Cinema e Argumento

Melhores de 2009 – Trilha Sonora

Logo quando surgiu para o cinema com O Despertar de Uma Paixão e A Rainha, Alexandre Desplat já chegou sendo considerado um dos compositores mais promissores dessa geração. Tal título se confirmou e hoje ele é um dos profissionais mais ativos do ramo. Quando se pensava que Desplat não fosse realizar um novo trabalho brilhante tão cedo, eis que ele vem com a maravilhosa trilha sonora de O Curioso Caso de Benjamin Button. O álbum é excepcional, com os típicos arranjos de Desplat – que dessa vez soam mais melancólicos e efetivos do que nunca. É por faixas como Postcards e Benjamin and Daisy que dá pra perceber o porquê dessa trilha ser a mais bela e impecável do ano. Desplat ainda veio com várias outras trilhas de qualidade em 2009. Todos trabalhos que merecem ser conferidos. Em anos anteriores: 2006 – John Williams (Memórias de Uma Gueixa), 2007 – Alexandre Desplat (A Rainha) e 2008 – Dario Marianelli (Desejo e Reparação, escolha do público: idem).

NICHOLAS HOOPER (Harry Potter e o Enigma do Príncipe)

Nicholas Hooper foi uma das melhores aquisições da série Harry Potter. Criticado pelos fãs por abandonar a clássica sonoridade da saga do bruxo, Hooper acertou em cheio com essa escolha. Ele consegue dar um grande ar de maturidade para a história e em O Enigma do Príncipe isso fica evidente, uma vez que ele tem ótimos momentos de versatilidade e composições maravilhosas que ficam entre as melhores do ano.

ALEXANDRE DESPLAT (Coco Antes de Chanel)

Alexandre Desplat já se tornou um dos grande profissionais de seu ramo e em 2009 ele confirmou isso mais do que nunca. Além de ter a melhor trilha do ano com O Curioso Caso de Benjamin Button, apresentou outros inúmeros trabalhos de excelência. Entre eles, Coco Antes de Chanel, uma das trilhas mais harmônicas do diretor, onde todas as composições tem o mesmo excelente nível de qualidade. Merece reconhecimento.

MICHAEL GIACCHINO (Up – Altas Aventuras)

Só pela inesquecível melodia de Stuff We Did, que fica perpetuando na cabeça após o filme, Michael Giacchino já merecia algum reconhecimento. Mas o maior mérito desse ótimo compositor é demonstrar grande versatilidade em Up – Altas Aventuras. Ele vai desde sonoridades melancólicas até outras de pura aventura. Dá até pra se arrepiar com a originalidade, como na composição já citada e em Memories Can Weigh You Down.

NICO MUHLY (O Leitor)

Cinéfilos pegaram um certo parâmetro de que uma trilha só é boa se aparecer sutilmente. Até o mestre Philip Glass já foi chamado de “exagerado” por ter feito uma trilha que era constanemente presente, em Notas Sobre Um Escândalo. O jovem Nico Muhly, que já trabalhou com Glass, sofreu do mesmo mal. Sua trilha foi desdenhada por causa disso – o que é uma grande injustiça, já que as melodias que Muhly criou para O Leitor são maravilhosas.

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Escolha do público:

