Cinema e Argumento

Globo de Ouro 2014: indicados

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O que podemos dizer dos indicados ao Globo de Ouro 2014?

– 12 Anos de Escravidão segue como o franco favorito, mas Trapaça deu um belo salto de chances com essa lista;

– Capitão Phillips (com lembrança até em direção!) e Rush – No Limite da Emoção (que está na categoria principal) terem caído de verdade no gosto dos votantes foi uma leve surpresa;

– The Wolf of Wall Street só deve ser lembrado pelo Globo Ouro – que também deverá ser o único a esnobar O Mordomo da Casa Branca por completo;

– O britânico Philomena tem mais poder do que pensamos. Se aqui já conseguiu indicações a filme e roteiro, esperem ainda o BAFTA…

– A disputa de atriz comédia/musical está interessante. Meryl de novo? Improvável. Julia Louis-Dreyfus? Não merece. Mas igualmente estranho seria ver uma vitória de Amy Adams, que não deve passar dessa indicação na temporada de premiações;

Mandela: Long Walk to Freedom. Fica a dúvida: realmente um bom filme ou apenas um afeto pela morte recente do personagem-título?

– É oficial: coloquem Daniel Brühl no bolão para os indicados ao Oscar de ator coadjuvante;

– Feliz pela indicação de Sally Hawkins. Tanto sua personagem quanto sua interpretação em Blue Jasmine são excelentes complementos para a figura de Cate Blanchett;

– A categoria de canção original continua sendo um puxa-saquismo sem fim no Globo de Ouro. Eles não resistem a uma celebridade. Caso de Coldplay, por exemplo, que nem fez nada de muito especial com a melosa Atlas, no segundo Jogos Vorazes;

– Os indicados nas categorias de TV foram uma bagunça, com uma valiosa exceção: The Good Wife, melhor exemplar atual de TV aberta, que voltou à categoria principal e ainda teve lembranças para Julianna Margulies e Josh Charles. Merecido, pois a série está em um de seus melhores momentos. Poderia ter ainda uma indicação para Christine Baranski;

– As indicações para Breaking Bad são mais por arrependimento do que por bom gosto dos votantes. Depois de anos sendo celebradas por outras premiações (Emmy descobriu o programa, SAG já premiou Bryan Cranston ano passado), ficaria feio para a HFPA não celebrar a história criada por Vince Gilligan, que nunca venceu absolutamente nada na premiação;

– Atriz coadjuvante é uma vergonha sem fim. Sofia Vergara (ainda!) indicada e Anna Gunn esquecida. Também não indicaram a vitoriosa do ano passado (Maggie Smith, por Downton Abbey). E as mulheres de The Good Wife, que eram sempre lembradas, ainda mereciam estar aqui – Baranski, obrigatoriamente;

– No mais, RIP Mad Men, que teve uma péssima temporada de premiações em 2013: não faturou nada no Emmy e ontem passou em branco no SAG. RIP Homeland também, que no Globo de Ouro não conseguiu lembrança nem para Claire Danes. Devem ter finalmente caído na real quanto a farsa que é esse programa, premiado prematuramente no início e hoje já esquecido até pelo público. E isso na terceira temporada…

MELHOR FILME DRAMA

12 Anos de Escravidão
Capitão Phillips

Gravidade
Philomena

Rush – No Limite da Emoção

MELHOR FILME COMÉDIA/MUSICAL
Ela
Inside Llewyn Davis – Balada de Um Homem Comum
Nebraska
The Woolf of Wall Street
Trapaça

MELHOR ATRIZ DRAMA
Cate Blanchett (Blue Jasmine)
Emma Thompson (Walt nos Bastidores de Mary Poppins)
Judi Dench (Philomena)
Kate Winslet (Refém da Paixão)
Sandra Bullock (Gravidade)

MELHOR ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL
Amy Adams (Trapaça)
Greta Gerwig (Frances Ha)
Julia Louis-Dreyfus (À Procura do Amor)
Julie Delpy (Antes da Meia-Noite)
Meryl Streep (Álbum de Família)

