A trilha sonora de… O Discurso do Rei

Hoje em dia, não deve existir compositor que trabalhe tanto quanto o francês Alexandre Desplat. Indicado três vezes ao Oscar (pelas ótimas trilhas de A Rainha, O Curioso Caso de Benjamin Button e O Fantástico Sr. Raposo), ele repete o feito esse ano, conseguindo uma quarta indicação por seu trabalho em O Discurso do Rei. Realezas e política parecem atrair o interesse de Desplat, já que essa é uma de tantas trilhas que ele realiza envolvendo esses temas (outro exemplar, além do já citado A Rainha, foi o ótimo resultado alcançado pelo francês ao fazer o score de The Special Relationship).
Agora fica a pergunta: quando que o compositor finalmente levará a sua primeira estatueta? Ao julgar pelo trabalho que podemos conferir em O Discurso do Rei, não será dessa vez. Pelo menos não por merecimento. Longe de mim dizer que Desplat não é digno de reconhecimento (ele é um incontestável expoente entre os compositores contemporâneos), mas seria meio injusto vê-lo vencedor por um trabalho que está longe de representar um de seus momentos mais inspirados. A trilha de O Discurso do Rei é apenas satisfatória.
O álbum é relativamente curto (são apenas 13 faixas, onde 11 são de autoria de Desplat) e, em várias composições, repete a melodia de piano utilizada na música-tema do filme, The King’s Speech. Piano, por sinal, é utilizado em muitas passagens dessa trilha, que adota um pouco do estilo apresentado pelo compositor em A Rainha. Mas como o francês nunca se repete, cria algo com personalidade e, acima de tudo, com qualidade. Ou seja, a trilha de O Discurso do Rei está longe de representar um Desplat muito inspirado ou digno de empolgação. Mas, como nós todos já sabemos, Desplat é Desplat: sempre vale a pena. Para fazer o download, clique aqui.
1. Lionel and Bertie
2. The King’s Speech
3. My Kingdom, My Rules
4. The King is Dead
5. Memories of Childhood
6. King George VI
7. The Royal Household
8. Queen Elizabeth
9. Fear and Suspicion
10. The Rehearsal
11. The Threat of War
12. Speaking Unto Nations (Beethoven Symphony no. 7 – II)
13. Epilogue (Beethoven Piano Concert no. 5 Emperor – II)
As melhores composições de 2010

2009 foi um grande ano para as trilhas e 2010 também conseguiu ter esse rótulo. Amo trilhas sonoras e escolher as melhores composições do ano sempre é um prazer para mim. Nesse ano, a missão foi bem mais fácil que a do ano passado – até porque consegui enxergar de forma mais clara quais foram as trilhas que mais me conquistaram, enquanto em 2009 o resultado era mais racional do que afetivo. Antes de qualquer coisa, quero deixar bem explicado que a lista abaixo, em momento algum, influencia na minha futura seleção de melhores trilhas sonoras do ano ou define uma escala de preferência quanto aos meus álbuns favoritos de 2010. Então, tá querendo ouvir algumas demonstrações do que eu achei de melhor nas trilhas desse ano? Basta procurar pelas composições abaixo…
Abel Korzeniowski – Becoming George, from “A Single Man”
Abel Korzeniowski – And Just Like That, from “A Single Man”
Abel Korzeniowski – Clock Tick, from “A Single Man”
Abel Korzeniowski – Snow, from “A Single Man”
Alexandre Desplat – The Oblivation, from “Harry Potter and the Deathly Hallows – Part 1”
Alexandre Desplat – The Ghost Writer, from “The Ghost Writer”
Alexandre Desplat – The Truth About Ruth, from “The Ghost Writer”
Clint Mansell – Memories (Someone We’ll Never Know), from “Moon”
Clint Mansell – The Nursery, from “Moon”
Daft Punk – Disc Wars, from “Tron: Legacy”
Hans Zimmer – Dream is Collapsing, from “Inception”
Hans Zimmer – Time, from “Inception”
J. Ralph – Dolphins & Ric, from “The Cove”
Marcelo Zavros – I Know You Can Hear Me, from “Remember Me”
Nick Cave & Warren Ellis – The Road, from “The Road”
Nick Cave & Warren Ellis – The Far Road, from “The Road”
Randy Newman – So Long, from “Toy Story 3”
A trilha sonora de… Tron: O Legado

Quando vi o nome de Daft Punk envolvindo em uma produção da Disney, fiquei meio desconfiado. Digo isso porque outras incursões no cinema dessa dupla parisiense de house music foram, no mínimo, ousadas, como no perturbador Irreversível e no diferente Electroma. Então, pensei que Daft Punk tinha se vendido para o cinema comercial. Engano meu. Basta ver algumas imagens de Tron: O Legado para entender o porquê do Daft Punk ter entrado nesse projeto. O visual psicodélico do longa combina demais com eles e todo o visual anunciado nos trailers já disponíveis na internet mostram que o filme caiu como uma luva para eles.
Adoro Daft Punk, mas não tenho nenhum cd deles e nem costumo ouvi-los com frequência. Portanto, fui conferir a trilha de Tron: O Legado sem grandes expectativas. E adorei constatar que o resultado é espetacular. Adotando, de certa forma, todo o estilo já apresentado pela dupla antes nas suas mais famosas canções como One More Time e Harder, Better, Faster, Stronger ou até mesmo naquelas que nem são tão conhecidas mas que tem o meu apreço (Something About Us é um exemplo), a trilha de Tron: O Legado já é, sem pensar duas vezes, uma das melhores de 2010.
Minha surpresa foi grande não apenas em função da sonoridade dinâmica ou da diversidade de composições, mas também porque o álbum consegue se sustentar com notável qualidade ao longo de 22 composições. Sem falar, claro, da média extraordinária alcançada por cada uma das faixas. Algumas faixas, como Overture e Armory, não chegam a ser tão excelentes como o resto, mas pelo menos não fogem muito do padrão de qualidade do álbum. Se essa trilha não for considerada uma das melhores do ano pelo público, pelo menos que sirva de motivação para que procurem mais sobre Daft Punk. Eles são ótimos!
1. Overture
2. The Grid
3. The Son of Flynn
4. Recognizer
5. Armory
6. Arena
7. Rinzler
8. The Game Has Changed
9. Outlands
10. Adagio for Tron
11. Nocturne
12. End of Line
13. Derezzed
14. Fall
15. Solar Sailer
16. Rectifier
17. Disc Wars
18. C.L.U.
19. Arrival
20. Flynn Lives
21. Tron Legacy (End Titles)
22. Finale
Qual a sua trilha?

