You Don’t Know Jack
You need more people in your corner. Not less. People that you can trust. And the only way people trust each other is if they know each other. And nobody knows you. Nobody.

Direção: Barry Levinson
Elenco: Al Pacino, Susan Sarandon, Brenda Vaccaro, John Goodman, Danny Huston, James Urbaniak, Richard Council, Todd Susman
EUA, 2010, Drama, 134 minutos
Sinopse: Jack Kevorkian (Al Pacino) sempre defendeu que o ser humano tem o direito de morrer com dignidade, escolhendo a forma como deseja encerrar a vida diante de doenças terminais. Apoiado pelo amigo Neal Nicol (John Goodman) e por sua irmã Margo Janus (Brenda Vaccaro), ele passa a prestar uma “consultoria de morte”. Desta forma, Jack ajudou em mais de uma centena de suicídios assistidos, o que lhe rendeu o apelido de Dr. Morte. Em seu trabalho ele ganha o apoio de Janet Good (Susan Sarandon), a presidente do Hemlock Society, e a ira dos promotores locais, que abrem um processo contra Jack. O responsável por defendê-lo na corte é Geoffrey Fieger (Danny Huston), que precisa lidar não apenas com o processo em si mas também com a cobertura da mídia ao julgamento.

Nos últimos tempos, a televisão se tornou não só um veículo de divulgação para novos talentos, mas também um lugar seguro para atores que não conseguem mais tanto espaço nos cinemas. Se Glenn Close saiu do esquecimento com Damages, Al Pacino é outra figura que pode se considerar salva pela TV. O vencedor do Oscar pelo maravilhoso Perfume de Mulher nunca mais teve repercussão nas telonas e seu último grande trabalho foi, justamente, em uma minissérie produzida pela HBO chamada Angels in America. Agora, ele consegue outro excelente desempenho. Dessa vez, em You Don’t Know Jack, um telefilme biográfico indicado para diversas categorias do Emmy – incluindo melhor ator para Pacino.
Por ser tão certinho e formulaico, You Don’t Know Jack seria aquele tipo de filme que conseguiria inúmeras indicações ao Oscar caso tivesse sido feito para o cinema. Ele seria o representante acadêmico dos indicados – ou seja, aquele tipo de produção que agrada aos votantes justamente por ter uma estrutura mais tradicional. Vale lembrar que esse formato não é novidade alguma na carreira do diretor Barry Levinson (tanto, que ele possui um prêmio de melhor diretor da Academia pelo convencional Rain Man). O diretor, portanto, não faz muita questão de inovar na narrativa ou de realizar um filme mais ousado. Está certo que a televisão impõe certas regras, mas a HBO é conhecida por realizações inovadoras. Portanto, o clima esquemático de You Don’t Know Jack vem, puramente, de Levinson.
De qualquer forma, esse formato não atrapalha o andamento da história. Na realidade, nem chega sequer a incomodar. Mas, esse aspecto passa quase que despercebido em função de uma outra característica. You Don’t Know Jack tem algo muito forte a seu favor: a temática polêmica. Muitos filmes já falaram abertamente sobre a eutanásia, mas esse é, possivelmente, o que melhor debate o tema. Não é só sobre a questão de ajudar ou não quem está sofrendo, mas também sobre todas as pessoas que lutam a favor dessa atitude. You Don’t Know Jack aborda a batalha do protagonista, o médico Jack Kevorkian, pelo direito à morte e também a dedicação das pessoas que estavam perto de Jack e procuravam ajudá-lo nessa jornada.
Essa produção da HBO tem como grande destaque o melhor papel de Al Pacino nos últimos anos. Ainda que seja visível que ele tenha se tornado um Jack Nicholson ao repetir vários trejeitos e tons de voz, é inegável o quanto ele se entregou ao papel. Mais do que isso: ele conquista o espectador e nos apresenta um personagem que cativa com os seus princípios. Não só ele, mas também as coadjuvantes. Mesmo que um espaço limitado em cena, Brenda Vaccaro e Susan Sarandon (essa, também, uma atriz que sempre dá certo quando trabalha na TV) estão em papeis bem satisfatórios e que auxiliam o espectador a entrar na história.
You Don’t Know Jack, no final das contas, tem uma duração meio excessiva (talvez, por ficar rodeando demais em torno dos mesmos conflitos em determinados momentos), o que, aliado ao tratamento convencional, deixa a sensação de um longa aquém do esperado para um filme vindo da HBO. Entretanto, tem uma discussão tão interessante (e que vale uma boa mesa de debates) e um personagem tão batalhador que fica difícil dizer que os pontos negativos ofuscam os positivos. You Don’t Know Jack é um filme que funciona e que, dificilmente, vai desagradar alguém.
FILME: 8.0

