Mom) é queridinha dos votantes e Anna Chlumsky (Veep) parece ter o episódio perfeito para uma vitória;
– No mais, fica registrada aqui a nossa torcida para que Christine Baranski finalmente ganhe como melhor atriz coadjuvante em drama. Uma curiosidade: The Good Wife sempre teve uma mulher premiada por temporada no Emmy. Em ordem cronológica: Archie Panjabi (injustamente esquecida este ano), Margulies, Martha Plimpton, Carrie Preston e Margulies de novo. Que a a estatística siga vencedora em 2015!
Os vencedores do Oscar 2015

Em uma noite de excelentes surpresas, o Oscar faz história e consagra pelo segundo ano consecutivo um diretor mexicano
Poucas vezes vi, na minha breve vida de cinéfilo até agora, uma cerimônia de Oscar tão surpreendentemente justa como a desse ano. Há tempos me questionava como os prêmios tinham comprado um filme tão diferente e naturalista como Boyhood. Sua vitória sempre me pareceu inconcebível, mas, pelas tendências e matemáticas dos grandes prêmios, apostei sem hesitar no filme de Richard Linklater. E que bela surpresa tive ao ver Birdman sendo consagrado nas categorias principais. Não é apenas porque considero Boyhood uma obra superestimada que minha alegria foi tão grande, mas porque era de um filme como Birdman que o Oscar precisava urgentemente na sua lista. A história comandada por Alejandro González Iñárritu é repleta de críticas à indústria e isso casou perfeitamente com o tom inflamado da cerimônia em relação a diversas feridas latentes em Hollywood.
Se Neil Patrick Harris (extremamente apagado se comparado a Ellen DeGeneres ano passado) abriu os trabalhos falando que o Oscar premiaria apenas os filmes mais brancos, Patricia Arquette logo deu continuidade ao tom falando sobre salários e oportunidades iguais para mulheres – o que levou Meryl Streep, uma feminista ferrenha, ao total êxtase na plateia. Logo veio a consagração de “Glory” em canção original e os autores da canção obviamente expuseram o racismo ainda existente na indústria. Isso mesmo, Academia: não adianta só colocar dezenas de negros cantando no palco, uma plateia inteira chorando e aplaudindo em pé e uma estatueta para um filme como Selma para amenizar tal questão. Em seguida, Graham Moore, o roteirista de O Jogo da Imitação, falou ao público gay. “Permaneçam estranhos. Permaneçam diferentes”, bradou lindamente o vencedor.
No mais, impossível não se emocionar com a apresentação simplesmente impecável de Lady Gaga na homenagem para A Noviça Rebelde (um momento que ressaltou a grande intérprete que Gaga um dia já foi e que hoje se perdeu em várias histerias de figurinos e visuais malucos), vibrar com injustiças sendo corrigidas (Alexandre Desplat, finalmente!), se surpreender com vitórias gratificantes (Whiplash em montagem!) e não se encantar com a total sinceridade e emoção genuína de Eddie Redmayne ganhando como melhor ator, por exemplo. Mas a minha felicidade particular está mesmo com a consagração de Birdman, um filme que admiro profundamente e que me deixou feliz em ter errado minhas apostas nas categorias principais. Nunca saí tão satisfeito com um Oscar. Hoje vou dormir tardiamente e feliz após anos vendo meus favoritos perdendo na cerimônia. Até 2016!

Yes! Yes! Yes! Melhor Oscar!
