Melhores de 2008 – Elenco

A Barcelona de Woody Allen é encantadora e charmosa. Assim também é o seu elenco, que transborda naturalidade em cada atuação. Seria clichê falar só do espetáculo arrasador de Penélope Cruz – que literalmente é a estrela absoluta quando está em cena – já que todos os atores do filme merecem elogios. A começar pela Vicky e pela Cristina do título. Rebeca Hall e Scarlett Johansson estão ótimas como o oposto um da outra. A primeira, correta e segura de seus princípios, a segunda ousada e sempre disposta a provar do novo. As duas se complementam, Rebeca com uma atuação inteligente e Scarlett com sua beleza que hipnotiza. Javier Bardem, a sortuda figura masculina no meio de tantas belas mulheres, é outro que aplica incrível naturalidade ao seu personagem, que soa verossímil em todos os momentos. Por mais que a estrela do filme seja mesmo Penélope Cruz e sua Maria Elena, seria uma grande bobagem ignorar o talento de todos os atores que estão presentes no iluminado elenco. No setor dos coadjuvantes ainda temos a sempre ótima Patricia Clarkson e o Chris Messina de Six Feet Under. Vencedor do ano passado: Bobby.
•
Chega de Saudade / Fica bem evidente que os desempenhos de Chega de Saudade são resultado de um trabalho conjunto. Nenhum dos atores se destaca mais individualmente, já que a impressão que o filme transmite é que a qualidade vem do grupo. Também não é para menos, temos excelente seleção de veteranos atores das mais variadas origens – cômicas e dramáticas. É por causa deles que o longa funciona tão bem.
Desejo e Reparação / São muitos os destaques no elenco de Desejo e Reparação. Unindo rostos promissores e outros já conhecidos do público, o longa de Joe Wright prima por ter um elenco que dá completa verossimilhança para a bonita história de amor que é contada. Ninguém soa deslocado e ainda o conjunto tem a felicidade de ter algumas aparições que causam surpresa – em especial Vanessa Redgrave, no último ato do longa.
Batman – O Cavaleiro das Trevas / É um grande mérito quando um filme baseado em quadrinhos consegue fazer um excelente trabalho com o elenco. Batman – O Cavaleiro das Trevas é um exemplo de como se conduzir os atores nesse tipo de história. Ninguém está com excessos e cada figura convence a cada minuto. E não apenas Ledger, mas Aaron Eckhart e Gary Oldman estão em presenças maravilhosas.
Queime Depois de Ler / Ultimamente eu tenho ficado mais satisfeito com os resultados que as comédias apresentam em seus elencos. Queime Depois de Ler é um dos melhores exemplos desse ano de como uma comédia pode ser extremamente prazerosa quando os atores estão em plena simpatia. Todos entenderam a proposta do roteiro e parecem muito a vontade, entrando no espírito cômico do longa.
Os visitantes concordaram com a escolha do Cinema e Argumento e também elegeram Vicky Cristina Barcelona como o melhor na categoria. Abaixo, a preferência dos votantes na pesquisa realizada:
1. Vicky Cristina Barcelona (9 votos, 38%)
2. Queime Depois de Ler (6 votos, 25%)
3. Desejo e Reparação (4 votos, 17%)
4. Batman – O Cavaleiro das Trevas (4 votos, 17%)
5. Chega de Saudade (1 voto, 4%)
Melhores de 2008 – Atriz

Meryl Streep já podia muito bem estar aposentada. Sério, a mulher tem uma carreira impecável, milhões de prêmios, é uma unânimidade e já fez tudo que é tipo de filme. Se não bastasse um grande sucesso chamado O Diabo Veste Prada (que, convenhamos, tem quase todo seu encanto na figura da atriz) que lhe rendeu mais uma indicação ao Oscar, ela inventou de soltar a voz em um musical. Em Mamma Mia! surpreendeu mais uma vez – parece ter ficado dez anos mais jovem, canta de forma exemplar e sabe os tons certos de sua atuação. Presente maravilhoso dessa grande atriz. Normalmente não costumo dar muito destaque para interpretações comédia/musical, mas fui completamente conquistado por essa sua aparição, onde novamente conseguiu ser a grande estrela de um filme totalmente simples e descontraído. É por momentos como em que canta The Winner Takes It All, que a escolho como a melhor atriz de 2008. E, sim, podem criticar a minha escolha! Hahaha. VITÓRIAS ANTERIORES: Melhor Atriz Coadjuvante em 2006 por O Diabo Veste Prada. INDICAÇÕES ANTERIORES: Melhor Atriz Coadjuvante em 2006 por A Última Noite e Melhor Atriz Coadjuvante em 2007 por Leões e Cordeiros.