A Última Estação
She simply spoke the phrase: your youth and your desire for happiness cruely remind me of my age and the impossibility of happiness for me.

Direção: Michael Hoffman
Elenco: James McAvoy, Helen Mirren, Christopher Plummer, Paul Giamatti, Anne-Marie Duff, Kerry Condon, John Sessions
The Last Station, Inglaterra/Alemanha/Rússia, 2009, Drama, 112 minutos
Sinopse: Nos turbulentos últimos anos de sua vida, Tolstoi (Christopher Plummer) se vê divido entre sua doutrina de pobreza e de castidade e a realidade de sua enorme riqueza com treze filhos e uma esposa (Helen Mirren). Ele decide sair de casa em uma viagem, mas seu estado de saúde precário o impede de seguir adiante.

A Última Estação é aquele tipo de filme que não conquista necessariamente pelas situações que são encenadas, mas sim pelos personagens que figuram o enredo. A sinopse pode distanciar muita gente – afinal, trata sobre as doutrinas de Tolstoi e a complicada relação dele com a sua esposa, que era contrária ao marido em diversos aspectos. E o filme, até mais ou menos a metade, é realmente prejudicado por sua temática: parece que pouca coisa acontece, o ritmo é lento e o roteiro faz rodeios em torno de um mesmo formato. No entanto, A Última Estação recompensa completamente após a metade.
O principal foco, na realidade, não é em Helen Mirren ou em Christopher Plummer. A Última Estação é arquitetado de acordo com a visão da figura de James McAvoy. Ele, que mais uma vez foi ofuscado por nomes mais conceituados (lembram que ninguém deu muita importância para ele em O Último Rei da Escócia, onde era o verdadeiro protagonista?), é quem dá a visão para o espectador dos acontecimentos. Apesar da habitual competência do ator, não é ele quem mais chama a atenção. A força do filme está nas presenças de Mirren e Plummer.
Os dois veteranos atores são o ponto alto do filme (ambos foram indicados ao Oscar 2010). Eles entregam ótimas interpretações, mas com personagens bem diferentes. Enquanto Plummer, como Tolstoi, mostra o impasse de um homem divido entre a teoria de suas doutrinas e a prática de sua vida, Mirren representa a esposa sofrida e incopreendida que tem opiniões opostas ao de seu marido. Ainda que Mirren seja o destaque – afinal, é o coração de toda a história – todos estão em ótimo momento. A produção ainda tem boas atuações de Paul Giamatti e Anne-Marie Duff.
A Última Estação não tem como matéria-prima a obra de Tolstoi, mas sim a relação dele com todos em sua volta. E, principalmente, como sua presença afetava as pessoas – tanto para o bem quanto para o mal. Esse filme dirigido por Michael Hoffman não chega a ser uma surpresa. Contudo, é inegável que o resultado tem vários destaques. Impossível, por exemplo, não se comover com os momentos finais de Mirren e Plummer. Pode até ficar aquela pergunta no ar: o mérito não seria só dos atores? Talvez, pois o ritmo e o desenvolvimento do roteiro não são especiais. Entretanto, dá gosto de ver um filme bem atuado. Só isso já é meio caminho andado para que um filme me conquiste.
FILME: 8.0

NA PREMIAÇÃO 2011 DO CINEMA E ARGUMENTO:

Eclipse
Well, I am hotter than you.