1. Alexandre Desplat – O Curioso Caso de Benjamin Button, 43% (12 votos)

2. Michael Giacchino – Up: Altas Aventuras, 32% (9 votos)

3. Nicholas Hooper – Harry Potter e o Enigma do Príncipe, 18% (5 votos)

4. Alexandre Desplat – Coco Antes de Chanel, 7% (2 votos)

5. Nico Muhly – O Leitor, 0% (0 votos)

Melhores de 2009 – Efeitos Especiais

James Cameron sabe trabalhar muito bem o lado técnico de seus filmes. Isso fica evidente nos efeitos especiais, que, nos filmes do diretor, nunca são mero pretexto para ação desenfreada. Cameron utiliza os efeitos para criar uma atmosfera e para trazer o espectador para o mundo que o filme quer trabalhar. Não é diferente em Avatar. É claro que o espectador mais corriqueiro vai prestar atenção nas cenas de ação e na forma como os Navi são retratados, mas quem estiver disposto a prestar a atenção em toda a computação gráfica utilizada para moldar meticulosamente os “cenários” e a “direção de arte”, certamente vai perceber que o trabalho de efeitos em Avatar é fruto da experiência de um mestre nesse assunto. Esse é o primeiro ano da categoria aqui no blog (lembrando que algumas categorias não serão montadas caso não existam filmes suficientes/dignos de serem mencionados).

2012

Não é novidade pra ninguém que 2012 é uma verdadeira porcaria. Mas também não é novidade que os efeitos são espetaculares, realmente de deixar qualquer um de boca aberta. Está certo que eles são utilizados da maneira mais óbvia possível e a partir de qualquer pretexto… Entretanto, são de uma magnitude impressionante – talvez os melhores já visto em qualquer filme-catástrofe do cinema. Pena que isso não compense tudo, não é mesmo?

STAR TREK

Difícil reviver uma série clássica com a tecnologia de hoje. Star Trek não cai na armadilha de deixar os efeitos maiores que o próprio filme – é tudo na medida, deixando o espectador totalmente envolvido pelo clima proposto por J.J. Abrams. No entanto, quando a ação pede, os efeitos especiais entram em pleno vapor, trazendo um dinamismo muito interessante para a trama. Esse setor é um dos pontos altos dessa grata surpresa de 2009.

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Escolha do público:

1. Avatar, 79% (37 votos)

2. Star Trek, 17% (8 votos)

3. 2012, 4% (2 votos)

Histórico do Blog – Ator

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Daniel Day-Lewis (Sangue Negro)

Emile Hirsch (Na Natureza Selvagem)

Philip Seymour Hoffman (Antes Que o Diabo Saiba Que Você Está Morto)

Gordon Pinsent (Longe Dela)

Johnny Depp (Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet)

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Forest Whitaker (O Último Rei da Escócia)

George Clooney (Conduta de Risco)

Peter O’Toole (Vênus)

Wagner Moura (Tropa de Elite)

Tommy Lee Jones (No Vale das Sombras)

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Philip Seymour Hoffman (Capote)

Joaquin Phoenix (Johnny & June)

David Strathairn (Boa Noite e Boa Sorte)

Leonardo DiCaprio (Os Infiltrados)

Clive Owen (Filhos da Esperança)

Melhores de 2008 – Filme

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WALL-E, de Andrew Stanton

Comunica milhões de palavras e sentimentos, carregada de uma irretocável atmosfera de cinema genuíno.Wally, do Cine Vita

Vitórias (3): Filme, Roteiro Original e Edição/Mixagem de Som

Outras indicações (4): Direção, Montagem, Trilha Sonora, Canção Original

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Desejo e Reparação, de Joe Wright

Joe Wright confirma seu imenso talento. Cada cena de Desejo e Reparação é uma pequena obra de arte emoldurada por um elenco conduzido acertadamente pelo diretor.Gustavo, do Fina Ironia

Vitórias (2): Roteiro Adaptado e Trilha Sonora

Outras indicações (8): Filme, Direção, Atriz Coadjuvante (2), Elenco, Figurino, Direção de Arte e Fotografia

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Ensaio Sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles

Um filme maravilhoso, único e que nos faz pensar durante um bom tempo após assisti-lo, repensar nossos valores e nossas atitudes.Marcel, do Talking About Movies

Vitórias (1): Fotografia

Outras indicações (4): Filme, Roteiro Adaptado, Atriz e Trilha Sonora

4coun

Onde Os Fracos Não Têm Vez, de Joel e Ethan Coen

É ao mesmo tempo sarcástico e realista, cru e inocente, que nas mãos de dois grandes cineastas pôde se transformar em um filme instigante e tenso.Pedro, do Tudo é Crítica

