Cinema e Argumento

Oscar 2012: Resultados

No último domingo, vimos um Oscar histórico. Mas, devemos ser sinceros, o prêmio chegou em um nível de tédio que está difícil de ser consertado. Não sei o que acontece com essa premiação que é capaz de realizar algo extraordinário (como foi a 81ª edição), mas, depois, ano após ano, entrega cerimônias cansativas e que, por mais que tentem, não conseguem escapar da formalidade ou da previsibilidade. Em termos de festa, como era de se esperar, o Oscar foi, mais uma vez, péssimo. As piadas foram repetidas (a abertura do apresentador passeando entre os filmes indicados já deu o que tinha que dar), os depoimentos dos atores falando sobre cinema simplesmente não tiveram o devido efeito (Adam Sandler, sério?!) e a falta de dinâmica estava gritante.

O maior problema, no entanto, é a falta de balanço entre diálodos/monólogos intermináveis de apresentadores e os breves discursos dos vencedores. Inexplicavelmente, a Academia prefere conferir longos minutos para momentos supostamente descontraídos ao invés de deixar que os vencedores sintam a glória por mais tempo. Colocar Chris Rock (em que ano estamos?!) para falar o tempo que quiser ao passo que corta discursos não é nada elegante, Academia! Nesse sentido, nem Billy Crystal conseguiu ser eficiente – na realidade, é uma prova de que um apresentador, por mais experiente que seja, não consegue ser o suficiente para salvar um texto fraco e um conjunto sem inspiração. A 84ª edição do Oscar veio para provar que é sempre melhor esperar uma festa chata, em termos de entretenimento, para não se desapontar.

Por outro lado, tivemos uma cerimônia justa como há muito tempo não se via. Não só em função da consagração de O Artista, que é praticamente uma unanimidade, mas também porque quebrou vários preconceitos bobos. Foi bom ver os votantes terminando com o bobo raciocínio de que vencedores não precisam mais de prêmios: Woody Allen, por exemplo, venceu depois de décadas por seu trabalho no roteiro de Meia-Noite em Paris. Nos setores técnicos, A Invenção de Hugo Cabret, talvez, tenha levado mais do que deveria (os prêmios de som, por exemplo), mas negar o brilhantismo dos atributos do filme de Scorsese seria pura loucura. Também não dá nem para reclamar dos (merecidos) prêmios óbvios, como filme estrangeiro para A Separação.

Muito mais do que a celebração de O Artista, o Oscar 2012 ficará marcado por aquele que era o evento mais esperado pelo blogueiro que vos escreve: a vitória de Meryl Streep. É provável que seu vestido dourado e sua badalação no tapete vermelho fossem sinais de uma possível vitória. O horrível visual de Viola Davis (agora fazendo um filme sobre invasão alienígena!), que tirava qualquer glamour da atriz de Histórias Cruzadas, também dava a sensação de que, aquele, talvez fosse o tão aguardado momento em que Meryl Streep venceria o seu terceiro Oscar depois de quase 30 anos concorrendo sem vitórias. Não à toa, o prêmio cercado de suspense foi o penúltimo da festa, aumentando ainda mais a expectativa. O resultado? Meryl Streep provando que nem a incompetente diretora Phyllida Lloyd conseguiu colocar pedras em seu caminho.

Ela, que em entrevistas posteriores disse que essa vitória foi ainda mais doce do que as primeiras de sua carreira, fez, como sempre, uma sincera expressão de surpresa. No discurso, estava com os olhos cheios de lágrimas. Agradeceu ao marido, aos colegas de profissão, ao seu maquiador de longa data (que também venceu por A Dama de Ferro), e foi aplaudida de pé. O momento, por mais que detratores (sim, eles existem!) questionem, foi histórico, pois vimos a maior atriz viva ganhar o Oscar. Meryl é a única que, atualmente, pode ser comparada com atrizes do calibre de Bette Davis, Vivien Leigh, entre outras. E vê-la vencer o prêmio é gratificante para qualquer cinéfilo. Não vejo como alguém possa questionar a importância desse momento. A espera pelo terceiro Oscar acabou, Meryl arrasou e, ao contrário do que disse em seu discurso, voltará sim ao palco, um dia, para receber outro prêmio. Espero, no mínimo, que alcance o mesmo número de estatuetas que Katharine Hepburn. Ela merece. Mas, por enquanto, esse lindo momento de vitória já foi mais do que o suficiente!

