Elizabeth – A Era de Ouro

Direção: Shekar Kapur

Elenco: Cate Blanchett, Clive Owen, Geoffrey Rush, Samantha Morton, Eddie Redmayne

Sinopse: Inglaterra, 1585. Elizabeth I (Cate Blanchett) está quase há três décadas no comando da Inglaterra, mas ainda precisa lidar com a possibilidade de traição em sua própria família. Simultaneamente a Europa passa por uma fase de catolicismo fundamentalista, que tem como testa-de-ferro o rei Felipe II (Jordi Mollá), da Espanha. Apoiado pelo Vaticano e armado com a Inquisição, Felipe II planeja destronar a “herege” Elizabeth I, que é protestante, e restaurar o catolicismo na Inglaterra. Preparando-se para entrar em guerra, Elizabeth busca equilibrar as tarefas da realeza com uma inesperada vulneabilidade, causada por seu amor proibido com o aventureiro Sir Walter Raleigh (Clive Owen).

Essa continuação do primeiro Elizabeth é um produto bastante reciclado, mas ainda assim possui bastante características a serem elogiadas – em especial o belíssimo lado técnico. E Cate Blanchett, claro.”

Fui assistir Elizabeth – A Era de Ouro cheio de pedras nas mãos e já me preparando para uma verdadeira bomba. Depois de fracassar nas bilheterias americanas e passar em branco nas salas de cinema brasileiras, a continuação da saga da rainha Elizabeth recebeu críticas devastadoras durante sua caminhada nas telonas. Mas até que eu gostei do resultado do filme e estou até agora tentando entender o porquê de tanta má vontade com a produção. Okay, está evidente que é um filme perdido no tempo (alguém consegue me citar um filme de época atual que seja original ou fuja das habituais estruturas do gênero?) e muito desnecessário, visto que o filme anterior nem dava qualquer margem para uma continuação. É aquela velha história: já que foi feito, demos uma chance.

Dificilmente consigo gostar de filmes de época, e eu não tinha me empolgado muito com o primeiro Elizabeth. Essa continuação, que tem como subtítulo A Era de Ouro, é muito mais grandiosa (até demais) e parece bem mais cuidada em seu setor técnico. Os figurinos – merecidamente premiados com o Oscar desse ano – são visualmente exagerados, mas o grande mérito da figurinista está justamente nesse ponto : estudar toda a grandiloqüência do estilo daquela época e reproduzir nas diversas roupas presentes no épico. Um trabalho previsível? Sem dúvida. Mas muito bem realizado. A direção de arte também é grandiosa e é de se estranhar que ela não tenha sido lembrada pelos votantes da Academia. Muita gente também reclamou da gritante trilha sonora composta por Craig Armstrong e A.R. Rahman; acredito que ela seja bem coerente com a grandiosidade da produção.

Tirando a excelência do setor técnico, outro fator positivo é, sem dúvida, a presença da sempre bem-vida Cate Blanchett. É ela quem segura as pontas do longa, especialmente quando ele resolve seguir por caminhos tortuosos e tediosos. Pena que uma história tão interessante como a de A Era de Ouro tenha sido escrita de forma tão irregular. O roteiro se caracteriza por dar uma grande humanidade para a protagonista, que fica vulnerável diante de grandes ameças e principalmente diante de seu flerte com um homem interpretado pelo Clive Owen. Junte alguns conflitos religiosos e políticos e você teria uma trama adequada para o estilo. Não é o que acontece. Tudo se estica demais e sem necessidade, tornando tudo muito maçante e cansativo. Ainda assim, tem bons momentos dramáticos (ou seriam os atores que tornam esses momentos bons?) e consegue ser uma produção aceitável no gênero. Talvez tenha sido vítima das expectativas.

FILME: 7.0

3

11 comentários em “Elizabeth – A Era de Ouro

  1. Bom eu vii o filme mais naum entendiii muita coisa naum mais concerteza ela era uma rainha mto boa

  2. O que faltou no filme foi mais acao e aventura, ate porque generalizaram ele como aventura, e nao como drama, Cate Blanchett como sempre: “arrebatadora” em todos os sentidos (eu acho que na outra encarnacao ela era uma rainha mesmo!!!).

