Eu e Orson Welles

Direção: Richard Linklater

Elenco: Zac Efron, Claire Danes, Christian McKay, Eddie Marsan, Ben Chaplin, Kelly Reilly, James Tupper, Patrick Kennedy

Me and Orson Welles, EUA/Inglaterra, 2009, Drama, 114 minutos, 12 anos

Sinopse: Na Nova York de 1937, Richard Samuels (Zac Efron) não quer saber de estudar, pois sonha em ser ator da Broadway. O jovem adolescente, então, vê sua chance ao se candidatar a uma vaga na montagem de Júlio Cesar, de William Shakespeare, comandada por Orson Welles (Christian McKay)

Para muitas pessoas, Zac Efron encontra-se na mesma situação de Robert Pattinson: participou de filmes que fizeram a cabeça das adolescentes, estampou muitas capas de revistas e logo já afasta uma boa parcela do público quando encabeça o elenco de algum filme. Essas afirmações são verdades, mas existe uma grande diferença entre Zac Efron e Robert Pattinson. Enquanto o descabelado vampiro tem a audácia de achar que é grande ator para, por exemplo, ser Salvador Dalí em Poucas Cinzas, Efron se preocupa em demonstrar carisma e naturalidade em papéis não muito audaciosos.

O protagonista de High School Musical não tem maiores pretensões e é uma pessoa verdadeira, longe de parecer caricato ou forçado. 17 Outra Vez poderia ter sido uma bobagem na carreira dele, mas Efron se utilizou do filme para mostrar carisma. O filme não era lá muito interessante, mas o jovem ator dava sinais de que, por trás de tanta badalação em torno de sua beleza e dos filmes insuportáveis do início de sua carreira, existia alguém disposto e com capacidade para representar sem apelar.

Efron repete o feito em Eu e Orson Welles. Dessa vez, está envolvido em um projeto mais alternativo (e que é óbvio que as fãs que se dizem devotas ao ator não devem nem saber da existência), com uma história puramente teatral. Dirigido por Richard Linklater (de Antes do Amanhacer/Pôr do Sol e Escola de Rock), a história narra a vida de um garoto (Efron) que se envolve em uma montagem de Shakespeare que será encenada no teatro e terá comando de Orson Welles (Christian McKay).

Acompanhamos, então, toda a produção dessa peça e como a relação entre os envolvidos nessa montagem pode ser complicada, sentimental e divertida. Como protagonista, Efron se sai muito bem, novamente, ao emprestar naturalidade para o papel. No entanto, não consegue se sobressair  tanto quando um certo Christian McKay está em cena. McKay, indicado ao BAFTA desse ano de melhor ator coadjuvante por seu desempenho, tem 37 anos e encontra aqui o seu primeiro papel no cinema. É uma ótima surpresa, já que demonstra pleno domínio da figura que representa e também consegue trabalhar muito bem a difícil personalidade do papel.

No resto, Eu e Orson Welles é um longa bem comum. Se por um lado o roteiro ganha pontos ao escolher o tipo de narrativa envolvendo a montagem da peça de teatro, por outro também sai perdendo. Não sei quanto a vocês, mas não consigo me envolver tanto com esse tipo de história – que parece focar mais no grande acontecimento do filme do que nos personagens. É assim que alguns relacionamentos amorosos e amizades soam um pouco superficiais. Mas, Eu e Orson Welles, apesar de ser apenas comum, nunca deixa a peteca cair. Algo fundamental em um filme que, infelizmente, está fadado ao preconceito por causa de seu protagonista.

FILME: 7.5

11 comentários em “Eu e Orson Welles

  1. Zac Efron tem meu enorme respeito porque mostra potencial e, como você diz, não quer parecer mais do que é. Mas aqui, claro, apesar de ótimas atuações de todo elenco, é McKay que conquista com sua personificação arrasadora de Welles. Particularmente adoro filmes que mostram os bastidores de teatro ou cinema, e acho que aqui, com tantas personalidades sendo retratadas (quem conhece os atores dessa época ira adorar reconhecê-los), o filme sustenta um bom desenvolvimento dos personagens — Welles, mais uma vez, conduzindo e surpreendendo.

  2. Dane-se o zac efron… o que eu queria saber era sobre a caracterização do Orson Welles… Foi por isso que vim até esse site.

  3. E não é nem só “pós”. Existem trabalhos (menos acessíveis) pré-HSM que foram bons também.
    Um exemplo: Miracle Run, onde ele faz um dos gêmeos autistas.

  4. Madame Lumiére, acho que o Pattinson nunca vai se livrar da cruz dele… Isso se deve ao fato de ele ser um péssimo ator! Por mais que ele tente, não vai conseguir.

    Vinícius, pelo visto, você gostou mais do que eu… Mas “Eu e Orson Welles” é bem agradável, mesmo.

    Wally, é um filme bem legal! =)

    Kamila, assista sem pretensões que o filme funciona.

    Roberto, eu gosto do Efron pós “High School Musical”. Ele melhorou como ator. Ou, ao menos, aprendeu a mostrar naturalidade.

    Isf, concordo com o que você disse!

    Luis Galvão, o filme é simpático e agradável, o que já é o suficiente.

  5. Eu, sinceramente, esperava críticas negativas sobre a produção, mas me surpreendi com a boa aceitação, mesmo que contida, de muitos. fiquei curioso.

  6. Roberto, era exatamente desse preconceito que o Matheus tava falando. Aposto que você não viu outros trabalhos dele além de High School Musical.

    Na verdade, a maioria dos fãs sabia desse projeto sim, mas, infelizmente, não foi o suficiente pra ajudar o filme a conseguir uma distribuidora. =/

  7. Teria tudo pra me fazer passar longe do cinema (leia-se: Zac Efron), mas como se tratava do Linklater fui conferir. E ele me ganhou mais uma vez, como já havia feito em Escola de Rock e Antes do amanhecer. Finalmente o garoto High School Musical não conseguiu estragar um filme!

  8. Eu gosto do cinema do Linklater, mas não sei, sinceramente, o que esperar dessa obra. Pelo seu texto, acho que é melhor eu assistir ao filme sem muitas expectativas.

  9. Gosto bastante do cinema do Linklater e esse foi outro trabalho do diretor que me encantou totalmente. Ótimas atuações num longa imperdível.

  10. Olá,
    Obrigada por apresentar esse filme. Gosto da Claire Danes e desconhecia esse trabalho. Também aprecio filmes que tragam algo Shakesperiano.

    Concordo contigo com relação ao estigma sobre esses garotos Pattinson e Efron, eles pagam realmente o preço do esteréotipo de seus papéis adolescentes e de suas belezas que enlouquecem as teenagers , o que é triste e exige um trabalho muito focado de interpretação e escolhas certas, talvez, com o tempo, eles realizem trabalhos mais sérios e se afastem dessa imagem, só que isso vai demorar bastante, a meu ver, em especial, o caso de Pattinson. A cruz vai ficar mais leve depois para ele.

    Abs!

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