Cinema e Argumento

127 Horas

I’ve been moving towards it my entire life. The minute I was born, every breath that I’ve taken, every action has been leading me to this crack on the out surface.

Direção: Danny Boyle

Elenco: James Franco, Kate Mara, Amber Tamblyn, Sean Bott, John Lawrence, Rebecca C. Olson, Treat Williams, Clémence Poésy

127 Hours, EUA/Inglaterra, 2010, Drama, 94 minutos

Sinopse: Em maio de 2003, o alpinista Aron Ralston (James Franco) fazia mais uma escalada nas montanhas de Utah, Estados Unidos, quando acabou ficando com seu braço preso em uma fenda. Sua luta pela sobrevivência durante mais de cinco dias (durou 127 horas) foi marcada por memórias e momentos de muita tensão, relatados em um livro. Baseado em fatos reais.

Qualquer curiosidade que eu tinha em relação ao resultado de 127 Horas era em torno de James Franco. Mas não no sentido positivo. Fiquei curioso em saber o porquê do recentemente oscarizado Danny Boyle ter apostado em Franco para ser o protagonista de seu mais novo filme. Vou ser bem sincero: nunca gostei do ator. Seu humor meio idiota não me agrada, ele já mostrou diversas vezes ser meio tapado e, acima de tudo, nunca me convenceu como ator. Ou seja, estava muito querendo saber se Franco seria capaz de sustentar um filme inteiro e corresponder às indicações que recebeu a prêmios e se Danny Boyle conseguiria, finalmente, extrair algo de bom desse ator que, pelo menos para mim, nunca foi um sujeito digno de receber tamanha confiança.

O apresentador do Oscar 2011 (até agora estou tentando o porquê de terem escolhido logo ele e Anne Hathaway para comandar a cerimônia) tem aqui, possivelmente, o momento mais importante de sua carreira. Mas não se enganem: qualquer ator faria o que James Franco faz em 127 Horas. Os maiores méritos do filme não são dele. Ainda assim, é um ponto muito positivo para a carreira dele, que prova ser um sujeito que consegue sustentar sozinho um longa com tranquiliade.  O importante é reconhecer que Franco parece estar se envolvendo com as pessoas certas (já tinha recebido elogios exagerados no seu trabalho com Gus Van Sant em Milk – A Voz da Igualdade) e que 127 Horas é uma prova de como ele pode ser satisfatório o suficiente para estrelar uma produção sozinho – desde que comandado pelos diretores certos.

Quanto ao filme, Danny Boyle deixa visível que ainda existem fortes ecos do estilo que ele havia trabalhado na direção de Quem Quer Ser Um Milionário?. Também não é para menos, já que a equipe reunida em 127 Horas é praticamente a mesma, incluindo o roteirista Simon Beaufoy e o compositor indiano A.R. Rahman, por exemplo. Com isso, os cinéfilos mais assíduos vão perceber muitos dos maneirismos técnicos e narrativos utilizados por Boyle no seu trabalho anterior. Ou seja, isso é sinônimo de uma montagem super ágil, trilha sonora dinâmica, fotografia bem aproveitada e direção que sabe orquestrar todos os aspectos com precisão. O problema é que a história diz muito pouco, caindo no velho resultado de filme de um apenas um cenário com só um ator em cena. Digo pouco para não ter que dizer nada. É apenas uma história de sobrevivência, uma diversão. Tudo muito lógico e objetivo.

Portanto, 127 Horas é realizado com competência e consegue prender o espectador. Por mais que não tenha o poder de agonia apresentado no recente Enterrado Vivo (que segue o mesmo formato) e que cenas desnecessárias sejam perceptíveis até para os espectadores mais desatentos, o filme de Danny Boyle sabe disrçar muito bem o previsível roteiro com um ótimo uso da técnica. Esse mesmo espectador desatento que consegue perceber algumas enrolações também poderá partilhar da situação do protagonista e acompanhar com curiosidade cada momento de 127 Horas. Se o longa de Danny Boyle peca por escolhas óbvias na história, ao menos tem o poder de dinamizar tudo de uma forma que o público releve toda e qualquer previsibilidade. Aliás, foi essa mesma habilidade preciosa que consagrou o diretor com tantos Oscars dois anos atrás…

FILME: 8.0

NA PREMIAÇÃO 2011 DO CINEMA E ARGUMENTO:


O Vencedor

I’m the one who’s fighting. Not you, not you, and not you.