  3. Kamila, dessa vez vamos discordar haha. Eu achei a Samantha Morton muito mal aproveitada, mas ela fez o que pôde com o seu tempo limitado. Eu achei muito justa a indicação de Blanchett, que na minha opinião foi mais merecedora do que as duas atrizes que você citou.

    Wally, certamente é um filme com falhas; mas, como você disse, o massacre foi bem desnecessário.

    Ibertson, o filme é bom mesmo! Acho que ele só pecou por ficar preso demais ao gênero e achar que a parte técnica substitui um roteiro mais consistente.

    Red Dust, achei que ”A Era de Ouro” foi mais interessante históricamente do que o primeiro ”Elizabeth” e também gostei muito do espaço dado para a humanidade da personagem.

    Pedro, concordo quando você diz que os aspectos técnicos não transformar um filme em uma boa produção. Aqui eles acabam sendo a parte mais interessante do filme, junto com a estupenda Cate Blanchett que mereceu sua indicação.

    Louis, não achei de forma algum “A Era de Ouro” uma produção ruim.

    Vinícius, eu achei que os figurinos mereceram vencer sim. E, como mencionei em minha resenha, até a direção de arte merecia estar em sua respectiva lista.

    Robson
    , certamente é uma continuação. Mas já que feita, gostei do resultado.

  4. Adoro filmes de época e por isso fui ver a continuação. Mas depois me perguntei qual a necessidade de se fazer uma continuação da história dessa mulher. Ela teve sua importância, mas para o Reino Unido, nada que mudasse o mundo. Duas coisas se salvam nesse filme, Cate, fantástica como sempre e a trilha sonora que é ótima.

  5. Comigo ocorreu o contrário. Fui ver o filme com muito bom humor e esperando que a crítica tivesse sido exagerada quanto aos comentários negativos. Achei tão ruim quanto a maioria – um filme medíocre que só ganhou uma nota satisfatória por minha cotação (5,0) devido aos aspectos técnicos. Só acho que os figurinos não mereciam nem a indicação ao Oscar, quanto mais a vitória…

    Abraço!

  6. Achei esse filme um horror. Fraco até a raiz dos cabelos. E a pobre Blanchett foi submetida ao ridículo. Ainda assim é o principal motivo para qualquer um assistí-lo!

    Abraço!

  7. O filme é fraco em questão de roteiro e direção. Por outro lado, tem uma técnica interessante na direção de arte e no figurino. Mas nada disso consegue fazer do longa um bom filme. Nem a Cate, que poderia ter cedido lugar pra Jolie fácil, fácil…

    Abraço!!!

  8. É um filme que fica ali pelo meio. Longe de ser uma desilusão. Longe de ser um filmaço.

    Tecnicamente está bem construído e tem uma forte interpretação de Cate Blanchett.

    Realmente o argumento não prima pela originalidade, havendo até algumas dúvidas históricas. Mas, enfim, também há ficção na mistura…

    7/10.

    Abraço.

  9. É um bom filme, apenas isso.
    Possui um figurino excelente e boas atuações, mas faltou algo mais.

  10. O massacre foi desnecessário mesmo. Taquei apenas algumas pedrinhas minúsculas. O filme tem virtudes que mereciam ser reconhecidas, mesmo que repleto de falhas merecidamente criticadas.

    Nota 6,0 [***]

    Ciao!

  11. Matheus, acho que esta continuação foi um grande – e verdadeiro – equívoco. Reconheço a qualidade técnica do filme, mas “Elizabeth – A Era de Ouro” só funcionou para mim enquanto a personagem da Samantha Morton esteve em tela. Achei tudo o que veio depois, inclusive a atuação da Cate Blanchett, um exagero só. E acho mesmo que foi um erro da Academia tê-la indicado ao Oscar de Melhor Atriz quando tínhamos outras concorrentes mais dignas da indicação, como Angelina Jolie e Amy Adams.

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