•
Julianne Moore, como a “Mulher do Médico”, em Ensaio Sobre a Cegueira
A bela Julianne Moore teve um grande retorno com Ensaio Sobre a Cegueira. O que justamente me conquistou em seu trabalho foi que a abordagem que atriz deu ao papel foi totalmente diferente da que eu imaginava. Ela não se aproveita de cenas mais intensas para demonstrar seu talento (e poderia muito bem fazer isso), conquista com baixos tons de voz e olhares significativos. Como a única pessoa que enxerga no meio de um manicômio cheio de cegos, Julianne conseguiu segurar o filme durante o tempo inteiro. Considero sua atuação até um pouco subestimada, já que outros aspectos do longa foram mais destacados e pouco se falou dela. Ela pode até não ter uma carreira exemplar nos últimos tempos, mas sabe acertar muito bem quando quer. O seu trabalho aqui é um exemplo disso.
Laura Linney, como Wendy Savage, em A Família Savage
Laura Linney faz parte daquele grupo de atores que “um dia vai ganhar Oscar”, composto também por Kate Winslet e Johnny Depp. Extremamente versátil, Linney achou em A Família Savage o melhor desempenho de sua carreira. Certamente é o papel mais complexo que ela já enfrentou, e também o mais dramático. Por mais que ela atue ao lado de outro grande ator do mesmo calibre que ela (Philip Seymour Hoffman, de Capote), não se intimidou, e até levou Hoffman para o escanteio. Pena que o filme não teve a repercussão que merecia e que muita gente enxergue o trabalho de Linney nesse filme como “convencional”. O papel não tem nada de muito “difícil” se comparada aos outros desempenhos desse ano, mas é por fazer muito com pouco que Linney teve marcante atuação.
Julie Christie, como Fiona Anderson, em Longe Dela
É certo que Longe Dela é um dos melhores filmes já feitos sobre o mal de Alzheimer, mas Christie fica um pouco aquém das concorrentes da lista justamente por não possuir a “emoção” da trama – que está concentrada na real figura protagonista do longa, o marido Grant, interpretado por Gordon Pinsent. Contudo, é praticamente impossível resistir ao charme da atriz. Envelheceu lindamente, mantendo grande elegância. Na realidade ela não consegue maiores momentos no filme e molda sua personagem de forma muito singela, mas por isso mesmo sincera. Sua interpretação é cheia de méritos sim, especialmente por causa da presença de Christie, que hipnotiza com sua naturalidade ao proferir palavras e encanta com suas expressões de uma grande veterana.
Cate Blanchett, como rainha Elizabeth I, em Elizabeth – A Era de Ouro
Muita gente vai me apedrejar por acrescentar a Cate Blanchett nessa lista, especialmente porque quase ninguém gostou de A Era de Ouro. Mas como bem a minha crítica disse, sou um defensor do filme e especialmente de Blanchett. Óbvio que não posso negar que a rainha Elizabeth dela é calcada em imitações visíveis e até em alguns exageros; porém, por alguma razão misteriosa, Blanchett encanta toda vez que entra em cena e cada minuto dela é um sopro de frescor a um longa um pouco sem vida. O que também vale ressaltar é que Blanchett se beneficiou bastante por causa do roteiro, que dessa vez preferiu dar um tom mais humano para a personagem. INDICAÇÕES ANTERIORES: Melhor Atriz Coadjuvante em 2007 por Notas Sobre Um Escândalo.
Os visitantes concordaram com a escolha do Cinema e Argumento e também elegeram Mamma Mia! como o melhor na categoria. Abaixo, a opinião dos votantes na pesquisa realizada.
1. Meryl Streep – Mamma Mia! (8 votos, 32%)
2. Julianne Moore – Ensaio Sobre a Cegueira (6 votos, 24%)
3. Laura Linney – A Família Savage (6 votos, 24%)
4. Julie Christie – Longe Dela (5 votos, 20%)
5. Cate Blanchett – Elizabeth: A Era de Ouro (0 votos, 0%)
Melhores de 2008 – Roteiro Adaptado

Tem gente que pode criticar bastante o trabalho realizado no roteiro adaptado de Desejo e Reparação. Alguns alegam que o segundo ato da história é monótono, enquantro outros partilham da idéia de que o longa é apenas um previsível resgate de um tipo de história romântica que o cinema não trabalha nos dias de hoje. Bobagem, Desejo e Reparação é uma das mais marcantes histórias de amor do cinema contemporâneo. O roteirista Christopher Hampton criou um roteiro muito maduro e cuidadoso, cheio de poesias simbólicas e sobre como uma determinada análise equivocada pode destruir a realidade. É por conter tantos aspectos bonitos em sua estética narrativa que o filme de Joe Wright se consolida como o dono do melhor roteiro adaptado desse ano. Vencedor do ano passado: Notas Sobre Um Escândalo.
