Filmes em DVD

Koyaanisqatsi, de Godfrey Reggio

Documentário

Narrando, sem palavras ou diálogos, o descompasso entre as grandes metrópoles e a natureza, o documentário Koyaanisqatsi usa apenas trilha e imagens para transmitir a sua mensagem. O curioso é que, com essa estrutura, o trabalho do diretor Godfrey Reggio consegue ser muito mais interessante do que vários filmes desse gênero. A harmonia entre trilha e imagem consegue ser, inclusive, impactante artisticamente. Philip Glass, em mais um momento espetacular, traduz toda a força da mensagem em suas melodias que variam entre a melancolia e a sensação frenética.  Méritos também, claro, para a ótima montagem. Koyaanisqatsi é um filme para poucos. No entanto, é impossível fica indiferente com tal experiência.

FILME: 8.5

Powaqqatsi, de Godfrey Reggio

Documentário

A segunda parte da trilogia “qatsi”, iniciada com o ótimo Koyaanisqatsi, já não se mostra tão impactante ou especial nesse segundo volume. Powaqqatsi parece ser apenas um retrato sem ousadias da cultura e das dificuldades de países pobres. A trilha de Philip Glass continua em ótimo momento e a fotografia permanece bela. Porém, falta uma sincronia maior entre os setores audiovisuais. Música e imagem não parecem tão bem balanceados como em Koyaanisqatsi. Fica a sensação de que são apenas imagens embaladas, sem qualquer pretensão, por músicas. Isso, de certa forma, tira o potencial do filme e deixa Powaqqatsi apenas no nível do satisfatório.

FILME: 7.5

Naqoyqatsi, de Godfrey Reggio

Documentário

Tecnologia é o assunto de Naqoyqatsi, último volume da trilogia “qatsi”. Para isso, o diretor Godfrey Reggio resolveu colocar efeitos de computador em praticamente todas as imagens. São vários efeitos visuais, variações de cor e alternância de tecnologias. Esteticamente interessante, conseguiu ser melhor que o volume anterior, Powaqqatsi, mas não conseguiu alcançar o mesmo nível de impacto e hipnose de Koyaanisqatsi. O último capítulo tem a seu favor o fato do jogo de imagens computadorizadas ser bem interessante e de ter uma trilha sonora espetacular. Philip Glass sempre está ótimo, mas aqui ele aposta em violinos, o que traz uma diferente sonoridade para o resultado. Naqoyqatsi é vítima do formato, que já não surpreende mais, mas não merece desprezo em função disso.

FILME: 8.0

A Carta, de William Wyler

Com Bette Davis, Herbert Marshall e James Stephenson

Esse é um dos filmes mais simples da carreira de Bette Davis. A Carta conta a história de uma mulher (Davis), que comete um crime e quer, a todo custo, ser inocentada. O filme segue os caminhos mais comuns e não traz grandes inovações. Mas, para a época, apresenta alguns aspectos bem marcantes. A própria personagem de Davis, por exemplo, que é convicta de cada palavra que está dizendo, mas que também um pouco dissimulada por dentro. A Carta, apesar de convencional, tem como coringa a ótima interpretação da atriz – que, mais uma vez, empresta sua representação de mulher geniosa e misteriosa para a personagem. O final é um pouco insatisfatório (e diria até um pouco negativo demais e fora de tom), mas nada que apague a prazerosa experiência que é ver Davis atuando novamente.

FILME: 8.0

É Proibido Fumar, de Anna Muylaert

Com Glória Pires, Paulo Miklos e Marisa Orth

É Proibido Fumar foi o grande vencedor desse ano do Grande Prêmio de Cinema Brasileiro. Devido ao estranho resultado da lista de indicados, o filme mereceu a vitória (antes ele do que Se Eu Fosse Você 2 ou A Mulher Invisível), mas, fica longe do excelente resultado de À Deriva. Esse filme de Anna Muylaert é bem convencional em todos os aspectos, tanto no roteiro linear quanto na simples técnica. Ainda assim, é uma história que funciona. Talvez, seja mais em função da presença da ótima Glória Pires (cuja melhor cena é aquela em que fala do bolo de sua falecida tia). Portanto, é fácil constatar que É Proibido Fumar é uma produção comum, mas que também funciona com muita facilidade.

FILME: 7.5

O Solista, de Joe Wright

Com Robert Downey Jr., Jamie Foxx e Catherine Keener

Mesmo que Desejo e Reparação seja um trabalho espetacular, nunca colocaria a mão no fogo por Joe Wright. Ao passo em que ele alcança resultado fenomenais, como no filme anteriormente citado, também consegue construir filmes monótonos e convencionais como O Solista. Dessa vez, o problema não foi nem Robert Downey Jr. (sem os seus maneirismos de sempre) ou Jamie Foxx (o ator que foi da excelência para a canastrice no mais curto espaço de tempo), mas sim o roteiro lento e quadrado. Todo mundo já está cansado de ver longas sobre pessoas talentosas mas que possuem problemas pessoais ou alguma doença que os impedem de ir a frente com o seu dom. O Solista conta toda essa ladainha de novo. E sem a menor originalidade.