Vale comentar, também, a péssima transmissão da Rede Globo (ainda bem que existe a TNT!). Não só em função do habitual atraso, mas dos forçados bate-papos entre Maria Beltrão (que agora é entendedora de cinema) e José Wilker. Mais uma vez, a informalidade descamba para o constrangedor. Já é meio caminho andado para que, ano que vem, Sandra Annenberg e Evaristo Costa comentem a cerimônia fazendo piadas sobre mamão… Que vergonha! Falando em Brasil, também não foi dessa vez que conseguimos nosso primeiro Oscar. Devo concordar com a brincadeira da minha mãe: se não ganhamos nem quando existem só dois indicados, é porque não venceremos mais… Sinceramente, premiar a tediosa Man or Muppet para desdenhar Real in Rio foi decepcionante. Carlinhos Brown, vestido de Herculano Quintanilha, de O Astro, merecia sim! Confira a lista completa de vencedores da 84ª edição do Oscar 2012, e, no final do post, o discurso de Meryl Streep traduzido, na íntegra:

FILME: O Artista
ATRIZ: Meryl Streep (A Dama de Ferro)
ATOR: Jean Dujardin (O Artista)
ATRIZ COADJUVANTE: Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)
ATOR COADJUVANTE: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)
DIREÇÃO: Michel Hazanavicius (O Artista)
MONTAGEM: Millennium – Os Homens que não Amavam as Mulheres
DOCUMENTÁRIO: Undefeated
DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM: Saving Face
ANIMAÇÃO: Rango
TRILHA SONORA: O Artista
CANÇÃO ORIGINAL: Man or Muppet (Os Muppets)
ROTEIRO ORIGINAL: Meia-Noite em Paris
ROTEIRO ADAPTADO: Os Descendentes
EDIÇÃO DE SOM: A Invenção de Hugo Cabret
MIXAGEM DE SOM: A Invenção de Hugo Cabret
EFEITOS VISUAIS: A Invenção de Hugo Cabret
CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO: The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore
CURTA-METRAGEM: The Shore
FILME ESTRANGEIRO: A Separação
MAQUIAGEM: A Dama de Ferro
FIGURINO: O Artista
DIREÇÃO DE ARTE: A Invenção de Hugo Cabret
FOTOGRAFIA: A Invenção de Hugo Cabret

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Quando chamaram meu nome, eu tive a sensação de que podia ouvir metade da América dizendo: “Ah, não! Por que ela de novo?”. Mas… Que seja! Primeiro, quero agradecer Don porque, quando você agradece o seu marido no final do discurso, eles colocam aquela música. E eu quero que ele saiba que o que mais valorizo em nossas vidas… foi você que me deu. E, agora, em segundo lugar, meu outro parceiro. 37 anos atrás, em meu primeiro papel em Nova York, conheci o melhor maquiador e hairstylist: Roy Helland. E nós trabalhamos, constantemente, desde o dia que colocamos os olhos um no outro. O primeiro filme dele comigo foi A Escolha de Sofia, e hoje ele venceu por seu lindo trabalho em A Dama de Ferro, 30 anos depois! Eu gostaria de agradecer ao Roy, mas também gostaria de agradecer – porque sei que nunca estarei aqui novamente – a todos os meus colegas, todos os meus amigos. Eu olho tudo aqui e vejo a minha vida passando pelos meus olhos. Meus velhos amigos, meus novos amigos… E, sério, essa é uma grande honra! Mas o que mais conta, para mim, são as amizades, o amor, e as alegrias que compartilhamos fazendo filmes juntos. Meus amigos, obrigado! A todos vocês, aos que partiram e aos que estão aqui. Obrigado por essa carreira inexplicavelmente maravilhosa. Obrigado!

