Dez Trilhas Sonoras da Década
Atenção! Na seleção abaixo só são consideradas trilhas sonoras originais e puramente instrumentais.

Essa é a minha trilha favorita não só da década, mas também de todos os tempos. Philip Glass é um gênio do piano – e já havia demonstrado isso antes, em seus trabalhos pessoais – mas em As Horas ele compilou a sua obra-prima. As melodias são inesquecíveis e a trilha tem um imenso poder emocional, conseguindo o feito de tocar e passar inúmeras sensações. Sem falar, óbvio, que cai como uma luva no filme de Stephen Daldry. Philip Glass, portanto, tem aqui um trabalho inesquecível, arrebatador e obrigatório.

Desde que Philip Glass apresentou a trilha de As Horas, eu não escutava um álbum tão bem arquitetado como esse. Dario Marianelli criou composições sensacionais (a música-tema de Briony já é um marco do cinema contemporâneo), unindo emoção e pura genialidade – os arranjos que são feitos com o braulho das máquinas de escrever são geniais. O italiano conseguiu se sobressair num longa que tem diversos aspectos técnicos admiráveis e, com isso, conseguiu um incontestável Oscar por seu grande trabalho na trilha sonora.

Considero Alexandre Desplat um dos compositores mais talentosos de sua geração. Antes de participar do filme de David Fincher, ele já havia feito trabalhos extremamente expressivos em longas como A Rainha e O Despertar de Uma Paixão. No entanto, foi em O Curioso Caso de Benjamin Buton que ele estava em seu melhor momento. Sendo de grande importância na história, a trilha tem grandes momentos de melancolia e tem o poder de passar a emoção que, ao menos pra mim, o filme não conseguiu passar com tanto êxito.

A melhor parceira entre James Newton Howard e o diretor M. Night Shyamalan se encontra em A Vila. O que mais chama a atenção nesse trabalho de Howard é a forma como ele criou um excelente clima para a história – não se limitou em apenas fazer uma trilha de suspense, já que também deu vários toques dramáticos em algumas composições. Com uma forte presença de violino na maioria das canções, Howard construiu um álbum exemplar, cheio de vitalidade e que mostra que trilhas de suspense podem ir muito além do básico.

James Horner é um dos melhores compositores da atualidade. Já teve momentos memoráveis (Titanic, por exemplo) e consegue surpreender com muita frequência. Em Casa de Areia e Névoa ele conseguiu alcançar outro resultado espetacular e adicionou mais uma indicação ao Oscar para seu arquivo. Suas composições narram muito bem a trajetória dos personagens e, acima de tudo, são expressivamente originais, com momentos de grande brilhantismo. Acompanhamos aqui desde o simples piano emocionante até o estilo mais complexo de musicalidade.

Jan A.P. Kaczmarek não é um profissional que sai por aí fazendo milhares de trilhas. Mas, quando participa de alguma projeto, sempre demonstra uma habilidade única. Recentemente criou um grande trabalho para Ao Entardecer, mas antes já havia sido coroado com o Oscar por Em Busca da Terra do Nunca. Kaczmarek criou uma trilha totalmente condizente com a proposta do diretor Marc Forster para o longa, obtendo resultados emocionantes e encantadores, em um álbum que nunca cansa ou perde a magia.

Fiquei muito em dúvida na hora de escolher uma trilha de Yann Tiersen para essa lista. Tiersen, que é um dos estrangeiros mais talentosos da contemporâneidade, realizou um lindo trabalho em Adeus, Lenin!, mas é em O Fabuloso Destino de Amélie Poulain que ele demonstra maior vitalidade e originalidade – se é que isso é possível. Unindo típicas melodias francesas com ritmos que transbordam vivacidade, ele compilou uma das melhores trilhas do cinema euroupeu, trazendo um tom todo especial para a história da jovem Amélie Poulain (Audrey Tautou).

Trilhas sonoras são fundamentais em desenhos animados, porque falam pelos personagens e passam todo o clima que a produção animada quer transmitir. A Pixar se deu conta disso e realmente está caprichando em suas escolhas sonoras. Prova disso é a grande trilha que Michael Giacchino fez para Ratatouille. Se o desenho em si já é magnético, a trilha conseguiu o feito de se sobressair, sendo um dos aspectos mais contagiantes do longa. Giacchino só não venceu o Oscar por esse trabalho porque concorria no mesmo ano que Desejo e Reparação.