•
Onde Os Fracos Não Têm Vez / Pode ser considerado um relato de ação sobre os riscos de como se enfrentar um mal desconhecido. Também pode ser um drama que discursa sobre a insanidade dos seres humanos. Outra análise possível é como a violência evolui exponencialmente nos dias atuais. O roteiro é cheio de múltiplas análises e funciona em todas elas. E essa é sua grande qualidade.
Ensaio Sobre a Cegueira / Adaptação cuidadosa da obra de mesmo nome de José Saramago. Sem dúvida a história é restrita e o tratamento que ela recebe é difícil, mas o roteiro consegue o feito de transformar tudo em um produto de excelente qualidade e que tem o poder de despertar diversos sentimentos em seus espectadores. Para uma obra que era considerada impossível de se adaptar, temos um grande trabalho.
Longe Dela / Está nessa lista justamente por representar a impressionante maturidade de uma jovem chamada Sarah Polley, que fez maravilhas com um conto limitadíssimo e falou lindamente sobre assuntos profundos. A história de amor aqui é diferente das que estamos costumados a assistir e o roteiro fala exatamente sobre o ponto forte do enredo – como o amor sobrevive através do tempo, da memória e de nossos sentimentos.
Sangue Negro / Ambição, fé e princípios éticos são discutidos no texto usado em Sangue Negro, que foi baseado em uma obra literária chamada Oil! Por mais que estenda sua história em diversos momentos, o roteiro já é cheio de momentos inesquecíveis e cenas antológicas. Sem falar, claro, da imensa dimensão psicológica proporcionada a cada figura do grande filme de Paul Thomas Anderson.
Os visitantes discordaram da escolha do Cinema e Argumento e elegeram Ensaio Sobre a Cegueira como o melhor na categoria. Abaixo, a preferência dos votantes na pesquisa realizada:
1. Ensaio Sobre a Cegueira (6 votos, 38%)
2. Sangue Negro (5 votos, 31%)
3. Desejo e Reparação (4 votos, 25%)
4. Onde Os Fracos Não Têm Vez (1 voto, 6%)
5. Longe Dela (0 votos, 0%)
Melhores de 2008 – Ator

Não adianta, impossível alguém conseguir superar Daniel Day-Lewis esse ano. Apresentando o melhor desempenho masculino em muito tempo (provavelmente o melhor visto nessa década), o ator arrasou em Sangue Negro. Não que os outros atores dessa lista devam ser subestimados, mas nenhum deles chega sequer perto do nível alcançado por Day-Lewis. O filme de Paul Thomas Anderson tem muito setores impressionantes, mas é na figura de Daniel que se encontra o ponto alto – é um retrato de como a cobiça pelo poder pode afundar o ser humano que não sabe controlar suas próprias ambições. Vencedor incontestável do Oscar esse ano, ele teve um retorno triunfal depois de um certo tempo desaparecido realizando longas pequenos, como O Mundo de Jack e Rose. Tudo pode ser falado de Sangue Negro, mas o único ponto que em hipótese alguma merece crítica é a atuação de Daniel. Perfeito em cada minuto de aparição. Simplesmente impecável.
•
Emile Hirsch como Cristopher McCandless em Na Natureza Selvagem
Sempre gostei do jovem Emile Hirsch, desde os tempos de Heróis Imaginários, onde já mostrava ser um talento extremamente promissor. Felizmente o sucesso sorriu para ele, que conseguiu criar uma carreira sólida, além de possuir um nome confiável. Claro que ele teve que realizar algumas produções comerciais desnecessárias para chegar onde está, como Speed Racer. Mas foi em Na Natureza Selvagem que Hirsch encontrou o papel de sua vida, que mais lhe deu credibilidade como ator. É de se estranhar que tal excelente interpretação tenha sido tão preterida, já que ele entrou de cabeça no projeto. Nada de maniqueísmos típicos de jovens atores; ele já apresenta interpretação de gente grande e uma habilidade única. Um talento que vai longe.
Gordon Pinsent como Grant Anderson em Longe Dela
Muito se fala da interpretação da Julie Christie em Longe Dela, mas quase ninguém reconheceu o desempenho do companheiro de tela dela, Gordon Pinsent. O desconhecido ator é a verdadeira figura protagonista do longa de Sarah Polley e também a que tem o melhor teor dramático. Através de sua figura, assistimos toda a dor de um homem que está perdendo o seu grande amor para a própria vida. Suas expressões contidas ao ver sua mulher permanecendo como era apenas em sua memória são de dar dó, uma legítima representação de tristeza. Além disso, sua química com Julie Christie é impecável e o ator achou os tons certos para compor seu personagem. Merecia mais reconhecimento, sem dúvida alguma.