A lista completa de vencedores:
MELHOR FILME: Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
MELHOR DIREÇÃO: Alejandro González Iñárritu (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância))
MELHOR ATRIZ: Julianne Moore (Para Sempre Alice)
MELHOR ATOR: Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Patricia Arquette (Boyhood: Da Infância à Juventude)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: J.K. Simmons (Whipash: Em Busca da Perfeição)
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: O Jogo da Imitação
MELHOR FOTOGRAFIA: Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
MELHOR FIGURINO: O Grande Hotel Budapeste
MELHOR MIXAGEM DE SOM: Whiplash: Em Busca da Perfeição
MELHOR EDIÇÃO DE SOM: Sniper Americano
MELHOR MONTAGEM: Whiplash: Em Busca da Perfeição
MELHOR TRILHA SONORA: O Grande Hotel Budapeste
MELHOR DOCUMENTÁRIO: Citizenfour
MELHOR FILME ESTRANGEIRO: Ida (Polônia)
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO: O Grande Hotel Budapeste
MELHOR ANIMAÇÃO: Operação Big Hero
MELHOR CURTA-METRAGEM: The Phone Call
MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO: O Banquete
MELHOR CURTA-METRAGEM DE DOCUMENTÁRIO: Crisis Hotline: Veterans Press 1
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “Glory” (Selma: Uma Luta Pela Igualdade)
MELHOR MAQUIAGEM & PENTEADOS: O Grande Hotel Budapeste
MELHORES EFEITOS VISUAIS: Interestelar
Oscar 2015: apostas

Hoje chega ao fim a temporada 2015 de premiações. Dessa vez, a disputa está realmente indefinida. E não é forçar a barra: não será surpresa alguma se Boyhood perder a estatueta para Birdman, por exemplo. O favoritismo está polarizado nesses dois filmes que – vale ressaltar – têm narrativa e até mesmo estética bastante diferentes do que o Oscar costuma normalmente celebrar. Já é um avanço, se formos analisar por esse lado. Enquanto isso, não há muitas dúvidas em relação aos atores, ao passo que O Grande Hotel Budapeste deve liderar as categorias técnicas. E aí, você é #TeamBoyhood ou #TeamBirdman? Independente disso, você tem motivos de sobra para esperar uma vitória de ambos. A cerimônia do Oscar será transmitida no Brasil pela TNT a partir das 20h30 com o tapete vermelho, seguido da cerimônia de premiação às 22h30. Para quem pode acompanhar o canal E!, a função começa já às 15h30 com o tradicional Countdown. Relembre aqui a lista de indicados. Bom Oscar a todos!
MELHOR FILME
Quem leva: Boyhood: Da Infância à Juventude, porque é tendência nas premiações
Quem pode surpreender: Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), que tem o aval dos principais sindicatos
Quem merece: Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância), pela inventividade, originalidade e relevância temática e técnica
Quem nunca venceria: Selma: Uma Luta Pela Igualdade, porque só concorre a canção e porque o arrependimento dos votantes com a ausência dos negros na cerimônia é delicado demais para ser compensado assim
MELHOR DIREÇÃO
Quem leva: Richard Linklater (Boyhood), para reforçar a dobradinha com a categoria principal e porque o cara tem trajetória nunca reconhecida
Quem pode surpreender: Alejandro González-Iñárritu (Birdman), mesmo que pareça impossível dois mexicanos vencerem essa categoria consecutivamente
Quem merece: Alejandro González-Inárritu, que, dadas as proporções dos respectivos filmes, não deve nada ao que seu conterrâneo Alfonso Cuarón fez em Gravidade
Quem nunca venceria: Bennett Miller (Foxcatcher – Uma História Que Chocou o Mundo), pois seria meio incoerente ganhar aqui e não ter o filme selecionado entre os oito da categoria principal
MELHOR ATRIZ
Quem leva: Julianne Moore (Para Sempre Alice), já que a dívida é grande, o papel é certeiro, a mulher é incrível e ela está de fato ótima nesse filme que não teria vida em prêmios se tivesse sido lançado na metade do ano
Quem pode surpreender: ninguém, o prêmio já é de Julianne Moore
Quem merece: Marion Cotillard (Dois Dias, Uma Noite), com o meu coração gritando também por Rosamund Pike (Garota Exemplar)
Quem nunca venceria: Marion Cotillard, uma atriz francesa com um Oscar em casa ganhando pela segunda vez? Nunquinha.
MELHOR ATOR
Quem leva: Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo), com o papel infalível envolvendo deficiência em uma biografia inglesa bem acadêmica
Quem pode surpreender: Michael Keaton (Birdman), porque vai que no finalzinho dá para reverter o jogo…
Quem merece: Eddie Redmayne, pelo magnífico trabalho corporal e pela perfeita compreensão de mente e espírito de Stephen Hawking
Quem nunca venceria: Steve Carell, que, comparado aos outros concorrentes, não tem nome ou força suficientes para sequer ser cogitado – e ainda está na categoria errada por um filme dificílimo
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Quem vence: Patricia Arquette (Boyhood), sem qualquer outra chance de alguém vencer
Quem pode surpreender: ninguém, deem logo a estatueta para ela
Quem merece: Laura Dern (Livre), pela carreira, pelo talento, pelo que representa no filme e por deixar as lembranças mais carinhosas entre as indicadas (e sei que estou sozinho nessa)
Quem nunca venceria: Meryl Streep (Caminhos da Floresta) pela quarta vez tão cedo? Nopes. Vai ter que esperar mais 30 anos.