Oscar 2012: Apostas

O Artista ou A Inveção de Hugo Cabret? Meryl Streep ou Viola Davis? Jean Dujardin ou George Clooney? Woody Allen finalmente voltará a vencer depois de décadas? Será possível que um filme mudo seja o grande vencedor da noite mais importante do cinema? Perguntas que serão respondidas nesse domingo (25), quando o Oscar, guiado pela apresentação de Billy Crystal, revelará os seus vencedores. Nas categorias principais (filme e direção), o jogo já parece bem definido, mas outros segmentos ainda trazem muito suspense. A 84ª cerimônia do Oscar tem tudo para ser cheia de acertos, especialmente depois de uma fraquíssima seleção. Abaixo, as apostas do Cinema e Argumento (ainda sem avaliação de A Invenção de Hugo Cabret):

MELHOR FILME

Quem leva: O Artista. O filme de Martin Scorsese pode até levantar dúvidas, mas a matemática é clara: está toda a favor do longa francês.

Quem merece: O Artista, não tem jeito.

Não desdenhe: A Invenção de Hugo Cabret, já que é outra homenagem ao cinema – e comandada por ninguém menos que Scorsese.

MELHOR DIREÇÃO

Quem leva: Michel Hazanavicius (O Artista), em um ano quase óbvio para uma dobradinha com a categoria principal.

Quem merece: Hazanavicius e Malick foram ótimos (mesmo que o filme do segundo seja superestimado). Qualquer um dos dois merece. Só não vale ganhar Alexander Payne.

Não desdenhe: Martin Scorsese. O nome já diz tudo, sem falar que é um filme badalado e recordista de indicações nessa edição do Oscar.

MELHOR ATOR

Quem leva: Jean Dujardin (O Artista), principalmente depois que conseguiu todo o buzz da temporada com o SAG.

Quem merece: Jean Dujardin (O Artista), mas também não seria injusto se George Clooney vencesse.

Não desdenhe: George Clooney (Os Descendentes), afinal, parece que sempre chegou (de novo) a vez dele, né?

MELHOR ATRIZ

Quem leva: Viola Davis (Histórias Cruzadas), já que vencer o SAG é sempre meio caminho andado.

Quem merece: Meryl Streep (A Dama de Ferro), que teve a interpretação mais completa do ano. Só mereceria perder caso fosse para Tilda Swinton, por Precisamos Falar Sobre o Kevin – mas a coitada nem foi indicada.

Não desdenhe: Meryl Streep (A Dama de Ferro). É diva, está ótima no filme e é amada por todos. E por que mesmo ainda não ganhou o terceiro Oscar?

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Quem leva: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)

Quem merece: Nick Nolte (Guerreiro)

Não desdenhe: não coloque sua aposta no lixo, é Christopher Plummer sem qualquer dúvida!

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Quem leva: Octavia Spencer (Histórias Cruzadas), em um ano que até a Sandra Bullock tinha mais méritos por Tão Forte e Tão Perto.

Quem merece: Janet McTeer (Albert Nobbs), considerando que Bérénice Bejo está na categoria errada.

Não desdenhe: infelizmente, o prêmio já é de Spencer.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

Quem leva: Os Descendentes

Quem merece: Tudo Pelo Poder, um dos filmes mais subestimados da award season.

Não desdenhe: O Espião Que Sabia Demais.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Quem leva: Meia-Noite em Paris

Quem merece: A Separação, disparado, o trabalho mais interessante entre os indicados.

Não desdenhe: O Artista, que nem merece vencer aqui…

OUTRAS CATEGORIAS:

TRILHA SONORA: Ludovic Bource (O Artista)
MAQUIAGEM: A Dama de Ferro
FIGURINO: O Artista
DIREÇÃO DE ARTE: A Invenção de Hugo Cabret
FOTOGRAFIA: A Árvore da Vida
MONTAGEM: O Homem Que Mudou o Jogo
DOCUMENTÁRIO CURTA-METRAGEM: The Tsumani and the Cherry Blossom
FILME ESTRANGEIRO: A Separação (Irã)
ANIMAÇÃO: Rango
CURTA DE ANIMAÇÃO: The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore
EDIÇÃO DE SOM: Cavalo de Guerra
MIXAGEM DE SOM: A Invenção de Hugo Cabret
EFEITOS ESPECIAIS: Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2
DOCUMENTÁRIO: Pina
CANÇÃO ORIGINAL: “Real in Rio” (Rio)
CURTA-METRAGEM: The Shore

Oscar 2012: Filme

O Oscar anda mesmo perdido. Depois de banalizar o título “indicado ao Oscar de melhor filme” com essa história de dez indicados, erram ano após ano em suas escolhas. A princípio, a ideia de dez concorrentes parecia maravilhosa, mas foi um tiro no pé – especialmente porque esquematizaram, por exemplo, que sempre teria vaga para filmes específicos, como animações e independentes. Dois anos foram o suficiente para perceber que o formato não deu certo: afinal, de que adianta tantos indicados se os principais favoritos se refletem entre os cinco diretores nomeados?.

