Na coleção… Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças

Não gosto quando dizem que Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças é um filme romântico. Devo concordar, claro, que acompanhamos a trajetória de um casal. Mas, ao meu ver, o filme de Michel Gondry é mais sobre as dores trazidas por um relacionamento do que sobre os momentos de paixão de Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet). Além de não ser uma produção do típico romance idealizado pelo cinema, conta a história com uma abordagem inovadora e diferente – o que é algo que pode despertar a idolatria em certo público e o afastamento em outro.

Quando Joel descobre que sua ex-namorada Clementine resolveu apagá-lo da memória através de um programa criado pelo dr. Howard Mierzwiack (Tom Wilkinson), ele também resolve fazer o mesmo. Mas, no meio do procedimento (que consiste em fazer o paciente reviver as memórias), Joel se arrepende de ver os momentos que passou com Clementine sendo apagados de sua memória e começa a fazer de tudo, dentro da própria mente e do corpo “anestesiado”, para impedir esse acontecimento.

Não é fácil gostar de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças. Não fui um grande fã do filme logo na primeira vez que o assisti. No entanto, algo é fundamental: rever o longa-metragem em diferentes momentos da vida. Não é somente uma história que vai fazer você perceber coisas novas a cada revisão, mas também vai mostrar o quanto você aprendeu com a vida (mais especificamente com os relacionamentos) desde a última vez que você o assistiu. Temos, portanto, algo raro: o tempo e a vida fazem, com o passar dos anos, que o filme se torne cada vez mais admirável. É uma produção que entende o espectador. E, acima de tudo, que consegue transmitir isso para quem o assiste.

Falando um pouco mais do resultado em si, Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças também tem outros aspectos notáveis além do enredo. A fotografia gélida (que, inclusive, pode passar a sensação de que o filme é, de fato, frio), a montagem bem arquitetada ou os próprios efeitos chamam muito a atenção… Mas, sem dúvida, o destaque maior é do casal principal. Kate Winslet, em mais um momento inspirado, cria uma personagem maravilhosa. Agora, quem mais merecia créditos pelo filme era Jim Carrey. Não só está no seu melhor momento, como também apresenta uma das interpretações mais interessantes dos últimos anos. Brilho Eterno, no final, causa estranhamento e uma sensação de que vimos um filme completamente diferente… e cheio de qualidades.

FILME: 9.0


9 comentários em “Na coleção… Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças

  1. é um dos meus preferidos… recomendo para quem quer ficar com os pensamentos embaralhados assim como quando vimos Brilho Eterno que veja também “A pele que Habito”.

  2. Roberto, eu não curti muito o “Sinedoque, Nova York”. Aliás, nem assisti até o final…

    Hugo, concordo com todos os teus comentários.

    Vinícius, não sei se fica entre os meus dez favoritos da década, mas certamente está entre os meus queridinhos…

    Kamila, eu também achei esse filme superestimado na primeira vez que assisti. Mas, com o tempo, fui gostando cada vez mais dele.

    Luis Galvão, esse é o melhor filme do Gondry mesmo…

    Cleber, naquele ano eu ainda preferia bem mais a Imelda Staunton por “O Segredo de Vera Drake”.

    Brenno, não sei se os dois mereciam vencer, mas certamente mereciam as indicações (que Carrey, injustamente, não teve).

  3. Um dos melhores filmes de Gondry (e olhe que eu gosto bastante de todos os seus longas). Jim em sua melhor intepretação e Kate mais uma vez provando muito seu talento.

  4. Podem me achincalhar, mas eu acho este filme tão superestimado! A única coisa genial da obra é a sua edição! O resto, SUPERESTIMADO!

  5. Provavelmente um dos dez melhores filmes da década, ao menos um dos que mais me emocionaram. Jim Carrey e Kate Winslet formaram uma das minhas duplas favoritas ever.

  6. Ótimo filme, com um brilhante roteiro e uma bela química entre Carrey e Winslet.

    É um exemplo de como originalidade e criatividade no roteiro eleva o nível de um longa.

    Abraço

  7. Entendo Brilho de uma mente sem lembranças como uma parábola sobre tudo que fazemos para não acreditar num relacionamento (vivemos reclamando quando estamos juntos com alguém, porém é muito pior quando essa pessoa parte e ficamos sozinhos. O personagem de Carrey simplesmente leva essa condição ao extremo). Belíssimo filme. Recomendo Sinédoque, Nova York, outro filme que mexe com o obsessivo que existe dentro do ser humano.

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