Filmes em DVD

Up – Altas Aventuras, de Pete Docter e Bob Peterson (revisto)

Com as ozes de Edward Asner, Christopher Plummer e Jordan Nagai

Dos últimos filmes da Pixar, esse é o que menos tem consistência no roteiro. A história é rasa e os personagens são previsíveis. No entanto, é um dos mais emotivos que a produtora já realizou. Up – Altas Aventuras tem, no mínimo, duas cenas de cortar o coração, em especial a inesquecível tomada em que acompanhamos a vida do casal da história. Além dessa veia emocional, temos uma maravilhosa trilha de Michael Giacchino, diversão bem pontuada e uma aventura que sempre funciona. Portanto, esse pode até não ser um dos melhores momentos da produtora. Mas, como já constatamos muitas vezes, até os produtos mais “fracos” da Pixar são capazes de alcançar um ótimo nível.

FILME: 8.5

The Wonders – O Sonho Não Acabou, de Tom Hanks

Com Tom Everett Scott, Johnathon Schaech e Charlize Theron

Sabe aquela história de uma banda de jovens desconhecidos que alcança sucesso, vira um fenômeno e depois começa a sofrer problemas em função da fama? Pois é, The Wonders – O Sonho Não Acabou é mais um filme assim. Porém, é tão verdadeiro e simples que conquista exatamente por não ser pretensioso. Além de ter uma música marcante (será que é possível terminar de ver o filme sem cantarolar That Thing You Do?), essa produção é cheia de carisma e, também, um projeto bem realizado de Tom Hanks, que além de atuar, também dirige e assina o roteiro. Ou seja, não é um grande filme, mas é super simpático e agradável.

FILME: 8.0

Sob o Domínio do Mal, de Jonathan Demme (revisto)

Com Denzel Washington, Liev Schreiber e Meryl Streep

Sob o Domínio do Mal é um filme que tem mais de duas horas de duração e não consegue manter a sua qualidade durante todo o tempo. Mais do que isso, também não define muito bem se quer ser um filme de investigação, um suspense ou um drama político. Mas, no geral, apesar das falhas, é um filme que tem excelentes momentos e algumas tomadas bem executadas. Seja na hora de trazer alguma abordagem política ou na hora de criar alguma tensão (e vamos dar crédito, claro, para a boa trilha de Rachel Portman). Ou seja, o filme atira para todos os lados e erra na falta de foco, mas também acerta ao trabalhar um pouco de cada gênero. No entanto, o que mais se destaca aqui é a impecável performance de Meryl Streep como uma senadora forte, decidida e um pouco vilanesca. Ela rouba a cena quando aparece e, facilmente, merecia ter recebido uma indicação ao Oscar de coadjuvante. Ela só não foi ajudada pelo filme, que não foi bem recebido e que dá certas razões para o abraço morno da crítica.

FILME: 7.5

Jezebel, de William Wyler

Com Bette Davis, Henry Fonda e George Brent

A lenda chamada Bette Davis ganhou seu segundo Oscar por Jezebel. Não sei o porquê dessa celebração, já que esse está longe de ser um dos desempenhos mais interessantes da atriz. Ela está bem, como sempre, mas linear e com pouco a fazer em um filme irregular. Jezebel tem aquele tipo de roteiro que começa contando uma história, mas, aos poucos, muda o foco de tudo e acaba com uma proposta diferente do que havia iniciado. Portanto, não consegui me fixar muito no enredo e só consegui ficar mais envolvido por causa de Davis. Jezebel, no final das contas, é uma raridade na carreira da atriz: um dos pouquíssimos filmes em que nem ela nem o filme alcançam maior notoriedade.

FILME: 7.5

Cartas Para Julieta, de Gary Winick

Com Amanda Seyfried, Vanessa Redgrave e Gael García Bernal

Cartas Para Julieta é exatamente isso que você está pensando: um filme normal, previsível e açucarado. Mas quem disse que, de vez em quando, não é bom assistir a um filme assim? Se formos levar isso em consideração, o resultado alcançado por Gary Winick é satisfatório – dentro de suas limitações, claro. Se Gael García Bernal pouco faz em cena, Amanda Seyfried tem sua simpatia habitual e Vanessa Redgrave ilumina cada cena com sua ótima presença. No final das contas, é muito simples saber se você deve ou não assistir Cartas Para Julieta, já que o filme é exatamente aquilo que você pensa dele antes mesmo de assistir.