Vitórias (2): Montagem e Ator Coadjuvante

Outras indicações (5): Filme, Direção, Roteiro Adaptado, Fotografia e Edição/Mixagem de Som

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Batman – O Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan

É a confirmação de um novo, mais maduro e realista Batman, do qual Nolan consegue passar tudo que um filme de herói precisa e muito mais.” Sérgio, do Blog dos Cinéfilos

Indicações (7): Filme, Ator Coadjuvante, Elenco, Trilha Sonora, Direção de Arte, Montagem e Edição/Mixagem de Som

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Sangue Negro, de Paul Thomas Anderson

É um verdadeiro épico que nos invade com diálogos bem construídos e uma dualidade que permanece até os dias de hoje, entre o Capitalismo e a Religião, entre a Fé e a Razão.” Vinicius, do Sob a Minha Lente

Vitórias (2): Direção e Ator.

Indicações (3): Ator Coadjuvante, Roteiro Adaptado e Fotografia

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Mamma Mia!, de Phyllida Lloyd

Uma das sabias decisões da diretora estreante, Phyllida Lloyd foi render o filme aos pés de Streep. Extremamente carismática e provando que pique e fôlego não faltam, a atriz domina e encanta o filme inteiro“. Luciano, do A Sala

Vitórias (1): Atriz

Outras indicações (1): Direção de Arte

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O Nevoeiro, de Frank Darabont

O Nevoeiro não é só um bom suspense como também se distancia dos demais exemplares do gênero por uma abordagem distinta, aliada a um estudo interessante de personagens que se tornam mais complexos quando colocados em situações-limite.Rafael, do Moviola Digital

Vitória (1): Atriz Coadjuvante

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Longe Dela, de Sarah Polley

O que Polley demonstra é ser uma diretora de estilo único, a qual é marcada pelo olhar simples, maduro e sensível diante dos acontecimentos.Kamila, do Cinéfila Por Natureza

Indicações (3): Atriz, Ator e Roteiro Adaptado

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A Família Savage, de Tamara Jenkins

“Extremamente original e até usando referências cinematográficas, o texto transforma uma situação obviamente dramática em algo agradável. Obrigatório para todos que tem ou não uma família disfuncional.” Vinícius, do Blog do Vinícius

Indicações: Atriz, Ator e Roteiro Original

Os visitantas discordaram da escolha do Cinema e Argumento e elegeram Sangue Negro como o melhor filme de 2008. Abaixo, a opinião nos votantes na pesquisa realizada:

1. Sangue Negro (11 votos, 33%)

2. WALL-E (7 votos, 21%)

3. Desejo e Reparação (6 votos, 18%)

4. Batman – O Cavaleiro das Trevas (4 votos, 12%)

5. Onde Os Fracos Não Têm Vez (2 votos, 6%)

6. Ensaio Sobre a Cegueira (1 voto, 3%)

7. Mamma Mia! (1 voto, 3%)

8. O Nevoeiro (1  voto, 3%)

9. A Família Savage (0 votos, 0%)

10. Longe Dela (0 votos, 0%)

Melhores de 2008 – Direção

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Impressiona a facilidade como o diretor Paul Thomas Anderson consegue criar obras marcantes. Antes de Sangue Negro ele já tinha uma obra-prima do cinema dramático chamada Magnólia (ainda seu melhor filme) e com Sangue Negro ele alcançou o auge de sua maturidade atrás das câmeras. É até compreensível que o longa estrelado por Daniel Day-Lewis não tenha levado o Oscar na categoria principal – afinal, na minha opinião, não é uma produção de efeito imediato, que só fica melhor e mais admirável com o passar do tempo – mas foi uma heresia Paul Thomas Anderson não ter levado o prêmio por seu trabalho. Ele imprime um teor de épico surpreendente ao filme, com tomadas marcantes e uma segurança de arrepiar. Como já dito aqui no blog, não faço parte do grupo que vê o filme como um dos melhores da década e um trabalho impecável, mas foi impossível eu ficar indiferente a alguns aspectos maravilhosos de Sangue Negro. Vencedor do ano passado: Alejandro González Iñárritu (Babel).