MELHOR ATOR COADJUVANTE
Quem vence: J.K. Simmons (Whiplash: Em Busca da Perfeição), o favorito inegável que tem a matemática completa a seu favor
Quem pode surpreender: de novo, ninguém. O quarteto vencedor de atores já está praticamente carimbado.
Quem merece: J.K. Simmons, sem nenhum concorrente à altura
Quem nunca venceria: Robert Duvall (O Juiz), porque seria muita falta de vergonha cara
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Quem vence: O Grande Hotel Budapeste, pois é o máximo de Oscar que Wes Anderson leva na vida (e um filme seu nunca foi tão badalado)
Quem pode surpreender: Birdman, se os votantes decidirem que esse filme precisa levar alguma coisa se for esnobado em filme e direção
Quem merece: O Grande Hotel Budapeste, pelo auge da originalidade cada vez mais crescente e controlada que Anderson vem apresentando nos últimos anos
Quem nunca venceria: O Abutre, porque seria o maior azarão em muitos anos (ou décadas)
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Quem vence: O Jogo da Imitação, em um chute aleatório
Quem pode surpreender: A Teoria de Tudo, acreditando que uma das biografias tradicionais se consagra aqui
Quem merece: Whiplash deveria ser o favorito incontestável (considerando que não conferi Vício Inerente)
Quem nunca venceria: Vício Inerente. Se Paul Thomas Anderson nunca ganhou nem com filmes mais badalados e que hoje são clássicos, imagina com esse…
MELHOR FOTOGRAFIA: Birdman / alt: O Grande Hotel Budapeste
MELHOR FIGURINO: O Grande Hotel Budapeste / alt: Sr. Turner
MELHOR MIXAGEM DE SOM: Whiplash / alt: Sniper Americano
MELHOR EDIÇÃO DE SOM: Sniper Americano / alt: Birdman
MELHOR MONTAGEM: Boyhood / alt: Whiplash
MELHOR TRILHA SONORA: A Teoria de Tudo / alt: O Grande Hotel Budapeste
MELHOR DOCUMENTÁRIO: Citizenfour / alt: Virunga
MELHOR FILME ESTRANGEIRO: Ida (Polônia) / alt: Leviatã (Rússia)
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO: O Grande Hotel Budapeste / alt: O Jogo da Imitação
MELHOR ANIMAÇÃO: Como Treinar o Seu Dragão 2 / alt: Operação Big Hero
MELHOR CURTA-METRAGEM: Boogaloo and Graham / alt: The Phone Call
MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO: The Bigger Picture / alt: O Banquete
MELHOR CURTA-METRAGEM DE DOCUMENTÁRIO: Nasza Klatwa / alt: Joanna
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “Glory” (Selma) / alt: “I’m Not Gonna Miss You” (Glenn Campbell: I’ll Be Me)
MELHOR MAQUIAGEM & PENTEADOS: O Grande Hotel Budapeste / alt: Guardiões da Galáxia
MELHORES EFEITOS VISUAIS: Interestelar / alt: Planeta dos Macacos: O Confronto
Oscar 2015: melhor filme

Pelo visto, a Academia prefere dois espaços em branco em uma lista do que indicar Garota Exemplar ou Foxcatcher, por exemplo. Pela primeira vez trazendo menos de nove indicados desde que passou a poder contar com até 10 em sua categoria principal, o prêmio errou feio na diminuição de filmes elencados. Que baita pisada na bola, especialmente depois de anos em que coisas como Um Sonho Possível chegavam em uma seleção final com nove indicados. Deixando de lado discussões sobre qualidade, a lista de 2015 de fato representa os principais filmes da temporada, com exceção de Sniper Americano e Selma: Uma Luta Pela Igualdade, que só tiveram vida aqui. Sonhando um pouco, ainda seria um mundo perfeito se os estrangeiros também tivessem chances aqui: na minha lista, indicaria Relatos Selvagens e Dois Dias, Uma Noite sem pensar duas vezes.
Chegamos à premiação desse domingo (22) com uma disputa aparentemente acirrada. De um lado, Birdman, com o aval dos principais sindicatos. De outro, Boyhood, celebrado pelas grandes premiações televisionadas. Independente de quem ganhe, vale perceber o grande avanço temático e técnico que o Oscar traz esse ano, principalmente quando, anos atrás, esnobou longas como Cisne Negro para premiar as formalidades de O Discurso do Rei. Realmente é um tiro no escuro apostar em qualquer um dos dois filmes. Ao mesmo tempo que parece improvável o Oscar celebrar um filme tão naturalista como Boyhood, é igualmente estranho imaginá-lo coroando as inventividades de Birdman. Particularmente, minhas torcidas ficam todas para o segundo.
