Um pouco sobre curtas…

24 HORAS COM CAROLINA, de Eduardo Wannmacher: Histórias de amores mal resolvidos e pessoas separadas pelo tempo sempre me fascinam. E 24 Horas Com Carolina sabe dosar muito bem esses elementos e ainda ter um quê de nostalgia. A sutil direção de Eduardo Wannmacher e o excelente trabalhos dos atores dão o tom certo a esse curta que, ao ser dramático e também espirituoso, sempre tem algo de muito agridoce. Até mesmo os momentos mais felizes entre os personagens nos deixam a sensação de que não são tão felizes assim. Afinal, são muito breves… Simples, humano e eficiente.

ELEFANTE NA SALA, de Guilherme Petry: Foi o vencedor da categoria principal da mostra gaúcha de cinema do 40º Festival de Cinema de Gramado. Não era o melhor em competição, mas certamente tem os seus méritos. E o melhor deles é guardar uma certa revelação para o final, que finalmente dá sentido a um curta que até então parecia ser apenas sobre as atividades corriqueiras de um jovem (Samuel Reginatto, de Os Famosos e os Duendes da Morte). Elefante na Sala, portanto, vale por seu desfecho, cuja mensagem é contemporânea e, por que não, bastante introspectiva.

GARRY, de Richard Tavares e Bruno Carboni: Belo exemplo de como misturar documentário e ficção de forma interessante e  bastante dinâmica. Garry, além de se beneficiar de uma instigante entrevista (Garry Kasparov, considerado o maior jogador de xadrez de todos os tempos), consegue usar o jogo em questão para fazer paralelos com a vida. Inteligente sem ser pretensioso mas ao mesmo tempo acessível sem cair no lugar-comum, Garry tem muitos de seus acertos na disciplinada direção de Richard Tavares e Bruno Carboni. Uma grata surpresa.

LINEAR, de Amir Admoni: É um daqueles curtas cuja técnica é tão impressionante que a história em si nem precisa ser muito mirabolante. A sinospe (“a linha é um ponto que saiu andando”) fala definitivamente tudo sobre Linear, que mostra com efeitos visuais minuciosos a vida de um ponto desenhando as linhas que separam as duas mãos de uma estrada. O diretor Amir Admoni, que tem vasta experiência em animações, faz jus ao que aprendeu em trabalhos na Disney e na MTV. Além de ser um trabalho detalhista em sua técnica, Linear também é muito curioso e divertido.

A TRISTE HISTÓRIA DE KID PUNHETINHA, de Andradina Azevedo e Dida Andrade: Julgando pelo título, seria uma comédia. Só que A Triste História de Kid Punhetinha é um drama sobre uma gravidez precoce que está prestes a ser interrompida em uma clínica de aborto. Por outro lado, se é uma surpresa constatar essa subversão do filme em relação ao título, o mesmo já não se pode dizer do resultado final, pois o curta é extremamente convencional em seus dilemas e também em suas resoluções. Sem falar que o preto-e-branco é desnecessário e metade das tomadas silenciosas (introspectivas?) poderiam ser mais enxutas. Cria expectativas mas não as cumpre.

2 comentários em “Um pouco sobre curtas…

  1. Assisto a poucos curtas, infelizmente…. Mas, acho muito legal você dar espaço a esse tipo de produção aqui no blog! Parabéns pela iniciativa!

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