2009 argumentado
2009 foi um ano cinematográfico extremamente complicado para mim. Nunca me senti tão deslocado em relação ao público e à crítica. E essa sensação já tomou conta de mim logo no início do ano. Enquanto todos vibravam com os oito prêmios de Quem Quer Ser Um Milionário? no Oscar, eu assistia ao evento muito incomodado. Não gostava de ver um filme sendo tão celebrado enquanto outros, que eram igualmente competentes, ficavam preteridos por completo.
O ano passou e essa situação não mudou. Enquanto todo mundo venerava certas obras, eu apenas assistia a tudo de camarote, desaprovando a maioria das opiniões. E 2009 se encerrou assim. Bastardos Inglórios e Avatar foram louvados até o último fio de cabelo e eu fiquei aqui apenas apreciando um aspecto ou outro desses dois filmes. Mais uma vez, fui contra a maioria e desaprovei o resultado desses longas.
Mas, refletindo um pouco nesses últimos momentos de 2009, comecei a me perguntar se o problema não é comigo. Ora, não admirei Tarantino, Cameron nem Almodóvar e achei 2009 um dos anos mais fracos dos últimos tempos. Tá certo, já me falaram que sou crítico demais e que eu não consigo apreciar um filme de cabeça mais aberta ou de um jeito mais acessível. Talvez esse ano eu concorde um pouco com essas pessoas. Acho que o problema é realmente a minha exigência excessiva.
Espero que isso mude em 2010.
Encerro, então, o ano de 2009 aqui no Cinema e Argumento com esse pequeno desabafo.
Que o próximo ano seja repleto de bons filmes para nós, cinéfilos.
Mas que, principalmente, eu também possa participar mais desse ciclo de opiniões.
Feliz 2010!
Matheus Pannebecker.
Comunicado de fim de ano [2]
Com esse post, inauguro a temporada de premiações aqui do Cinema e Argumento. Ainda não estou publicando uma categoria oficial, mas fiz uma seleção dos meus cinco momentos favoritos desse ano. E, abaixo, listo todos os filmes que, de acordo com as minhas regras (ou seja, longas lançados no circuito brasileiro – cinema ou dvd – em 2009), podem concorrer aqui no blog. E, desde já, agradeço a ajuda da minha amiga Daniela Mainardi com algumas imagens que vocês verão nos posts.
(500) Dias Com Ela, 17 Outra Vez, 2012, Abraços Partidos, O Amante, Amantes, Anjos e Demônios, Anticristo, Arraste-Me Para o Inferno, Austrália, Avatar, Bastardos Inglórios, A Bela Junie, Bolt – Supercão, Brüno, O Casamento de Rachel, Coco Antes de Chanel, O Contador de Histórias, O Curioso Caso de Benjamin Button, O Dia Em Que a Terra Parou, Divã, Duplicidade, Dúvida, Entre os Muros da Escola, O Equilibrista, A Festa da Menina Morta, Foi Apenas Um Sonho, Frost/Nixon, A Garota Ideal, Gran Torino, Guerra ao Terror, Há Tanto Tempo Que Te Amo, Harry Potter e o Enigma do Príncipe, Inimigos Públicos, Intrigas de Estado, Jean Charles, Jogando Com Prazer, Julie & Julia, O Leitor, O Lutador, A Menina no País das Maravilhas, Milk – A Voz da Igualdade, Minhas Adoráveis Ex-Namoradas, A Mulher Invisível, Os Normais 2, Operação Valquíria, Pagando Bem Que Mal Tem?, A Partida, Passageiros, Por Amor, Presságio, Uma Prova de Amor, Quando Você Viu Seu Pai Pela Última Vez?, Quarentena, Quem Quer Ser Um Milionário?, Recém Chegada, Rio Congelado, Simplesmente Feliz, Star Trek, Tinha Que Ser Você, Trama Internacional, A Troca, Up – Altas Aventuras, Valsa Com Bashir, Veronika Decide Morrer, A Vida Secreta das Abelhas, O Visitante, X-Men Origens: Wolverine, W.