Joe Wright (Desejo e Reparação)

joewrightEu até hoje fico me perguntando como o Jason Reitman foi indicado pela direção de Juno e Joe Wright não foi por Desejo e Reparação. Não querendo menosprezar o trabalho de Reitman, mas a direção de Wright era infinitamente mais impressionante e madura. Desejo e Reparação é um pacote de acertos e a direção é um dos principais pontos positivos. Não é nem por causa do maravilhoso plano-sequência que todo mundo fala, mas por causa do filme em si, muito bem arquitetado, filmado de maneira esplendorosa e com grande classe. Wright realiza cenas memoráveis e conduz o filme com muita paixão, sendo essa sua principal virtude ao filmar uma produção. Pena que não teve o merecido destaque.

Joel e Ethan Coen (Onde Os Fracos Não Têm Vez)

directjoetJoel e Ethan Coen realizaram um filme estranho. É meio difícil definir Onde Os Fracos Não Têm Vez. O que importa, na realidade, é que a produção funciona muito bem em todos os sentidos. Os irmãos Coen conseguem uma direção muito precisa, direta nas suas intenções – pouca coisa soa desnecessária. O mérito deles é que não é apenas na ação que eles apresentam maturidade mas também nas suas analogias de violência e na representação de seus personagens. Eles mudaram bastante desde Fargo – Uma Comédia de Erros e isso pode ser comprovado aqui. Joel e Ethan Coen podem até não ter realizado uma obra-prima (eu, ao menos, não vejo o filme como tal), mas entregaram um produto no mínimo interessante e com grandes qualidades positivas.

Andrew Stanton (WALL-E)

directandrewEu até que apreciava o trabalho de Brad Bird em Ratatouille, mas não o achei suficientemente merecedor para ficar entre os meus diretores finalistas do ano passado. Não pensava que outro diretor conseguisse chegar aqui, mas Andrew Stanton conseguiu realizar esse feito. Também não é pra menos, WALL-E é um desenho que impressiona com sua maturidade e com sua esplêndida técnica. Grande parte dos méritos vão para Stanton, que já realizou vários outros desenhos marcantes mas que encontrou no robozinho solitário o seu auge. Não é apenas por fazer um filme tecnicamente perfeito que ele acerta, Stanton conduz toda a história como se fosse um filme de verdade e mostra que já se passou o tempo que as animações podiam ser subestimadas.

Julian Schnabel (O Escafandro e a Borboleta)

schnabelO Escafandro e a Borboleta foi um filme que não me conquistou emocionalmente. Entretanto, me deixou impressionado com sua técnica. A fotografia e a montagem são excepcionais, pontos altos do filme. Mas também apreciei bastante o trabalho de Julian Schnabel atrás das câmeras, até porque acho que o problema do filme está apenas no roteiro. Schnabel percebeu a beleza do material que tinha em mãos e moldou um filme no mínimo interessante. Completamente magnético no visual e na técnica, O Escafanfro e a Borboleta teve sorte ao ser conduzido por um diretor tão bom como Schnabel. Pena que o filme não tenha me conquistado em um fator fundamental – o roteiro.

Os visitantes concordaram com a escolha do Cinema e Argumento e também elegeram Sangue Negro como o melhor na categoria. Abaixo, a preferência dos votantes na pesquisa realizada:

1. Paul Thomas Anderson – Sangue Negro (15 votos, 63%)

2. Joe Wright – Desejo e Reparação (4 votos, 17%)

3. Joel e Ethan Coen – Onde Os Fracos Não Têm Vez (2 votos, 8%)

4. Julian Schnabel – O Escafandro e a Borboleta (2 votos, 8%)

5. Andrew Stanton – WALL-E (0 votos, 0%)