Demônio

I don’t believe in the Devil. People are bad enough by themselves.

Direção: John Erick Dowdle

Elenco: Chris Messina, Logan Marshall-Green, Jenny O’Hara, Bojana Novakovic, Bokeem Woodbine, Jacob Vargas, Geoffrey Arend

Devil, EUA, 2010, Suspense, 80 minutos

Sinopse: Cinco pessoas que nunca se viram ficam presas num elevador de um arranha céu comercial. Enquanto rumavam para seus respectivos andares, algo acontece e ele para no meio do caminho. E o que para muitos já seria motivo de tensão, piora ainda mais porque estranhos e violentos acontecimentos começam a surgir dentro do pequeno espaço. Alguém ali dentro não é quem aparenta ser. O medo e a maldade tomam conta do local e do lado de fora, ninguém consegue arranjar um jeito de ajudá-los.

Hoje em dia, é impossível criar expectativa com qualquer produto que tenha o nome de M. Night Shyamalan envolvido. Depois de colocar sua credibilidade no lixo de uma vez por todas com O Último Mestre do Ar, Shyamalan deveria tirar umas férias e colocar as ideias no lugar. Mas parece que esses não são os planos dele. Ainda que não dirija nem roteirize Demônio, o indiano faz parte da equipe de produção e também é o autor da história em que o filme é baseado. Por sorte, dessa vez ele não teve dedo podre para estragar o resultado, mas também não estamos diante de um filme que vá dar qualquer crédito para Shyamalan. Demônio é assistível – e só.

A premissa divulgada desde quando Demônio era apenas um projeto apontava que todo o suspense seria encenado dentro de um único cenário: o elevador onde cinco pessoas ficam presas. Não é bem assim. Todo mundo sabe que para um filme ser ambientado todo em um único cenário é necessário muita coragem e uma equipe de alta competência. Se formos olhar o que o diretor John Erick Dowdle  já realizou (Quarentena, por exemplo, a péssima refilmagem do maravilhoso [REC]), podemos saber o porquê de Demônio dividir a sua narrativa entre o elevador e os acontecimentos do lado de fora do espaço, onde outras pessoas tentam socorrer as pessoas lá presas.

Ou seja, não dá para esperar muito de um filme dirigido por alguém sem talento provado e muito menos de uma história derivada da mente de Shyamalan. Ainda assim, Demônio possui suas virtudes, começando pela duração: 80 minutos bem objetivos e com pouca enrolação. A tensão, apesar de óbvia e nem ser relacionada a claustrofobia de estar preso em um elevador, existe em alguns momentos. A trilha previsível de Fernando Velásquez também tem sua valia, assim como o desenrolar do suspense. Falar mal de Demônio significa reclamar do jeito batido de desenvolver uma ideia e dos típicos clichês do genêro, como as burradas inadmissíveis de vários personagens ou da burrice de alguns ao não perceberem quais são as melhores atitudes para aquela situação.

Sinceramente, se você, por alguma razão, esperou algo de Demônio, certamente não foi correspondido. O filme é óbvio e não faz nada diferente no que se refere ao gênero de suspense – além de, felizmente, fugir de assuntos mais religiosos ou insistir em teorias demoníacas. A lição que se tira de um filme desses é que o gênero de suspense está cada vez mais saturado no cinema. Portanto, filmes apenas executados de forma satisfatória e longe de  qualquer brilhantismo como Demônio funcionam. Nesse sentido, M. Night Shyamalan consegue saldo positivo em um projeto que tem o seu nome envolvido. Talvez ele deva permanecer fora do controle de suas histórias. O próximo passo é encontrar uma equipe que fará o diferencial e não apenas o básico como aqui…

FILME: 7.0


13 comentários em “Demônio

  1. Mayara, só assisti esse filme porque fiquei curioso com a premissa…

    Reinaldo, que bom que concordamos, então!

    Pedro, é isso mesmo! Não sei o porquê de tanta gente falando mal. É um filme ok.

    Roberto, “Demônio” é um pequeno ponto positivo pro Shyamalan. Nada que vá mudar a situação dele, mas, finalmente, um saldo positivo.

    Rafael, não sei… Eu ainda acho que o Shyamalan também tem problemas ao dirigir. “O Último Mestre do Ar” me deixou com a sensação de ter problemas não só no roteiro, mas na direção também…

    Kamila, “Demônio” é bem simples, mas funciona!

    Cleber, o filme tem bem formato de DVD mesmo…

    Cristiano, bem isso mesmo: básico, dá pra ver e só.

    James, em dvd deve ser melhor mesmo…

    Kahlil, acho que “Demônio” não soube aproveitar bem o suspense envolvendo a claustrofobia do elevador. Na realidade, acho que fugiu disso – o que tirou boa parte do suspense que o filme poderia ter.

    Luis Galvão, preciso ver “Enterrado Vivo” logo!

    Andinhu, o ritmo, para mim, não foi cansativo. Achei “Demônio” até bem objetivo…

  2. Não gostei do filme. A premissa que envolve o suspense de quem seerá o demônio, não é de forma alguma instigante. O filmee é chato, desisteressante, com um desenrolar bem massante. Entre espaço fechado, esqueça elevador. enterrado vivo é muito melhor, e muito mais sensorial.

  3. Sofri a mesma coisa que você. Esperava um retorno do Night que não veio. E toda claustrofobia do elevador não foi bem aproveitada (coisa que o recente ENTERRADO VIVO conseguiu muito bem)

  4. Sem nenhum interesse no filme, por mais que todos dizem esse monte de blá blá blá sobre o Shyamalan, que é um dos meus favoritos, enfim … vejo quando sair nas locadoras.

  5. Li uma boa opinião sobre esse filme e, agora leio a sua, que é mediana. Mas, sinceramente, não consigo me atrair a este tipo de filme.

  6. Por mais que o resultado de Demônio seja bem bom, acho que o Shyamalan está no caminho inverso. Ele precisa filmar os roteiros de outras pessoas e não o contrário. Por mais que o argumento aqui seja bom (e temos, como sempre, uma história que esconde uma moral por trás, quase como um pretexto para a existência da história), senti falta de uma direção mais consistente (coisa que nem o Shyamalan tem conseguido realizar ultimamente – vide o péssimo O Último Mestre do Ar). Mas existe um suspense que se sustenta no filme, e isso já é uma grande vantagem.

  7. É o típico filme que deveria seguir a premissa “entrar mudo e sair calado”. Mas confesso que o Shyamalan fez bem em se envolver nesse! Não é genial, mas vale pelo inusitado.

  8. Legal! Uma galera vem quebrando o filme, mas não acredito que ele seja de fato ruim. Têm bons e maus instantes, e um saldo de suspense instigante no final – ainda que, já sabíamos, um pouco previsível.

  9. “Da mente de M. Night Shyamalan”. Confesso que essa frase me fez manter distância do filme, nem trailer eu asssiti. rsrsrs.

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