Todo mundo sabe que Memórias de Uma Gueixa é terrivelmente falho nos principais aspectos (direção e roteiro) mas que impressiona a cada minuto nos setores técnicos. Além da cuidadosa maquiagem, da linda fotografia e da belíssima direção de arte, temos também uma inspirada trilha sonora do mestre John Williams. O resultado tem destaque porque não se foca apenas nas habituais sonoridades orientais; também se dá o direiro de ser mais original, com belas composições tocadas em emocionantes flautas e violinos.

A inesquecível Pan’s Labyrinth Lullaby é o ponto alto dessa melancólica trilha de O Labirinto do Fauno. Javier Navarrete recebeu uma merecida indicação ao Oscar por sua bonita trilha, que é um dos melhores pontos do longa de Guillermo Del Toro. Imprimindo um tom muito dramático para a fantasiosa história, o resultado alcançando por Navarrete é extremamente interessante, que consegue alcançar os sentimentos do espectador – principalmente nos últimos momentos do roteiro.
Opinião – A felicidade de Poppy
Atenção! Se você ainda não assistiu o filme “Simplesmente Feliz”, não continue a ler o texto, pois ele possui spoilers.

Não é novidade para ninguém que eu detesto o filme Simplesmente Feliz. Mas, por mais que eu não goste do longa de Mike Leigh, existem alguns tópicos interessantes sobre ele a serem observados. O principal, claro, é a personalidade da protagonista Poppy (Sally Hawkins, vencedora do Globo de Ouro de melhor atriz comédia/musical). Adorada e detestada por muitos, a personagem é uma das mais intrigantes dessa temporada. Afinal, qual é o sentido da felicidade excessiva dela?
Em certa cena do longa de Mike Leigh, uma personagem diz para Poppy: “Você não pode fazer com que todos sejam felizes” e a protagonista retruca afirmando que não custa nada tentar. Agora, a maneira como Poppy traça a sua jornada é bem duvidosa. Tudo bem que ela sempre está sorrindo, achando graça em tudo e animada. Mas, tudo isso aparece em excesso nela. Acha tudo engraçado, parece meio hiperativa (às vezes os personagens estão falando e ela não parece nem ouvir) e quer que todo mundo aceite esse seu espírito.
Scott (Eddie Marsan) foi um que não conseguiu aguentá-la por muito tempo. Até concordo que a figura dele é excessivamente mal-humorada – o oposto de Poppy – mas, sinceramente, ela infernizou bastante a vida dele para merecer aquele puxão de cabelo no final do filme. Mas, por um outro lado, existem alguns personagens na história que aceitam Poppy numa boa, ainda que estejam conscientes de que esse seu espírito bondoso (e que dá uma aparência de ingenuidade perante ao mundo à ela) não é a melhor escolha em determinados casos.
Tal “felicidade” leva Poppy a alguns “perigos”. Além de fazer com que seu instrutor de auto-escola partisse para a agressão, ela inventa de conversar com um mendigo na calada de noite. E, tal cena, eu gostaria que alguém me explicasse o significado, pois não vi nenhum ali. Porque não é um caso de felicidade, ela parece estar sob o efeito de drogas na cena, onde fica falando coisas sem sentido e totalmente viajando na maionese com o mendigo. Aquilo era felicidade?
Está bem, eu confesso que não sou uma pessoa muito acessível a essas histórias super felizes e com pessoas que estão sempre de bem com a vida – uma vez que não possuo muito esse espírito. O que acontece é que a felicidade demonstrada em Simplesmente Feliz é elevada a uma potência meio que inacreditável. Não acho palpável a possibilidade de existir alguém como Poppy, que parece ignorar o fato de que, em alguns casos, a tristeza pode tomar conta. Ou que acha que tudo tem um lado positivo. Nem tudo é felicidade, Poppy!
E você? O que acha da felicidade da Poppy?
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Anteriormente:
– A culpa do Padre Flynn, em Dúvida
– A escolha de Francesca, em As Pontes de Madison
Dez Cenas Finais da Década

Só a interpretação do Jack Nicholson na cena final de As Confissões de Schmidt já bastaria para que o momento fosse um dos melhores da década. No entanto, a cena é carregada de emoção e não é só o personagem que se abala emocionalmente com o desenho que o garoto Ndugu mandou da África. Encerrando com perfeição a história, o momento é uma grande prova do talento do diretor Alexander Payne e, claro, de Nicholson.