Direção: David O. Russell

Elenco: Mark Wahlberg, Christian Bale, Melissa Leo, Amy Adams, Jack McGee, Melissa McMeekin, Bianca Hunter, Erica McDormett

The Fighter, EUA, Drama, 115 minutos

Sinopse: Dicky Ecklund (Christian Bale) foi uma lenda do boxe, mas ficou conhecido por desperdiçar seu talento e sua grande chance. Agora, o seu meio-irmão Micky Ward (Mark Wahlberg) tentará se tornar uma nova esperança de campeão e superar as conquistas de Dicky. Treinado pela família e sem obter sucesso em suas lutas, Micky terá que escolher entre seus familiares e a vontade de ser um verdadeiro campeão.

Micky (Mark Wahlberg) é o filho preterido. Ele é lutador de boxe, mas vive à sombra do sucesso promissor que seu irmão, Dicky (Christian Bale), um dia teve no mesmo esporte. Só que hoje Dicky é viciado em drogas, além de ser um irresponsável que só traz problemas para a família. Ainda assim, é o queridinho da matriarca Alice (Melissa Leo), que tem a tendência de acobertar e perdoar todos os erros do filho. A situação financeira da família não é das melhores e Micky resolve investir em novas lutas para ganhar dinheiro. Nesse meio tempo, conhece Charlene (Amy Adams), uma garota que vai incentivá-lo nessa jornada. Micky, no entanto, vê que sua carreira profissional não consegue ir adiante, uma vez que sua família só lhe traz problemas.

Sinceramente, não pensei que O Vencedor fosse um filme tão novelesco. Como dá para perceber pelo enredo narrado acima, o longa de David O. Russell não prima pela originalidade. Pelo contrário. Não sei se foi intencional (e, se foi, o diretor não deixa isso claro), mas toda a estrutura – tanto da narrativa quanto da técnica – é quase que ultrapassada. Sem aspectos técnicos interessantes, O Vencedor é todo calcado nas interpretações dos atores e no roteiro originalmente escrito pelo trio Scott Silver, Paul Tamasy e Eric Johnson. Nada além disso. É, também, um filme de boxe que está longe de explorar de forma interessante a montagem, a fotografia e a direção nas cenas de luta. Portanto, é tudo simples demais, longe de tantos outros filmes que já encenaram esse esporte com maestria.

Não tem como negar: O Vencedor não tem méritos na técnica, realizando apenas o óbvio. Mas já que a história não pretende se focar no boxe e sim no relacionamento do protagonista com as pessoas em sua volta, a responsabilidade de trazer qualidade para o resultado fica com o roteiro e o elenco. Como já dito, a história é novelesca, quando não estereotipada – principalmente no que se refere aos personagens quase que caricatos, como a mãe interesseira e cafona vivida por Melissa Leo ou o irmão problemático encarnado por Christian Bale. Algumas cenas são extremamente previsíveis, assim como quase todos os acontecimentos. Nada que acompanhamos em O Vencedor é original. Nós já vimos tudo isso em algum outro filme.

Mas o que acontece com esse filme tão simples e óbvio para que ele tenha recebido tanta atenção? Ora, a resposta é muito simples: os atores. Ah, os atores! Se não fosse por eles, O Vencedor não passaria de uma produção com cara de telefilme batido. Os protagonistas, na maioria das histórias clichês, sofrem porque são ofuscados pelos coadjuvantes. Com Mark Wahlberg não é diferente. Christian Bale é o destaque toda vez que entra em cena, Melissa Leo faz uma ótima composição de uma personagem adoravelmente detestável e Amy Adams demonstra cada vez mais ser uma atriz muito eficiente ao unir sua expressão frágil com uma personagem decidida. Wahlberg fica de escanteio, fazendo apenas o que é necessário.

