O ano das coadjuvantes

Tenho mais facilidade em apreciar desempenhos femininos do que masculinos. Não sei bem a razão disso, mas consigo me cativar muito mais com as mulheres do que com os homens. Esse ano, várias atrizes conseguiram se destacar como coadjuvantes. Quando fui fazer um balanço das atrizes nesse setor, percebi que temos muitas atuações notáveis em 2010. Abaixo, fiz uma lista com onze das minhas atrizes coadjuvantes favoritas até agora. A ordem é aleatória. E, só de pensar que, no fim do ano, terei que escolher apenas cinco para a minha lista de melhores de 2010, já fico com o coração na mão. E para vocês, quem são as coadjuvantes do ano?

Tenho um fraco por papéis de mães. Com ÁUREA BAPTISTA não foi diferente. Humana e sensível como a sentimental mãe do protagonista de Os Famosos e os Duendes da Morte, ela brilhava toda a vez que aparecia. Além de proporcionar os melhores momentos do filme, Áurea conquista o coração dos espectadores com sua representação cheia de gestos e olhares significativos.

 

Poucos minutos em cena foram o suficiente para que JULIANNE MOORE fosse um dos grandes destaques em Direito de Amar. No auge de sua beleza (e vale lembrar sua impressionante idade: 50 anos em dezembro), a atriz teve uma presença magnética no filme de Tom Ford. Foi um prazer vê-la ao lado de Colin Firth, em uma das melhores cenas do ano.

 

Em seus últimos trabalhos, MARION COTILLARD deu um tapa na cara daqueles que diziam que ela seria para sempre apenas Édith Piaf. Em A Origem, ela une beleza e talento no marcante papel de Mal, a falecida esposa de Don Cobb (Leonardo DiCaprio). Com um quê de vilanismo e paixão, Cotillard encontrou o tom certo da personagem. Mais uma prova do talento da francesa.

 

PAULA PATTON é a atriz mais subestimada do elenco de Preciosa – Uma História de Esperança. Mas, ao meu ver, é uma das melhores. Ela é o alívio da história, um sopro de  esperança em um filme cheio de desgraças. Patton captou toda a importância da personagem e fez um retrato verdadeiro de uma mulher que está disposta a melhorar o mundo.

 

Junto com George Clooney, VERA FARMIGA formou um dos melhores casais dos últimos anos. Mas, além de combinar perfeitamente com Clooney, Farmiga teve um desempenho individual exemplar. Esbanjando maturidade, ela foi um dos pontos altos de Amor Sem Escalas. Pena que não teve chance na época de premiações para receber um merecido reconhecimento.

 

Se não fosse por MARION COTILLARD, Nine não seria nem metade do pouco que já é. Difícil compreender como Penélope Cruz recebeu reconhecimento pelo musical se é Marion a verdadeira estrela. Sedutora e sentimental, tem os melhores números musicais, a personagem que mais se destaca e a storyline que é o coração do enredo. Um trabalho sublime.

 

Não sei se Mo’Nique tem a melhor atuação coadjuvante do ano como a maioria diz, mas, sem dúvida, tem o papel mais difícil de todos. A atriz se destaca pela crueldade que passa para a sua personagem, mas também chama atenção exatamente por conseguir, de certa forma, humanizar uma figura tão perversa e cruel. Sua Mary fica com o espectador após o filme.

 

ANNA KENDRICK não só foi o papel “engaçadinho” de Amor Sem Escalas como também trouxe algumas reflexões e outros momentos dramáticos. A jovem foi certeira no tom de sua interpretação: leve e descontraída, mas nunca adotando um tom superficial ou sequer caricatural. Ela foi além de um personagem simpático e que se difere dos outros na trama.

 

No estilo formulaico, tanto em termos narrativos quanto em interpretações, Chico Xavier teve uma interpretação que conseguiu se sobressair. CHRISTIANE TORLONI, em sua limitada aparição, estava emocionante. Como a mãe que perdeu um filho e procura a ajuda de Chico para se comunicar com o falecido, Torloni iluminava o filme em cada minuto que aparecia.

 

Sabe aquele tipo de atuação que, com apenas uma cena, consegue passar todo um encantamento que, muitas vezes, um desempenho não consegue passar em um filme inteiro? Pois é, PATRICIA CLARKSON conseguiu isso em Ilha do Medo. Sua importância no longa é quase inexistente e justamente por sua aparição meio avulsa foi preterida por muitos. Pura injustiça.

 

Novamente SAMANTHA MORTON dá outra prova de seu inquestionável talento em O Mensageiro. Como a esposa que acaba de perder o marido mas não deixa transparecer a dor que sente, Morton era outra atriz que merecia ter sido lembrada na temporada de premiações, bem como o seu colega de cena, o subestimado Ben Foster.

12 comentários em “O ano das coadjuvantes

  1. Alan, a Anna Kendrick nem tem espaço para fazer qualquer coisa na saga “Crepúsculo”…

    Cleber, também acho “Direito de Amar” o melhor filme do ano \o/

    Leandro, na minha opinião, Judi Dench NADA faz em “Nine”.