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BIRDMAN OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), de Alejandro González Iñárritu: Disparado meu filme favorito entre os oito indicados, Birdman é uma grande aula de direção. Contemporâneo, inteligente e inventivo em roteiro e técnica, o filme representa justamente o que está em falta no cinema: inovação com maturidade. Se ganhar as categorias principais, não tenho dúvidas de que será uma das vitórias mais merecidas em anos (e nem lembro a última vez que torci tanto por um grande favorito).
BOYHOOD: DA INFÂNCIA À JUVENTUDE, de Richard Linklater: Repito que ainda é um grande mistério para mim o porquê das premiações terem comprado esse filme. Não é questão de merecimento e sim de perfl mesmo: alguém se lembra a última vez que celebraram um filme tão “menos é mais”, independente e autoral como Boyhood? Não sou grande fã desse experimento em específico de Richard Linklater, mas é fácil perceber que ele é o queridinho da temporada e o favorito para as categorias de filme, direção e atriz coadjuvante.
O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, de Wes Anderson: Mais um velho nome conhecido que finalmente ganha algum reconhecimento, Wes Anderson chega à festa do Oscar com motivos de sobra para comemorar. Além de ser um profissional que parecia fadado a receber apenas indicações a roteiro, agora ele chega com uma obra que é favoritíssima em várias categorias técnicas. O próprio Anderson também deve levar a estatueta de roteiro original. Tenho grande carinho pelo filme, que representa o auge da criação e da evolução técnica de seu diretor.
O JOGO DA IMITAÇÃO, de Morten Tyldum: Não é novidade que a Academia cai de amores por um filme certinho e situado dentro de uma forte zona de conforto. Quem mais representa essa preferência dos votantes esse ano é O Jogo da Imitação, que, sim, é um filme satisfatório, mas nada diferente de tantas biografias que já estamos cansados de assistir. Deve levar um Oscar de roteiro adaptado como consolação e por preguiça dos votantes, que obviamente não perceberam a genialidade de Whiplash.
SELMA: UMA LUTA PELA IGUALDADE, de Ava DuVernay: Gosto bastante de Selma não ser apelativo ou mera panfletagem da causa (ao contrário daquela baderna chamada O Mordomo da Casa Branca), mas não foi uma experiência que me pegou ou me trouxe maiores comoções. O grande destaque do filme é o ótimo desempenho de David Oyelowo, ao mesmo tempo forte e sutil como Martin Luther King. Sem dúvida alguma é mais um nome que merecia muito mais a lembrança na categoria de melhor ator do que Bradley Cooper.
SNIPER AMERICANO, de Clint Eastwood: Não é surpresa alguma ver um filme como Sniper Americano entre os principais indicados. Ora, o combo Clint Eastwood + guerra do Iraque + sucesso de bilheteria é o suficiente para justificar sua presença na lista. Agora se a inclusão foi merecida… É outra história. Polêmicas à parte sobre Sniper Americano ser excessivamente patriota ou não, o longa é um relato bem produzido sobre uma tragédia que ainda assombra os norte-americanos. É específico, contemporâneo e sobre a vida deles. Já como cinema mesmo, não tem frescor. Aliás, alguém ainda consegue se entusiasmar com filmes dessa temática?
A TEORIA DE TUDO, de James Marsh: Mesmo não me empolgando tanto com o resultado em si (que tem problemas pontuais que muito me incomodam, como a história se focar mais na deficiência do que na carreira ou na vida pessoal de Stephen Hawking), é grande minha torcida para Eddie Redmayne em melhor ator. Deve ser a única (e merecida) vitória do filme na cerimônia, com uma e possível lembrança em melhor roteiro adaptado caso o prêmio não fique com O Jogo da Imitação.
WHIPLASH: EM BUSCA DA PERFEIÇÃO, de Damien Chazelle: Em um mundo ideal, Whiplash estaria concorrendo também em melhor direção, pois o filme de Chazelle é a melhor surpresa entre todos os indicados do Oscar deste ano. Objetivo, tenso e muito bem arquitetado, longa já tem certo o seu Oscar de ator coadjuvante para J.K. Simmons. Se der sorte, ainda deve merecidamente levar um prêmio de som e até mesmo de montagem.