MELHOR ATOR DRAMA
Chiwetel Ejiofor (12 Anos de Escravidão)
Idris Elba (Mandela: Long Walk to Freedom)
Matthew McCounaghey (Dallas Buyers Club)
Robert Redford (All is Lost)
Tom Hanks (Capitão Phillips)

MELHOR ATOR COMÉDIA/MUSICAL
Bruce Dern (Nebraska)
Christian Bale (Trapaça)
Joaquin Phoenix (Ela)
Leonardo DiCaprio (The Wolf of Wall Street)
Oscar Isaac (Inside Llewyn Davis – Balada de Um Homem Comum)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Barkhad Abdi (Capitão Phillips)
Daniel Brühl (Rush – No Limite da Emoção)
Bradley Cooper (Trapaça)
Michael Fassbender (12 Anos de Escravidão)
Jared Leto (Dallas Buyers Club)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Jennifer Lawrence (Trapaça)
Julia Roberts (Álbum de Família“)
June Squibb (Nebraska)
Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão)
Sally Hawkins (Blue Jasmine)

MELHOR DIREÇÃO
Alfonso Cuarón (Gravidade)
Alexander Payne (Nebraska)
David O. Russel (Trapaça)
Paul Greengrass (Capitão Phillips)
Steve McQueen (12 Anos de Escravidão)

MELHOR ROTEIRO
12 Anos de Escravidão
Ela
Nebraska
Philomena
Trapaça

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Atlas” (Jogos Vorazes: Em Chamas)
“Let it Go” (Frozen – Uma Aventura Congelante)
“Ordinary Love” (Mandela: Long Walk to Freedom)
“Please, Mr. Kennedy” (Inside Llewyn Davis – Balada de Um Homem Comum)
“Sweeter than Fiction” (Once Chance)

MELHOR TRILHA SONORA
12 Anos de Escravidão
All is Lost
Gravidade
Mandela: Long Walk to Freedom
A Menina Que Roubava Livros

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Azul é a Cor Mais Quente (França)
The Great Beauty (Itália)
A Caça (Dinamarca)
The Past (Irã)
Vidas ao Vento (Japão)

MELHOR ANIMAÇÃO
Os Croods
Frozen – Uma Aventura Congelante
Meu Malvado Favorito 2

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MELHOR SÉRIE DRAMA
Breaking Bad
Downton Abbey
House of Cards
Masters of Sex
The Good Wife

MELHOR SÉRIE COMÉDIA
The Big Bang Theory
Brooklyn 99
Girls
Modern Family
Parks and Recreation

MELHOR MINISSÉRIE/TELEFILME
American Horror Story: Coven
Behind the Candelabra
Dancing on the Edge
Top of the Lake

White Queen

MELHOR ATOR EM SÉRIE DRAMA
Bryan Cranston (Breaking Bad)
James Spader (The Blacklist)
Kevin Spacey (House of Cards)
Liev Schreiber (Ray Donovan)
Michael Sheen (Masters of Sex)

MELHOR ATOR EM SÉRIE COMÉDIA
Andy Samberg (Brooklyn 99)
Don Cheadle (House of Lies)
Jason Bateman (Arrested Development)
Jim Parsons (The Big Bang Theory)
Michael J. Fox (The Michael J. Fox Show)

MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE/TELEFILME
Al Pacino (Phil Spector)
Chiwetel Ejiofor (Dancing on the Edge)
Idris Elba (Luther)
Matt Damon (Behind the Candelabra)
Michael Douglas (Behind the Candelabra)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DRAMA
Julianna Margulies (The Good Wife)
Kerry Washington (Scandal)
Robin Wright (House of Cards)
Tatiana Maslany (Orphan)
Taylor Schilling (Orange is the New Black)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE COMÉDIA
Amy Poehler (Parks and Recreation)
Edie Falco (Nurse Jackie)
Julia Louis-Dreyfus (Veep)
Lena Dunham (Girls)
Zooey Deschanel (New Girl)

MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE/TELEFILME
Elisabeth Moss (Top of the Lake)
Helen Mirren (Phil Spector)
Helena Bonham Carter (Burton & Taylor)
Jessica Lange (American Horror Story: Coven)
Rebecca Ferguson (White Queen)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME
Aaron Paul (Breaking Bad)
Corey Stoll (House of Cards)
Jon Voight (Ray Donovan)
Josh Charles (The Good Wife)
Rob Lowe (Behind the Candelabra)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME
Hayden Panettiere (Nashville)
Jacqueline Bisset (Dancing on the Edge)
Janet McTeer (White Queen)
Monica Potter (Parenthood)
Sofia Vergara (Modern Family)