Johnny Depp como Sweeney Todd em Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet
Johnny Depp não precisa provar mais nada – é extremamente versátil e já é cheio de credibilidade. Tanto, que escolhe à vontade seus projetos e nunca cai em ciladas (excluindo as continuações de Piratas do Caribe). Em Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, Depp retoma a parceria com o diretor Burton e realiza um longa no mínimo inusitado. Em uma primeira análise o trabalho parece ser uma avaliação de seu Edward Mãos-de-Tesoura (o visual é extremamente parecido), mas Depp se renova, soltando a voz em canções complicadas e difíceis. O mérito de sua interpretação se deve mais ao visível empenho do ator com o longa do que por si próprio. Afinal, já não é mais novidade que Johnny consegue criar excelentes personagens.
Philip Seymour Hoffman como Jon Savage em A Família Savage
É impressionante a velocidade com que Philip Seymour Hoffman se transformou em um dos atores mais bem estimados do cinema. Também não é para menos – é praticamente impossível encontrar excelentes atores que escolhem projetos com precisão e conseguem agradar a todos. Hoffman é um deles e já chamava a atenção muito tempo antes de seu Oscar. Em A Família Savage ele tem mais uma presença magnética, mesmo que um pouco ofuscado por sua companheira de tela Laura Linney. Seu papel não ganha grandes profundidas em relação a atriz, mas Hoffman aproveita cada minuto de seu Jon Savage, agindo exatamente como o esperado – maravilhosamente. Nada de espetacular e nem de longe o melhor desempenho dele, mas brilhante dentro do possível. INDICAÇÃO ANTERIOR: Melhor Ator em 2006 por Capote.
Os visitantes concordaram com a escolha do Cinema e Argumento e também elegeram Sangue Negro como o melhor na categoria. Abaixo, a preferência dos votantes na pesquisa realizada:
1. Daniel Day Lewis – Sangue Negro (10 votos, 43%)
2. Johnny Depp – Sweeney Todd (9 votos, 39%)
3. Emile Hirsch – Na Natureza Selvagem (2 votos, 9%)
4. Gordon Pinsent – Longe Dela (2 votos, 9%)
5. Philip Seymour Hoffman – A Família Savage (0 votos, 0%)
Melhores de 2008 – Roteiro Original

A Pixar conseguiu pela segunda vez consecutiva se sair vencedora nessa minha categoria. Se Ratatouille era uma maravilha em sua história, WALL-E conseguiu ir além – discursou sobre solidão, romance e alienação humana com uma habilidade absurda. Tudo isso temperado com muita aventura e momentos inesquecíveis. Além de todo o apuro técnico do longa, WALL-E também possui um roteiro espetacular, de dar inveja a muito filme por aí. É animação na essência, mas o filme tem um tom muito intelectual e uma trama adulta que as crianças talvez nem compreendam. Por unir tantas maravilhas em noventa minutos, o roteiro de WALL-E se sai vencedor nessa categoria. Simplesmente espetacular! Vencedor do ano passado: Ratatouille.
•
A Família Savage / Convenhamos, o roteiro de A Família Savage não tem nada de muito original, mas conduz de forma excelente todos os conflitos dramáticos existentes no longa. Sem falar de dar espaços ideais para que as atuações brilhem e para que a dramaticidade nunca fique de lado. O resultado, então, é extremamente satisfatório para um filme de drama que procura discutir feridas familiares.
Juno / O filme de Jason Reitman só foi lembrado nessa categoria na minha premiação. E não é citação de consolação, Juno tem uma história muito acessível para um tema tão difícil. O roteiro é agradável, compente em suas emoções e iluminado em suas originalidades. É de se admirar que uma novata nesse setor tenha se saído tão bem. Afinal, são poucos os filmes cômicos que conseguem ser tão pop como esse.
Queime Depois de Ler / Uma excelente aula de como se fazer uma comédia inteligente e com muita agilidade. Por mais que o resultado seja simples, Queime Depois de Ler funciona muito bem. É cheio de tiradas inteligentes e situações originais que são incorporadas com grande qualidade pelas figuras do elenco. Mais um presente dos irmãos Coen, que a cada dia se tornam mais interessantes.
Vicky Cristina Barcelona / Woody Allen continua falando sobre relacionamentos e continua acertando. É excelente a forma como ele consegue criar um roteiro charmoso e inteligente, onde praticamente todos podem se identificar com as situações ou com os personagens. As figuras criadas são verossímeis e as questões sentimentais impecáveis. Só faltou um pouco mais de ousadia na estrutura. Mas isso é mero detalhe.
Os visitantes concordaram com a escolha do Cinema e Argumento e também elegeram WALL-E como o melhor na categoria. Abaixo, a preferência dos votantes na pesquisa realizada:
1. WALL-E (10 votos, 42%)
2. Juno (5 votos, 21%)
3. Queime Depois de Ler (5 votos, 21%)
4. Vicky Cristina Barcelona (3 votos, 13%)
5. A Família Savage (1 voto, 4%)