Ao invés de darem o braço a torcer com um retorno aos tradicionais cinco filmes, tomaram outra medida maluca: indicar somente aqueles filmes que ficaram em primeiro lugar na ficha de pelo menos 5% dos votantes. A expectativa para o Oscar 2012, portanto, era grande: afinal, essa ideia daria certo ou não? Não deu. Parece que nada mudou. Os indicados poderiam variar entre cinco e dez. Escolheram nove. Mais da metade, como sempre, sem muito merecimento para ostentar a honra da vaga.

Enfim, essa  lista é, possivelmente, a mais fraca desde que não temos mais apenas cinco indicados. A cada ano, a esperança com o Oscar vai ainda mais para o ralo. Está na cara: eles precisam voltar ao esquema antigo. Esse seria o passo mais urgente para um prêmio que precisa se reestruturar logo – afinal, não é loucura de momento, já que os erros sempre se repetem. O Oscar, supostamente, deve ser uma celebração ao cinema. O que vemos é um jogo baseado em política e campanhas.  Continuamos sem ver ousadias, novos valores ou escolhas que reflitam, realmente, a vontade de celebrar o bom cinema.  Pena. Queria voltar a me encantar com o prêmio… Ainda não foi em 2012.

CAVALO DE GUERRA: O pior indicado ao Oscar 2012. É até uma injustiça reclamar da puxação de saco de Stephen Daldry com Cavalo de Guerra concorrendo como melhor filme. O novo trabalho de Steven Spielberg é antiquado, forçado e sem ritmo. Se Tão Forte e Tão Perto recebeu indicação ao prêmio principal porque amam Daldry, Cavalo de Guerra também entrou nessa tendência por causa de Spielberg. Só isso para explicar a inclusão desse filme sonolento entre os nove melhores do ano. A consolação é que deve conquistar, no máximo, uma categoria de som.

O ARTISTA: O grande favorito da temporada. E não tem como questionar, já que os concorrentes desse ano estão longe de alcançar o nível do espetacular. Ainda pairam dúvidas em relação às limitações de alcance a um grande público impostas pelo formato do filme, mas a homenagem ao cinema deve falar mais alto. É uma experiência atípica e que, ao contrário dos últimos vencedores do Oscar, não causa qualquer divergência. Todos aprovam O Artista, o que já é um grande ponto positivo para o Oscar. Além de tudo, a equipe do filme é francesa, tornando a vitória ainda mais histórica.

O HOMEM QUE MUDOU O JOGO: Ok, Bennett Miller é um ótimo diretor, Aaron Sorkin é um roteirista conceituado e Brad Pitt tem participação em projetos vitoriosos. Só que essa fórmula não torna O Homem Que Mudou o Jogo universal. O filme é estado-unidense demais, além de longo e repetitivo. Foi indicado, claro, porque a temática de beisebol é muito forte nos Estados Unidos. Não deve fazer carreira significativa fora do país (até porque, sim, é um filme só sobre o esporte), o que, nesse caso, comprova que o assunto é decisivo para a correta apreciação do resultado final. Assim como vários dos indicados, é superestimado.

OS DESCENDENTES: E não é que Alexander Payne alcançou seu maior reconhecimento com esse que é o filme mais fraco de sua carreira? Até dá para entender o porquê da história agradar tanta gente, mas não é muito compreensível tanta festa para um filme que nada mais é tão… comum. George Clooney e Shailene Woodley, ótimos, mereciam um filme mais contundente e, claro, original. Principalmente porque estamos falando do cara que fez As Confissões de SchmidtEleição. Pelo visto, as premiações gostam mesmo é de quando os diretores se domesticam – como foi o caso de Gus Van Sant em Milk – A Voz da Igualdade.