SAG 2013: indicados

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Poucas surpresas nessa lista do SAG, que é o verdadeiro ponto de partida para a temporada de premiações. Algumas associações já faziam um panorama dos indicados, mas agora começam a ser divulgadas as listas que realmente interessam para a corrida pelo Oscar. Os vencedores do SAG serão conhecidos no dia 18 de janeiro. Abaixo, nossos comentários sobre os indicados:

– Em um primeiro momento, é meio óbvio que 12 Anos de Escravidão será o grande vencedor. Por mais que outros concorrentes tenham elencos repletos de nomes superlativos (Álbum de FamíliaO Mordomo da Casa Branca), o filme de Steve McQueen é o único favorito ao Oscar entre os indicados – o que significa muito para a lista desse ano;

– É surpreendente a ausência de Robert Redford entre os atores. Sempre presente nas listas de associações e um nome de respeito em Hollywood, o ator amargou o esquecimento, o que pode desencadear a mesma situação em outras situações. Ou não, já que Christoph Waltz, esquecido pelo SAG ano passado, faturou o Oscar de melhor ator coadjuvante por Django Livre;

– Não é que Sandra Bullock realmente tem força para estar entre as finalistas de melhor atriz? Em um ano de grandes nomes, sua presença era uma interrogação. Agora, talvez, já não seja mais. A dúvida é se Amy Adams, por Trapaça, não deveria estar em seu lugar. Uma última vaga é disputada pelas duas. Vamos acompanhar;

– Jared Leto já parece nome certo para vitória entre os atores coadjuvantes, mas vale mencionar que essa é a categoria mais surpreendente de todas. Barkhad Abdi e James Gandolfini eram cotados, mas não certos. E Daniel Brühl (que, na realidade, é protagonista em Rush – No Limite da Emoção) veio do nada para marcar território;

– Na categoria de atriz coadjuvante, não teve espaço para Octavia Spencer, por Fruitvale Station, bastante citada até então. Oprah Winfrey parece o nome mais forte, mas é bom ficar de olho em Lupita Nyong’o – já que, dado o histórico, essa é uma categoria onde atrizes negras e novatas costumam ser implacáveis (Octavia e Jennifer Hudson sendo os exemplos mais recentes);

– Já em TV, é de se lamentar profundamente a ausência de Laura Linney por The Big C: Hereafter. A vitória no Emmy não foi suficiente para impulsionar a indicação da atriz, que inexplicavelmente nunca foi indicada pelo seriado em temporadas anteriores. Só que sua ausência se torna ainda mais absurda com a presença de Holly Hunter, quase uma figurante na tediosa Top of the Lake;

– Mad Men está amargando total esquecimento nas premiações. Depois de não levar um prêmio sequer no Emmy, agora a série passa em branco no SAG, sendo preterida até mesmo na categoria de melhor elenco;

– Se ainda não superaram Homeland (série que todos celebraram prematuramente e que hoje já se mostra cansada), pelo menos finalmente caíram na realidade quanto a Damian Lewis, fora de competição;

– Por outro lado, parece que o povo abriu os olhos para Breaking Bad, que conseguiu uma lembrança até então improvável para Anna Gunn entre as performances femininas. É uma pena que só passaram a valorizar a série agora que ela acabou. Mas antes tarde do que nunca!