Merecidamente reconhecido pelas premiações, o elenco de O Vencedor impede que o clima novelesco e a técnica decepcionante tomem conta do filme. Eles são a razão para que o longa de David O. Russell seja conferido. As falhas estão ali presentes e, no final, fica aquela sensação de que O Vencedor poderia ter sido muito mais do que realmente é. Mas aí fica a dúvida: a culpa é da história batida ou da direção que não tentou apostar em um diferencial? A verdade é que os ótimos atores mereciam mais do que esse filme apenas satisfatório. O Vencedor, no final das contas, fica na memória como um produto cinematográfico que tem suas falhas perdoadas pelos excelentes desempenhos. Tire eles e você não terá razão alguma para destacar com entusiasmo qualquer outro aspecto.

FILME: 7.5

NA PREMIAÇÃO 2011 DO CINEMA E ARGUMENTO:


O Discurso do Rei

If I am King, where is my power? Can I declare war? Form a government? Levy a tax? No! And yet I am the seat of all authority because they think that when I speak, I speak for them.

Direção: Tom Hooper

Elenco: Colin Firth, Geoffrey Rush, Helena Bonham Carter, Guy Pearce, Michael Gambon,  Derek Jacobi, Jennifer Ehle, Andrew Havill, Tim Downie

The King’s Speech, Inglaterra, Drama, 118 minutos

Sinopse: Desde os 4 anos, George (Colin Firth) é gago. Este é um sério problema para um integrante da realiza britânica, que frequentemente precisa fazer discursos. George procurou diversos médicos, mas nenhum deles trouxe resultados eficazes. Quando sua esposa, Elizabeth (Helena Bonham Carter), o leva até Lionel Logue (Geoffrey Rush), um terapeuta de fala de método pouco convencional, George está desesperançoso. Lionel se coloca de igual para igual com George e atua também como seu psicólogo, de forma a tornar-se seu amigo. Seus exercícios e métodos fazem com que George adquira autoconfiança para cumprir o maior de seus desafios: assumir a coroa, após a abdicação de seu irmão David (Guy Pearce).

Nunca me acostumei a falar em público. Até hoje tenho sérios problemas em falar para muitas pessoas, especialmente porque sou tomado pelo nervosismo. Deve ser assim para a maioria das pessoas. Mas, para Albert (Colin Firth), a situação é ainda pior: além de ser obrigado a dar discursos, ele é gago. O Discurso do Rei, portanto, não planeja ser um estudo sobre a monarquia britânica e muito menos quer desenvolver questões políticas para construir a sua linha dramática. O filme tem como principal foco a superação de Albert para que ele possa exercer o cargo de rei sem ser motivos de deboche em função de sua gagueira. Ou seja, um filme de época focado no ser humano e não nos acontecimentos da realeza.

Desprezado em toda parte por ter conseguido um número surpreendente de indicações ao Oscar (foram doze, ao total), é fácil entender o porquê de O Discurso do Rei ter sido tão celebrado. Estamos diante de um longa-metragem que parece estar embalado em papel-presente para os prêmios e que atende a todos os requisitos que o público mais tradicional aprecia. É um filme de época que explora muito bem a parte técnica (com destaque para a fotografia e direção de arte) e que entrega para os atores a missão de engrandecer um roteiro correto e, de certa forma, esquemático. Então, quem não consegue entender o sucesso de O Discurso do Rei precisa prestar melhor atenção em alguns detalhes.

Trazendo um desempenho espetacular de Colin Firth (que, ano passado, já estava perfeito no subestimado Direito de Amar), o longa de Tom Hooper encontra nos atores a sua principal força. Se Firth apresenta um brilhantismo singular tanto no trabalho mais técnico quanto no emotivo (ele transmite humanidade com muita facilidade apenas no olhar), o ator também recebe a carismática ajuda do excelente Geoffrey Rush. Juntos, eles trazem os melhores momentos do filme – até porque não são apenas situações dramáticas, mas também bem humoradas e descontraídas. A dupla é o ponto alto de O Discurso do Rei, longa-metragem que aproveita para trazer uma Helena Bonham Carter mais contida e humana do que seus papéis habituais (e isso está longe de ser depreciativo).