    Antonio, depois vou dar uma olhada no blog =)

    Reinaldo, vai ser horrível hahaha

    Roberto, eu também achei muito prematuro, principalmente porque não acho que a Mo’Nique esteja esse arraso que todos dizem…

    Rafael, ainda não elegi a melhor coadjuvante do ano. Então, a Áurea Baptista não é a minha escolhida por enquanto =)

    Brenno, nem pensei em colocar a Michelle Williams na minha lista…

    Kamila, eu gosto MUITO da Áurea e da Patton.

    Jorge, eu acho que a Meryl fez um ótimo trabalho em “Leões e Cordeiros”. Aquela cena em que ela volta para redação após a entrevista é excelente!

    Mayara, eu gosto da Clarkson em “Tudo Pode Dar Certo”, mas achei que a presença dela foi mais marcante em “Ilha do Medo”.

  2. A lista está ótima, apesar de não ter visto ainda Samantha, Torloni e Áurea Baptista. Sobre a Patricia Clarkson, apesar de estar bem em “Ilha do Medo”, achei ela melhor em “Tudo Pode Dar Certo”. ;)

  3. Pois é… Sempre que vejo gente do primeiro escalão fazendo ‘ponta’ em filme alheio, sinto cheiro de trapaça no ar… Ou seja, é gente que empresta o nome a filmes geralmente sofríveis ou muito ruins que o público em geral não sairia de casa para assisti-los. Dona Meryl Streep é uma delas: Afinal o que foi aquilo que ela fez em Lions for Lambs?? Susan Sarandon é outra que vive aparecendo nas produções mais inesperadas! Aí vem uma marion Cotillard ou Julianne Moore e começam a fazer a mesma escola?? Minha dedução: Esse povo ganha tanto dinheiro com essas ‘pontas’ que se esquecem que uma carreira longa se faz com planejamento e foco. Odeio essas incursões infundadas que esse povo faz.

  4. Ótima lista, a sua! Performances bem diversas. Gostei! Apesar de não destacar algumas de suas escolhidas, como a Áurea Baptista e a Paula Patton.

  5. A única presença que discordo é a de Marion Cotillard por “Nine” – a considero apenas carismática.

    As minhas preferidas são (ordem aleatória):
    Ellen Page (A Origem)
    Marion Cotillard (A Origem)
    Vera Farmiga (Amor sem Escalas)
    Anna Kendrick (Amor sem Escalas)
    Samantha Morton (O Mensageiro)

    Também admiro as performances de Mo’nique e Paula Patton em “Preciosa” e a de Michelle Williams em “Ilha do Medo”

  6. Vi ontem Os Famosos e os Duendes da Morte e, embora não tenha gostado tanto do filme, a atuação da mãe, é de fato, um dos melhores do filme. Mas ainda não sei se do ano. Para mim, a coadjuvante mais sensacional de 2010 é Samatha Morton, em o Mensageiro, atriz competentíssima, que assume uma personagem difícil e complexa, mas sabe dar a dimensão exata de seu drama. Até agora, é imbatível.

    Gosto muito também da Juliane Moore que precisa de muito pouco tempo em tela para mostrar todo seu talento. Só não consigo ver essa excelência toda na Anna Kendrick, acho ela muito fraquinha, ao contrário de sua companheira de filme, Vera Farmiga, ótima em cada cena.

  7. Finalmente alguém que, como eu, reconheceu o talento da Marion. Já colocar Julianne Moore e Patricia Clarkson numa lista dessas é quase clichês. É raro elas se envolverem em projetos meia-boca! Gostei muito de M’onique também, mas não daria o Oscar a ela, não. Achei muito prematuro da parte da academia.

  8. Ótimo o seu texto e assim como você tenho preferência pelas atuações femininas também.Também concordo quando você diz que Paula Patton é a atriz do elenco de Precious que mais é subestimada e na sua lista as minhas preferidas são Mo´Nique,Patricia Clarkson,Julianne Moore e Vera Farmiga.
    Na sua lista eu incluiria Judi Dench por Nine (agora eu não sei se incluiria por realmente gostar da atuação ou por puxa saquismo mesmo,já que acho tudo que ela faz ótimo),Olivia Williams em O Escritor Fantasma e Denise Fraga em As Melhores Coisas do Mundo.
    Novamente ótimo texto,Abraços.

  9. Juliane Moore está divina no melhor filme do ano, mas, fico com a Kendrick que causou me causou tremor, quando assisti ao filme no cinema -, quando a Marion, nem em um nem em outro dos filmes, não vejo absolutamente nada em suas performaces.

  10. Muito bacana suas “escolhas”, das que eu vi, eu prefiro Julianne Moore, achei ela exuberante em “A Single man”, gosto da Mo’Nique também e achei Anna Kendrick ótima em “amor em escalas” provando ser uma excelente atriz, algo que a ‘saga crepúsculo’ a impede com aquele papel pequeno que ela possui …
    Abs. =)

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