É no último momento de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças que está centrado o maior momento emotivo entre Joel (Jim Carrey, ótimo) e Clementine (Kate Winslet, excelente). Depois de tantos encontros, desencontros e desentedimentos, o casal finalmente coloca os pingos nos is em uma conversa interessantíssima e que marca, acima de tudo, a complexidade dos relacionamentos humanos. É o fim e também o começo da história.

A carta e o suicídio de Virginia Woolf (Nicole Kidman, quase irreconhecível) encerram o longa-metragem de Stephen Daldry com perfeição. Extremamente poético em sua profunda essência, o desfecho de As Horas é um dos mais emblemáticos da década, provando que o filme, além de ser um dos melhores dos últimos anos, também tem inúmeras cenas que ficam marcadas no espectador.

Se já não bastasse a cena de Sylvia (Kate Winslet) entrando na Terra do Nunca, Marc Forster ainda criou outra cena para levar o espectador às lágrimas. Numa emocionante conversa entre James (Johnny Depp) e Peter (Freddie Highmore), o roteiro chegou em outro momento marcante e, junto com as duas ótimas atuações e a trilha de Jan A.P. Kaczmarek, construiu mais um momento memorável de Em Busca da Terra do Nunca.

Para quem não leu o livro de Ian McEwan – como eu – esse final de Desejo e Reparação foi uma surpresa. Extremamente comovente por causa da grande revelação sobre o destino de Cecilia (Keira Knightley) e Robie (James McAvoy), a cena ainda causa impacto por causa de Briony (Vanessa Redgrave), visivelmente arrependida de seus atos e querendo, a todo custo, reparar os grandes erros de seu passado. Excelente participação de Vanessa Redgrave.

Laura Linney e Mark Ruffalo comandam, com muito sentimentalismo, essa bela cena de Conte Comigo, que marca a despedida de dois personagens em uma parada de ônibus. Ruffalo e Linney alcançam um resultado significativo e dão, mais uma vez, uma demonstração de seus talentos. O filme pode até não ser grande coisa, mas a cena final, realmente, é de emocionar quem conseguiu se comunicar com o filme.

Outro adeus que encerra um filme de forma impecável. Ao som de Just Like Honey, acompanhamos a sincera despedida dos dois principais personagens de Encontros e Desencontros. Bill Murray e Scarlett Johansson (no melhor desempenho de sua carreira) deixam para o espectador a dúvida sobre o que foi sussurrado naquele abraço nas ruas de Tóquio. Um momento muito inspirado da diretora Sofia Coppola.

Odiada por alguns e adorada por outros, a cena final de Dúvida é desconcertante. Consegue o feito de mostrar a fragilidade de um ser humano rigoroso e ainda termina o filme de John Patrick Shanley enfatizando a força do título do filme. É uma das melhores cenas de Meryl Streep no longa e sua companheira Amy Adams não fica atrás em cena. Gostando ou não, é impossível negar que o final é um dos que mais dividiu opiniões na década.

The Blower’s Daughter, do cantor Damien Rice, é a grande razão por essa cena estar incluída aqui. Embalando as cenas que mostram os destinos dos personagens, a música carrega boa parte da emoção do longa e termina de um jeito impecável o doloroso longa de Mike Nichols. No início do filme, ela até não podia ter tanto impacto, mas no final se torna inesquecível quando tocada.