Direção: David Slade
Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Dakota Fanning, Bryce Dallas Howard, Anna Kendrick, Xavier Samuel
The Twilight Saga: Eclipse, EUA, 2010, Aventura, 124 minutos
Sinopse: Bella Swan (Kristen Stewart) precisa enfrentar as consequências de ser amiga do lobisomem Jacob Black (Taylor Lautner) e namorada do vampiro Edward Cullen (Robert Pattinson). Ao mesmo tempo, a moça se vê aterrorizada por uma misteriosa onda de assassinatos em Seattle e o fato de estar sendo perseguida por uma vampira.

Durante toda o histórico cinematográfico de Harry Potter, vários diretores comandaram a saga do menino que sobreviveu. É claro que alguns momentos foram marcantes e outros bem superficiais. Contudo, sempre existia algo de novo a cada filme. Podia ser uma direção inovadora (Alfonso Cuarón) ou então uma interpretação-surpresa, como Imelda Staunton. Não é o que acontece com a saga Crepúsculo. A qualidade (ou melhor, falta dela) dos longas é estagnada. Parece que todos os filmes falam do mesmo assunto e que os erros nunca se apagam – pelo contrário, só se acentuam.
Chegando em seu terceiro capítulo, a história de amor entre Bella (Kristen Stewart) e Edward (Robert Pattinson) apresenta algo muito curioso: tudo o que foi apresentado nesses três filmes poderia muito bem ter sido resumido em um longa-metragem de 90 minutos. Claro que isso é proveniente de um produto literário igualmente incompetente, mas, muitas vezes, já vimos no cinema que um diretor é capaz de ter autonomia e criar um filme que se diferencie (para melhor, claro) do texto original. Entretanto, reclamar desses aspectos da saga é cair no lugar-comum.
Todo mundo sabe que o elenco é pavoroso, que os acontecimentos são superficiais, que os questionamentos dos personagens são risíveis e que o filme não faz a mínima questão de se dar ao respeito e criar algo inspirado. Portanto, resta, apenas, avaliar Eclipse de forma individual, sem fazer paralelos com os habituais defeitos que todos nós já conhecemos. O terceiro volume, na realidade, é o mais movimentado. Mas, ao mesmo tempo, não se livra de tomadas entediantes. Acompanhamos uma alternância entre tédio e aventura que não causa interesse algum.
Antes a aventura mal realizada fosse o principal problema de Eclipse. O maior defeito do filme de David Slade é a protagonista Bella Swan e a sua intérprete, Kristen Stewart. Não exclusivamente da péssima atuação da atriz, mas também do que a personagem representa. Dá nos nervos ver como todo mundo ama e protege Bella. Equipes são montadas apenas com o intuito de protegê-la e os dois pretendentes da moça estão o tempo inteiro de implicância só para ficar com ela. Pretextos idiotas surgem na tela apenas com o intuito de acirrar essa disputa dos dois pelo amor da mocinha. Mas, afinal, o que enxergam de tão extraordinário nessa garota antipática, tapada e sem expressão para esse alvoroço todo?
É notável, também, como o roteiro não faz a mínima questão de esconder a falta de conteúdo. Cerca de metade do longa é sobre “gosto de você ou não gosto?”, “beijo ou não beijo?”, “caso ou não caso?”, “transo ou não transo?”. São situações que testam a paciência de qualquer um, principalmente quando encenadas por atores tão ineficientes. Se Stewart e Pattinson mantiveram o título de pior casal da atualidade, Lautner – que era o menos pior do filme anterior – agora aparece com uma representação igualmente irritante e sem expressão. É uma história que se resume a conflitos bobos, atuações sem expressão, momentos de ação que praticamente não funcionam e um amadorismo impressionante no texto.
Eclipse é isso: um filme mal realizado e que repete (ou melhor, amplia) tudo o que já tinha dado errado antes. Não adianta trocar o diretor, tudo continua se repetindo. Mas, quem somos nós para irmos contra uma produção que arrecada fortuna nas bilheterias e move milhões de pessoas, todos os anos, para o cinema? Somos aquela minoria que é conhecida como chata e implicante. Aquela minoria que não é e nunca será ouvida. O que nos resta a fazer? Desistir. E isso foi exatamente o que eu decidi depois que terminei de assistir Eclipse. Bella e Edward nunca mais verão a cor do meu dinheiro.
FILME: 4.5