MELHOR ELENCO
12 Anos de Escravidão
Álbum de Família
Dallas Buyers Club
O Mordomo da Casa Branca
Trapaça

MELHOR ATOR
Bruce Dern (Nebraska)
Chiwetel Ejiofor (12 Anos de Escravidão)
Forest Whitaker (O Mordomo da Casa Branca)
Matthew McCounaghey (Dallas Buyers Club)
Tom Hanks (Capitão Phillips)

MELHOR ATRIZ
Cate Blanchett (Blue Jasmine)
Emma Thompson (Walt nos Bastidores de Mary Poppins)
Judi Dench (Philomena)
Meryl Streep (Álbum de Família)
Sandra Bullock (Gravidade)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Barkhad Abdi (Capitão Phillips)
Daniel Brühl (Rush – No Limite da Emoção)
Michael Fassbender (12 Anos de Escravidão)
James Gandolfini (À Procura do Amor)
Jared Leto (Dallas Buyers Club)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Jennifer Lawrence (Trapaça)
Julia Roberts (Álbum de Família)
June Squibb (Nebraska)
Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão)
Oprah Winfrey (O Mordomo da Casa Branca)

MELHOR ELENCO DE SÉRIE COMÉDIA
30 Rock
Arrested Development
The Big Bang Theory
Modern Family
Veep

MELHOR ELENCO DE SÉRIE DRAMA
Boardwalk Empire
Breaking Bad
Downton Abbey
Game of Thrones
Homeland

MELHOR PERFORMANCE MASCULINA EM SÉRIE COMÉDIA
Alec Baldwin (30 Rock)
Ty Burrell (Modern Family)
Jason Bateman (Arrested Development)
Don Cheadle (House of Lies)
Jim Parsons (The Big Bang Theory)

MELHOR PERFORMANCE MASCULINA EM SÉRIE DRAMA
Steve Buscemi (Boradwalk Empire)
Bryan Cranston (Breaking Bad)
Jeff Daniels (The Newsroom)
Peter Dinklage (Game of Thrones)
Kevin Spacey (House of Cartds)

MELHOR PERFORMANCE FEMININA EM SÉRIE DRAMA
Claire Danes (Homeland)
Anna Gunn (Breaking Bad)
Jessica Lange (American Horror Story: Asylum)
Maggie Smith (Downton Abbey)
Kerry Washington (Scandal)

MELHOR PERFORMANCE FEMININA EM SÉRIE COMÉDIA
Mayim Bialik (The Big Bang Theory)
Julie Bowen (Modern Family)
Edie Falco (Nurse Jackie)
Tina Fey (30 Rock)
Julia Louis-Dreyfus (Veep)

MELHOR PERFORMANCE MASCULINA EM MINISSÉRIE/TELEFILME
Matt Damon (Behind the Candelabra)
Michael Douglas (Behind the Candelabra)
Jeremy Irons (The Hollow Crown)
Rob Lowe (Killing Kennedy)
Al Pacino (Phil Spector)

MELHOR PERFORMANCE FEMININA EM MINISSÉRIE/TELEFILME
Angela Bassett (Betty & Coretta)
Helena Boham Carter (Burton & Taylor)
Holly Hunter (Top of the Lake)
Helen Mirren (Phil Spector)
Elisabeth Moss (Top of the Lake)

Emmy 2013: vencedores

Anna Gunn foi a melhor atriz coadjuvante em série dramática por "Breaking Bad", a grande vencedora do Emmy 2013.

Anna Gunn foi a melhor atriz coadjuvante em série dramática por “Breaking Bad”

Todos os sinais acusavam. Era inevitável: Breaking Bad tinha que ser a grande vencedora do Emmy. Mad Men pode até ter arrebatado a crítica, mas faz anos que não vemos uma série ter tanto buzz e agradar gregos e troianos. As vitórias foram pela primeira parte da quinta temporada, o que já praticamente carimba todas as vitórias possíveis para o ano que vem, quando Breaking Bad concorre por seus excepcionais episódios finais. Desde a quarta temporada, o programa criado por Vince Gilligan já merecia a honraria. Mas não premiá-lo agora despertaria uma indignação sem precedentes. E que bom que os votantes do Emmy foram coerentes com o atual momento da série, que, sem exageros, é a melhor em exibição. Mais do que isso, foram certeiros ao colocar a farsa chamada Homeland de lado e também ao premiar a sempre subestimada Anna Gunn por seu desempenho como coadjuvante. A vitória da atriz foi um dos grandes momentos da noite.