Se Tom Hooper aposta em tipos de enquadramentos desnecessários apenas para chamar a atenção, pelo menos ele consegue comandar com segurança O Discurso do Rei. Elegante (ainda que sem aquele irresistível charme de A Rainha), o filme explora com qualidade todos os aspectos aproveitáveis de um tradicional filme de época. É um prato cheio para os fãs desse gênero (afinal, não lembro a última vez em que um filme desse estilo foi tão bem produzido), o que justifica completamente a adoração de muitos. Entretanto, ainda que não seja careta, O Discurso do Rei é quadrado e não consegue se livrar de certos maneirismos ultrapassados. Então, a adoração é compreensível, mas a dificuldade em aceitá-lo também é. Afinal de contas, o público de hoje, acostumado com propostas mais inovadoras como as dos recentes Cisne Negro e A Origem, ainda está disposto a abraçar um filme convencional como o de Tom Hooper? Eu ainda estou.

FILME: 8.0

NA PREMIAÇÃO 2011 DO CINEMA E ARGUMENTO:

Inverno da Alma

I’d be lost without the weight of you two on my back. I ain’t going anywhere.

Direção: Debra Granik

Elenco: Jennifer Lawrence, John Hawkes, Isaiah Stone, Ashlee Thompson, Valerie Richards, Shelley Waggener, Garret Dillahunt

Winter’s Bone, EUA, 2010, Drama, 100 minutos

Sinopse: Aos 17 anos de idade, Ree Dolly (Jennifer Lawrence) embarca em uma missão para encontrar seu pai, já que ele usou a casa de sua família como forma de garantir sua liberdade condicional e desapareceu sem deixar vestígios. Confrontada com a possibilidade de perder a casa onde mora com seus irmãos pequenos e precisar voltar para a floresta de Ozark, Ree desafia os códigos e a lei do silêncio arriscando sua vida para salvar sua família. Ela desafia as mentiras, fugas e ameaças oferecidas por seus parentes e, dessa forma, começa a juntar a verdade sobre seu pai.

É impossível assistir Inverno da Alma sem lembrar de Rio Congelado, ótimo filme estrelado pela extraordinária Melissa Leo. Os dois trabalhos são frutos do cinema independente encenados em paisagens inóspitas e que mostram a jornada de uma protagonista batalhadora que faz de tudo para salvar sua família. Não sei se foram as semelhanças gritantes que fazem Inverno da Alma parecer uma versão inferior de Rio Congelado ou se o resultado é realmente fraco, mas essa produção de 2010 está muito longe de ser um dos melhores exemplares da atual safra do cinema independente.

Segundo longa-metragem da diretora Debra Granik, Inverno da Alma tem a seu favor a ótima performance de Jennifer Lawrence, uma jovem que acertou completamente na composição de sua personagem. Destemida para sua idade mas também fragilizada por dentro, a Ree Dolly de Lawrence é o que existe de melhor na história. Lawrence, indicada ao Oscar por seu desempenho, é tudo aquilo que o longa não consegue ser. John Hawkes, outro celebrado pela Academia com uma indicação, também ajuda nessa missão.

De resto, Inverno da Alma é uma experiência arrastada e pouco interessante. O conflito principal da trama (a garota em busca do pai desaparecido) não consegue sustentar o filme, principalmente porque tudo se resolve muito cedo e de forma pouco instigante. Toda a dramaticidade está centrada na protagonista, a engrenagem que faz a boa parte do longa funcionar. Se não fosse por Lawrence, Inverno da Alma seria algo completamente desnecessário. Por sorte, ela conseguiu levar o filme nas costas – pena que não o suficiente para tirá-lo da falta de ritmo.