O Golpista do Ano

Direção: Glenn Ficarra e John Requa
Elenco: Jim Carrey, Ewan McGregor, Rodrigo Santoro, Leslie Mann, Allen Boudreaux, Marylouise Burke, Clay Chamberlin, Tommy Davis
I Love You Phillip Morris, EUA/2009, Comédia, 102 minutos
Sinopse: Steven Russell (Jim Carrey) é um policial texano que decide assumir sua homossexualidade. Porém logo ele descobre que, para ser gay, é preciso ter muito dinheiro. Ele passa a realizar diversas trapaças e fraudes, de forma a manter seu alto padrão de vida. Ao ser preso, Steven é levado a uma penitenciária estadual. Lá ele conhece Phillip Morris (Ewan McGregor), seu companheiro de cela, por quem se apaixona. A partir de então Steven passa a fugir e ser preso diversas vezes, sempre agindo em nome de seu amor.

Um dos destinos mais cruéis que um filme pode ter é ser fadado ao fracasso em função de uma propaganda errada. Vejam O Golpista do Ano, por exemplo: estrelado por Jim Carrey, cartazez toscos e trailer enganador. Toda publicidade envolvendo o filme indicava uma típica comédia-pastelão estrelada por Carrey. De certa forma, temos aqui um filme estruturalmente cômico, mas que esconde muitos outros aspectos dentro do roteiro.
Se O Golpista do Ano pode ser considerado um Prenda-Me Se For Capaz gay, também devemos analisar outras facetas da trama. Existe romance e até momentos densos dramaticamente (principalmente nos momentos finais, quando o roteiro impõe uma grave doença a um personagem). Dá para destacar, iclusive, uma ou outra estranha cena de sexo – essas cenas, por sinal, são curiosas, pois não sabemos se devemos levá-las a sério ou rir.
Mas, a verdade é que O Golpista do Ano trata sobre a história de um homem que perde tudo na vida porque não consegue parar de mentir. Chega a ser angustiante ver alguém que tem tudo o que desejava em mãos e que simplesmente joga tudo para o alto porque não tem forças para lutar contra o hábito da mentira. Nesse sentido, o filme de Glenn Ficarra e John Requa acerta. Mesmo que sem profundidades.
É a mistura de gêneros que causa estranheza nesse filme. Comédia, drama e romance parecem estar visivelmente separados. Portanto, a cada momento, acompanhamos um tipo diferente de abordagem. Essa alternância incomoda bastante e prejudica o andamento de O Golpista do Ano. Mais do que tudo, causa afastamento naqueles que procuravam um filme qualquer estrelado por Jim Carrey. Se fosse mais simplista e apostado nesse formato, talvez tivesse sido melhor aceito.
O Golpista do Ano é para ser visto sem preconceitos. É verdade que o filme tem um tratamento cômico na maior parte do seu tempo, mas ele também sabe respeitar o romance homossexual que está sendo mostrado em cena. Existe o momento de rir e o momento de levar a sério a história dos personagens de Carrey e Ewan McGregor (o maior destaque do elenco). Quem não consegue ter esse discernimento, deve passar longe. Aliás, serão os poucos que conseguirão entrar no clima. Que lástima, já que o filme, mesmo com problemas é assistível e tem seus atrativos…
FILME: 7.5

Em Busca de Uma Nova Chance
And then on the last day… he talked to me. And everything he said was exactly how I pictured it would be. And I was the happiest I’ve ever been. Happy and scared all at the same time.

Direção: Shana Feste
Elenco: Susan Sarandon, Pierce Brosnan, Carey Mulligan, Johnny Simmons, Michael Shannon, Miles Robbins, Zoë Kravitz
The Greatest, EUA, 2009, Drama, 99 minutos
Sinopse: No último dia de aula, Rose (Carey Mulligan) enfim consegue conversar com Bennett (Aaron Johnson), que a paquera desde o primeiro dia. Eles iniciam um romance arrebatador, onde um é o que o outro sempre sonhou. Só que, logo após terem sua primeira noite de amor, um caminhão atinge o carro em que estão. O acidente mata Bennett, o que coloca seus pais, Allen (Pierce Brosnan) e Grace (Susan Sarandon), além do irmão Ryan (Johnny Simmons), em choque. Três meses depois, Rose bate à porta da família Brewer para avisá-los que está grávida de Bennett.