FILME: 6.0

13 comentários em “Filmes em DVD

  1. Vinícius, não vi grande coisa em “É Proibido Fumar”, mas destaco a interpretação da Glória Pires.

    Luan, o Jamie Foxx já teve seus ótimos momentos, como em “Ray” e “Colateral”. Mas, é impressionante como ele conseguiu virar um canastrão de uma hora pra outra. Ele está péssimo em”Dreamgirls – Em Busca de Um Sonho” e “Código de Conduta”.

    Kamila, as atuações do Jamie Foxx e do Robert Downey Jr. são o melhor de “O Solista”…

    Fred Burle, mas, infelizmente, “Powaqqatsi” e “Naqoyqatsi” ficam bem inferiores a “Koyaanisqatsi”.

    Luis Galvão, uma pena que o Jamie Foxx tenha se tornado sinônimo de canastrice, né?

    Mayara, o principal problema de “O Solista” é a previsibilidade. Ele consegue, inclusive, ser monótono em diversos momentos.

    Cleber, o Joe Wright deveria ficar fazendo só filmes de época, né? A julgar por “O Solista”, ele não se sai muito bem com drama urbanos.

    Roberto, nem tanto pelo elenco, mas mais por Joe Wright…

    Pedro, não sei se eu concordo que a trilogia deveria ficar entre as melhores. A proposta é inovadora, mas as duas sequências não conseguem manter o nível de “Koyaanisqatsi”.

  2. A trilogia Qatsi é genial. E foi esquecida na lista da Zero Hora com as 10 melhores trilogias do cinema, tu viu? E discordo bastante do nosso colega Luan Castro, quando coloca o filme do Shyamalan numa lista de decepções. Acredito que nenhum filme nos decepcione, nós é que olhamos para eles com nossas próprias limitações.

    Abs!

  3. Esse trilogia de documentários do Godfrey Reggio parece fantástica! Ainda não vi É proibido fumar, mas tenho lido coisas muito boas sobre ele. E achei o Solista uma decepção (pelo elenco que tem).

  4. Shit! Único que vi foi o muito irregular ‘O Solista’, não faço ideia porque Joe Wright escolheu o projeto.

  5. Dos que vi:

    “O Solista”: Esperava-se mais por ser dirigido pelo Joe Wright, é cansativo em alguns momentos por causa de partes desnecessárias do roteiro, mas gostei do resultado final. Destaque para Downey Jr. e Foxx.

  6. Nossa que pancada o Luís deu no jamie Foxx, Jamie é um bom ator, não só pela sua interpretação espírita em RAY mais em outros filmes como COLATERAL, A atuação dele nesse filme suou um pouco caricata, mas nem todo mundo é o Jack Nicholson, e acho que foi um dos poucos erros de sua carreira, isso falando de primeira impressão, vou tentar ver o filme de novo e captar o que ele tem de bom.

    Opnião é como conta de orkut, todo mundo tem a sua.

  7. Nem sou muito curioso pela trilogia de Reggio, apenas pelo Naqoyqatsi. Eu adoro A Carta e Bette Davis mais uma vez maravilhosa. E O Solista tem Foxx (o ator mais odiado por mim), ou seja, eu não me arrisco nem um pouco.

  8. Acho Koyaanisqatsi um filme sensacional e concordo com você: é um filme para poucos. Não vi os outros dois ainda, mas lembro que na faculdade de cinema eles eram todos muito cultuados.
    Quanto ao O Solista, comecei a ver, mas achei muito chatinho e desisti de continuar.
    E em torno de É Proibido Fumar fez-se um rebuliço, especialmente no Festival de Brasília, que foi onde ele estreou, mas eu não acho que seja para tanto. À Deriva é mesmo muito melhor!

  9. Oops, agora sim, comentando os que eu vi:

    É PROIBIDO FUMAR: Achei este filme muito legal é diferente. Duas boas atuações de Paulo Miklos e Gloria Pires. O final, particularmente, me deixou super intrigada.

    O SOLISTA: A história tinha muito potencial, mas acho que o filme peca no sentido de não nos deixar envolvidos no relato do drama de Nathaniel. Mas, de bom, destaco as atuações de Downey Jr. e Foxx.

  10. Achei pouco a nota de A CARTA, pois é um filme maravilhoso, convenhamos que de certa forma envelheceu um pouco com o tempo, mas isso não apagou o seu brilho e nem a atuação memorável de Bette Davis. o filme além disso tem uma direção do sempre competente William Wyler e cenas memoráveis…

    Convido Matheus Pannebecker para fazer aqui a lista dos OS FILMES QUE DEVERIAM ESTAR ENTRE OS MELHORES, MAS NOS DECEPCIONARAM: podemos contar com A dama na água, Os irmãos Grimms e terror em silent hill.

  11. o problema nem é a falta de originalidade, até porque muitos já seguiram a mesma permissa e se deram muito bem como: Uma mente brilhante e Billy Elliot, mas o roteiro que já vinha miado desde a gaveta. É o tipo de filme que a gente já sabe como vai ser e o quão chato vai ser, quem foi sábio se poupou de ver as atuações maquiadas de Robert Downey jr. e Jamie foxx.
    Ainda bem que Matéria negra não sofre desse mal para todos os casos temos Meryl Steep…

  12. Fiquei interessado nessa trilogia de documentários, parece ser ótima. Da sua lista vi apenas “É Proibido Fumar”, um filme que me surpreendeu bastante – em termos de comédia, é uma das únicas competentes que o cinema nacional apresentou no último ano. E Pires está ótima mesmo, a cena do bolo é incrível.

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