FILME: 6.0


Amor e Outras Drogas

I don’t know – you meet thousands of people and none of them really touch you. And then you meet that one person and your life is changed.

Direção: Edward Zwick

Elenco: Jake Gyllenhaal, Anne Hathaway, Oliver Platt, Hank Azaria, Josh Gad, Gabriel Macht, Judy Greer, George Segal, Jill Clayburgh

Love & Other Drugs, EUA, 2010, Comédia Romântica, 112 minutos

Sinopse: Jamie Randall (Jake Gyllenhaal) é um sedutor incorrigível do tipo que perde a conta do número de mulheres com quem já transou. Após ser demitido do cargo de vendedor em uma loja de eletrodomésticos, por ter seduzido uma das funcionárias, ele passa a trabalhar num grande laboratório da indústria farmacêutica. Como representante comercial, sua função é abordar médicos e convencê-los a prescrever os produtos da empresa para os pacientes. Em uma dessas visitas, ele conhece Maggie Murdock (Anne Hathaway), uma jovem de 26 anos que sofre de mal de Parkinson. Inicialmente, Jamie fica atraído pela beleza física e por ter sido dispensado por ela, mas aos poucos descobre que existe algo mais forte. Maggie, por sua vez, também sente o mesmo, mas não quer levar adiante por causa de sua doença.

Quando terminei de assistir a Amor e Outras Drogas, fui procurar comentários sobre o filme pela internet. Para a minha surpresa, encontrei pessoas comparando esse filme de Edward Zwick com Doce Novembro, aquele longa insuportável estrelado por Keanu Reeves e Charlize Theron. Okay, dá para entender o porquê da comparação (o chororô envolvendo a doença que afeta o relacionamento do casal), mas chega até a ser um absurdo relacionar esse simpático Amor e Outras Drogas com o melodrama irritante de Doce Novembro.

O filme protagonizado por Jake Gyllenhaal e Anne Hathaway já começa acertando na escalação deles próprios. Fica evidente que Hathaway é superior a Gyllenhaal (ele ainda tem muito o que aprender sobre controlar caretas e trejeitos), mas, quando estão juntos em cena, funcionam com exatidão, principalmente por causa da perceptível intimidade e dinâmica que os dois criaram durante as filmagens. Muito à vontade, o casal dá simpatia a um filme que não faz um bom balanço entre as tramas que desenvolve.

Não sei nem se o que mais me incomodou foi o conjunto de histórias que pouco se conectam. Particularmente, acho que o problema reside na vontade de contar muito e se focar em pouco. Deveria existir uma lei que proíbisse que comédias românticas tivessem longas durações. Amor e Outras Drogas leva quase duas horas para construir diversas histórias e, no final, dá para notar que muito do que foi mostrado poderia ter sido mais resumido ou até mesmo anulado.

Agora, se todos esses erros podem passar batidos, existe algo detestável e que não dá para ignorar: o personagem do ator Josh Gad. Insuportável como o irmão do protagonista, ele ficou com as piadas mais duvidosas, que são repetidas exaustivamente e que não acrescentam nada. O personagem está fora de tom, é tratado como mais um alívio cômico (mas é, na verdade, um verdadeiro incômodo) e chega a ser cansativo de tão repetitivo. Um erro facilmente evitável e que consegue estragar – e muito! – o humor sexual proposto por Amor e Outras Drogas. Sorte que existe a química entre Hathaway e Gyllenhaal para salvar o dia.

Ainda que o roteiro se dirija a um final agridoce bem ao estilo Terapia do Amor mas não consiga abraçar essa ideia fugindo para resoluções óbvias, funciona como o de qualquer outra comédia romântica despretensiosa – e aqui, claro, existe o diferencial da nudez e das inúmeras cenas de sexo. No final, pouco importa aquela velha lição manjada de Alfie – O Sedutor sobre o cara que tem mil mulheres mas aprende a amar com apenas uma ou que o resultado do filme comece melhor do que termine. Amor e Outras Drogas é para ser assistido sem expectativas. Assim, será apreciado da melhor forma.

FILME: 6.5