Minhas Mães e Meu Pai

I don’t think you guys should break up. I think you’re too old.

Direção: Lisa Cholodenko

Elenco: Julianne Moore, Annette Bening, Mia Wasikowska, Josh Hutcherson, Eddie Hassell, Zosia Mamet, Yaya DaCosta

The Kids Are All Right, EUA, 2010, Comédia Dramática, 106 minutos

Sinopse: Dois irmãos adolescentes, Joni (Mia Wasikowaska) e Laser (Josh Hutcherson), são filhos do casal homossexual Jules (Julianne Moore) e Nic (Annette Bening), concebidos através da inseminação artificial de um doador anônimo. Contudo, ao completar a maioridade, Joni encoraja o irmão a embarcar numa aventura para encontrar o pai biológico sem que as “mães” soubessem. Mas quando Paul (Mark Ruffalo) aparece tudo muda, já que logo ela passa a fazer parte do cotidiano da família.

Muito se discute a criação de filhos por casais homossexuais. Os defensores dizem que esse ato pode fazer uma criança crescer livre de preconceitos e perceber que a homossexualidade é um mero detalhe – o que importa é o amor. Aqueles que não aprovam a ideia comentam que os filhos podem ser vítimas de preconceito, além de se criarem em um ambiente confuso e difícil de se entender. Minhas Mães e Meu Pai está no lado dos defensores e, como o título original indica, quer mostrar que as crianças estão bem quanto ao ambiente homossexual. A missão do filme é mostrar que, independente da sexualidade, uma família terá sim problemas. E, como é o caso no filme de Lisa Cholodenko, a problemática não está nos filhos, está na relação amorosa do casal gay. São os adultos que não estão bem.

Homossexual assumida, Lisa Cholodenko resolveu fazer um filme que mostre que uma família comandada por duas mulheres lésbicas é normal como qualquer outra. Ponto positivo para o filme, correto? Não, bem pelo contrário. Na tentativa de “normalizar” a união homossexual, Minhas Mães e Meu Pai se desvia completamente da temática gay e termina por ser uma história absurda de tão comum, nos remetendo aos típicos filmes norte-americanos sobre famílias com filhinhos que aprontam, traições e discussões. Quem procura um filme de temática gay, portanto, encontra um produto sem esse teor.

Além de tudo isso, Minhas Mães e Meu Pai tem um roteiro bem previsível. Durante incontáveis vezes consegui prever quais seriam os próximos conflitos e até mesmo os próximos diálogos. Se o filme em si já é parado e sem graça, a previsibilidade só aumenta a decepção causada pelo roteiro. São conflitos amadores e que não fazem jus ao ótimo elenco que está incorporando os personagens. É aquela velha ladainha de alguém que trai porque a parceira está distante com o trabalho, a filha responsável que toma um porre e chega em casa falando as verdades para a família ou a traição consentida que causa momentos engraçados.

Sorte que o elenco satisfatório consegue disfarçar, em vários momentos, as inúmeras escolhas clichês do roteiro. Annette Bening e Julianne Moore estão ótimas, ao passo que Mia Wasikowska (possivelmente em sua melhor aparição no cinema depois de tantas incursões inexpressivas nas telonas) e Josh Hutcherson cumprem com qualidade seus respectivos papeis. Bening está super cotada para o Oscar de melhor atriz, mas não vejo o porquê de tanta badalação em torno dela. Quer dizer, ela está ótima, mas nem chega a ser um total destaque e está no mesmo nível de excelência de sua companheira Julianne Moore.

No final das contas, Minhas Mães e Meu Pai pode ter bons atores em cena, mas não soube aproveitá-los da melhor maneira. Aliás, fico me perguntando o porquê dessas duas atrizes tão talentosas  participarem desse filme sem sal. É de se lamentar que esse longa seja fraco em praticamente todos os seus aspectos. Sem dúvida, ele pode enganar muita gente com seu jeitinho independente e com as duas ótimas atrizes protagonizando o enredo, mas aqueles epectadores mais atentos – e acho que até os menos exigentes – vão notar a inexpressividade dos dilemas presente em Minhas Mães e Meu Pai. Aquele que prometia ser um feel good movie do ano se revelou uma decepção.