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O prólogo de “Anticristo”
A conversa com Sra. Miller, em “Dúvida”
A vida de Carl e Ellie, em “Up – Altas Aventuras”
O discurso de Mary, em “Orações Para Bobby”
Chicas y Maletas, em “Abraços Partidos”
Comunicado de fim de ano
Não sei se estou certo, mas acho que devo ser um dos primeiros blogueiros a divulgar a lista de melhores do ano. Em 2009 não vai ser diferente. Através desse post venho comunicar que o blog vai diminuir a sua frequência por um tempo para que o editor que vos fala possa montar todas as categorias. Ainda existem alguns filmes a serem conferidos (que serão comentados aqui na medida do possível), mas em posts futuros a premiação do Cinema e Argumento já vai começar, contando com a participação de vocês, claro, que poderão votar nos seus favoritos. Como forma de aquecimento, relembro os vencedores do ano passado (o top 10 pode ser conferido aqui).















Opinião – Ator x Personagem

No último fim-de-semana, estava discutindo cinema com o Robson, do Portal Cine, e fomos parar num questionamento muito interessante: até que ponto um personagem pode influenciar nossa percepção sobre uma atuação? O assunto surgiu quando questionei o merecimento do Oscar de Penélope Cruz. Mencionei que, para mim, a grande interpretação de Penélope está em Volver e que em Vicky Cristina Barcelona ela foi mais impulsionada por um maravilhoso personagem do que pela interpretação em si. Mas, veja bem, de forma alguma estou dizendo que ela não teve boa interpretação. O que alego é que Maria Elena é muito mais interessante do que Penélope Cruz.
Sim, partilho da visão de que personagem e ator podem andar separados. Uma interpretação pode ser maravilhosa e o personagem ser terrível. Assim como a interpretação pode ser negativa e o personagem maravilhoso. Outra atriz que surgiu no contexto do bate-papo foi Viola Davis. Arrasadora em Dúvida, podemos observar que o impacto de sua aparição no longa de John Patrick Shanely se deve mais ao brilhantismo da atriz do que ao perfil da personagem – até porque a sra. Miller tem pouco tempo em cena para ganhar uma maior abordagem. Já partindo para uma situação mais radical, podemos citar Sally Hawkins em Simplesmente Feliz. Personagem pavorosa ofuscando completamente uma boa atuação.
Em outras situações, podemos ter grandes atuações e personagens atuando juntos. E aí podemos citar vários exemplos: Meryl Streep em O Diabo Veste Prada, Heath Ledger em Batman – O Cavaleiro das Trevas, Julianne Moore em As Horas e Javier Bardem em Onde os Fracos Não Têm Vez, por exemplo. É fácil encontrar fusões assim. Mas, agora, será mesmo que atuações e personagens podem influenciar uns aos outros? Será que um personagem independe de um ator ou vice-e-versa para conseguir êxito? Eu acho que sim, completamente. E você?
O que esperar de Nine?
Eu adoro filmes com grandes nomes do elenco. Sou aquele tipo de cinéfilo que é fanático por interpretações – tanto, que nas premiações essas são, disparadas, as minhas categorias favoritas. Nine, portanto, teria que me fazer salivar (também por ser um musical). Mas não faz. Aprendi a não confiar em filmes com grandes nomes. A Grande Ilusão e Bobby foram algumas decepções envolvendo grandes atores.
Contudo, o que não me atrai em Nine é o nome do diretor Rob Marshall no comando. Ele, que esteve dirigindo o musical mais superestimado da década (sim, Chicago, pra mim, é nada mais que apenas aceitável), é um diretor completamente irregular. Chicago é um teatro com música que até funciona, mas parece não ter personalidade. Depois ele pisou na bola com Memórias de Uma Gueixa, um filme esteticamente lindo mas que é totalmente perdido no roteiro e na direção.
Agora, ele quer retomar sua era de ouro com Nine. E cada vez mais me convenço que Marshall parece estar vindo com um Chicago 2. A cada imagem e a cada vídeo fico mais convencido disso. Esse trecho do filme que posto aqui só me cativou por uma razão: Marion Cotillard. Ela parece estar mostrando de forma definitiva que não é só Piaf. Ela tem sim muito talento. Portanto, não espero um grande filme de Nine. Ele até pode ser um dos maiores espetáculos do ano sim e eu posso estar redondamente enganado. Mas, até agora, não tenho motivos para sentir expectativas.