TÃO FORTE E TÃO PERTO: Reclamam à toa desse novo filme de Stephen Daldry. Bom, já reclamavam dele antes. Sim, do diretor que fez a obra-prima chamada As HorasTão Forte e Tão Perto está longe de ser uma maravilha e é, sem dúvida, o filme mais fraco de Daldry. Mas por que pegar no pé logo desse filme que, assim como tantos outros, não merecia estar concorrendo ao prêmio principal? Implicância. Até porque ele tem elementos bem característicos do Oscar: dramas do povo estado-unidense (nesse caso, o atentado ao World Trade Center), relações familiares e um mensagens bem inofensivas. Não existe razão para tanto ódio, principalmente porque existem exemplares bem piores nessa lista (Cavalo de Guerra, por exemplo).

A ÁRVORE DA VIDA: Questão delicada, já que é o filme que ninguém pode falar mal. Se você não o considera em obra-prima, é um E.T. Baseando comentários em outros prêmios, não era para conseguir uma indicação na categoria principal – e é de se admirar que tenha conseguido tanta força desde a Palma de Ouro em Cannes que dividiu opiniões. Mas está aí e tem sua presença bem justificada. É um filme diferente, com fãs incondicionais e que, como já podemos notar, será um clássico contemporâneo. Só a lembrança dele já é uma vitória.

MEIA-NOITE EM PARIS: É aquele tipo de exemplar mais significativo que Woody Allen lança de três em três anos, como Match PointVicky Cristina Barcelona. Por alguma razão, caiu nas graças de todo mundo. A verdade é que Meia-Noite em Paris não difere muito de outros excelentes filmes do diretor que foram injustamente ignorados. Mas tudo bem, Woody Allen é sempre Woody Allen. Não dá para questionar. O longa é agradável, inteligente e inspirador. Reconhecer Woody nunca é demais…

HISTÓRIAS CRUZADAS: Representando a vaga de sucesso de bilheteria do ano, esse filme está longe de ser o estouro que sua arrecadação aponta. É um bom trabalho de atrizes (mais pelo conjunto do que por desempenhos específicos), onde elas seguram uma história que já foi contada mil vezes e que, aqui, recebe tratamento despretensioso e dramas bem açucarados para emocionar o público sem ter que trazer complexidade para o enredo. Outro indicado que tem uma indicação bem compreensível, mas que não merecia estar na categoria principal.

A INVENÇÃO DE HUGO CABRET: O único filme que pode estragar a festa de O Artista. É improvável, mas não duvide. A Invenção de Hugo Cabret é um filme completamente diferente das temáticas normalmente apresentadas por Scorsese, o que, naturalmente, chama a atenção. Ainda não tivemos a oportunidade de assistir ao filme, portanto, podemos apenas deduzir as chances que ele tem no Oscar. É provável que vença algumas categorias técnicas e, por que não, outras mais importantes. Se der um freio em O Artista, não será surpresa. Mas vale lembrar: Scorsese já tem Oscar (e relativamente recente), o que nunca é um ponto muito a favor.

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OS ESQUECIDOS

Impossível escolher apenas um. Então, aí vai a lista que seria impecável para o Oscar 2012, seguindo o formato de nove indicados (lembrando que ainda não conferimos A Invenção de Hugo Cabret):

– O Artista

– Guerreiro

– Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2

– Meia-Noite em Paris

– Melancolia

A Pele Que Habito

– Precisamos Falar Sobre o Kevin

– A Separação

– Tudo Pelo Poder

Oscar 2012: Ator

Um ano particularmente diversificado para a categoria, tanto em estilos de interpretações quanto em atores. Entre veteranos e recém descobertos, todos fizeram um bom trabalho, mesmo que um ou outro seja superestimado. Quem começou como favorito foi George Clooney, por Os Descendentes, que venceu o Critics’ Choice e o Globo de Ouro. No entanto, o fato de já ter um Oscar em casa começou a pesar contra o ator, o que abriu espaço para o francês Jean Dujardin – que, inesperadamente, venceu o Screen Actors Guild (prêmio que, até hoje, George Clooney não faturou).

Ambos merecem e o prêmio estará em boas mãos se for para qualquer um dos dois. Porém, Dujardin é o que tem mais chances de vencer. Não é costume da Academia premiar estrangeiros, mas O Artista fez tanto sucesso no circuito de premiações que isso não deve ser um problema. Sem falar que os talentos emergentes, na maioria das vezes, sempre se dão bem na disputa com outros já conhecidos e experientes. O prêmio, portanto, está entre Clooney e Dujardin. Qualquer outro que vencer estará surpreendendo – e, de certa forma, ganhando injustamente, pois só os dois favoritos foram superlativos.