De resto, justo ou não, o Emmy sempre ganha pontos por ser aquilo que todas as premiações não são: imprevisíveis. Certamente você perde muitos pontos no bolão e, todo ano, surpreende-se com alguns vencedores. Não foi diferente agora em 2013, especialmente quando Aaron Paul, Jonathan Banks e Bryan Cranston perderam por suas interpretações em Breaking Bad. Nas comédias, o mofo já reina: quem ainda aguenta ver Modern Family vencendo (quatro anos consecutivos) justo quando 30 Rock se despede?. A inovação também fez falta: Laura Dern bem que poderia ter vencido por Enlightened (ainda que Julia Louis-Dreyfuss esteja sempre inspirada em Veep) e Jane Krakowski merecia pelo menos uma lembrança final por sua eterna Jenna de 30 Rock – que nunca mais terá chances de vencer visto o encerramento da série.

Entre os telefilmes e minisséries, não dá para reclamar. Era mais do que óbvio o total brilho de Behind the Candelabra, que ganhou na categoria principal e também em ator (Michael Douglas, merecedor da honraria, com um dos discursos mais inspirados da noite) e direção (Steven Soderbergh). American Horror Story fracassou pelo segundo ano consecutivo, levando novamente apenas um prêmio para o seu elenco de suporte, dessa vez para o veterano James Cromwell. A vitória de Ellen Burstyn pode até ser uma leve surpresa, mas a atriz tem nome e até que faz um bom trabalho na previsível minissérie Political Animals. Nesse segmento, meu maior aplauso foi para Laura Linney, que não estava presente, mas ganhou por seu impecável trabalho em The Big C: Hereafter. No programa, a atriz tem simplesmente o melhor momento de toda a sua carreira. Não era favorita e ninguém apostava, mas o reconhecimento é incontestável. Ainda uma curiosidade: com esse prêmio, Linney venceu um Emmy por cada um dos quatro papeis que já concorreu na premiação.

O único defeito do Emmy é ser uma cerimônia comprida demais, com momentos que poderiam ser perfeitamente deixados de lado. Não sei o que acontece com os produtores dessas cerimônias, que sempre insistem em deixar os vencedores no palco o mínimo de tempo possível mas não hesitam em colocar esquetes cansativas e outras piadinhas infinitas no roteiro da festa. Neste ano, foram particularmente incômodas as homenagens aos falecidos. Não só porque é até um certo desrespeito dar mais destaque a uns do que outros mas também porque, a cada bloco, o clima pesava quando cada homenagem póstuma tomava conta da tela. Nem Six Feet Under falou tanto de morte em cerca de três horas. Por isso, ainda rezo pelo dia em que as premiações se voltem para aquilo que realmente interessa: prêmios e a chance dos vencedores prestarem suas devidas homenagens em momentos de improviso e emoção. Afinal, a noite é deles.

Confira a lista completa de vencedores (excetuando variedades e reality shows):

MELHOR SÉRIE DRAMA: Breaking Bad
MELHOR ATOR EM SÉRIE DRAMA: Jeff Daniels (The Newsroom)
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DRAMA: Claire Danes (Homeland)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DRAMA: Bobby Cannavale (Boardwalk Empire)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DRAMA: Anna Gunn (Breaking Bad)
MELHOR DIREÇÃO EM SÉRIE DRAMA: David Fincher (House of Cards)
MELHOR ROTEIRO EM SÉRIE DRAMA: Henry Bromell (Homeland)

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MELHOR SÉRIE COMÉDIA: Modern Family
MELHOR ATOR EM SÉRIE COMÉDIA: Jim Parsons (The Big Bang Theory)
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE COMÉDIA: Julia Louis-Dreyfus (Veep)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE COMÉDIA: Tony Hale (Veep)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE COMÉDIA: Merritt Wever (Nurse Jackie)
MELHOR DIREÇÃO EM SÉRIE COMÉDIA: Gail Mancuso (Modern Family)
MELHOR ROTEIRO EM SÉRIE COMÉDIA: Tina Fey e Tracey Wigfield (30 Rock)

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MELHOR MINISSÉRIE/TELEFILME: Behind the Candelabra
MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Michael Douglas (Behind the Candelabra)
MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Laura Linney (The Big C: Hereafter)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM MINISSÉRIE/TELEFILME: James Cromwell (American Horror Story: Asylum)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Ellen Burstyn (Political Animals)
MELHOR DIREÇÃO EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Steven Soderbergh (Behind the Candelabra)
MELHOR ROTEIRO EM MINISSÉRIE/TELEFILME: Abi Morgan (The Hour)

