Um pouco sobre curtas…

CASA AFOGADA, de Gilson Vargas: Logo no primeiro plano, Casa Afogada já causa impacto: em um cenário solitário, ainda mais impressionante com a bela fotografia de Bruno Polidoro, enxergamos uma pequena casa de madeira situada em um rio. Logo, pouco a pouco, descobrimos que aquela casa é uma metáfora do protagonista que vive isolado, aparentemente sem contato com o mundo. O que existe de mais admirável não só no curta, mas na direção do gaúcho Gilson Vargas, é como cada detalhe de Casa Afogada ajuda a construir esse universo. Palavras não são necessárias (e, de fato, elas não existem no curta): o resto já diz tudo.

MENINO DO CINCO, de Marcelo Matos de Oliveira e Wallace Nogueira: O final de alto impacto fica mais na memória do que o curta em si, que poderia ser mais enxuto no desenvolvimento de sua história. De qualquer forma, isso não diminui a experiência diferente que é Menino do Cinco, o grande vencedor do 40° Festival de Cinema de Gramado, onde levou praticamente todas as categorias. Ao escolherem uma figura que mexe fácil com o espectador (um filhote de cachorro), a dupla Marcelo Matos de Oliveira e Wallace Nogueira falaram, através do animal, sobre amizade, maldade, solidão e egoísmo. Eficiente, mas um pouco superestimado.

FUNERAL À CIGANA,  Fernando Honesko: Com ciganos de verdade no elenco (inclusive entre os protagonistas), o curta de Fernando Honesko traduz toda a pesquisa realizada por ele sobre a cultura desse povo. Como retrato, Funeral à Cigana até que desperta curiosidade. O problema é que Honesko, ao mostrar um grupo de ciganos viajando para fazer o funeral de um importante integrante, aposta demais na comédia e, em muitos casos, deixa-se levar pelo caricatural. No fim, tantos personagens ficam perdidos na história convencional e que deveria ser contada com mais sobriedade.

#, de André Farkas e Arthur Gutilla: Não vai muito além de um interessante experimento visual. A combinação de preto e neon, clara referência ao mundo de Tron – O Legado, também salta aos olhos. Para quem acredita que um curta não precisa ter necessariamente uma história quando aposta mais no visual, # (jogo-da-velha, sustenido, ou como você quiser, conforme os diretores) chama a atenção. Mas se você não faz parte do grupo, é bem provável que ache o resultado bem dispensável.

UM DIÁLOGO DE BALLET, de Filipe Matzembacher e Márcio Reolon: Era o melhor em competição entre os curtas nacionais do 40° Festival de Cinema de Gramado e fiquei surpreso da crítica não ter se entusiasmado com ele. Apresentando um admirável rigor narrativo e estético, Um Diálogo de Ballet integra o documentário Other Than, exibido no último festival de Cannes. No curta de Filipe Matzembacher e Márcio Reolon, a incomunicabilidade e as diferenças entre dois homossexuais de idades bem distintas. Com certeiras narrações em off e uma bela escolha de trilha, Um Diálogo de Ballet é uma grata surpresa.

2 comentários em “Um pouco sobre curtas…

  1. Infelizmente, assisto a muito poucos curtas. Parabéns por dar espaço a esse tipo de produção por aqui!

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