O pôster nacional é algo cretino (o que não é novidade nos trabalhos de divulgação da Playarte), o trailer é clichê e a premissa não não poderia ser mais batida. É louco quem vai assistir Em Busca de Uma Nova Chance achando que o filme trará algo espetacular ou uma inovação nesse ramo tão explorado que é o drama de pais que perdem um filho. O cinema estrangeiro já deu um tapa na cara dos americanos com o impactante O Quarto do Filho. O cinema hollywoodiano bem que tenta, mas, em praticamente todas as vezes, não consegue chegar aos pés do filme do italiano Nanni Moretti.
Em Busca de Uma Nova Chance é mais uma dessas histórias melodramáticas que querem ser emocionantes. Ora, o filme funciona para aquela sua tia que acha que sempre usa o termo “bela fotografia” para elogiar um filme ou para aquela vovó que acha que todo filme de dramas familiares tem lições de vida muito bonitas. Ou seja, o longa-metragem de estreia da diretora Shana Feste agrada exatamente quem tem que agradar: aqueles desprovidos de criticismo e que conseguem acompanhar um amontoado de clichês repetitivos sem qualquer restrição.
Infelizmente, vai acumular a antipatia de todos que não consegue acompanhar um filme que sequer tem uma cena original. Aí está o problema de Em Busca de Uma Nova Chance: tudo é reciclagem e nada tem um pingo de novidade. O filme estreia no mesmo dia de Toy Story 3 aqui no Brasil. E, quem diria, um filme sobre brinquedos que tomam vida consegue arrancar várias lágrimas e um filme sobre a história de um casal que perdeu um filho em um trágico acidente não consegue nem emocionar. Falta emoção no trabalho de Shana Feste. Podia ter, ao menos, aquela sensação de guilty pleasure. Mas, nem isso chega a ficar muito presente.
Todavia, como já citado, é louco quem esperava algo mais de um filme como esses. Queria dizer que Em Busca de Uma Nova Chance merece ser visto por aqueles que curtem histórias assim, mesmo que com falhas. Não consigo. Sou fã confesso desses melodramas e não consegui me envolver com a história. Um filme desses precisa levar o espectador para o sofrimento dos personagens e não deixá-lo como mero observador da situação. Nós não sentimentos a dor dos personagens. Não o suficiente para torcer por eles. Reclamações à parte, é um filme que tem seus momentos.
A maioria deles se deve ao trabalho de duas ótimas atrizes. É certo dizer que Susan Sarandon e Carey Mulligan rivalizam com papéis óbvios e, por vezes, fora de tom. Contudo, ambas são ótimas atrizes e só a boa presença delas já deixa um certo ar de qualidade. A primeira, que parece ter se especializado em perder filhos no cinema, tem sempre a favor de si o fato de ter uma presença muito humana. A segunda, indicada ao Oscar por Educação, tem simpatia e desenvoltura, o que é fundamental para a aceitação do espectador. Os homens (Pierce Brosnan, o jovem Johnny Simmons e Michael Shannon, em rápida aparição), apesar de esforçados, não conseguem resultados sem falhas.
Não dá para achar explicações do porquê de Em Busca de Uma Nova Chance ter sido exibido nos cinemas e não ter sido lançado direto em dvd. Um filme comum desses não merecia espaço nas telonas. O ideal é vê-lo naquela noite de sábado onde não existe outra melhor opção. Pelo texto, pode parecer que eu destetei o debut de Shana Feste. Não é verdade. Na realidade, até defendo: ele não chega a ser ruim. Só me irrita demais o fato de uma história dessas não conseguir emocionar nem empolgar com as atrizes que tem em mãos e com a premissa que sempre funciona quando bem trabalhada. É, diretora, às vezes, infelizmente, experiência é fundamental para se achar o tom certo. Quem sabe na próxima?
FILME: 6.0