DEMIÁN BICHIR (Uma Vida Melhor): Já tinha conseguido indicação para o Screen Actors Guild, mas sua inclusão entre os cinco finalistas do Oscar foi uma pequena surpresa, já que o esperado era que Leonardo DiCaprio, por J. Edgar, estivesse na disputa. Bichir, no entanto, não pode ser desprezado por ter entrado de última hora. Uma Vida Melhor é uma novelinha sobre a vida de um imigrante tentando melhorar de vida nos Estados Unidos, mas Bichir se destaca por entregar um personagem bastante realista. Poucos conseguem fazer isso com naturalidade. Ele conseguiu.

GEORGE CLOONEY (Os Descendentes): O filme de Alexander Payne não seria o mesmo sem a presença de George Clooney. Aqui, o ator alcança uma notável maturidade, preservando todas as características de outros bons desempenhos mais recentes (Conduta de RiscoAmor Sem Escalas) e amenizando aquele velho problema de ser George Clooney e não um personagem. Em Os Descendentes, ele se entrega de corpo e alma para o personagem, saindo um pouco da certa constante que até então preservava. Clooney tem pelo menos um momento marcante aqui – e não é exagero dizer, também, que nunca esteve tão humano.

JEAN DUJARDIN (O Artista): Ao lado de sua colega Bérénice Bejo, o francês Jean Dujardin apresentou uma atuação digna de aplausos por, justamente, ser uma fiel reprodução de como eram os atores dos filmes mudos. E não estamos falando apenas de visual ou charme, mas também de gestos, olhares, humor. Dujardin consegue, em O Artista, voltar no tempo e construir um personagem marcante. Seu George Valentin, certamente, conquistará aqueles que estiverem dispostos a dar uma chance ao filme. Pura desenvoltura em uma atuação que será merecedora se alcançar a consagração.

GARY OLDMAN (O Espião Que Sabia Demais): O filme é restrito demais (leia-se longo e confuso), mas Gary Oldman consegue ultrapassar todos os obstáculos. Sucinto e econômico em cada cena, o veterano ator recém chega a sua primeira indicação ao prêmio. Muitos dizem que ele já deveria ter recebido esse reconhecimento antes, mas antes tarde do que nunca, não? Por mais que não tenha chances de vencer o prêmio, sua indicação é bastante justa. O Espião Que Sabia Demais pode até ser superestimado, mas, pelo menos, Oldman é um dos destaques do filme. Salto significativo depois de… uh… A Garota da Capa Vermelha.

BRAD PITT (O Homem Que Mudou o Jogo): Se a Academia parece ter problemas com Leonardo DiCaprio, também tem uma admiração meio inexplicável por Brad Pitt. Ele, que está apenas ok em O Homem Que Mudou o Jogo, mais uma vez teve repercussão um pouco questionável. A exemplo de O Curioso Caso de Benjamin Button, seu trabalho no novo filme de Bennett Miller é apenas correto. No início da temporada de premiações, era a aposta de muitos. Se vencer, estaremos diante de uma injustiça – especialmente quando outros concorrentes, em especial Clooney e Dujardin, estão em momentos inspirados.

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O ESQUECIDO

Quando um ator apresenta vários desempenhos bons em um mesmo ano, suas chances para o Oscar diminuem. Não foi diferente com Ryan Gosling. Muitos queriam que fosse indicado por Drive, mas bem que Gosling poderia ter sido pelo subestimado Tudo Pelo Poder, onde se destaca diante de um elenco afiadíssimo.

Oscar 2012: Atriz

A categoria de melhor atriz é a que, possivelmente, teve mais reviravoltas desde que as especulações sobre a vencedora começaram. A princípio, era para ser uma batalha entre Meryl Streep (essa, desde o início, claro, uma favorita) e Glenn Close. Bastou Albert Nobbs ser exibido para que todos percebessem que o retorno de Close, infelizmente, não era grandioso ou muito merecedor de consagrações.