Emmy 2013: apostas

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Neste domingo (22), conheceremos os grandes vencedores do Emmy 2013. O prêmio é conhecido por sempre trazer várias surpresas e, neste ano, resta saber se os votantes continuarão apostando em vitórias de anos (Modern Family? Maggie Smith? ) ou se chegou a hora da renovação (Breaking Bad?). Abaixo, apostas em todas as categorias (excetuando roteiro e direção) de séries de drama e comédia, além de telefilmes e minisséries, com uma aposta principal e uma alternativa. No Brasil, o Emmy 2013 será transmitido pelo Warner Channel, a partir das 21h.

SÉRIE DRAMA: Breaking Bad / Homeland
ATOR DRAMA: Bryan Cranston (Breaking Bad) / Kevin Spacey (House of Cards)
ATRIZ DRAMA: Claire Danes (Homeland) / Vera Farmiga (Bates Motel)
ATOR COADJUVANTE DRAMA: Mandy Patinkin (Homeland) / Jonathan Banks (Breaking Bad)
ATRIZ COADJUVANTE DRAMA: Anna Gunn (Breaking Bad) / Maggie Smith (Downton Abbey)

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SÉRIE COMÉDIA: 30 Rock Modern Family
ATOR COMÉDIA: Louis C.K. (Louie) / Alec Baldwin (30 Rock)
ATRIZ COMÉDIA: Laura Dern (Enlightened) / Julia Louis-Dreyfus (Veep)
ATOR COADJUVANTE COMÉDIA: Ed O’Neill (Modern Family) / Ty Burell (Modern Family)
ATRIZ COADJUVANTE COMÉDIA: Jane Krakowski (30 Rock) / Julie Bowen (Modern Family)

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TELEFILME/MINISSÉRIE: Behind the CandelabraTop of the Lake
ATOR TELEFILME/MINISSÉRIE: Michael Douglas (Behind the Candelabra) / Matt Damon (Behind the Candelabra)
ATRIZ TELEFILME/MINISSÉRIE: Elisabeth Moss (Top of the Lake) / Jessica Lange (American Horror Story: Asylum)
ATOR COADJUVANTE TELEFILME/MINISSÉRIE: James Cromwell (American Horror Story: Asylum) / Peter Mullan (Top of the Lake)
ATRIZ COADJUVANTE TELEFILME/MINISSÉRIE: Sarah Paulson (American Horror Story: Asylum) / Ellen Burstyn (Political Animals)

Os vencedores do 41º Festival de Cinema de Gramado

Vencedores do 41º Festival de Cinema de Gramado foram conhecidos no sábado (17). Foto: Cleiton Thiele/PressPhoto

Vencedores do 41º Festival de Cinema de Gramado foram conhecidos no sábado (17). Foto: Cleiton Thiele/PressPhoto

O grande vencedor da 41ª edição do Festival de Cinema de Gramado veio diretamente de Pernambuco, contando uma história de amor gay em tempos de ditadura. É Tatuagem, de Hilton Lacerda, que venceu o prêmio do júri oficial e da crítica, além das categorias de melhor ator (Irandhir Santos) e trilha musical. Lacerda não é novato no cinema (foi roteirista de filmes como Amarelo MangaBaixio das BestasFebre do Rato), mas só agora teve seu debut como diretor de ficção. Tatuagem, que teve sua primeira exibição em Gramado, incomodou as plateias mais conservadoras por sua veracidade quanto ao mundo gay, mas seu valor cinematográfico mobilizou discussões e debates entusiasmados que facilmente já indicavam essa premiação que aconteceu no último sábado (17).