FILME: 6.0


10 comentários em “Minhas Mães e Meu Pai

  1. Bom, primeiramente, gostaria de dizer que não concordo com a opinião do texto acima. Eu assisti ao filme e achei-o muito bom, primeiramente porque envolve a temática da inseminação, o que, por si só, já é bastante polêmica. Em segundo lugar, o fato de haver uma inseminação em um casal lésbico; um terceiro ponto é o fato de a inseminação ter sido dupla, para que os filhos tivessem laços de sangue, o que não precisaria ser necessário se as mães se dão bem…O filme foca as inseguranças de uma delas com a vida, o trabalho etc, o que contrasta com o sucesso da parceira, que toma, obviamente, as rédeas de tudo. Os filhos, embora tudo esteja bem, querem saber quem é o pai (como a maioria gostaria) e, no final, descobrem que isso é uma bobagem, pois ele, em vez de respeitar a família dos filhos, aceita o assédio de uma delas, que busca nisso uma valorização de si, e propõe a ela um relacionamento. Essa atração não passa de um estímulo para que ambas revejam seus laços. A família, enfim, existe e os filhos percebem que, de fato, um pai não faz falta ali. Para quem achou que o caso entre o pai e uma delas quebraria o que o casal tem teve uma certa frustração, afinal, muitos pensam que homossexualismo tem cura, o que é refutado no filme, quando ela diz ao telefone: Eu sou gay…

  2. Leandro, mesmo que o filme seja decepcionante, as duas atrizes estão muito bem! Então, acho que, para quem gosta delas, “Minhas Mães e Meu Pai” pode valer a pena!

    Wally, eu também esperava bem mais =/

    Reinaldo, acho que o filme tentou fugir tanto de tantas coisas (de ser pop e de teses sociais, como você citou) que acabou dizendo quase nada.

    Jeff, mesma coisa que eu disse pro Reinaldo. Eu fiquei com a impressão de que “Minhas Mães e Meu Pai” tentou tanto se desviar de alguns temas que terminou sendo vazio e com pouco a dizer. Ok, pode deixar a questão gay de lado. Mas, tá, e daí? O que o filme trouxe de especial com essa escolha? Ao meu ver, nada. Achei o roteiro completamente banal e sem inspiração.

    Pedro, exatamente! Mesmo evitando alguns clichês (aqui, os gays), cai em outros (como no da “traição engraçadinha”, por exemplo).

    Rafael, tá sim. Mas duvido que ela ganhe qualquer prêmio por esse filme (talvez um Globo de Ouro de atriz em comédia, mas só).

    Roberto, esse filme já está nos cinemas sim! =P

    Kamila, a Annette Bening tem ótimos momentos, mas não chega a ser protagonista absoluta – ao meu ver, a Julianne Moore até aparece mais do que ela e com a mesma inspiração. E outra, se Meryl Streep (com quem a Academia tem um débito preocupante) não venceu por um filme de comédia, acho meio difícil a Annette levar…

  3. Pena que sua opinião sobre o filme não é das mais animadoras, mas o que você acha da Annette Bening?? Ela seria a favorita para ganhar o Oscar mesmo??

  4. Esse filme só não estreou ainda no Brasil por causa do megasucesso do Tropa de Elite 2. Estou ansioso pra ver! O elenco é ótimo.

  5. Vem sendo bastante elogiado este filme da Lisa. É bem verdade que ele é foge um pouco do convencional no cinema de humor dramático hollywoodiano, mas ainda assim não escapa de clichês clássicos, que acabam lhe custando caro.

  6. Ué, mas não é ótimo ele se desviar da temática gay? Mostra uma família absolutamente normal apesar de diferente das outras. Isso ainda precisava ser discutido no filme? Que tipo de teor – o que seria ele, afinal? – um filme com temática gay precisa conter? Falar necessariamente sobre homossexualidade? Seria chato, de boa. Talvez não chato, mas difícil não ser redundante. Em seu comentário, você parece querer arrastar Minhas Mães e Meu Pai para um rumo que ele não pretende seguir – e felizmente ele não segue – e limitá-lo a uma abordagem restrita e, de certa forma, até militante.

    Acho o filme maravilhoso justamente por ser o contrário do que você gostaria.

    []s!

  7. Não sei se dá para dizer que é decepcionante, mas é clara a intenção de ser um produto pop. Há, ainda, essa predisposição de evitar a defesa de teses sociais. Não acho que o filme seja essa decepção. Acho que funciona, mas, certamente, não é material de Oscar.Pelo menos não seria em um mundo justo…
    abs

  8. Mesmo com o seu texto não muito animador,ainda assim estou muitíssimo curioso (aliás sou apaixonado por Annette Benning e Julianne Moore é a minha atriz preferida) mas depois do texto irei o assistir não com tantas expectativas,assistirei já já.Abraços

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