FILME: 6.5

Duas Semanas, de Steve Stockman

Com Sally Field, Ben Chaplin e Julianne Nicholson

É fácil encontrar filmes de câncer que não comovem por exagerar no melodrama e no clichê. Agora, pensei que fosse impossível achar um filme sobre câncer que não tivesse emoção simplesmente porque o filme não passa a devida quantidade de drama. É o caso de Duas Semanas, que só encontra algum momento de tristeza quando mostra Sally Field “acabada” pela doença devida a uma boa maquiagem. De resto, é um filme extremamente formulaico, que deixa a atriz em segundo plano e ainda tem tentativas falhas de criar humor para trazer certo alívio para a narrativa. O resultado de tudo isso é superficial, sem vida e não comove nem os mais fracos por esse tipo de história.

FILME: 5.0

7 comentários em “Filmes em DVD

  1. Kamila, acho que dessa lista você não assistiu a “Duas Semanas”. Ao menos você não comentou sobre ele…

    Cleber, eu tenho sérios problemas com 3D. Vi “Up – Altas Aventuras” nesse formato e não senti muita diferença do estilo convencional.

    Mayara, exatamente! “Duas Semanas” é um completo genérico…

    Roberto, na minha opinião, “Cartas Para Julieta” vale mais pela Vanessa Redrgave!

    Othons, esse “Carros 2” é tão desncessário. O primeiro já era tão chatinho…

    Luis Galvão, eu também tenho dificuldades com o roteiro de “Up – Altas Aventuras”. Mas, no geral, acho o filme ótimo!

  2. Só não assistir ao último com a Sally. Dos outros, gosto bastante da maioria (tenho algumas dificuldades com o roteiro de UP). Adoro a trilha de Wonders, não gosto muito do Denzel, mas acho Sob o Domínio do Mal um bom filme. Jezebel não é tão bom mesmo, mas tem a Betty e Fonda e só por isso bastaria todo o alarde do filme. E Cartas para Julieta é bem clichê, mas tem a Redgrave ótima.

  3. Dessa sua lista meu preferido é The Wonders (e olha que eu nem sou tão fã do Tom Hanks assim…). Up realmente não tem muita consistência no roteiro, como você disse, mas vale a pena! E ainda não consegui conferir Cartas para Julieta, que está na minha lista de prioridades, por conta de algumas análises que andei lendo.

  4. Dos que vi:

    “Up”: Aquela cena da “Vida de Casado” diz tudo! rsrs.

    “The Wonders – O Sonho Não Acabou”: Uma simpatia de filme, com uma trilha deliciosa, bem que Tom Hanks poderia se aventurar mais uma vez na direção. rsrs.

    “Sob o Domínio do Mal”: Valeu pela atuação do trio protagonista.

    “Duas Semanas”: Pareceu-me uma campanha de remédio genérico, não me convenceu muito.

    ;)

  5. Que lastima. Só assisti um filme, que foi UP, lá estava eu na estreia levando minha irmã pela primeira vez ao cinema, por sinal, ficou maravilhada com 3D!

  6. Acho que foi a primeira vez, nessa sua série de posts, em que eu assisti a todos os filmes que você comentou. Vou ser redundante aqui em um ponto: a parceria Bette Davis e William Wyler é uma das minhas favoritas em todos os tempos, no cinema.

    ADORO “The Wonders – O Sonho Não Acabou”, uma comédia romântica bem inofensiva, com uma das trilhas sonoras que eu mais gosto.

    “Cartas Para Julieta” é um filme que funciona muito bem, em parte por causa da excelente performance de Vanessa Redgrave.

    “Sob o Domínio do Mal” é um remake irregular, mas vale pelas ótimas performances de Meryl Streep e Liev Schreiber.

    “Up” vale pelo memorável e antológico primeiro ato.

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