É recompensador ver que a arte cada vez mais quebra preconceitos (Cannes também premiou um filme gay em 2013: La Vie d’Adele, de Abdellatif Kechiche), o que só comprova como as mentes de Marco Feliciano e Silas Malafaia se mostram absurdamente retrógradas. Gramado acertou plenamente nesse sentido, mas a lista, claro, tem suas ressalvas. Sejamos justos: os vencedores primaram pela pluralidade e pelo reconhecimento a todos. Sempre apóio a descentralização de prêmios (desde que a distribuição seja justa ou no mínimo compreensível), mas isso não quer necessariamente dizer que premiar todos é positivo. Pelo contrário: pode parecer medo de desagradar. E foi exatamente isso que deu para sentir com o júri formado por Affonso Beato, Amir Labaki, Beto Rodrigues, Joana Fomm e Kleber Mendonça Filho.

Leandra Leal compareceu ao evento e ganhou seu segundo Kikito, dessa vez por "Éden". Foto: Edison Vara/PressPhoto

Leandra Leal compareceu ao evento e ganhou seu segundo Kikito, dessa vez por “Éden”. Foto: Edison Vara/PressPhoto

Só mesmo isso para explicar algumas das premiações que comento na sequência. Primeiro Dia de Um Ano Qualquer, de Domingos Oliveira, foi o vencedor na categoria de melhor roteiro. No entanto, o reconhecimento parece mais uma homenagem à memória do diretor e uma comoção ao seu estado de saúde (ele caminha muito mal e tem uma dicção quase incompreensível). Isso porque o filme em si é uma miscelânea de reciclagens e pretensões. Nele, Domingos quer ser um filho de Robert Altman e Woody Allen – o que incomoda profundamente quem conhece a obra desses dois diretores, uma vez que, se for para ver uma mera cópia de segunda, é melhor beber diretamente da fonte.

Revelando Sebastião Salgado, da diretora Betse de Paula (que recentemente arrasou no Cine PE com Vendo ou Alugo), estava prestes a sair de mãos vazias. Porém, eis que o júri resolver conceder um “prêmio especial do júri” – sem explicações – entregando um Kikito para o documentário que celebra a figura do célebre fotógrafo-título. Questiona-se também o prêmio do júri popular. Antes formado por leitores vencedores de concursos culturais em jornais de diversos pontos do Brasil, agora o júri volta a ser quem está na própria sessão, votando ao final dela. Só que fica evidente que os dois vencedores – A Coleção InvisívelAté Que a Sbórnia nos Separe – venceram porque tiveram as sessões mais cheias de todo o Festival (por coincidência, o primeiro foi exibido em uma sexta-feira, dia em que o Festival enche!).

Ainda sobre ressalvas, o absurdo mesmo foram as duas premiações para A Bruta Flor do Querer, de Andradina Azevedo e Dida Andrade. Ainda tendo compreender a mensagem que desejam passar com os prêmios de melhor direção e fotografia para a dupla (celebração da nova geração?), mas é simplesmente impossível: presentes em Gramado já no ano passado com o insosso curta-metragem A Triste História de Kid Punhetinha, agora os diretores voltaram recebendo confetes com esse filme pretensioso, forçado e voltado exclusivamente ao umbigo e aos fetiches de seus próprios realizadores.

Agraciada pela terceira vez com um Kikito, Léa Garcia foi a melhor atriz de curtas por "Acalanto", o grande vencedor da respectiva mostra. Foto: Cleiton Thiele/PressPhoto

Agraciada pela terceira vez com um Kikito, Léa Garcia foi a melhor atriz de curtas por “Acalanto”, o grande vencedor da respectiva mostra. Foto: Cleiton Thiele/PressPhoto

Entretanto, voltamos ao que deu certo. Ainda que com deslizes (que toda premiação do mundo tem), o resultado foi dentro do esperado, refletindo a boa fase que o evento retomou na edição passada. Era óbvio que Leandra Leal ganharia seu segundo Kikito por Éden, que a montadora Karen Harley não sairia de mãos abanando (concorria por A Coleção InvisívelOs Amigos, ganhando pelo segundo) e que o belo curta-metragem Acalanto seria devidamente agraciado (incluindo um merecido Kikito para a impressionante Léa Garcia, que tem um dos olhares mais marcantes do cinema brasileiro).