O sorriso de Miranda Priestly (Meryl Streep), dentro do carro após reencontrar Andrea (Anne Hathaway), já se tornou um dos melhores momentos contemporâneos de Meryl Streep. Ao mesmo tempo em que ela passa a frieza de uma mulher que não quer se render aos sentimentos quando está na frente dos outros, também transmite com muita habilidade o que se passa no íntimo da inesquecível personagem. Cena maravilhosa.
Dez Canções da Década

Toda vez que Bruce Springsteen inventa de se inserir no cinema, o resultado é memorável. O cantor já havia obtido um resultado impecável com Streets of Philadelphia e em O Lutador alcança outra vez um nível maravilhoso. O que mais importa na canção tema do filme de Darren Aronofsky é que ela sintetiza perfeitamente o personagem de Mickey Rourke e toda a jornada dele durante a projeção. Com uma linda melodia e uma letra excepcional, The Wrestler é um marco das músicas cinematográficas contemporâneas.

Calcado em músicas de amor, Moulin Rouge! – Amor em Vermelho alcança o seu melhor resultado musical quando apresenta a inesquecível Come What May. Interpretada apaixonadamente por Nicole Kidman e Ewan McGregor – ambos em uma química cintilante – a música além de resumir a marcante paixão dos personagens, consegue empolgar e transmitir todo o estilo autoral do inovador musical de Baz Luhrmann. Como eu já disse por aqui, gostando ou não, nunca poderá ser dito que algo parecido com Moulin Rouge! já foi feito.

Provavelmente uma das melhores canções que o Oscar já premiou, I Need to Wake Up cativa com o seu ritmo e possui uma melodia fora do comum para uma letra desse gênero – que fala sobre mudanças e a necessidade de abrir os olhos para o que está acontecendo na volta. Mas, o que mais encanta é que a canção está presente em um documentário, tipo de filme que normalmente não possui canções maravilhosas como essa. A voz de Melissa Etheridge entoando a música foi uma grata surpresa.

Não faço parte do grupo que se comove com o romance de Jack Twist (Jake Gyllenhaal) e Ennis Del Mar (Heath Ledger), mas não consigo ficar indiferente com a bela canção A Love That Will Never Grow Old. A melancolia da melodia é algo impressionante e a letra consegue ser ainda mais emocionante, conferindo um resultado notável para a música. Pena que não tenha maior presença no longa, que certamente ficaria mais triste com a presença dela.

Assim como In the Deep, era uma canção que merecia mil vezes mais o Oscar no ano em que It’s Hard Out Here for a Pimp ganhou a estatueta. Dolly Parton é quem dá voz para Travelin’ Thru canção que situa bem os sentimentos dos personagens em cena e que, de certa forma, “narra” a jornada de Bree Osbourne (Felicity Huffman). Singela e cativante, a música conquista pela sua simplicidade e encerra Transamérica de forma digna e com uma sensação muito especial de que sempre existirá esperança para quem espera dias melhores.

Outra canção que embala uma história de amor. Falling Slowly venceu o Oscar de melhor canção original e encantou muita gente, especialmente por causa da perfeita química de sua dupla. Glen Hansard e Marketa Irglová, além de serem perfeitos cinematograficamente, conseguem ainda ter o mesmo efeito em suas canções, que são sinceras e emocionantes. Falling Slowly se destaca por ser a principal canção dos dois, que chega a ser tocada, inclusive, duas vezes durante o longa de John Carney.

Não poderia faltar nessa lista uma canção da inovadora trilha sonora de Quem Quer Ser Um Milionário? Selecionei a mais cativante do álbum e também a que mais fez sucesso – ganhando até uma versão na voz das péssimas Pussycat Dolls. Jai Ho finaliza o longa de Danny Boyle com muita empolgação e, certamente, é uma canção que perpetua na cabeça após o filme. Não querendo desmerecer as outras faixas da trilha, mas essa é, disparada, a melhor.

Outro caso de filme em que as canções, de certa forma, narram toda a trajetória e os ideais de um determinado personagem na sua respectiva jornada. O filme dirigido pelo ator Sean Penn tem uma memorável trilha de Eddie Vedder e cada canção tem um significado muito especial para o longa. Mas, na minha opinião, é a bela Guaranteed que se destaca na coletânea, exatamente por ter uma melodia simples, que transmite com muita humildade o clima do longa e a mensagem que ele quer passar.