Já disse que o ano de 2010 é das coadjuvantes, mas o número de trilhas notáveis também foi significativo. Nesse post, destaco aquelas que mais me marcaram. E antes que alguém me acuse de esquecido, já aviso de antemão que não considero a trilha de Hans Zimmer para A Origem uma das melhores do ano. Como já havia comentando em um post especial sobre a trilha, as composições me parecem reciclagem de outras trilhas do compositor alemão. Mesmo que funcione muito bem com o filme, não chegou a me surpreender.

Em 2010, tivemos duas trilhas do francês Alexandre Desplat. A primeira é a maravilhosa Chéri e a segunda é a de O Escritor Fantasma. E se Hans Zimmer não me conquistou com A Origem, ele conseguiu agradar a todos com seu ótimo trabalho para o monótono Sherlock Holmes. Karen O. and the Kids criaram um dos álbuns mais adoráveis do ano com Onde Vivem os Monstros. Existiram, também, surpresas extraordinárias. A primeira foi a do polonês Abel Korzeniowski, com uma trilha espetacular para o igualmente espetacular Direito de Amar.

Clint Mansell também chegou surpreendendo em Lunar, um pequeno grande filme que foi pouco reconhecido. J. Ralph realizou algo totalmente diferente e inovador para um documentário nas suas composições para A Enseada. Por fim, a dupla Nick Cave e Warren Ellis (ótimos desde O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford) realizaram uma trilha de suspense com alta melancolia em A Estrada. 2010, portanto, foi um ano significativo para o setor musical.

E para você? Qual a sua trilha favorita do ano até agora?
A trilha sonora de… HP 7 – Parte 1

Qual fã de Harry Potter até hoje não se arrepia ouvindo a música-tema da série composta por John Williams? Pois é, mas acontece que a clásica música do menino-bruxo já sumiu faz um bom tempo das trilhas de Harry Potter. Assim como a saga abandonou sua estética inicial e se reinventou a partir do terceiro filme, o lado musical também se reformulou. Alguns gostam, outros não. Independente disso, a mudança era necessária.
Assim que John Williams deixou a série (ele fez um maravilhoso trabalho, em especial no terceiro filme, mas aprovo a saída dele para uma nova fase), a trilha não foi muito feliz com Patrick Doyle no quarto volume. A equipe se deu conta da escolha errada e convocou Nicholas Hooper. Esse sim um compositor que deu um novo tom para a saga e conseguiu realizar um notável trabalho musical. Ele criou pelo menos uma composição marcante: Dumbledore’s Army.
Hooper também fez a trilha de O Enigma do Príncipe, mas foi substituído por Alexandre Desplat, um dos maiores compositores da atualidade. O francês, três vezes indicado ao Oscar, não apresenta nada de surpreendente ou inovador na trilha de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1. Comparado ao estilo de Desplat e ao que já foi realizado antes no setor musical da série, não existe nada nessa trilha que nós já não ouvimos antes.
O que encontramos nesse álbum é um estilo que se aproxima mais do estilo de Nicholas Hooper do que do estilo de John Williams. Nesse sentido, Alexandre Desplat continua todo aquele clima mais “adulto” da trilha sonora, livrando-se do tradicional arranjo clássico criado por Williams (mas que poderia estar presente aqui ou ali e não faria mal algum). Mas, pelo menos para mim, Desplat apenas fez uma variação do que Hooper já havia realizado.
Todo o estilo conhecido do francês pode ser reconhecido em faixas como Lovegood. Também podemos encontrar os violinos nervosos em faixas super movimentadas como Sky Battle ou até mesmo melancolia de piano em Harry and Ginny. Mas, no geral, como já dito, o resultado é apenas regular, sem maiores surpresas. Não que isso seja ruim – até porque Desplat nunca chegará nesse nível – só faltou um pouquinho mais de inspiração…
1. The Obliviation
2. Snape to Malfoy Manor
3. Polyjuice Potion
4. Sky Battle
5. At the Burrow
6. Harry and Ginny
7. The Will
8. Death Eaters
9. Dobby
10. Ministry of Magic
11. Detonators
12. The Locket
13. Fireplaces Escape
14. Ron Leaves
15. The Exodus
16. Godric’s Hollow Graveyard
17. Bathilda Bagshot
18. Hermione’s Parent
19. Destroying the Locket
20. Ron’s Speech
21. Lovegood
22. The Deathly Hallows
23. Captured and Tortured
24. Rescuing Hermione
25. Farewell to Dobby
26. The Elder Wand