TOP 10: trilhas sonoras contemporâneas

É sempre um prazer falar de trilhas. E quando, através do Twitter, me sugeriram um TOP 10 sobre esse tema, fiquei, claro, muito entusiasmado. No entanto, elencar trilhas sonoras de toda a existência do cinema é, no mínimo, injusto. Portanto, resolvi fazer um recorte: assim como no post de filmes estrangeiros, optei por falar sobre exemplares contemporâneos – de 2000 até agora – o que é bem mais fácil e acessível a todos. Na lista, compositores estadunidenses, argentinos, franceses, poloneses e italianos. E todas as trilhas listadas são, ao meu ver, dignas de ocuparem espaço na coleção de todo bom fã do gênero!

1. AS HORAS, por Philip Glass: Já devo ter feito todos os elogios do mundo ao trabalho de Philip Glass para As Horas, mas nunca me canso de falar sobre essa trilha que – não hesito em afirmar – é uma das melhores já feitas no cinema. Que ela tem toda a precisão que só um mestre como Glass poderia trazer todo mundo já sabe, mas o que conta mesmo é a forma como a trilha, além de ser uma ferramenta narrativa essencial do filme, ainda é um personagem à parte. O compositor nunca esteve tão inspirado frente ao piano – e isso inclui a sua carreira não só no cinema, mas na música como um todo. Pura perfeição. A não premiação no Oscar ainda é um dos maiores absurdos dessa vida.

2. DIREITO DE AMAR, por Abel Korzeniowski: Se alguém chegou perto de alcançar o nível de Philip Glass em As Horas, esse foi o polonês Abel Korzeniowski. Sua trilha para o subestimado Direito de Amar é tão impressionante que parece ser de um verdadeiro compositor veterano. Só que essa foi sua primeira trilha fora da Polônia com algum tipo repercussão. Ouvir esse álbum, que ainda conta com composições adicionais de Shimgeru Umbayashi, e não ficar completamente arrasado com a versatilidade e a habilidade do compositor em criar passagens geniais – e, por muitas vezes, dolorosas – é uma missão simplesmente impossível. Serve perfeitamente ao filme de Tom Ford.

3. LEONTINA, por Jorge Aliaga: Exibido no 40º Festival de Cinema de Gramado, o documentário chileno Leontina ainda é inédito no circuito comercial brasileiro. Porém, é bom ficar de olho no nome do responsável pela trilha sonora desse injustiçado filme. Fica evidente a sintonia entre o compositor argentino Jorge Aliaga e o diretor Boris Peters nessa trilha responsável por definir todo o ritmo de Leontina. Aqui, os belos violinos são fundamentais para enaltecer a íntima proposta desse documentário sobre envelhecimento e solidão. Muito mais do que uma trilha, o trabalho de Aliaga, bem como todos dessa lista, ultrapassa as fronteiras do cinema e se torna uma ótima pedida para qualquer apreciador de música.

4. DESEJO E REPARAÇÃO, por Dario Marianelli: Joe Wright alcançou o seu auge como diretor em Desejo Reparação, um verdadeiro clássico contemporâneo. E o mesmo pode ser dito do trabalho do italiano Dario Marianelli, que chegou a vencer o Oscar pela trilha realizada para esse longa. Originalidade é a palavra-chave dessa trilha que, misturando os mais clássicos instrumentos com sonoridades inusitadas (as teclas de uma máquina de escrever, por exemplo), está sempre totalmente à altura dos momentos sublimes e grandiosos do filme de Joe Wright. Marcante.

5. A VILA, por James Newton Howard: Aspecto fundamental para levar o espectador para dentro do clima do filme, a trilha sonora de A Vila é um dos grandes momentos de James Newton Howard, que trabalha constantemente com M. Night Shyamalan, mesmo em tragédias como Fim dos Tempos. Aqui, ambos estão extremamente inspirados e Howard, ao adotar o trabalho com violinos como “matéria-prima”, realizou um trabalho que vai do drama ao suspense com uma versatilidade de impressionar. Certamente, A Vila não seria o mesmo filme sem a trilha sonora que é certeira ao nos levar para dentro do universo criado por Shyamalan.