May It Be encontrou a tradução perfeita de sua magia na voz de Enya. A escolha da cantora não poderia ser mais acertada, pois toda a magia que existe na trilogia de O Senhor dos Anéis está expressa nessa linda canção. Presente no primeiro volume da trilogia, A Sociedade do Anel, é a música mais especial de toda a saga, até mais que Into the West, que levou o Oscar de canção original, enquanto May It Be ficou de mãos abanando. Independente disso, a música encanta em todos os aspectos.

Decidi que não poderia faltar uma canção de desenho animado nessa lista, mas ao ter que escolher fiquei num tremendo impasse. Adoro a melancolia de When She Loved Me, a animação de Accidentally in Love e a singularidade de Down to Earth. Mas, Le Festin ganha das outras por possuir uma letra muito mais bonita e uma melodia que nos remete completamente ao longa de Brad Bird. Cantada pela Camille em francês, Le Festin também representa como a Pixar evoluiu nesse setor.
Opinião – A verdade sobre Hanna Schmitz
Atenção! Se você ainda não assistiu o filme “O Leitor”, não continue a ler o texto, pois ele possui spoilers.

Não me recordo onde, mas li recentemente um texto que falava sobre o filme O Leitor e que debatia a seguinte questão: será que se Hanna Shmitz (Kate Winslet, soberba) soubesse ler, ela cometeria os crimes que cometeu durante o Holocausto? Pra começo de conversa, não é nem um pouco fácil interpretar a personagem de Kate Winslet. Alguns não a compreendem (minha avó, por exemplo, ficou indignada que a peronagem não admitiu que era analfabeta), outros acham que ela é digna de pena e uma outra parcela fica enojada de sua figura.
Conhecemos, no filme, pouco sobre a intimidade de Hanna Schmitz. São pouquíssimos os momentos em que vemos ela interagindo sozinha – na maioria das vezes, ela sempre está acompanhada do jovem Michael Berg (o ótimo David Kross). E é até por isso que eu considero a personagem coadjuvantes. De qualquer forma, se já é difícil entrar no mundo da figura de Hanna, imagina então compreender os atos que ela cometeu durante o Holocauso – assassinando centenas de mulheres ao mantê-las presas dentro de um incêndio em uma igreja – e as razões que a levaram a fazer isso.
Voltando a pergunta que fiz no início, não consigo dizer com certeza absoluta se Hanna teria ou não cometido aquelas barbáries. Se ela soubesse ler, talvez não tivesse que ter abandonado seu emprego por vergonha de ser analfabeta – assim, portanto, não teria aceitado o trabalho nos campos de concentração. Mas, aí vem outra pergunta: porque ela aceitou logo esse trabalho? Ela não sabia o que se passava ou estava a par e simplesmente simpatizava com os ideais do nazismo? Ela poderia ter escolhido um outro trabalho.
A crítica Isabela Boscov, da revista Veja, deu uma boa análise da situação: “É uma mulher bonita e jovem que, no entanto, é uma mulher gasta, que apanhou da vida. É uma mulher que passa dificuldades e que também cria dificuldades para ela mesma. Vive de uma maneira muito estranha e que o menino de 15 anos nunca seria capaz de entender. E, quando ele entende, ele fica enojado com o fato de ter se envolvido com uma mulher que ele achava maravilhosa e que, na verdade, era alguém muito diferente. Mas, o menino nunca vai conseguir, pro resto da vida, deixar de gostar dela como um indivíduo e nem de puni-la pelo que ela representa”.
A confusão em relação a personagem não estava somente na cabeça de Michael Berg. Eu, particularmente, não sei bem o que pensar dela. E eis que fica a dualidade da personagem: ela merece nossa compaixão ou a nossa repulsa? Afinal de contas, ela cometeu aqueles crimes consciente do que estava fazendo ou por que não tinha saída? É complicado entender a vergonha que ela sente por ser analfabeta. Mas, mais complicado ainda é entender como alguém se deixa a levar a extremos por causa de um segredo. Mas, como o próprio pôster pergunta, e você? How far would you go to protect a secret?
E aí, algum tema interessante que você gostaria de ver debatido aqui? Se sim, só colocar nos comentários =)
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Confira outras opiniões:
– A culpa do Padre Flynn, em Dúvida