Logo, Close cedeu buzz para Michelle Williams, que chegou a vencer o Globo de Ouro de melhor atriz comédia/musical por seu retrato de Marilyn Monroe. A atriz também não ostentou seu favoritismo por muito tempo… Por fim, Viola Davis chega ao domingo do Oscar como a grande favorita ao lado de Meryl Streep – muito em função do sucesso de Histórias Cruzadas.

A disputa entre Meryl e Viola é tema de muitas discussões (afinal, ambas as atrizes possuem inúmeros prós e contras para ganhar o prêmio) e, claro, deve ser o maior suspense da cerimônia. No geral, a seleção foi boa, onde atrizes competentes e talentosas entregam desempenhos muito distintos. Só é uma pena que Rooney Mara tenha entrado de última hora para tirar da disputa uma grande interpretação (citada no final desse post).

GLENN CLOSE (Albert Nobbs): Aquela que, antes mesmo da award season começar, era uma das grandes favoritas… Só que Albert Nobbs é uma decepção – em especial para a personagem de Glenn Close, que não é devidamente aprofundada (e merecia, já que é uma figura muito complexa). Por isso mesmo, apesar da ótima caracterização e da dedicação da atriz, fica difícil se envolver com uma personagem que é constantemente colocada de escanteio pela boba storyline de Mia Wasikowska e Aaron Johnson. E Glenn ainda precisa lidar com a maravilhosa Janet McTeer roubando a cena. Longe de ser o retorno triunfal esperado. Mais sorte da próxima vez…

VIOLA DAVIS (Histórias Cruzadas): Que Viola Davis é uma grande atriz, todo mundo sabe (os poucos minutos de Dúvida permanecem intensos até hoje) e seu desempenho em Histórias Cruzadas, claro, é ótimo. Uma pena que esteja classificado de forma errada. A atriz está longe de ser leading role e, com certeza, teria um reconhecimento mais justo se fosse enquadrada como coadjuvante. Independente disso, ela consegue vencer as barreiras do papel previsível para, mais uma vez, emocionar e ser o coração de um longa-metragem. Não dá para questionar qualquer prêmio para Viola. Ela sempre merece!

ROONEY MARA (Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres): Dizem que Rooney Mara roubou a vaga de Tilda Swinton por Precisamos Falar Sobre o Kevin. E é verdade. Se vestibular tem cotas, Oscar também tem. Rooney cumpriu a de revelação do ano. No entanto, das últimas que surgiram (Jennifer Lawrence, Gabourey Sidibe), é a que menos impressiona. Até que ponto sua Lisbeth Salander, em Millenium, tem mais méritos em função de Rooney do que do texto? Apesar da boa composição, a atriz não faz nada impossível para qualquer outra pessoa de talento. Indicação meio duvidosa.

MERYL STREEP (A Dama de Ferro): Os mais insensatos dizem que Meryl Streep virou uma mobília no Oscar e que ninguém tem coragem de tirar. Que ofensa! A veterana ostenta sim, com muito merecimento, todas as suas 17 indicações ao prêmio. Não é diferente em A Dama de Ferro, um trabalho que, certamente, só poderia ser feito com tal precisão por uma atriz como ela. O filme, todos sabem, é ruim e mal dirigido, mas Streep se sobressai, realizando um dos seus trabalhos mais interessantes da atualidade. Se vencer o Oscar, será merecido – até porque o papel tem a fórmula infalível.

MICHELLE WILLIAMS (Sete Dias Com Marilyn): Em termos de mergulhar de corpo e alma em uma figura real, Meryl Streep foi infinitamente melhor esse ano. Mas não devemos retirar os méritos de Williams, que acertou em cheio ao mostrar as fragilidades e angústias de uma estrela que, apesar de popular e desejada por todos, era, em seu íntimo, normal como qualquer pessoa. Williams não tem muitas semelhanças com Monroe (e, em vários momentos, vemos a intérprete e não a personagem-título), só que se sai vitoriosa, com sua habitual habilidade, ao executar as dramaticidades da personagem. Indicação merecida.

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A ESQUECIDA

Certeza absoluta que os votantes não viram o mesmo filme… A exclusão de Tilda Swinton por Precisamos Falar Sobre o Kevin é um dos maiores absurdos da categoria nos últimos anos. A atriz foi indicada a todos os grandes prêmios e ficou de fora da seleção da Academia. Uma imperdoável injustiça com um trabalho tão contundente e humano.