6. O FABULOSO DESTINO DE AMÉLIE POULAIN, por Yann Tiersen: Filme à parte (não vejo nada de especial nesse longa a não ser Audrey Tautou e a técnica), O Fabuloso Destino de Amélie Poulain deu ao francês Yann Tiersen a chance de realizar aquele que é, possivelmente, o trabalho mais encantador  de sua carreira. A trilha, que hoje é utilizada em qualquer produto audiovisual que mostre a França, é uma verdadeira ode ao país. Do início ao fim, o álbum nos oferece uma prazerosa viagem ao território francês. Trilha muito subestimada e que merecia todos os reconhecimentos possíveis – mas, certamente, o tempo fez jus ao que ela representa.

7. CASA DE AREIA E NÉVOA, por James Horner: Um dos filmes mais intensos da década passada, Casa de Areia Névoa é uma verdadeira surpresa não só em termos dramáticos, mas na própria direção de Vadim Perlman ou, claro, na estupenda trilha sonora de James Horner. Mais conhecido por seus trabalhos para grandes filmes como Titanic e Avatar, o compositor tem aqui aquele que é, possivelmente, o melhor trabalho de sua carreira. As composições são delicadas e totalmente de acordo com o filme, mesmo aquelas que têm cerca de 15 minutos de duração. Horner dá o tom certo ao longo e, na lógica de que menos é mais, entrega um resultado simplesmente sublime.

8. ADEUS, LENIN!, por Yann Tiersen: Dois anos depois de realizar a trilha sonora de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, Yann Tiersen realizou outro trabalho superlativo: Adeus, Lenin!. Sucesso de público na Alemanha, o filme de Wolfang Backer deve boa parte de sua delicadeza e de sua melancolia ao que Tiersen compôs para a história. É um álbum que, ao utilizar piano em todas as faixas, consegue criar melodias inesquecíveis, como Summer 78. Mais uma vez, Tiersen foi injustiçado e não teve reconhecimento por sua trilha, mas é assim que nascem os trabalhos que resistem intactos ao tempo.

9. RÉQUIEM PARA UM SONHO, por Clint Mansell: Filme mais perturbador já realizado por Darren Aronofsky, Réquiem Para Um Sonho tem boa parte de sua intensa carga dramática na trilha sonora do sempre ótimo Clint Mansell. A clássica Lux Aeterna, tão utilizada em programas da TV brasileira, é apenas um exemplo de como Mansell compreendeu por completo o espírito incômodo proposto por Aronofsky. É, certamente, um trabalho de admirável precisão e que pontua de forma contundente a temática de Réquiem Para Um Sonho. Como sempre, uma grande trilha – impactante até hoje – ignorada pelas premiações.

10. O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON, por Alexandre Desplat: Não é justo falar de trilhas contemporâneas sem mencionar Alexandre Desplat. Repleto de trabalhos ecléticos e de destaque nos últimos anos, o compositor tem seu ponto alto, certamente, em O Curioso Caso de Benjamin Button. Uma trilha é clássica quando basta ouvirmos apenas uma composição para lembrarmos imediatamente do filme. E é assim com o trabalho de Desplat para o filme de David Fincher. Bastam algum segundos de Postcards, por exemplo, para embarcarmos em uma viagem rumo a O Curioso Caso de Benjamin Button. Poucos têm esse mérito.

5 comentários em “TOP 10: trilhas sonoras contemporâneas

  1. Raphaela, sempre presto atenção em trilhas. E a Rachel Portman e a Aimee Mann realmente fazem um ótimo trabalho em “Não Me Abandone Jamais” e “Magnólia”, respectivamente.

    Vagner, o Kaczmarek quase entrou! Seria o próximo depois de “O Curioso Caso de Benjamin Button”. E por “Em Busca da Terra do Nunca” mesmo!

    Kamila, vale a pena conhecer a trilha de “Leontina”, é lindíssima!

  2. Você sempre escreve sobre trilhas sonoras e acho isso muito legal. Das que você citou nesse top 10, só não conheço a de número 03. Você cita, em sua lista, as minhas quatro trilhas favoritas dos últimos anos: “As Horas”, “Direito de Amar”, “Desejo e Reparação” e “A Vila”.

  3. engraçado como esse é um aspecto que não me detenho muito para analisar.. me limito a gostar ou não.. tem que ser muito arrebatadora para ficar na memória e quem sabe fazer uma listinha mental… mas com certeza Requiém para um Sonho fica martelando até hoje na minha cabeça e outra trilha que eu não esqueço é de Não me Abandone Jamais… gostei também da de Magnólia..

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