A cerimônia ainda contou com três divertidas aparições da dupla do espetáculo Tangos e Tragédias, que espaçou a longa entrega dos Kikitos (mais de 40 prêmios!) sem parecer uma intervenção de mera formalidade. Foi diversão mesmo. Mais um ano pra lá de positivo para o Festival de Cinema de Gramado. Nos próximos dias, comentaremos aqui no blog alguns longas da seleção. Se você ainda não viu, confira nossas críticas já publicadas de Flores Raras (filme de abertura, fora de competição) e Os Amigos.

LONGAS-METRAGENS BRASILEIROS

MELHOR FILME: Tatuagem, de Hilton Lacerda
MELHOR DIREÇÃO: Andradina Azevedo e Dida Andrade, por A Bruta Flor do Querer
MELHOR ATOR: Irandhir Santos, por Tatuagem
MELHOR ATRIZ: Leandra Leal, por Éden
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Walmor Chagas, por A Coleção Invisível
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Clarisse Abujamra, por A Coleção Invisível
MELHOR ROTEIRO: Domingos Oliveira, por Primeiro Dia de Um Ano Qualquer
MELHOR FOTOGRAFIA: Gallo Rivas, por A Bruta Flor do Querer
MELHOR MONTAGEM: Karen Harley, por Os Amigos
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: Eloar Guazzelli e Pilar Prado, por Até Que Sbórnia nos Sepere
MELHOR TRILHA MUSICAL: DJ Dolores, por Tatuagem
MELHOR DESENHO DE SOM: Edson Secco, por Éden
PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI OFICIAL: Revelando Sebastião Salgado, de Betse de Paula
MELHOR FILME (JÚRI POPULAR): Até Que a Sbórnia nos Separe e A Coleção Invisível
MELHOR FILME (JÚRI DA CRÍTICA): Tatuagem, de Hilton Lacerda

LONGAS-METRAGENS ESTRANGEIROS

MELHOR FILME: Repare Bem, de Maria de Medeiros
MELHOR DIREÇÃO: Roberto Flores Prieto, por Cazando Luciérnagas
MELHOR ATOR: Cesar Troncoso, por A Oeste do Fim do Mundo
MELHOR ATRIZ: Valentina Abril, por Cazando Luciérnagas
MELHOR ROTEIRO: Carlos Franco Esguerra, por Cazando Luciérnagas
MELHOR FOTOGRAFIA: Eduardo Ramírez Gonzáles, por Cazando Luciérnagas
MELHOR FILME (JÚRI POPULAR): A Oeste do Fim do Mundo, de Paulo Nascimento
PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI OFICIAL: Grupo de Teatro Catalinas Sur, por Venimos de Muy Lejos

CURTAS-METRAGENS BRASILEIROS

MELHOR FILME: Acalanto, de Arturo Saboia
MELHOR DIREÇÃO: Arturo Saboia, por Acalanto
MELHOR ATOR: Kauê Telloli, por A Navalha do Avô
MELHOR ATRIZ: Léa Garcia, por Acalanto
MELHOR ROTEIRO: Francine Barbosa e Pedro Jorge, por A Navalha do Avô
MELHOR FOTOGRAFIA: Alexandre Samori, por Arapuca
MELHOR MONTAGEM: Gilberto Scarpa e Vinícius Gotardelo, por Merda!
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: Rogério Tavares, por Acalanto
MELHOR TRILHA MUSICAL: Luiz Oliviéri, por Acalanto
MELHOR DESENHO DE SOM: Tiago Bello, Rita Zart e Marcos Lopes, por Tomou Café e Esperou
MELHOR FILME (JÚRI POPULAR): Acalanto, de Arturo Saboia
MENÇÃO HONROSA: Carregadores do Monte, de Cassio Santos e Julio Lucena
PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI OFICIAL: Os Filmes Estão Vivos, de Fabiano de Souza e Milton do Prado
PRÊMIO CANAL BRASIL: A Navalha do Avô, de Pedro Jorge
MELHOR FILME (JÚRI DA CRÍTICA: Os Filmes Estão Vivos, de Fabiano de Souza e Milton do Prado

PRÊMIO DOM QUIXOTE

VENCEDOR: Repare Bem, de Maria de Medeiros
MENÇÃO HONROSA: Venimos de Muy Lejos, de Ricardo Piterbarg
MENÇÃO HONROSA: A Oeste do Fim do Mundo, de Paulo Nascimento