Lincoln

Do you think we choose the times into which we are born? Or do we fit the times we are born into?

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Direção: Steven Spielberg

Roteiro: Tony Kushner, baseado no livro “Team of Rivals: The Genius of Abraham Lincoln”, de Doris Kearns Goodwin

Elenco: Daniel Day-Lewis, Sally Field, Tommy Lee Jones, David Strathairn, Joseph Gordon-Levitt, Lee Pace, John Hawkes, Hal Holbrook, Jackie Earle Haley, Dane DeHaan, Joseph Cross, Jared Harris

EUA, 2012, Drama, 150 minutos

Sinopse: Baseado no livro “Team of Rivals: The Genius of Abraham Lincoln”, de Doris Kearns Goodwin, o filme se passa durante a Guerra Civil norte-americana, que acabou com a vitória do Norte. Ao mesmo tempo em que se preocupava com o conflito, o 16º presidente norte-americano, Abraham Lincoln (Daniel Day-Lewis), travava uma batalha ainda mais difícil em Washington: ao lado de seus colegas de partido, ele tentava passar uma emenda à Constituição dos Estados Unidos que acabava com a escravidão. (Adoro Cinema)

lincolnmovie

O ano é 1865, mas o momento retratado por Lincoln levanta questões que ainda hoje são inexplicavelmente motivos de discussões fervorosas ao redor do mundo. Está certo que a escravidão chegou ao fim, mas ainda vivemos em um mundo onde direitos básicos são negados a várias minorias. Que digam, por exemplo, os homossexuais, frequentemente mortos pelo simples fato de gostarem de pessoas do mesmo sexo. Negros deixando de ser escravos, mulheres alcançando o direito ao voto e, agora, gays querendo o mínimo de respeito perante a lei… Pense em tudo isso e Lincoln se mostra ainda atual e, por que não, urgente. O filme mostra que a escravidão foi moralmente superada – em um passado não muito distante (há menos de dois séculos!) – e que batalhas parecidas por direitos continuam acontecendo. Mais do que isso, ressalta a necessidade de vivermos em harmonia numa sociedade justa para todos.

Lincoln é interessante justamente por retratar um momento historicamente excepcional dentro da história dos direitos humanos: aquele em que o presidente estadunidense Abraham Lincoln conseguiu finalmente aprovar a emenda que abolia a escravidão em seu país. Uma conquista que deixou um legado inegável não só para os Estados Unidos, mas para o mundo inteiro. Porém, em termos cinematográficos, Lincoln não chega a ter o mesmo espírito das ideias revolucionárias do protagonista ou o mesmo frescor das questões que suscita. Escrito por Tony Kushner (da antológica minissérie Angels in America e de Munique, o último grande filme de Spielberg), com base no livro “Team of Rivals: The Genius of Abraham Lincoln”, de Doris Kearns Goodwin, o roteiro de Lincoln é tudo aquilo que sua duração (150 minutos) sugere: uma lenta e patriota história política contada exclusivamente em diálogos. Ou seja, quem não tem paciência com o formato e não conhece pelo menos a base da política estadunidense corre o sério risco de não aguentar o filme até a metade.

Mas digamos que você dê uma chance a Lincoln… A boa notícia é que o longa tem sim pontos positivos. Além do valor especial pelo momento que encena, o resultado apresenta uma boa disciplina de Steven Spielberg atrás das câmeras: ao contrário do que vimos em Cavalo de Guerra, aqui ele mostra maior controle dos tons que emprega na dramaticidade. Também não dá para ser ingênuo e deixar de perceber frequentemente o patriotismo enaltecido (o filme se prolonga desnecessariamente só para trazer um momento “emocionante” nos minutos finais, para citar um caso mais escancarado), mas vale a pena reconhecer seu auto-controle e também o de toda a equipe, começando pela trilha de John Williams, muito mais discreta que o habitual, e pelo próprio design de produção, outro elemento que não quer sufocar o filme. E Kushner, mesmo não tendo escrito um roteiro necessariamente instigante e enxuto, também tem a consciência de não cair na tentação em vários momentos e açucarar a história – o que se reflete na Mary Todd Lincoln, de Sally Field, que poderia facilmente se tornar uma caricatura. Spielberg soube ser menos melodramático e isso é, no mínimo, um ponto positivo para esse diretor que não entregava um trabalho realmente relevante há anos.

A disciplina também se estende ao elenco, repleto de nomes consagrados e outros que despontaram nos últimos anos. É um grupo de respeito, o que certamente fortalece o filme. Se o show é mesmo de Daniel Day-Lewis (assim como Meryl Streep, ele é geneticamente incapaz de entregar um desempenho sequer abaixo da média), Lincoln nunca é prejudicado por sua inifinita lista de atores, principalmente porque todos eles – dada a dimensão de suas importâncias no enredo – são bem aproveitados pelo roteiro de Kushner. Por isso mesmo, é bom ver Day-Lewis contracenando com profissionais tão competentes, entre eles David Strathain, Hal Holbrook, Tommy Lee Jones e Sally Field – esta última saindo um pouco do tipo “Regina Duarte” que repetiu diversas vezes em pequenos filmes e no seriado Brothers & Sisters. Portanto, se existe um aspecto incontestável a Lincoln, esse é o competente trabalho de elenco.

Lincoln, em suma, é um trabalho simbólico para a recente carreira de seu diretor (e também para Abraham Lincoln, que aqui recebe o seu maior e mais bem sucedido filme), mas excetuando todas as reflexões que levanta e os atores em cena, essa cinebiografia não se diferencia muito entre as milhares que vimos na última década. Talvez seja culpa do zelo com algumas abordagens, da narrativa bastante linear ou da falta de preocupação em ser mais ambicioso tematicamente (percebam que, no filme, o resto do mundo não existe, a escravidão só existe nos Estados Unidos e toda a glória é somente deles pelo fim da mesma). Mas tem seu público, o que pode ser comprovado nas 12 indicações que recebeu ao Oscar 2013, incluindo uma para outro belo momento da carreira de Daniel Day-Lewis. O ator, que recusou o papel várias vezes exigindo mudanças no roteiro, era a única escolha de Spielberg para o papel.  E ele entrou nos moldes do ator para tê-lo em seu filme. Não é qualquer intérprete que tem – e merece – esse poder. Mas Day-Lewis pode. Não tem como questionar.

FILME: 7.5

3*

5 comentários em “Lincoln

  1. Mark, já sei tua opinião haha

    Rafael, exatamente: o filme funciona muito melhor lá fora.

    Kamila, entendo essa tua “decepção”, mas acho que ele realiza um ótimo trabalho!

    Lucas, exatamente! xD

  2. Sempre achei q a Sally Field tinha um quê de Regina Duarte, em Brothers & Sisters, q mais parecia uma novela do Manoel Carlos, o nome dela tinha q ser Helen, e não Nora

  3. “Lincoln” faz um tributo a um grande estadista. Incrível a forma como Lincoln liderou um país dividido, em meio a um grande conflito. A postura dele foi admirável. Porém, achei este um filme muito anticlimático, muito frio no relato que faz. Gostei da parte técnica, especialmente da fotografia de Janusz Kaminski, e do elenco, principalmente Sally Field e Tommy Lee Jones. Esperava tanto de Daniel Day-Lewis que acabei me “decepcionando”…

  4. Tive exatamente a mesma impressão ao assistir Lincoln. É um filme brilhantemente executado em todas as partes, mas é cansativo e pedante demais pra nós brasileiros, por exemplo. Day-Lewis é monstruoso, apenas.

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